Fotografias

46 Chuva Torrencial


Notas iniciais
Ei, meus amores. Sorry por não ter postado ontem. Eu estou lotada de matérias para estudar, mas procurei uma folguinha para vir postar para vocês. Achei esse capítulo perfeito, espero que achem o mesmo *-* Boa leitura a todos sz

A chuva torrencial caía com uma violência inacreditável, fazendo um mini rio descer colina abaixo. Por mais que Manu e Sarah tivessem corrido o máximo possível, ainda assim ficaram encharcadas. Foi tudo rápido demais para qualquer tempo de reação. Agora estavam sentadas sobre um banco improvisado, que tinha uma taboa posta sobre duas pequenas colunas de tijolos. Do lado de fora, a água caía como nunca, competindo com o vento que sacudia as árvores ao redor da colina.

A loira de olhos azuis apertava os braços cruzados contra o peito, tremendo de frio. Mas não estava se importando muito com isso, pois Sarah estava com o braço sobre seus ombros, numa tentativa sem jeito de esquentá-la. Por mais que se amassem incondicionalmente, toda aquela situação as havia deixado um pouco hesitantes. Tinham muito que conversar ainda, mas por ora o silêncio bastava.

E foi nesse silêncio gostoso que permaneceram por incontáveis minutos, até finalmente ser quebrado.

– Ainda não estou acreditando nisso – e foi Manu quem o quebrou, olhando para fora pelo vão de uma janela que ainda seria colocada. – Quando você começou com isso?

– Faz um tempinho – a ruiva deu de ombros, como se aquela questão fosse irrelevante. – Mas eu tive a ideia quando passamos a virada de ano aqui, no ano passado. Conversei com Fábio, que foi com quem eu mais me identifiquei, e contei toda a verdade para ele – sorriu quando a viu franzir o cenho. – Precisava ver a cara de surpresa dele. Calma, eu sei que fui imprudente e irresponsável, além de invasiva. Mas eu precisava contar para colocar meus planos em prática.

– Para quem mais você contou? – O rosto da fotógrafa ia corando levemente, já imaginando o buraco em que ela a havia metido.

– Todo mundo. Eu precisava da ajuda de todos para que tudo desse certo. Eu estava muito nervosa quando decidi contar para sua mãe, porém foi a que menos deu trabalho. Foi mais difícil lidar com Marcela – explicou, fazendo uma careta. Manu sentia o rosto esquentar cada vez mais, tentando não pensar no quanto seria terrivelmente zoada, provavelmente até a morte.

– Ela não aceitou? – O medo transbordou em suas palavras. Com uma surpresa daquelas, não tinha como ficar chateada por todos saberem de seu relacionamento, por mais que ainda não tivesse de fato preparada para encarar os fatos.

– Aceitou – Sarah respondeu e riu quando os olhos azuis lhe fizeram uma pergunta silenciosa. – Então, ela encheu o meu saco. Ficou falando um monte de coisas sobre você ser uma traíra, que a havia abandonado, que ela sempre era a primeira a saber de todos os seus segredos e Fábio já estava sabendo muito antes dela...

– Mas eu não tenho culpa! Foi você que contou – ela estava boquiaberta e fez uma careta de desaprovação ao ouvi-la rir. A única risada que fazia todos os seus músculos derreterem.

– Eu tentei falar isso pra ela, mas não adiantou muito não. Você vai levar uns bons tapas quando for se encontrar com ela – a jogadora de vôlei deu de ombros e riu mais uma vez, levando um tapa como resposta. – Continuando: Todos me ajudaram muito. Eu expliquei para todo mundo o que pretendia e aos poucos minhas intenções foram aceitas. Dona Helena me ajudou com a compra do lote de terra, Fábio conseguiu uma boa empresa para avaliar o local e começar as obras. No dia em que eu cheguei atrasada no nosso aniversário de namoro, era porque eu estava em uma videoconferência com o engenheiro. Cada ausência minha tem um motivo forte, mas não quero detalhar todos.

Manu estava boquiaberta, olhando-a atentamente, como se esperasse pela hora que alguém lhe diria que tudo não passou de uma pegadinha de muito bom gosto. Mas, não, Sarah estava ali e era sua novamente. Por mais que quisesse agarrá-la e enchê-la de beijos, precisava saber de todos os detalhes. Sua vida tinha virado de ponta a cabeça de um dia para o outro e estava um pouco complicado acompanhar os passos acelerados daquela garota de cabelos cor de fogo.

