Fotografias

42 Olhinhos Puxados


Notas iniciais
Ei, gente, eu tinha digo que traria o capítulo ontem, mas adoeci e não tive como. Mas aqui está o próximo, espero que gostem *-*

Quando Manu chegou no hospital, precisou ficar na sala de espera. Junto com ela, igualmente apreensivos, estava todos os outros, menos Nanda, que havia levado Gustavo para a casa da cunhada, mas que logo chegaria também. De acordo com Mari, que deu uma rápida passada para orientá-los, Lia estava bem e já entraria em trabalho de parto. Realmente era um saco esperar por notícias.
Do lado de dentro da sala de parto, estava um trio de médicos, Mari e Ju, todos devidamente vestidos com roupão e máscara. Deitada, Lia gritava entre uma contração e outra. Os cabelos negros e lisos estavam encharcados de suor e colavam irritantemente no rosto.
Definitivamente, aquela seria a primeira e última vez que ficaria grávida! A dor era insuportável e agora vinha a cada dez segundos, se não em menos. Para piorar, o bebê chutava insistentemente, lutando para sair dali de qualquer jeito. Suas pernas estavam absurdamente abertas e todo mundo olhava para o lugar em que considerava ser a parte mais sagrada de seu corpo. Mas no momento estava pouco se importando para aquilo, pois só queria que essa tormeta acabasse o mais rápido possível. Já não bastava ter ficado mais de três horas sentindo dor? Com Juliana perguntando a todo instante se estava bem, sendo que era nítido em suas feições de que a resposta era evidentemente negativa.

– Onde está essa maldita anestesia? Indagou entre dentes, sentindo uma dor insuportável. Por alguns momentos, pensou seriamente que fosse morrer.
– Pelo jeito, não obteve efeito o doutor comentou, ao lado da doutora Laura. Fica calma que tudo vai dar cedo.
– IMPOSSIVEL FICAR CALMA! Tirem logo essa criança de dentro de mim, pelo amor de Deus! A japonesa gritou dessa vez, lutando contra uma vertigem forte.
– Continua fazendo força, Lia Mari estava postada no meio de suas pernas, observando atentamente a possibilidade do bebê começar a sair. Respira e contrai.
– Eu estou... Lia novamente usou toda sua força, esgotando praticamente todas as suas energias. Juliana segurava firmemente em sua mão. O semblante preocupado e o coração disparado. Estava com medo de que algo desse errado. Quando relaxou para voltar a respirar, continuou: -... Tentando.
– Já estou vendo a cabecinha, vamos Lia. Você consegue a loira a incitou, dando um tapinha carinhoso na coxa alva coberta pelo lençol. Ao lado dela, doutora Laura e o auxiliar verificavam as máquinas que indicavam o estado da japonesa. Mais uma tentativa e Mari sorriu aberto. Tem o cabelinho preto. Só mais uma, Lia.

Ao respirar fundo pela última vez, Lia fechou os olhos e fez o máximo de forças que conseguiu. Seu corpo estava exausto e já não aguentava mais sentir dor. Aquele tormento parecia nunca ter fim. Estava completamente suada e ofegante, o coração martelava ferozmente contra o peito. Mais uma onda de vertigem estava querendo invadir seu ser. Só que nada daquilo realmente importou quando o choro alto e histérico invadiu todo o ambiente.
Parecia que toda a sua dor e cansaço tinha desaparecido. Tudo ao redor sumiu e apenas o som do choro embalava seus ouvidos. A respiração ainda vinha arfante, enquanto agora os médicos se prontificavam a cortar o cordão umbilical de seu bebê, para iniciarem o procedimento de retirada da placenta. Não se importou também com aquilo. Não conseguia vê-lo, mas seu coração almejava por aquilo.

– É um menino grande e saudável a loira disse num tom orgulhoso, segurando um bebê inquieto e sujo de sangue nos braços. Por baixo da máscara, Mari carregava um sorriso emocionado. Quer segurá-lo?

Lia limitou-se apenas a assentir com a cabeça, sentindo um turbilhão de emoções querendo controlar tudo. Quando sua amiga apareceu em seu campo de visão, os olhos puxados encheram de lágrimas. Ele era... perfeito. Os dedinhos dos pés mexiam de forma inquieta, juntamente com as perninhas e os bracinhos. Apesar de estar todo sujo e o cabelo negro estar encharcado, Lia percebeu o quanto ele era cabeludo.
Por um momento, até Juliana havia sido esquecida. E foi exatamente nesse momento, quando Mari o colocou em seus braços, que Lia percebeu que havia se apaixonado a primeira vista. Um par de lágrimas escorregou de seus olhos puxados, demonstrando o quanto estava feliz. Todo o sofrimento que passou durante aqueles quase nove meses, todas as horas que havia sofrido de dor, a demora para a chegada até a sala de parto... tudo havia valido a pena.

