Fotografias

37 Filme de Ação


Notas iniciais
Ei gente, voltei =D Sei que querem me matar por causa do último capítulo, mas eu trouxe esse rápido para me redimir u.u Só tenho uma coisa a dizer: Débora sz

Era como se Débora e Nanda estivessem em um filme de ação. Ambas andavam cautelosamente pelo interior úmido e fedido do armazém, embora estivessem com pressa. O grito de Sarah as tinha deixado aflitas e alertas, mas não podiam simplesmente entrar correndo sem saber o que realmente as aguardava mais para dentro.

Mesmo com o céu lindo e estrelado lá fora, a parte interior pingava praticamente em todos os cantos, por vazamentos nos canos e nas paredes. O cheiro forte de mofo estava deixando a detetive louca.

Ao passar por um corredor extenso, ambas notaram duas opções de escolha para seguirem. À direita havia um vão que levava a uma área escura, possivelmente onde teriam acesso ao lugar em que Júnior estava com as garotas. À esquerda, uma escada de ferro levava a um corredor no alto, que seguia para a mesma direção da porta.

– Você fica aqui – Débora sussurrou. Num gesto vicioso, verificou as balas dentro da arma. – Se nada acontecer, você sobe também. Mas eu tenho certeza que você vai saber quando entrar em ação – piscou para ela e subiu devagar, com receio de que o ferro enferrujado fizesse algum tipo barulho.

Apesar do que ela havia dito, Nanda não ficou parada. Não conseguia só esperar, então se aventurou pela área escura depois do vão. Tentava ao máximo tomar cuidado para não esbarrar em nada e causar uma confusão sem necessidade. Nas mãos, a pistola era apontada para frente, num gesto comum de autoproteção.

A índia ficou tensa ao ouvir uma gargalhada vir de algum lugar mais a frente e em seguida o implorar de uma voz cansada e chorosa. Júnior e Sarah, concluiu com o coração apertado. Ele estava fazendo alguma coisa com Manu, tinha certeza. Aos poucos foi se aproximando devagar, até chegar a uma porta entreaberta. Seu coração faltou pular da boca quando viu a ruiva amarrada pelos pulsos e Júnior em cima da fotógrafa, abrindo-lhe o short jeans. Aquela cena lhe causou enjoo.

Sabia que, se entrasse agora e atirasse nele, tudo seria bem mais fácil. Só que Débora estava indo ao encontro dos outros comparsas. Se simplesmente tentasse resolver as coisas sozinha, poderiam acabar se dando muito mal naquilo. Então decidiu ficar e esperar, sofrendo por vê-las daquele jeito.

(...)

Débora pensava no que realmente estava fazendo naquele lugar. Na semana passada era uma mulher comprometida, que jurava amor por uma estudante universitária de jornalismo. Hoje estava no Rio de Janeiro, fugindo de qualquer tipo de aproximação que levasse ao fim da decisão que tinha tomado em relação a sua vida. Estava em um caso do qual não deveria estar participando, podendo possivelmente levar sua carreira ao fim.

Mas não estava se importando de verdade com isso. Afinal, não tinha mais a parte que lhe dava sustento. Não tinha mais a parte que fazia com que cada momento em sua vida valesse a pena, por mais difícil que fosse. Não tinha mais consigo a pessoa que mais amava no mundo. Era culpa sua, tinha ciência sobre isso, mas não voltaria atrás em mais nada a partir de agora.

Com esses pensamentos, a detetive atravessou o corredor elevado, indo em direção a um lugar que imaginava ser onde os homens estavam. Se tinha uma coisa que havia aprendido em sua carreira, era que sempre deveria acreditar em suas intuições.

O final do corredor levou a outra escada, agora descendo de volta para o térreo. Ela desceu bem devagar, controlando seus pés para que os saltos da bota de couro não fizessem barulho. Tentava se apoiar com cuidado no corrimão de ferro cortante, descendo degrau por degrau. E sentiu-se obrigada a sorrir quando ouviu um par de gargalhadas cortando o silêncio sombrio.

Sua intuição nunca falhava.

