Fotografias

30 Desistencia


Notas iniciais
Como prometido, cá estou eu postando o capítulo maravelhoso para vocês. Sei que vocês querem me matar pelo capítulo anterior, mas esse é mais ameno, acho u.u Espero que gostem. Boa leitura a todos sz

Sarah sabia que todos os seus amigos estavam naquele momento atrás de sua namorada. Poderiam estar achando-a louca, mas Manu não costumava sumir sem avisar. Ela não conhecia ninguém na cidade, além dos colegas de trabalho e do círculo de amizade que tinham em conjunto. E, quando acontecia algum imprevisto, ela sempre ligava avisando, ou mandava mensagem pelo celular. Só que a última vez que tinha lido sua mensagem no WhatsApp foi alguns minutos antes de ela sair do trabalho. Ela estava toda animada, embora muito cansada, avisando que estava louca para irem logo jantar fora, pois estava morrendo de fome.

E desde então não obteve mais notícias. Não demorou muito para que começasse a ficar preocupada. Até chegou a cogitar que ela tivesse esquecido o aparelho no trabalho, porém quase surtou quando ligou e confirmou que ela já tinha saído a algum tempo de lá.

Agora estava dentro de seu carro, dirigindo sem saber muito bem para onde ir. Ela não estava na casa de nenhuma das meninas, nem com os garotos. Só Deus sabia o quanto seu coração estava apertado, ansiando por qualquer vestígio de sua namorada.

O pior de tudo é que tinha certeza que poderia ter dedo do Júnior nessa história toda. E era isso que a deixava ainda mais preocupada do que estava.

Quando fez a curva para sair da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, indo em direção à Princesa Isabel, algo dentro de si informou que estava no caminho certo. Mais uma vez, enquanto estava parada num sinal vermelho, tentou ligar para ela. Também aproveitou para mandar mensagem no WhatsApp e Facebook. Foi só então que uma luz iluminou toda sua mente. De maneira esperançosa, procurou pela a localização do celular da loira na rede social e felizmente encontrou onde ela estava.

Respirando um pouco mais aliviada, resolveu ligar para Claudia e avisar do ocorrido. Assim que a ligação completou, Sarah apoiou o aparelho entre a orelha e o ombro para passar a marcha.

– Claudia, acho que descobri onde é que ela está – a ruiva disse num fôlego só, enquanto verificava se algum carro vinha em sua direção, entrando finalmente no inicio da rua que levava para onde Manuela deveria estar naquele momento. – Não, eu não tenho certeza. Fica na linha, já estou quase chegando lá – Sarah acelerou e passou para a quarta marcha, o coração batendo tão rápido quanto o carro. Nem conseguia prestar atenção no que a morena tagarelava do outro lado da linha. Estava totalmente apreensiva. Precisava muito saber se o amor de sua vida estava bem. – Calma, Claudia. Cala a boca um minu... Espera – seu coração falhou uma, duas, três batidas. – Encontrei o carro dela. Vou desligar aqui, amiga. Avisa para as meninas. Muito obrigada pela ajuda. Eu amo vocês demais. Beijos.

Ao perceber o término da ligação, Sarah jogou o celular de qualquer jeito no banco carona, tratando logo de estacionar seu carro bem próximo ao que tinha dado para a fotógrafa de cabelos dourados. Antes de procurar pelo lugar, se dirigiu até ele e tentou abrir a porta do motorista, que, para sua surpresa, estava destrancada. Passeou os olhos pelo automóvel e seu corpo gelou. A chave ainda estava pendurada na ignição, assim como ar condicionado continuava ligado. Também reparou que a bolsa dela estava esquecida no banco. Rapidamente a pegou e encontrou tudo ali, intocado, inclusive o celular da loira.

Mordendo os lábios em um misto de apreensão e nervosismo, voltou a fechar a porta e foi para o pequeno calçadão, passando devagar os olhos pela extensão da areia e da água daquela praia minúscula. Quando a identificou, sozinha e encolhida próximo à água, seu coração martelou forte contra o peito. Não sabia explicar o que estava sentindo, mas lágrimas teimosas deixaram seus olhos verdes. Todo seu corpo estava trêmulo e sua mente trabalhava incessantemente, buscando uma maneira de fazer com que seu corpo reagisse para ir até onde o amor de sua vida estava.

