Fotografias

5 Amanhã Será Melhor


Notas iniciais
Oi, gente! =D Como vocês estão? Olha que bacana, estou de volta! Foi bem rápido, né? Adorei escrever esse capítulo, espero que também gostem de lê-lo. Boa leitura a todos.

Manu passou praticamente duas horas com o garoto de moicano. Ela o havia apresentado para todos, com um sorriso no rosto. Todos o acharam bastante simpático. Estava sem blusa e com uma bermuda jeans. Sarah reparou os músculos dele quando a loira viera apresentá-lo. Tentou ser simpática, mesmo sentindo que não queria ficar por perto. Apertou a mão dele e recebeu um beijo na bochecha, tentando não fazer careta. Seu corpo pedia por mais álcool e teve que discutir com Júnior para conseguir mais um copo de Tequila, agora misturada com o próprio uísque. Não estava se preocupando se seria ou não loucura misturar e nem se ficaria de ressaca pelas próximas duas semanas.

Tudo que queria era curtir a noite com seus amigos. Queria curtir a noite com ela também, mas precisava dar atenção para seu namorado, que nunca desgrudava. Os meninos tentavam entretê-lo, mas ele se mantinha perto como um carrapato. Então meio que entendia o porquê de ela estar tão distante. Talvez tivesse outro motivo. Manu era ciumenta e aquela era a primeira vez que saíam os três juntos. Não podia culpá-la.

Mas o que diabos era aquela sensação que sentia toda vez que a via dançando juntinha dele? Vendo-a virar de costas, colocar as mãos no pescoço dele e rebolar sensualmente. Às vezes virar e beijá-lo como se fosse um amante de anos. Ambos rindo e brincando, enquanto a música tocava animada. Também se interagiam com a galera com frequência. Ao que parecia, Victor e David o adoraram.

Em algum momento, dois rapazes se juntaram a eles, que os apresentou aos demais. Eles trouxeram mais bebidas. Duas garrafas de Absolut e uma de Amarula. No fim das contas, todos estavam curtindo juntos. E Júnior mal a deixava se aproximar das meninas, muito menos dos rapazes. À medida que bebia, ficava com mais vontade de curtir com eles. Toda vez que tentava sair dos braços fortes, ele a apertava mais firmemente e dizia que deveria ficar ali, com o seu namorado. Apenas bufava e, quando olhava para ele, sorria como se estivesse realmente apreciando ficar ali com ele.

Vez em quando, Manu a olhava. Geralmente a troca de olhares durava de cinco a dez segundos e todas as vezes era ela quem desviava. Suspirava toda vez que acontecia e bebia ainda mais. Antes de irem embora, o garoto a beijou ainda com mais vontade. Mesmo com as botas de salto alto, ela teve que levantar um pouco os pés para colar o corpo ao dele. Sentia-se tonta e estava louca para sair dali. O que queria mesmo era tirar aquele garoto de perto de Manu. Parou um instante e piscou, incrédula. Desde quando pensava daquela forma? A bebida estava fazendo um terrível efeito. Fechou os olhos com força, abraçada com Júnior e o sentiu beijar seu pescoço. Quando os abriu, o garoto já não estava mais lá e Manu conversava no ouvido de David.

Momentos depois, para a felicidade de Sarah, sugeriram que voltassem para onde os carros estavam estacionados. Os rapazes deixaram as bebidas quando foram embora e então serviu em seu copo Absolut. Ouviu Júnior reclamar que já havia passado dos limites, mas não deu bola para ele. Bebeu a vodka pura e sentiu o liquido transparente descer rasgando a garganta. Estava muito tonta e precisava se encostar em algo.

– Vamos para casa – Júnior insistiu pela milésima vez. Estava ao lado dele, encostada no veiculo vermelho de Liane. À sua frente, David e Victor riam de algo que Mari tinha dito e logo eram acompanhados por Nanda e Ju.

– Não quero ir para casa. Eu vim para curtir o bloco – respondeu, com a voz um pouco embargada por causa da bebida. Ele segurou seu pulso e tirou a bebida de sua mão.