– Qual o nome que vocês escolheram? Doutora Laura quebrou a magia do momento, fazendo-a desviar momentaneamente sua atenção do bebê.
– Lucas. O nome dele será Lucas ao dizer, permitiu que Mari o pegasse de volta, pois precisava limpá-lo e vesti-lo.
– Você está bem, meu amor? Juliana pronunciou pela primeira vez desde o começo do parto. Seu tom de voz era tenso, mostrando que estava realmente com medo de levar um soco.
– Estou cansada, mas muito feliz. Você viu como ele é lindo? Sorria abertamente para ela, recebendo um selinho demorado em seguida.
– Ele é tão lindo quanto você.
– Vai lá ver seu filho, Juliana doutora Laura disse com um sorriso escondido sob a máscara descartável. Nós vamos iniciar o processo de retirada da placenta. Você está sentindo alguma coisa diferente, Lia?
–Estou exausta e com algumas dores chatas a japonesa respondeu baixo, notando em seguida a mulata ficar tensa ao seu lado. Eu estou bem, meu amor. Pode ir lá ver o Lucas.

Ainda relutante, Ju fez o que ela pediu. Enquanto doutora Laura colocava em prática seu procedimento, manteve-se a todo instante ao lado de Mariana, que limpava com carinho seu filho. Ao lado, na bancada, estava a bolsa dele, com todas as roupinhas que julgaram ser essenciais para aqueles dias no hospital. Se tudo ocorresse bem, poderiam ir embora no dia seguinte mesmo.

– Ele é bem estressadinho, está vendo? Mari comentou, rindo de leve. Ela colocava uma blusa minúscula nele, agora limpo, para em segura colocar o casaquinho. A todo tempo, ele sacudia os bracinhos e perninhas.
– Ele é tão pequenininho... é normal?
– Só aparenta ser, mas ele é bem grandinho para os padrões. E, ao que parece, muito esperto também levantou as perninhas com cuidado para terminar de colocar a pequena calça branca, logo após ter colocado as meias. Ah, nosso presente já chegou.
– Que presente? Ju desviou momentaneamente os olhos do bebê para fitá-la. Segurava a mãozinha dele coberta por uma luva também branca.
– Nós compramos a decoração do quarto dele, toda azul. Adesivos para as paredes e móveis, lençóis, travesseiro, manta, protetor de berço e mais algumas coisas a loira riu ao ver a expressão boquiaberta dela. Você sabe que eu já sabia.
– Mas eu não sabia que tinha isso em mente voltou a olhá-la, franzindo as sobrancelhas negras levemente. Mas obrigada, você tem sido perfeita a todo o tempo.
– Vocês merecem isso e muito mais, pode acreditar Mari sorriu e pegou a escovinha de dentro da bolsa branca com detalhes amarelo-bebê. Quer penteá-lo?

(..)

A galera já estava ficando cansada de esperar, quando um homem de estatura mediana e pele morena saiu pela porta que levava aos consultórios e salas de cirurgia. Ao lado dele, uma mulher consideravelmente mais baixa e com o cabelo cortado bem curtinho tinha uma expressão indecifrável no rosto. Ambos vestidos em jalecos impecavelmente brancos. Reagindo a presença deles, todos que esperavam sentados levantavam brutamente. Estavam muito aflitos, afinal, o parto foi demorado demais.