– Manu! – Gritou o mais alto que conseguiu, sentindo sua própria voz embargar por causa do choro repentino.

Pelo jeito, ela não a tinha ouvido. Com o coração na mão, Sarah correu pelo espaço entre ela e a escada e desceu para a areia apressadamente, mal se importando se iria se sujar ou não. O desespero era evidente em seus movimentos, enquanto corria com dificuldade pelo chão mole e vacilante. Conseguia sentir seu coração fazer um verdadeiro samba contra o peito, exigindo que fosse mais depressa, ao passo que todo o seu ar ia se esvaindo dos pulmões. Quando finalmente chegou perto da loira, caiu de joelhos ao lado dela, cansada por tudo que tinha passado até aquele momento.

– Meu Deus, meu amor, eu te procurei por toda parte – finalmente disse, segurando-se para não abraçá-la. Ela se mantinha na mesma posição: Sentada, abraçando as pernas e com a cabeça entre os braços. – O que aconteceu?

Para seu total desespero, a loira não respondeu. Será que não era ela? Estava ficando louca? Não, mas é lógico que não! Lembrava perfeitamente as roupas que ela estava vestindo quando saiu de casa àquela manhã e aqueles cabelos dourados nunca lhe pregariam peças. Era ela, sim! Um pouco hesitante, levou a mão ao ombro alvo e a sacudiu, com a esperança de que ela a notasse. Pelo leve movimento, provavelmente provocado por um susto, ela pareceu sair do transe.

– Sarah? – Manu ergueu os enormes olhos azuis e a ruiva sentiu seu coração se partir em um milhão de pedaços. Ela estava com o rosto inchado de tanto chorar e a respiração estava ofegante.

– O que aconteceu?! – Exigiu saber, não conseguindo conter as próprias lágrimas. – Eu estava tão preocupada!

– Me desculpa. Eu... – Ela parecia atordoada enquanto tentava falar.- Eu não quis te preocupar – conseguiu dizer, num tom ainda meio traumatizado.

– Me diz o que aconteceu, meu amor – desistindo de dar espaço a ela, Sarah se jogou nos braços que tanto amava ficar. Deixou que toda sua angustia e tensão se esvaísse e permitiu-se chorar por longos segundos, abraçando-a bem apertado e sendo correspondida com a mesma intensidade. – Eu fiquei com tanto medo de perder você.

– Eu estou aqui... – A loira apertou os olhos, tentando conter que as lágrimas viessem novamente. Não tinha mais o que chorar. – Foi... o Júnior...

Como se tivesse levado um choque, a ruiva se afastou rapidamente de Manu. Os olhos vermelhos por causa do choro estavam arregalados, mostrando o quanto aquela revelação a havia pegado de surpresa. Por mais que já estivesse esperando por esse tipo de resposta, nunca, em nenhum momento da sua vida, iria se acostumar com a presença do homem que tanto a fizera sofrer. Engolindo em seco, passou os dedos pelo rosto delicado e o secou.

– Ele machucou você...? – Disse, temendo a resposta.

– Só um tapa – Manu respirou fundo e a olhou nos olhos, conseguindo enxergar o tamanho do ódio que a ruiva estava sentindo. – Mas isso não foi nada. Ele me disse coisas horríveis...

– Eu vou matar aquele desgraçado! O que ele disse pra você?

– Ele... ele disse como te bateu e... – os olhos azuis encheram d’água novamente, porém a fotógrafa engoliu o choro dessa vez. – Disse como... como...

Sarah tornou a arregalar os olhos, entendendo perfeitamente o que ela tentava dizer. Seu corpo estremecia inconscientemente. Estava com tanta raiva daquele desgraçado! Tinha prometido que não ia deixar mais que ele encostasse um dedo sequer em sua mulher! E agora ela estava ali, toda fragilizada por coisas horríveis que ele tinha dito. Só de imaginá-lo se divertindo às custas do sofrimento de sua loira, fazia todos os poros de seu corpo emanarem um ódio profundo e há muito contido. Se ainda restava algum tipo de sentimento bom relacionado a ele, tinha se apagado por completo.

– Ele disse que a cama estava cheia de sangue, porque tinha batido muito em você – Manu voltou a dizer, a voz embargada. Ela estava prestes a desmoronar novamente. – Eu não aguento mais pensar nisso, Sarah. Eu...