Num dia, se via imaginando alguma forma de voltar a morar no lugar que nunca deveria ter saído. No outro, estava ali, sentada num banquinho improvisado de madeira, dentro da sua futura casa. Justamente no lugar onde passou diversas noites pensando em seu futuro, deitava sobre a imensa pedra, onde fizeram amor pela primeira vez, e olhando o mar de estrelas.

– E como você conseguiu esse contrato com o time daqui de Fortaleza? – Era essa pergunta que queria fazer quando viu a camisa azul e branca, mas havia esquecido em algum momento.

–Denise. Ela disse que a oposta direita está quase se aposentando e o contrato com a levantadora está terminando também, sem possibilidade de renovação. O Flamengo quer contratar jogadoras de peso, então aceitou a oferta gorda que eles ofereceram – Sarah deu de ombros e suspirou. – Os gêmeos me ajudaram com os materiais de construção, Marcela e Fábio supervisionam o lugar quando estou fora e seu irmão é quem manda por aqui, junto com sua mãe, é claro.

– Ta falando sério?

– Estou – não conseguiu evitar um sorriso ao ver novamente aquela expressão surpresa. – Todos torcem por sua felicidade, Manu. Eu percebi que eles te amam de verdade e é por isso que não vi tanto problema em incluí-los em nossos planos. Porqu...

Queria, sim, saber muito mais daquilo tudo. Mas Manu não aguentava mais ficar parada, só olhando-a, enquanto seu corpo a desejava profundamente. Estava com tanta saudade dela. Os beijos que deram depois dos cinco dias de viagem não foram suficientes para suprir toda a vontade que sentia daquele corpo esguio, daquela boca deliciosa. Teriam muito tempo para conversar, mas deixaria para outra ora. Então a beijou com vontade, encaixando os lábios de uma forma tão perfeita que as fez suspirar como consequência.

Foi como se uma rajada elétrica as tivesse acertado em cheio, pois ambas se arrepiaram simultaneamente. Manu sempre teve a seguinte certeza: Sarah era a mulher de sua vida. Não tinha como aquilo mudar, nem se passasse um milhão de anos. Se realmente tivessem ficado separadas, Manu sabia que nunca a esqueceria, pois ninguém, além dela, tocou seu coração tão profundamente, roubando-o descaradamente de seu peito.

Sarah também sentia o que toda aquela ausência havia feito ao seu corpo, que clamava por ela. Sentia como se Manuela fosse desaparecer de seus braços, por isso a mantinha o mais próximo possível, abraçando-a apertado, enquanto correspondia ao beijo na mesma intensidade. Chupou-lhe a língua com vontade, levando uma das mãos à nuca dela. Num movimento um pouco bruto, Sarah a puxou ainda mais para si. Beijou-a de todas as formas possíveis até que o ar as obrigou a se afastarem.

– Tenho mais uma coisa para contar – a respiração da ruiva estava ofegante ao sussurrar no ouvido de Manu, que se arrepiou e estremeceu ao sentir o ar quente tocar-lhe. – Você não sai desse lugar antes que eu te faça minha novamente – o tom de voz era tão autoritário que a fotógrafa mordeu os lábios por causa do calor que sentiu entre as pernas.

– Eu sempre fui sua – ela conseguiu responder, apertando a roupa molhada que ela vestia entre os dedos. – Mas não custa nada me fazer lembrar dos costumes – sorriu maliciosa e lambeu o cantinho da boca da ruiva, provocando-a.

Uma risada abafada escapou pelos lábios da jogadora de vôlei, vermelhos por causa do beijo longo e intenso. Não estavam num ambiente muito apropriado para fazer o que tinha em mente, mas aquela já não era a primeira vez. Já fizeram ao ar livre, diversas vezes dentro do banheiro, no sofá, na sala, na cozinha, no carro. Então, estavam muito mais que acostumadas. Só que esse fato não diminuía nem um pouco a sensação de adrenalina que estava sentindo.

Todo seu corpo ansiava por aquela mulher, de todas as maneiras possíveis. Era como se tivesse ficado anos sem vê-la, como se finalmente tivesse tirado um peso enorme das suas costas. Só Deus sabia o quanto era difícil ter que esconder as coisas dela, omitir seus passos e pensamentos. Nunca a culparia pelas coisas que acabou ouvindo da boca dela como consequência, por mais que tivesse ficado magoada. A culpa era sua, essa era toda a verdade.