Antes que pudesse pegar de volta, ouviu Claudia gargalhar e desviou sua atenção para ver o motivo. Lia havia escorregado e seu vestido branco sujou quase todo. Ju se afastou dos meninos e a ajudou a levantar, também rindo. Todos estavam tribêbados. A japonesa xingava todos os palavrões que conhecia, enquanto os meninos diziam que ela estava passando de madura para podre. Quando se acalmara, Sarah voltou a olhar para o namorado e tentou tirar seu copo da mão dele, que o afastou. Bufou e tentou mais uma vez.

– Me dá essa porcaria, Júnior! – Tentou pegar de novo o copo, mas ele a afastou com um empurrão. Manu, que estava conversando com Clara em um canto, desviou a atenção para os dois.

– Você não vai beber mais. Nós vamos para casa agora – jogou o copo longe e segurou o braço dela com força. Sarah tentou se soltar, mas não conseguiu.

– Júnior, me solta, agora! – Ele apertava com força e já estava machucando.

– Não. Vamos para o carro – e tentou arrastá-la, mas ela se manteve firme no lugar.

– Calma, cara. Estamos aqui para nos divertir, não vamos estragar nossa noite por uma bobagem – David tentou acalmá-lo, mas ele não lhe deu ouvidos.

– Júnior, você está me machucando. Me solta – tentou puxar o braço de novo, mas a mão dele era enorme e tinha uma força que já conhecia.

– Ela pediu para você soltar – Sarah arregalou os olhos quando ouviu a foz firme de Manu.

– Ela vai para casa comigo. Não se mete, loirinha – e empurrou Manu com o braço livre. Estava bêbado igual um porco e possessivamente determinado.

David conseguiu ampará-la, mas Sarah ficou pálida. Não precisava estar sóbria para ter noção do que estava acontecendo. Seu braço queimava como se um bracelete em brasas a estivesse apertando. Não sabia de onde havia reunido forças, mas conseguir se livrar da mão dele.

– Manu, você está bem? Ele te machucou? – Seu braço ardia e sua cabeça parecia que ia explodir. Victor e David tentavam acalmá-lo, mas o efeito da bebida era mais forte.

– Eu estou bem – respondeu a loira, olhando diretamente para aqueles olhos verdes. Via preocupação e culpa neles.

– Vamos para casa, Sarah – Júnior insistiu, passando pelos garotos e por Lia e Ju. Quando tentou pegar na ruiva, Manu segurou seu pulso de forma gentil.

– Ela não vai para casa com você, vai comigo – afastou o braço dele e envolveu a cintura da ruiva. Com a mão livre, tirou a pistola de brinquedo da cintura e apontou para ele. – Vai embora, ou eu atiro em você.

Os meninos desataram a rir, mas o rapaz pareceu ficar ainda mais irritado. Já as meninas ficaram impressionadas pelo fato de Manu ter segurado tão possessivamente a ruiva. E, claro, o fato de Sarah não tê-la afastado. O que um bom porre não fazia com a pessoa? Manu continuava com a arma apontada para ele, que a olhava de cara feia.

– Vem comigo Sarah? – Dessa vez não foi uma ordem. Ele tentou se aproximar, mas se deteve ao ver sua namorada encostar as costas no corpo da garota e balançar a cabeça negativamente.

– Eu vou com ela...

Manu sentiu os batimentos cardíacos acelerarem, mas imaginou que fosse por causa da bebida. Apertou a mão na cintura dela e a puxou um pouco mais para seu corpo, de um jeito protetor. Ela não a rejeitou e isso fez com que Manu sorrisse por dentro. Deus, esperava que não se arrependesse disso quando o efeito do álcool passasse. Os olhos verdes da jogadora de vôlei estavam fixos em seu namorado. A loira sempre conseguia lê-los. E dessa vez eles diziam que queria ficar longe daquele rapaz.

– Me leva com você? – Sarah sussurrou no ouvido da fotógrafa, que corou intensamente com aquele gesto. Seu corpo se arrepiou por inteiro.