– Shh – a jogadora voltou a abraçá-la com força, colando seus corpos com uma intensidade que ambas nunca sentiram. – Eu estou bem agora, estou aqui com você, meu amor. Não precisa pensar nessas coisas...

– Eu estou com tanto ódio desse cara – as lágrimas voltaram a escorrer, enquanto os braços a apertava com firmeza. – Eu tenho medo de alguma coisa acontecer com você.

– Não vai acontecer nada comigo – Sarah tentou convencer mais a si mesma do que a ela. – Vai dar tudo certo.

Manu não respondeu mais. Apenas ficou abraçada a ela por longos minutos, em um silêncio que chegava a ser sufocante. Toda a cena, desde o momento que tinha entrado em seu carro mais cedo até agora, tinha passado como um filme em sua mente. Todas as coisas que o Júnior tinha dito, a forma que ele ria de maneira presunçosa, brincando com seus sentimentos, enquanto dizia coisas horrendas que fez com sua namorada, a mulher de sua vida. Também se lembrou da forma como ele apontou diversas vezes a arma, não se importando se alguém veria. Aquilo era demais para que pudesse aguentar. Sabia muito bem que tudo o que ele queria era que fizesse o que tinha pedido.

– Eu vou voltar para Fortaleza – a loira disse num fio de voz.

O dia não poderia ficar pior, a ruiva pensou ao se afastar dela, completamente incrédula. Os olhos voltaram a se arregalar e a boca estava escancarada em tamanha surpresa. De todas as palavras no mundo que pudesse sair da boca dela, nunca esperava que fossem aquelas. Um medo insano tomou conta de todo seu corpo. Não, isso não podia estar acontecendo. Não depois de tudo que tinham passado juntas! Ela não podia simplesmente chegar e dizer que estava desistindo!

Mais lágrimas escorreram por seu rosto. Mal se importava se estava jogada na areia, somente de pijama e com os pés descalços. Olhou-a como se realmente não tivesse entendendo aonde ela queria chegar.

– O que você quer dizer? – No meio da pergunta sua voz vacilou.

– Não posso deixar você em perigo. É isso que estou fazendo ao estar perto de você – tentou explicá-la, por mais que seu argumento pudesse não ser em nada sensato. Só não queria que Júnior voltasse a aparecer e fazer com ela o que tinha feito consigo. Ou até coisa pior. Não queria nem imaginar.

– Você não pode me deixar aqui sozinha, Manu – Sarah disse em desespero, levantando e ficando de pé. Passou as mãos nos cabelos em um puro nervosismo. – Você não pode me deixar....

– Você vai ficar bem – ela também levantou e ficou de frente para a ruiva. Os lábios rosados tremulavam, mostrando que ela estava prestes a voltar a chorar. – Vai ser melhor pra você.

– Você não sabe que o melhor pra mim é ficar ao seu lado? Não consigo acreditar que você está desistindo de nós assim... – seu tom era de total desespero. As lágrimas escorriam como cascatas. – Eu não vou conseguir sem você, Manu... Por favor... Eu sei que você está assustada com tudo isso. Eu também estou! Mas você disse que estaríamos juntas até o fim! Eu não aceito que você volte atrás de um dia para o outro... Por favor... Você me deu forças esses dias para que pudéssemos continuar firme e forte. E agora está desistindo? Não faz isso, por favor. Eu te amo tanto... Demorou tanto para eu perceber isso! Eu não permito que você me deixe – antes que ela pudesse responder, Sarah a abraçou com todas as suas forças.

Não tinha como Manu não desabar com aquilo. Rendendo-se àquela ideia loura, abraçou-a de volta, com a mesma intensidade, apertando-a contra o seu corpo. Inspirou o perfume que tanto amava e se permitiu chorar mais um pouco, finalmente caindo na real. Por pouco não havia feito a maior besteira da sua vida. Iria deixar seu bem mais precioso, sendo que quando ela havia se afastado, fizera de tudo para não permitir que isso acontecesse. E agora estava ali, dizendo que iria abandoná-la em meio à guerra.

O corpo semidescoberto da ruiva estava frio por causa da brisa que soprava insistentemente. Continuou abraçada a ela por bastante tempo, sentindo o coração desesperado bater contra o peito dela. Ao se afastar, fitou-a com uma intensidade absurda.