Mas deixando todos os pensamentos de lado, Sarah voltou a beijar a mulher mais linda do mundo, querendo recuperar todos os minutos que havia passado longe dela. Enquanto as línguas dançavam num ritmo íntimo, as mãos da ruiva exploravam aquele corpo perfeito, passando por cada pedacinho dele. Seu coração batia de forma descompassada, ansiando pro mais contato. Queria fazê-la sua mulher novamente. Precisava disso.

Manu correspondia todos os movimentos de sua namorada, beijando-a com a mesma pressão e intensidade, sem se deixar dominar completamente por ela. Por mais que quisesse ditar os passos daquela dança, era impossível quando o corpo esguio debruçava devagar sobre o seu, obrigando-a a se deitar na taboa fria do banquinho improvisado. De todas as coisas do mundo, estar com Sarah era a melhor delas. E era inevitável cada pelo do seu corpo não se arrepiar com os toques ousados, que desciam e subiam sem pudor.

Era como se Sarah fosse uma criança experimentando um doce pela primeira vez, com fome e entusiasmo. Ainda assim, por mais que quisesse tomá-la o mais rápido possível, algo a forçava a fazer as coisas com lentidão e romantismo. Depois de longos minutos beijando aqueles lábios macios e deliciosos, Sarah desceu os seus, arrastando-os pela pele sedosa. Beijou, mordeu, lambeu e chupou o pescoço e o ombro, de ambos os lados, sentindo o cheiro do perfume que tanto gostava. Suas mãos passeavam pelas laterais do corpo dela, enquanto tentava equilibrar seus corpos em cima da taboa.

Sem se importar com nada ao redor, a ruiva subiu as mãos por dentro da camisa que Manu estava vestindo e a levou até tirá-la. Antes de voltar a beijá-la, olhou para o mar que eram aqueles olhos azuis e sorriu abertamente. Seria possível existir alguém mais perfeito que ela? Provavelmente, não.

– Você é muito gostosa, sabia? – Sussurrou rouco no ouvido dela, notando-a se arrepiar involuntariamente. Amava quando causava-lhe aquele tipo de sensação.

– Sou? – Manu gemeu baixinho ao senti-la apertar seus seios simultaneamente, ainda protegidos pelo sutiã roxo. – Então por que você não faz algo logo sobre isso?

– E o que você quer que eu faça? – O sorriso malicioso fez a loira morder os lábios bom força. – Fala e eu faço.

– Então vem cá – seu tom de voz era baixo e rouco ao dizer. Manu puxou a cabeça dela pela nuca e sussurrou-lhe no ouvido: — Quero que você me coma.

Os olhos verdes se abriram devido a surpresa. Ela não costumava dizer aquele tipo de coisa, por mais que a situação não tivesse limites de excitação. E todo seu corpo reagiu com cada palavra, como se uma descarga elétrica o tivesse atingido. Conseguia sentir a própria calcinha molhada. Tentando controlar seus batimentos cardíacos e a respiração desregular, Sarah suspirou longamente.

– Você não deveria ter dito isso assim – do lado de fora, a chuva continuava forte e violenta, agora acompanhada por um conjunto de raios e trovões. – Você não sabe o perigo que corre ao me provocar desse jeito, Manu.

– É justamente por saber que eu provoco – a loira mordeu o lábio inferior e o soltou logo depois. Sarah achou aquilo absurdamente sexy, mas achou estranho quando ela se desvencilhou de seu corpo e levantou. – Mas vamos deixar isso para mais tarde – e piscou para a ruiva, com um sorriso divertido nos lábios.

– Você acha mesmo que eu vou deixar você fugir? Logo depois do que acabou de dizer? – Sarah semicerrou os olhos, vendo-a vestir a camisa que havia acabado de tirar.

– Como se você fosse fazer alguma coisa... – Manuela sorria de um jeito divertido, agora saindo da casa em construção para o meio da tempestade.

Estava para nascer alguém que gostasse mais de provocar que Manuela. Mas ela fazia isso porque sabia que jamais deixaria passar em branco. Nunca na vida seria provocada e ficaria calada. Pensando nisso, levantou do banquinho e correu. Assim que pisou do lado de fora da casa, foi bombardeada pela chuva grossa e incessante, que levou poucos segundos para ensopar seu corpo.

Antes de alcançá-la, sua roupa e cabelo já colavam como chiclete. Sem nem um pouco de gentileza, puxou-a pelo braço, o que fez com que o corpo dela batesse forte contra o seu, e a beijou com vontade logo em seguida. Apertou-a contra si, enquanto a envolvia a língua e chupava com uma fome incontrolável. Então, sem se importar com as boas maneiras, tornou a tirar-lhe a camisa, agora sem nem um pingo de calma. Tratou logo de abrir o zíper do short jeans e enfiar a mão dentro dele e da calcinha ao mesmo tempo, passando os dedos pelo sexo latejante de prazer.