Você é uma maldita. Manu teve vontade de dizer, mesmo quando as meninas olhavam para elas de olhos arregalados. Deveriam estar adorando aquela cena. Logo elas, que faziam de tudo para as duas ficarem juntas. Eram todas malditas...

– Para onde? – O rosto dela estava próximo demais. Quem ficaria mais puto por arrancá-la dali? O Homem-Aranha ou o Homem-Rinoceronte? Sem dúvida, ela estava a Mary Jane mais linda do planeta. Corou um pouco mais quando os lábios dela roçaram sem querer sua orelha ao tentar sussurrar uma resposta. Seu corpo ficou paralisado.

– Não sei, só não quero ficar mais aqui...

– Solta a minha mulher! – Júnior avançou, mesmo hesitante sobre a arma que ela lhe apontava. Não sabia se era de verdade. E se ela fosse realmente uma policial? Não podia se arriscar.

– Cara, vai pra casa. Deixa a garota – Victor o puxou com violência.

– Vem comigo – Manu se afastou e segurou a mão dela com carinho, olhando para as meninas em seguida. – Gente, nós já vamos, ta?

– Aproveitem – Lia disse, lançando seu sorriso divertido. Manu quase conseguiu enxergar os chifres sob a auréola.

Manu a puxou pela rua movimentada, até chegar a uma avenida onde o bloco não afetava o transito. Sarah se perguntou como ela conseguia andar tão bem de salto, mas sua cabeça rodava demais para pensar naquilo mais profundamente. Apenas se deixou ser guiada por ela, não tendo a mínima ideia de onde iriam. Entrou no taxi e sentou ao lado dela, mais uma vez notando a roupa que ela estava vestindo. As pernas alvas estavam de fora e as botas iam até quase os joelhos. Estava muito sexy. Deus, o que estava pensando? Jogou a cabeça para trás e fechou os olhos com força.

Quando tornou a abri-los, já estavam parados na portaria do prédio onde Manu morava. Deveria ter apagado. Saiu do automóvel e esperou que ela pagasse ao motorista. Involuntariamente, deram as mãos e entraram no edifício. Estavam bêbadas demais para se preocuparem com qualquer coisa. Sarah pensava que iam chegar, tomar um banho e deitar para dormir. Mas não foi isso que aconteceu. Observou Manu ir até a geladeira e tirar um litro de vodka de dentro.

Depois disso, apenas a acompanhou em silêncio, como esteve durante todo o percurso até ali. Não imaginava que Júnior pagaria tal mico na frente de seus amigos. Era a primeira vez que estavam saindo todos juntos, ele não podia ter feito isso. Estava farta daqueles ataques possessivos de ciúme e proteção súbita. Não queria ser protegida, queria apenas se divertir. Se fosse para ter um carrapato no pé, seria melhor ter ido sozinha. Teria se divertido muito mais... e Manu não teria ficado com aquele garoto. Mais uma vez naquele dia parou para pensar no que estava pensando. Desde quando sua melhor amiga ficar com um garoto a incomodava? Ela merecia, melhor que ninguém, ser feliz. Seja com quem for. E o rapaz parecia ser muito bacana. Mas então por que sentia-se como se preferisse não tê-los visto juntos?

Sarah suspirou longamente e olhou para a loira, que andava à sua frente. Os cabelos dela eram muito longos e batiam quase na cintura. Sentia vontade de alisá-los.

– Puta que pariu... – Xingou em tom baixo, apertando os dedos sobre os olhos. Por um momento seu mundo girou, então se obrigou a abri-los e tentar focar para que não acabasse caindo. Tinha que parar de pensar naquelas coisas. Nunca mais beberia uma gota de álcool sequer...