– Eu nunca vou deixar você sair da minha vida – Sarah acariciou suavemente o rosto molhado da loira e sorriu de lado. – Porque eu te amo mais que tudo.

– Eu também te amo, amo demais. E não vou a lugar nenhum – um morcego passou sobre a cabeça delas, mas não perceberam. – Me desculpa se eu acabei surtando. Nunca tinha passado por isso e... ouvi-lo falando sobre as coisas que tinha feito com v...

– Shh – a ruiva calou-a com um selinho nos lábios delicados. Os olhos verdes brilhavam devido às lágrimas. – Não pensa nisso. Foi terrível, posso te garantir, mas já passou. Agora eu tenho a mulher mais linda do mundo ao meu lado e estou tendo os dias mais felizes da minha vida, mesmo que sem um pingo de sossego.

– Eu não consigo parar de imaginar ele te tocando...

– Ei, olha pra mim – disse ao notá-la desviar os olhos para a água escura. Assim que voltaram a si, sorriu abertamente. – Eu só consigo imaginar você me tocando e me deixando louca. O passado ficou para trás e vamos superar o presente para chegarmos em perfeito estado no futuro.

– Me desculpa?

– Claro que desculpo, meu amor – a jogadora deu outro selinho nos lábios dela. – Só nunca mais faça isso novamente. Não sei se consigo viver só de pensar que passarei o restante dos meus dias sem você.

– Não vou fazer mais... – ela prometeu, abraçando-a novamente.

– Vem, vamos pra casa – Sarah puxou-a pela mão e ambas foram em direção aos carros.

(...)

Pouco mais de vinte minutos depois, ambas estacionaram os carros nas duas vagas livres do estacionamento do edifício de Manuela. Subiram de mãos dadas, embora todo o percurso tivesse sido feito em silêncio. Ao chegarem de frente para o apartamento, se surpreenderam, pois a porta havia ficado aberta.

– Eu saí desesperada, nem notei que esqueci de trancar – Sarah comentava, enquanto abria a porta.

– Porra, por que diabos vocês não atendem o celular? – Uma japonesa rabugenta e baixinha esbravejou, apontando o dedo para o casal que havia assustado com seus gestos exagerados. – Estamos ligando a mais de meia hora!

– Desculpa, eu esqueci o meu no carro – a ruiva voltou a dizer, fechando a porta assim que Manu passou por ela.

– Meu Deus, você foi pra rua de pijama mesmo? – Mari indagou. Estavam todas ali, como as verdadeiras amigas que eram.

– Não tive outra escolha. Eu estava morrendo de preocupação – ela franziu as sobrancelhas ao finalmente entender. – Vocês invadiram a minha casa.

– Sua? – Claudia gargalhou, diminuindo um pouco a tensão causada pelo desaparecimento da loira de cabelos escorridos. – Já estão casadas?

O casal corou forte, porém não se deu ao trabalho de responder a alfinetada da morena.

– O que aconteceu? De verdade – Nanda indagou, tornando o ambiente sério outra vez. – Estávamos loucas de preocupação. Com as duas.

– Foi o Júnior – Sarah quem respondeu, notando Manu desviar os olhos e os manter distante logo em seguida. As meninas ficaram surpresas, apreensivas.

– Ele te bateu?! – Agora foi a vez de Clara falar, o rosto ficando vermelho de raiva quando a loira assentiu em silêncio. – Mas que filho da puta! Eu juro que vou matar esse desgraçado.

– Calma, amor – a morena de olhos azuis lhe afagou os cabelos, mas também estava estremecendo de raiva. Já era a segunda vez que ele tocava em Manu e já havia passado a muito tempo dos limites.

– O que nós vamos fazer agora? – Manu finalmente disse alguma coisa. O silêncio se instalou por incontáveis segundos.

– Isso é óbvio. Vamos voltar na polícia. Vou arrumar uma escolta para vocês – a índia respondeu, o semblante sério deixando evidente seu lado militar. – Isso não pode continuar assim.

Continua...

Notas finais
Tadinha da Manu, ela ficou realmente traumatizada com tudo aquilo. Também né, quem não ficaria? Então, mantendo nosso ciclo, até terça a noite