Ela estava muito molhada, o que só fez eliminar o ultimo resquício de autocontrole que ainda tinha. Beijando-a, Sarah apertou-lhe um dos seios com a mão livre e começou a movimentar os dedos de maneira apressada sobre o clitóris da loira, que estremecia em seus braços. Explorou cada canto da boca dela, ora ou outra sugando-lhe a língua e o lábio inferior para dentro da sua.

Manu suspirava e gemia contra os lábios da ruiva. Todo seu corpo vibrava com os movimentos ousados e provocantes. Não tinha sequer controle sobre ele. Só era natural estar ali, entregue a ela. A chuva as molhava com rajadas poderosas, mas não se importavam nem um pouco com isso. Um gemido longo escapou de seus lábios quando dois dedos foram introduzidos de uma só vez, já iniciando investidas rápidas e intensas. Por mais que o jeans atrapalhasse, Sarah fazia com que os movimentos fossem fáceis demais de se fazer. Ela entrava e saía incessantemente.

– Era isso que você queria? – Sarah indagou, sentindo sua própria voz tensa por causa de toda a excitação que estava sentindo. Que mulher era aquela, Deus? Com a mão livre, abriu o fecho do sutiã e o tirou rapidamente, tratando logo de abocanhar um dos seios, enquanto a enlaçava pela cintura.

– Sarah... – Manu fechou os olhos com força. Um prazer surpreendente se apoderava de cada célula de seu corpo, levando-a a loucura.– Eu vou cair... – Suas pernas estavam bambas. Estavam em pé, em meio à tempestade.

– Não vai – respondeu, enquanto lambia a pele molhada pela chuva. Um relâmpago riscou o céu. Afastando-se momentaneamente, Sarah enlaçou o corpo alvo e a derrubou contra a lama. O grito agudo a fez rir abafado. – Agora não tem o que reclamar.

Às vezes não precisava de muita coisa para que um momento se tornasse perfeito. Poderiam estar fazendo as coisas apressadamente, mas isso não deixava menos intenso. Eram apenas um ser. Duas almas que se pertenciam para toda a eternidade.

Logo após tirar o último obstáculo, Sarah desceu beijando o corpo molhado, deliciando-se com cada pedacinho daquela pele sedosa. Beijou e lambeu a barriga definida, até chegar ao sexo encharcado de prazer. Então a chupou ali, ao passo em que seus dedos tornavam a deslizar para dentro dela. Movimentou a língua e os dedos na mesma velocidade, rápida e constante. Manu arqueava o corpo e se contorcia, gemendo alto.

Não demorou muito para que ela chegasse ao primeiro orgasmo. Foi forte o suficiente para fazê-la gritar e apertar com força os cabelos vermelhos entre os dedos trêmulos. E gemeu de novo quando Sarah tirou as próprias roupas e encaixou a perna entre as suas, obrigando os sexos a se tocarem. Num ritmo avassalador, elas dançaram em meio àquela tempestade sem fim. Chegaram ao orgasmo juntas e depois Sarah tratou de começar tudo de novo.

Já estava parando de chover quando deitaram de bruços para descansar. Não se importavam por estarem sujas de lama, nem por estarem nua correndo o risco de alguém aparecer. Ambas apenas olhavam para o céu nublado, a pele arrepiada por causa de todas as sensações e também do frio, em silêncio. A respiração de ambas estava arfante, o peito subindo e descendo rapidamente.

Sarah não tinha ideia de quanto tempo passou desde que chegaram ali, mas em algum momento, enquanto estavam observando a imensidão acinzentada, o sol apareceu timidamente entre as nuvens pesadas. Os raios as iluminaram e Sarah sorriu abertamente.

– Manu – quando ela a olhou, notou que o queixo dela estava sujo de lama. Ela era maravilhosa... – Você quer casar comigo?

Os olhos azuis se arregalaram imediatamente, por mais que a claridade repentina do sol os incomodasse. Seu coração falhou uma batida e sentiu-se obrigada a prender a respiração para processar aquelas quatro palavras.

Deus... Ela estava falando sério?

Continua...

Notas finais
E então, o que acharam? Oh, muito provável que eu traga o próximo sábado de manhã, já que vou dobrar aqui no trabalho. Respondo os reviews mais tarde. Beijos, meus amores.