Ao chegar no último degrau, aproximou-se do que deveria ser uma porta, mas que só havia um vão no lugar. O mais cautelosa possível, Débora encostou as costas na parede, a pistola sendo segurada com firmeza por uma das mãos, e inclinou o corpo para espionar lá dentro. Tinha mais dois homens ali, sentados e debatendo sobre futebol. O mais baixo e parrudo insistia ao dizer que alguma jogada não era válida, enquanto o mais alto e forte o contradizia.

Precisava pensar rápido, muito rápido.

Seu plano inicial era chamar a atenção do Júnior e tentaria fazê-lo de alguma forma. Respirando fundo, Débora se revelou, mal percebendo que eles estavam praticamente no meio de um monte de sucata. Assim que o parrudo a viu, ele levantou assustado, mas a loira não permitiu que tivesse tempo para reagir prontamente. Sem dor nem piedade, atirou duas vezes, acertando-o no peito. Não esperou para vê-lo desfalecer. Débora correu pelo enorme espaço e se jogou atrás de uma extensa bancada de ferro, cortando o braço em alguma coisa afiada.

– Droga – praguejou, mal sentindo a dor vinda do corte que já começava a sangrar.

– Quem é você?! – Ele gritou. – J.R., DÁ UMA MÃOZINHA AQUI!

– To ferrada – Débora quase riu, ainda jogada atrás do balcão. O sangue escorria por seu braço e pingava no chão imundo.

(...)

Do outro lado do armazém, Nanda observava toda cena, apreensiva. Queria muito correr e tirar aquele brutamonte de cima da madrinha de seu filho, mas não poderia trair a confiança de Débora. Ela poderia ficar realmente encrencada se agisse de forma imprudente. Sentiu-se obrigada a ficar olhando aquilo.

Durante o tempo em que ficou ali, Júnior abriu o short de Manuela e tentou tirá-lo, mas se interrompeu ao ouvir Sarah implorar, aos prantos, pela milésima vez. Seu coração estava apertado demais e foi nesse instante que pensou: Jamais desejaria aquilo nem para o seu pior inimigo. Em um momento, teve que cravar as unhas na palma das mãos ao vê-lo dar um tapa no rosto da ruiva de olhos verdes e em seguida dizer coisas absurdas.

Mas foi quase três minutos depois que tudo mudou. Alguém gritou pelo idiota lá da outra extremidade, num tom desesperado. Parecendo agir no automático, Júnior disse alguma coisa para as garotas e correu dali. Débora mais uma vez estava certa, não tinha como não saber que agora era sua vez de agir.

– Manu? – Nanda ouviu a voz fraca e chorosa da jogadora de vôlei. Lutando contra o tempo, correu até onde elas estavam.

– Sarah? Você está bem? – Enquanto murmurava, ia tirando um canivete do bolso de trás da calça jeans colada.

– Oh, meu Deus... Nanda... – Sarah arfou, sentindo o coração acelerar de felicidade. – Por favor, ajude a Manu.

– Calma, vamos soltar você primeiro – a marinheira começou a cortar a corda, com pressa.

Sarah não sabia o que sentir naquele momento. Um misto de alegria e esperança se mesclava a uma tristeza profunda por causa de tudo que estava acontecendo, por ver sua namorada sofrendo daquele jeito. Queria que Nanda a soltasse logo, para poder correr até onde ela estava e se certificar de que ainda estava acordada. Necessitava saber se ela estava bem, se estava respirando. Seu corpo e mente ansiavam por aquilo, seu coração implorava por contato.

Assim que a corda cedeu e o nó partido caiu no chão, a ruiva mal sentiu que seu corpo pesava como chumbo. Mesmo com as pernas bambas e os pulsos queimando, ela deixou Nanda para trás e desabou ao lado de Manuela. Mal estava conseguindo respirar, devido ao coração apertado. Segurou-lhe o rosto e o virou para poder olhá-lo.

– Meu amor, está me ouvindo? – Não conseguia conter o desespero em sua voz ao chamar por ela. Nem percebeu que Nanda havia agachado ao seu lado, também apreensiva.

– Precisamos sair daqui – ao apoiar a mão no ombro dela, a índia percebeu o quanto ela estava tensa. – Não temos muito tempo.

– Não sem saber se ela está bem – as mãos da ruiva tremiam. Ela envergou o corpo para baixo e encostou o ouvido no peito da fotógrafa. Arfou ao ouvir o coração dela bater acelerado. – Está me ouvindo, meu amor?