– Nossa, quanta gente doutora Laura disse com um sorriso gentil nos lábios. Logo após, uma mulher ruiva e de olhos verdes também entrou no local, chamando a atenção do restante por meio segundo. E continua chegando mais ela comentou, parecendo se divertir com a aflição de toda aquela gente, mal percebendo o olhar desconfiado de Manu para cima de Sarah.
– Você demorou. Onde esteve? Foi Victor que perguntou. Liguei trezentas vezes para o seu celular e só caía em Caixa Postal.
– Isso não é hora de discutir relação Claudia logo o cortou, sem dar chance alguma da ruiva responder, parecendo mais apreensiva do que os outros presentes. Afinal, era sua melhor amiga que estava em trabalho de parto. Me diz, doutora, como a Lia está? O bebê nasceu?
– É menino ou menina? Clara emendou outra pergunta, extremamente curiosa.
– Fiquem calmos, tudo aconteceu dentro do esperado. Todo o processo de parto ocorreu bem e Liane já está no quarto. Nada de grave aconteceu e o bebê nasceu com três quilos e quatrocentas gramas e quarenta e quatro centímetros enquanto explicava tudo, a galera ficava ainda mais ansiosa para saber o sexo da criança. Tudo bem, tudo bem. É um menino.
– Droga! Sarah franziu as sobrancelhas, deixando a médica confusa. Ao lado dela, David e Manu batiam as mãos no alto em um sinal claro de comemoração.
– Eu disse pra você que era um menino, mas você cismou comigo dizendo que não Victor a empurrou e apontou para Clara. Você também tem culpa nisso, branca azeda.
– Ganhamos quinhentos reais molinho David riu descaradamente, só agora deixando a doutora a par da situação.
– Vocês fizeram uma aposta? O médico auxiliar indagou, as sobrancelhas erguidas de tamanha surpresa.
– Não se engane, eles estavam se mordendo de preocupação. Essa é a maneira de demonstrarem o quanto estão felizes por tudo ter dado certo. Apesar de que algumas pessoas vão ficar consideravelmente mais pobres Claudia sorriu abertamente, deixando evidente que estava no time dos vencedores. Doutora Laura não conseguiu segurar uma risada. Somos todos amigos delas e de Mari e somos muito agradecidos pela forma como tratou Lia durante todos esses meses. Ela é uma doida varrida e não teria conseguido chegar tão longe sem as orientações da senhora. Obrigada, de verdade a abraçou carinhosamente, mostrando o quanto suas palavras eram verdadeiras.
– É muito bom ouvir esse tipo de coisa. Eu que agradeço pelo carinho a médica sorria gentilmente, olhando para todos ali. Aposto que, apesar de todo o preconceito ainda existente no mundo, essa criança será muito feliz. Vocês emanam uma energia muito positiva e isso será muito bom para o bebê. É por isso que o bebê de Mariana é tão saudável e esperto. Isso se dá ao fato de ter o seu amor como complemento ela olhava diretamente para a índia de cabelos lisos e longos. Desejo muita felicidade a todos vocês. Se quiserem, podem visitá-la no quarto. O bebê está com elas. Mas só é permitido duas visitas de cada vez, isso se Juliana sair do quarto para ceder seu lugar.
– Ah, ela será obrigada a sair Claudia piscou para ela e sorriu, virando para a galera logo depois. Quem vai primeiro?

(...)

Clara estava sentada numa cadeira estofada, de frente para a cama onde Lia estava deitada. Já Claudia, estava do outro lado, observando os movimentos de Mariana, que verificava o bebê de cabeleira negra e involuntariamente arrepiada. Sem sombra de dúvida, era a coisinha mais linda do mundo. Claudia havia se apaixonado por ele, por mais que permanecesse de olhos fechados, num sono preguiçoso. Ele estava com as mesmas roupinhas brancas e as luvinhas com detalhes amarelo-bebê. Estava louca para pegá-lo no colo.

– Você tem certeza que ficou tudo bem mesmo? Lia olhava para a loira de olhos azuis, não contendo o sorriso ao perceber Mari se aproximar com o pequeno Lucas no colo.
– Eu também achei muito estranho a mãe de vocês aceitarem assim, sem mais nem menos foi a vez da médica palpitar, inclinando o corpo para frente. Agora, Luquinhas, que tão a gente tentar mamar um pouquinho? Ao terminar de dizer, colocou-o nos braços da mãe.
– Espero que ela esteja falando a verdade a morena franziu as sobrancelhas, mas riu ao ver a dificuldade de Lia ao colocar o seio na boca da criança. Acho que alguém está com dificuldade.
– Isso é normal mas Mari também riu, pois a japonesa fazia um bico emburrado. Assim, oh. Sem pedir permissão, levou a mão até o seio dela ao mesmo tempo em que apoiava a cabeça do bebê, auxiliando-o a segurar o bico. Lia mordeu os lábios.
– Isso dói mesmo doendo, era uma sensação incrível. Ele era tão lindo, tão perfeito, que seu coração se derretia só de olhá-lo.
– É por que seus seios estão doloridos, mas logo a dor vai cessar.
– Eu queria aproveitar o momento para dizer uma coisa Lia desviou momentaneamente sua atenção de Lucas para olhar para as três. Quando viu que a atenção delas estava voltada para si, sorriu de lado. Eu estou bastante confusa quanto a quem vão ser as madrinhas dele. Eu queria que fosse as três, mas...
– E por que não pode ser as três? Clara sorriu. Mas você ta falando sério?
– Claro que estou. Claudia é minha amiga desde o ensino médio, você me ajudou muito nos anos que nós estávamos separadas e Mari foi simplesmente perfeita, sempre me ajudando e também ao Lucas ela olhou para o bebê, que mexeu os bracinhos e abriu os olhos. Eles eram cinza, quase verde, porém tudo indicava que ficariam negros com o passar do tempo. Então está decidido. Vocês três serão as madrinhas dele.
– E o padrinho? A médica indagou, fazendo um carinho na cabeleira muito lisa da criança.
– Victor. Eu o conheço desde pequena deu de ombros e sorriu.
– Essa criança já pode parar de mamar, porque eu quero pegar e encher de cheirinho Claudia estava inquieta ao lado da médica.
– Mas eu acho que metade do planeta está lá fora, querendo que vocês duas saiam Mari riu, sendo acompanhada por Lia, que concordou com a cabeça.
– Me recuso a sair sem pegar meu afilhado no colo a morena de olhos azuis cruzou os braços e bateu os pés, emburrada. Isso acabou causando mais risadas nas meninas.