Depois de alguns minutos, chegaram na cobertura do prédio. Sarah nunca tinha estado ali antes, apenas viu pelas fotos que Manu tinha tirado. Era muito mais lindo ao vivo. Era em dois níveis. No nível de baixo, tinha mesas brancas com guarda-sol e quatro cadeiras, tudo da mesma cor. O piso era cinza claro e o muro também era branco, deixando o local super leve. Luminárias iluminavam do chão, coladas ao muro, de uma ponta a outra. Um corredorzinho lateral ia de encontro a uma escada de seis degraus, com azulejos brancos, que levava ao segundo nível. Ali na frente tinha uma piscina retangular, que tinha como sua parte da frente a parede de trás do nível inferior. O interior era detalhado em mosaico com três tons diferentes de azul e diversas luminárias clareavam a água no fundo. O piso era todo em deque de madeira claro, para manter a leveza e suavidade do ambiente, e cinco espreguiçadeiras brancas estavam próximas à piscina. Na parte de trás tinha um banheiro, uma bancada para preparação de bebidas e um armário com toalhas e outros objetos para banho, como boias e bronzeadores.

Manu subiu os degraus da pequena escada e andou a bancada, deixando a garrafa de vodka sobre ela. Abriu em seguida o armário abaixo dela e tirou dois copos cilíndricos, também pegando gelo no frigobar ao lado. Por último, os serviu com o liquido transparente e ofereceu um dos copos para Sara, que, mesmo tendo dito para si mesma que não beberia mais, o pegou e deu uma golada moderada, sentindo o liquido descer preenchendo seu corpo com um calor descomunal.

– Desculpa pelo o que o Júnior fez com você – Sarah falou pela primeira vez desde deixaram a praia. – E obrigada por ter me tirado de lá. Esse lugar é perfeito...

– Não precisa se desculpar, você não tem culpa – a loira se sentia um pouco mais sóbria desde que saiu da praia, então bebeu mais um gole longo. – Eu gosto daqui – olhou para além da piscina e além dos muros da parte inferior. O Rio de Janeiro repleto de luzes brilhantes estendia-se infinitamente sob um céu negro e estrelado.

– Eu gosto de estar com você – Sarah confessou, sem coragem de olhá-la. A parte mais sóbria do seu corpo perguntava-se o porquê de estar falando aquilo agora. – Não se afasta de mim por causa das besteiras que as meninas falam, muito menos por causa da merda que o Júnior fez. Você foi a única pessoa a quem eu realmente me senti cem por cento bem em estar por perto.

– Eu não vou me afastar de você. Eu vim morar no Rio de vez por causa de você – ela já sabia disso. Com aquelas palavras, lembrou-se das palavras de Mari. Manu sentia o rosto corado e não queria que ela visse, então se afastou e sentou em uma das espreguiçadeiras.

– Foi a melhor notícia que eu recebi em muitos anos – disse para ela, sentando-se bem a sua frente. Para continuar falando, bebeu outro gole da vodka. – Desde que fui promovida para o time profissional de vôlei do Flamengo, não tive uma notícia que me agradasse tanto – notou-a sorrir enquanto olhava para o copo. A timidez dela era encantadora. Naquela altura, não ligava mais para seus pensamentos dúbios.

– Quando eu tinha doze anos, sofri um acidente de carro – Manu começou a dizer, ainda olhando para o copo na mão. – Meu pai faleceu nesse dia – nunca tinha falado daquilo com ninguém, não detalhadamente. Não gostava de expor seus sentimentos daquela forma. Sarah a olhava intensamente. – Eu era muito apegada a ele, muito mesmo, Sarah. Demorei um bom tempo para me recuperar daquela perda. Hoje em dia, ainda não estou cem por cento recuperada, mas digamos que meu refugio foram os estudos. Viajar para Atenas também foi para tentar apagar todas as caras de pena voltadas para mim, apagar a cara sofrida da minha mãe toda vez que me via chorar desesperadamente no quarto.

– Deveria ter sido uma barra muito grande... – Sarah disse, segurando uma das mãos dela. Não sabia muito que dizer.

– Estar com você me faz esquecer tudo de ruim que um dia eu já passei na vida. Eu não fico chateada com as brincadeiras das meninas porque foram justamente elas que me conectaram a você. Não sei quão forte seja essa conexão para você, mas, para mim, é tão intensa que já não consigo me manter longe de você – seu rosto estava muito corado. Maldito álcool que dava coragem aos covardes. – E eu odiei seu namorado.