– Estou – os olhos azuis abriram devagar e fitaram as duas mulheres no escuro. Os cabelos loiros estavam espalhados pelo chão úmido. – Eu sabia que você vinha, Nanda – Manu tossiu ao dizer e, com a ajuda de Sarah, se sentou.

(...)

Não era como se fosse uma covarde, longe disso. O que acontece é que, dentro do espaço onde estava, tinha um armário em forma de homem, armado. E logo chegaria outro, provavelmente também possuindo alguma arma consigo. Então era mais por questão estratégica. Débora se esgueirou em meio ao monte de sucata existente naquela parte do armazém, tendo, lógico, seu amiguinho a procurá-la como um cão farejador.

Felizmente, conseguiu se esconder atrás de um armário sem portas, que havia sido afastado da parede por algum motivo. Estava muito escuro naquela parte e não seria vista se ficasse abaixada.

Logo Júnior apareceu e automaticamente Débora fez uma careta, desaprovando o conteúdo que presenciou. Mesmo de longe, ele parecia ser enorme. Vestia jeans e uma camisa larga de basquete. Na cabeça, um boné que a loira não conseguiu identificar se era verde ou azul, mas tinha certeza que o tênis branco era da Adidas. Foi inevitável não se perguntar do porquê a amiga de Nanda ter namorado um cara tão feio como aquele. Não gostava de homens, mas tinha certeza que, se gostasse, ele nunca teria uma chance. Nunca mesmo.

– O que aconteceu? – Débora fez outra careta ao ouvir a voz dele.

– Uma mulher loira e gostosa chegou atirando no Dudão – apesar do tom assustado, a expressão no rosto dele era neutra.

– Loira?!

– É, não estou fantasiando. Olhe o estado dele – ele apontou para o tal de Dudão, que estava estirado no chão, em meio ao lixo e sucata, desacordado.

– E onde está essa loira? – Cada segundo que se passava, Júnior ficava ainda mais impaciente.

– Está aqui dentro, com a gent...

– Seu idiota! – Júnior o socou no rosto, mas logo em seguida tirou a arma da frente da calça e apontou para frente de uma maneira cuidadosa. – Como você deixa uma mulher entrar, atirar no seu parceiro e ainda se escond...

– AI... PORRA! – Ele exclamou quando uma bala atingiu o chão, bem pertinho do seu pé. – Essa puta quase me acertou!

Em silêncio, Débora praguejou por ter errado o disparo silencioso. No escuro tudo era mais difícil. Agora precisava sair dali ou seria achada com facilidade, porém, quando saiu de trás do armário, ouviu o barulho ensurdecedor de tiros vindo em sua direção. Merda! Havia sido encontrada! Por instinto, correu para o outro lado do espaço, pulando duas cadeiras tombadas enferrujadas. Mais tiros. Sentiu-se obrigada a se jogar novamente atrás do balcão. Seu braço estava encharcado de sangue.

Droga, podia ficar pior? Dois disparos acertaram o balcão e uma mesa tombada a sua frente, fazendo-a se encolher um pouco.

Como se percebesse que, ao se esconder e não trocar tiros, Débora só estava tentando ganhar tempo, Júnior urrou de raiva.

– Cuide dela, mas a traga para mim com vida – Júnior disse antes de sair correndo.

Que ótimo, não ia dar tempo!

(...)

Tudo que precisavam fazer era dar o fora dali, mas foi praticamente impossível Nanda cuidar das duas. Sarah dizia que estava bem, porém cambaleava mais que andava. E quanto a Manu... a índia foi obrigada a pegá-la no colo, pois ela não tinha a mínima condição de andar. Estava fraca e trêmula. Ouvi-la pedir por água fez o coração da marinheira se apertar. Mas não podia fazer nada quanto a isso agora. Só tinham que sair, nada mais.

(...)

– Que tal você sair logo daí de trás? – Furioso, o homem em forma de armário apontava uma pistola dourada na direção que a detetive estava.

– Ok, vamos brincar um pouco – Débora murmurou para si mesma, contou até três e destravou o fuzil. Antes de se levantar, teve que se convencer a não acertá-lo.