Assim que Luquinhas acabou de mamar, Claudia correu logo para pegá-lo no colo. Era tão levinho e fofo que dava vontade de morder. Sem contar os olhinhos levemente puxados, como os da mãe. Depois que Clara também o paparicou um pouco, ambas deram um beijo na japonesa e saíram para que o restante pudesse entrar. Todos simplesmente amaram o bebê. Também, não tinha como não amá-lo. Era tão calminho, nem parecia ser filho de Liane.

(...)

Aquela era a primeira vez que Manu desejava que Sarah não abrisse a droga da porta de sua casa. Já tinha chegado a mais de vinte minutos e simplesmente não conseguia se concentrar em nada. Se o time já havia chegado há dois dias, por que ela simplesmente não veio junto? Ou se veio, onde estava? Droga, as perguntas estavam começando a lhe deixar tonta. Odiava ser obrigada a pensar em soluções quando não queria nem ao menos pensar nela. Mas que droga!
Estava sentada na cama, olhando para a televisão, mas sem ao menos ver nada. Alarmou-se quando ouviu o barulho da maçaneta girando. Amaldiçoou Sarah umas trezentas vezes ao vê-la em pé na porta, usando o mesmo vestido verde-água do momento em que chegou na sala de espera do hospital. Os olhos também verdes reluziam com a luz clara da sala de estar e mostravam uma mistura de desapontamento e confusão, que Manu não entendeu o motivo de imediato.

– Por que você está me ignorando? Ela não tardou em perguntar, num tom quase exigente. As palavras fizeram a loira levantar do sofá.
– Onde você estava esses dias? Os olhos azuis a fitaram intensamente. Manu poderia jurar que ela tinha ficado tensa com a pergunta.
– Você sabe que eu viajei com o time e...
– O time voltou há dois dias. Por que você está mentindo? O tom de voz da loira ficava cada vez mais frio. Qual a necessidade disso?
– Você está me vigiando? Sarah se defendeu, tendo a indagação como o seu único argumento. Notou-a bufar em seguida.
– Você acha que eu perderia meu tempo vigiando você, Sarah? Olha bem para mim aos poucos, a fotógrafa começava a se alterar. Fazia algum tempo desde a última vez que brigaram. De tudo na vida, a única coisa que não tolerava era mentiras. Você acha que eu veria algum motivo para ficar vigiando você?

Sarah não respondeu.

– Eu pedi para ir com você para essa porcaria de jogo, mas você não quis. Disse que voltava em cinco dias, mas o time voltou em três! Para que você queria que eu não fosse? Aonde você estava? Eu nem ao menos sei a droga do seu time ganhou ou perdeu! Apontou o dedo para ela, controlando-se para não lhe socar a cara. Não fazia o tipo violenta, mas simplesmente odiava se ver naquele tipo de situação. Não depois de tudo que passaram.
– Eu precisei resolver uns negócios e meu celular não estava pegando sinal a ruiva se esquivou. Quando tentou tocar-lhe nos ombros, ela se afastou. Manu, por favor. Para com isso. Você não sentiu nem um pouco de saudades de mim?
– Se você realmente se preocupasse com isso, teria me procurado antes Manu deu dois passos para trás, respirando fundo. Ainda não acreditava no que estava prestes a fazer. Sarah, vai para sua casa. Quando tudo estiver mais calmo, eu te procuro.
– Você está me expulsando?!
– Só estou me dando um tempo para pensar, pois essa história está muito mal contada ao terminar de dizer, foi até a porta.

Sentiu uma vontade imensa de chorar, embora tudo que realmente quisesse fosse puxá-la para dentro do apartamento e enchê-la de beijos. Por que aquela maldita tinha que estragar tudo de uma hora para outra? Ou será que estava sendo rigorosa demais? Seja lá qual fosse a resposta, não voltaria atrás.

Continua...

Notas finais
OMG, fiquei emocionada com esse parto, Deus... E eu to ficando com medo de vocês KKKKKKKKK Ainda não me decidi sobre o final da fic, veremos mais a frente u.u Não respondi os reviews por falta de oportunidade, mas o farei hoje ou segunda. Beijos gente, até o próximo sz