Com aquelas ultimas palavras, Sarah riu abafado, apertando os dedos finos entre sua mão. Estava feliz com toda aquela confissão. Seu coração estava mais aliviado em saber que nada a afastaria de si. Só naquele momento percebeu que a presença dela era mais importante do que a de seu próprio namorado. Aquele pensamento a deixou confusa, mas culpou ao álcool e prometeu a si mesmo que tudo voltaria ao normal quando levantasse na manhã seguinte e pulasse a barreira da ressaca que estava por vir.

– Obrigada por ter se aberto comigo – apertou novamente a mão dela, mas de forma delicada. Era tão macia e pequena, acariciou-a com o polegar.

– Vamos tomar um banho? – Manu tirou sua mão da dela e levantou, tentando se esquivar. Seu coração batia acelerado e sua garganta estava seca. Bebeu o restante do conteúdo do copo e sentiu a vista embaçar um pouco. Estava tonta. O que aquela garota estava fazendo consigo? – Você está de biquíni, não está?

– Estou – respondeu a ruiva, olhando-a, com o copo quase vazio na mão. Também terminou de beber tudo de uma só vez.

– Ótimo, me ajuda aqui – virou de costas para ela e apontou para o zíper do macaquinho.

Sarah baixou o zíper devagar, revelando o laço da parte de cima do biquíni azul que ela usava. Quando terminou, ela se afastou, mas manteve seus olhos fixos nela. Não conseguia evitar. Notou-a tirar os braços da roupa e se sentar para tirar as botas, ficando descalça. Por último, tirou o restante e mostrou que a parte de baixo era da mesma cor que a de cima. As laterais eram de amarrar e Sarah notou que aquela cor era perfeita para ela, pois combinava com a de seus olhos. O corpo dela era perfeito.

Quando Manu mergulhou, a água espirrada jorrou para o nível inferior e Sarah suspirou logo após. Também começou a tirar suas próprias roupas, começando pela calça jeans e depois a camiseta. Quando terminou, notou que a loira a olhava de dentro d’água, com os cabelos molhados para trás e o olhar tão brilhante quanto a própria água. Seu biquíni era vermelho, da cor de seus cabelos. Era sua cor preferida. Mas desde o momento em que conheceu Manu, passou a gostar mais do azul. Não qualquer azul e sim o azul de seus olhos.

Tentando se livrar daqueles pensamentos, mergulhou. Sentiu a água gelada preencher cada célula de seu corpo. Mesmo com isso, sentia um calor que nunca tinha sentido na vida. Deveria ser por causa do álcool, só podia ser isso. Quando emergiu, procurou a loira com os olhos. Achou-a sentada na borda, balançando os pés na água. Nadou até ela e a olhou de baixo. A luz fez sua cabeça girar.

– O que foi? – Indagou, semicerrando os olhos devido a dor. Manu apoiou as mãos no deque e pulou dentro d’água, ficando bem próxima da ruiva.

– Eu não sei o que está acontecendo comigo... – encostou na parede da piscina. Sua cabeça latejava por causa das bebidas que havia misturado desde cedo. Mesmo com a água gelada, sentia seu corpo ficando ainda mais pesado. Por que não levantou e se afastou ao invés de entrar na piscina? Estavam muito próximas e aquilo era tudo que mais queria evitar. Não queria que o que Mari lhe dissera se concretizasse. Não queria se ver mesmo apaixonada por ela. Não queria estar sentindo aquela vontade enorme de beijá-la.

– Chega de beber por hoje – Sarah disse com suavidade e ela suspirou.

– Não é isso... – dobrou os joelhos e submergiu para esfriar as ideias confusas. Quando voltou, Sarah ainda a olhava. – Meu coração está acelerado... Meu corpo está fervendo... Não fica tão próxima de mim assim... Eu não deveria ter bebido tanto. Não consigo mais segurar a porcaria da minha língua – passou as mãos no rosto desesperadamente e voltou a encostar na parede da piscina.

– Você quer que eu ligue para um médico? – Colocou a mão na testa dela e estranhou quando a ouviu rir descrente.