Apenas assustá-lo. Apenas assustá-lo. Apenas assustá-lo.

Como se tivesse nascido para aquilo, Débora já levantou atirando. O corpo curvilíneo estava um pouco inclinado para trás e as mãos seguravam firmemente o armamento pesado. Mesmo estando acostumada, a pressão que a Colt M4 fazia aos poucos deixava os braços da loira dormentes. Atirar lhe causava uma sensação tão boa! Sentia-se quase uma maníaca, embora em seu rosto estivesse uma expressão séria e concentrada. Estaria ferrada se o acertasse.

Quando parou os disparos, notou que tinha gastado mais da metade da munição. Era o suficiente. Dava para perceber ao ver o homem encolhido no chão. As marcas estavam por toda a parede. Antes que ele pensasse em reagir, Débora soltou o fuzil, que caiu e ficou pendurado pela corda de suporte, e pulou a bancada.

– Acho que você não vai mais precisar disso – disse para ele, chutando a pistola dourada no chão para longe. Ao notar que ele ia levantar para confrontá-la, tirou rapidamente a pistola do cós da calça e apontou para ele, encostando-lhe o cano na testa suada. – Acho bom você ficar quietinho, ou vai acabar ficando do mesmo jeito que seu amigo.

– Como conseguiram entrar? Essa Colt estava com Léo, lá fora...

– Abatê-lo foi tão fácil que chegou a ser entediante – secou a mão molhada de sangue na calça jeans e franziu de leve as sobrancelhas ao finalmente sentir doer o corte profundo em seu braço. Tentando ignorar, levou a mão livre até o bolso do colete e tirou um par de algemas. – Você está preso. Levante e vire-se – pressionou a pistola contra a testa dele. Assim que o viu virar de costas, guardou a pistola e prendeu-lhe o objeto nos pulsos. — Só para garantir...

Débora o virou novamente de frente e, com toda sua força, acertou um soco no rosto duro como mármore. Pancada na região do queixo era queda na certa. Quando o homem tombou, a loira suspirou e sentiu uma vontade desesperada de fumar um cigarro. Mas não tinha tempo para isso agora. Então, sacudindo a mão que o acertara, correu para onde Nanda estava.

(...)

Os tiros faziam um barulho ensurdecedor dentro do ambiente fechado. Era como se estivessem no meio de uma guerra, principalmente quando os disparos incessantes do fuzil começaram, parecendo que derrubaria o armazém.

Com Manu nos braços, Nanda andou o mais rápido que conseguiu na direção de onde havia entrado. Ao seu lado, Sarah caminhava com dificuldade. Não perguntou se os pulsos dela doíam, pois estava evidente que sim. Mas não tinham tempo para se preocupar com feridas, pois Júnior poderia aparecer a qualquer momento.

– Você trouxe reforços? – Sarah perguntou, tentando seguir os passos da índia.

– Trouxe uma amiga – a marinheira sorriu de lado e em seguida suspirou aliviada ao passarem pela porta. Só faltava a entrada principal.

Nanda agradeceu por Sarah não ter feito mais perguntas, pois carregar Manuela já era o suficiente. Ficar falando estava fora de questão. Percorreram o restante do caminho até passarem pela porta principal. Foi nessa hora que os tiros finalmente cessaram e tudo voltou ao seu silêncio, exceto pela respiração ofegante da índia e Sarah, que continuavam andando, agora em direção à rua deserta.

– Aonde você pensa que vai? – Júnior apareceu em meio às sombras e segurou a ruiva pelos cabelos, fazendo-a gritar de dor. – Bem que eu imaginei que a loira gostosa estava só nos distraindo.

– Onde ela está? – A marinheira gritou, sentindo o coração apertar, apesar de ter certeza de que ela estava bem. – Solte ela, Júnior! – Nanda colocou Manu no chão com cuidado para poder ir até onde ele estava, mas congelou no lugar ao vê-lo apontar uma arma para a cabeça da ruiva.

– Aproxima e eu atiro – ele sorria de forma debochada.

Continua...

Notas finais
Eu não sou muito boa escrevendo ação, mas espero que vocês tenham gostado, de verdade. O que acharam da minha musa detetive? E de todo o desenrolar desse capítulo? Amanhã respondo os reviews. Beijos meus amores sz