– Você fica ainda mais lenta quando está bêbada. Não precisa ligar para médico nenhum – levou a mão ao rosto dela e o acariciou com o polegar. Precisava se afastar, urgentemente. – A culpada disso tudo sou eu mesma e não o álcool – Sarah a olhava de olhos arregalados, sem entender nada. – Eu não consigo mais... – Manu a empurrou de leve e virou para sair da piscina.

Aquilo deixou a ruiva irritada. Com certa determinação, levou a mão ao ombro dela e a virou bruscamente, abrigando-a a olhá-la. Seu corpo estava fervendo.

– Você vai sair assim? O que eu fiz com você? – Indagou com certa irritação.

– Você não fez nada. Qual parte do “a culpada sou eu” você não entendeu? Você é muito idiota mesmo – Sarah arregalou os olhos. – Eu acho que estou apaixonada por você, está satisfeita? Nem que eu esfregue isso na sua cara amanhã, você vai cair na real – falou quase num sussurro, desviando os olhos.

– Você...

– Não fala nada... você está bêbada, eu também. Amanhã será um dia completamente diferente. Eu não quero isso, que fique claro. Não tenho o menor interesse em separar você do seu namorado possessivo. O que eu sinto não importa. Talvez tudo vire um borrão depois da ressaca e nos lembraremos apenas de alguns flashes. Mas quero que se lembre apenas dessas palavras: Você é a pessoa mais devagar que eu já conheci na minha vida – tirou a mão dela de seu ombro e já ia se preparando para virar novamente, mas ela a puxou de novo.

– Como assim o que você sente não importa? Pra mim importa – olhou diretamente nos olhos dela, que estavam lacrimejados. – Importa o que você pensa, o que você sente... importa o que você pensa sobre mim... – apoiou as duas mãos nos ombros dela e a encostou na parede, baixando a cabeça para olhar para água. – Droga, Manu! Você tem a mim a cima de qualquer coisa...

– Não se preocupe, você ainda me terá apesar de tudo – a loira sorriu de lado e deixou um par de lagrimas escaparem dos olhos. – Como eu disse, amanhã será outro dia. Aposto com você que, quando estiver sóbria, me dirá teimosamente que sou sua melhor amiga.

– E não é?

– Sou – concordou com a cabeça. Seu coração estava tão apertado que quase a sufocava. Mais lágrimas escaparam de seus olhos. Tudo que mais queria era sua cama agora.

– Não chora, por favor – Sarah a abraçou apertado.

A ruiva era alguns centímetros mais alta que a fotógrafa. Ela parecia tão pequena e frágil em seus braços. Por um lampejo de segundo sentiu que estar assim com ela foi o que queria desde o começo. Desde quando pensava daquela forma? O coração dela martelava contra o seu peito. Sua amiga estava sofrendo. Como podia ter deixado aquilo acontecer? Deveria ter dado algum motivo para aqueles sentimentos que ela alegava sentir terem aflorado daquela forma. Seu próprio coração batia descompassado e seu corpo estava arrepiado.

Não tinha o que confessar a ela. Não sabia realmente o que estava sentindo. Não sabia o porquê do seu corpo sempre reagir ao toque dela. Muito menos o porquê de sua mente recapitular cada momento que esteve com ela. Queria cuidar dela. Queria vê-la sorrindo novamente.

– Me desculpa... – A loira murmurou e se afastou um pouco para limpar as lágrimas. – Amanhã eu estarei melhor... Vamos descer.

– Manu... – se interrompeu e a olhou nos olhos. – Eu sou uma idiota, não sou?

– Uma completa idiota – concordou e sorriu de lado. Estava mais calma agora. – Mas a completa idiota mais linda do mundo.

Manu aproximou o rosto devagar e resvalou os lábios nos dela tão suave quanto uma pétala de rosa. Antes da vontade de beijá-la a forçasse a prosseguir, se afastou e, com um impulso só, saiu da piscina, deixando uma Sarah completamente paralisada para trás.

Continua...

Notas finais
O que acharam? Deus, não me matem! Até o próximo capítulo, gente