Fotografias
41 Alguma Coisa Errada
Notas iniciais
– Você tem certeza que não quer que eu vá junto? Santa Catarina é aqui do lado e eu tenho alguns dias em casa por causa do evento que cobri semana passada – Manu dizia enquanto estava deitada sobre o corpo da jogadora de vôlei, dona dos olhos verdes mais lindos que já tinha visto na vida.
– Tenho, amor. Vai ser um jogo normal, apenas eliminatórias para o campeonato brasileiro. Eu volto em cinco dias, no máximo – a ruiva deu-lhe um selinho demorado e aproveitou o momento seguinte para olhá-la nos olhos. – Vou marcar para você o máximo de pontos que eu conseguir.
– Quero toooodos os pontos – ambas riram de maneira boba e se beijaram brevemente. Estavam deitadas no chão da cozinha da casa de Sarah, depois de um intenso e gostoso sexo. – Quero muitas outras coisas de você também – um sorriso travesso brotou nos lábios inchados e vermelhos pela sequência de beijos dados.
– Ah, é? E que muitas outras coisas seriam essas? – Sarah ergueu as sobrancelhas como se não soubesse, mas sorria de um jeito descarado. Estava pronta para atacá-la a qualquer momento, era só ela dizer o que queria.
– Quero que você me faça sua o restante da noite, até que os raios de sol entrem pela janela – a loira sentou sobre o corpo alvo de sua namorada e a fitou com um brilho escuro no olhar. O anel de compromisso se destacava no dedo de ambas.– Mas primeiro é a minha vez – segurou os pulsos dela acima da cabeça e a olhou bem de pertinho. – É a minha vez de mostrar a você quem realmente manda nessa relação.
– Eu mando – ela respondeu, sugando-lhe o lábio inferior com vontade. Manu sentiu seu corpo inteiro se arrepiar automaticamente.
– Você que pensa – ao se recuperar, passeou os olhos azuis pelo corpo nu da mulher mais linda do universo. Suas mãos, sua boca, sua língua, conheciam cada pedacinho dele e mesmo assim nunca cansava de prová-lo. Era como se fossem uma droga para ela, como se fosse viciada a ponto de não querer outra coisa.
Por Sarah, foi capaz de enfrentar todos os seus medos e pensamentos em conflitos. Poderia muito bem ter deixado-a no meio de toda aquela confusão e perigo. Seria uma forma que a maioria preferiria tentar, numa tentativa comum em querer se manter seguro. Mas a amava tanto que não conseguiria simplesmente viver sabendo que era a única a estar sã e salva, quando a mulher da sua vida estava em constante perigo e com riscos de ser morta ou sendo torturada até que possivelmente chegasse a esse ponto.
Era o amor que sentiam uma pela outra que deixava tudo mais forte, tudo mais indestrutível, como o sol em uma tarde quente de verão.
E era por isso que estava ali, caída de amores por sua melhor amiga. Simplesmente era impossível olhá-la e não sentir vontade de beijá-la, de tocar cada pedacinho daquele corpo esguio que tanto desejava. E foi com esses pensamentos que tomou-lhe a boca em um beijo ávido e controlador, sendo prontamente correspondida à altura.
Até que Manu conseguisse finalmente manter um controle sobre a ruiva de olhos verdes, ambas rolaram pelo chão da cozinha, disputando pela liderança. Era uma forma gostosa de saber quem era a mais forte e também quem deveria ou não dominar naquele momento. Segurando firmemente os pulsos acima da cabeça dela, Manu deixou os lábios rosados e os deslizou por aquela pele sedosa, sentindo o cheiro gostoso do perfume que ela usava.
Beijou-lhe todo o corpo, demorando-se em parte que sabia que a ruiva era mais sensível. Sarah controlava os gemidos, embora suspiros pesados escapassem facilmente de seus lábios. Torturou-a de todas as formas, acariciando os mamilos rosados e rígidos de prazer com a ponta dos dedos. Demorou para que finalmente o abocanhasse, logo arrancando um gemido rouco e involuntário da ruiva.
Para Sarah, era quase impossível ter qualquer tipo de pensamento sensato com uma loira daquele porte sentada sobre suas coxas e sugando-lhe o mamilo com uma intensidade avassaladora. Não tinha como controlar os pelos de seu corpo de se arrepiarem constantemente, enquanto estremecia a cada movimento daqueles lábios deliciosos. Ela chupava, lambia e mordia, fazendo diversos movimentos. Mas foi quando dedos ávidos e habilidosos encontraram sua parte mais íntima, penetrando sem aviso prévio, que gemeu alto e fechou os olhos com força.
Os dedos já começaram seus movimentos de maneira extremamente maligna, entrando e saindo numa velocidade incrível. Já estava impossível para Sarah pensar em alguma forma de virar o jogo. Estava perdida nas mãos e na boca dela, o que não fazia questão nenhuma de reclamar.
Manu sentia seu próprio sexo ficando cada vez mais molhado só de vê-la tão entregue, com as pernas abertas e a respiração desregulada. Aquela sem dúvida era a cena mais excitante que já conseguira presenciar em sua vida. Ainda assim, não diminuiu o ritmo um segundo sequer. Com a mesma intensidade de seus dedos, desceu os lábios pela pele arrepiada, segurando-a enquanto se contorcia e gemia em seus braços. E, mais uma vez, sem avisá-la, começou a lamber e chupar todo o sexo pulsante de prazer.
A ruiva se controlou o máximo para não gritar, mas foi praticamente impossível. Já não conseguia conter mais os gemidos, que vinham numa enxurrada sem fim. Seu corpo se contorcia por pura e espontânea vontade, correspondendo àquela língua ágil que agora fazia movimentos circulares e rápidos em seu clitóris. Estava indo à loucura...
– Manu, eu vou g... – Antes que pudesse terminar a frase, o gozo veio poderoso, obrigando seu corpo a entrar em uma sequência violenta de espasmos. Sarah gemeu alto, tentando tirá-la do meio de suas pernas, mas não conseguiu. Somente quando relaxou, foi que Manu parou os movimentos e voltou a deitar sobre seu corpo, na mesma posição que estavam no inicio.
– Gosto de sentir o seu gosto – Manu a beijou de um jeito rápido, porém forte.
– E eu gosto é de comer você – mesmo praticamente sem forças, Sarah virou o jogo e ficou por cima. Os olhos verdes estavam escuros de puro desejo e a respiração estava arfante. – E é isso que eu vou fazer agora.
E elas fizeram amor até que os raios de sol invadissem a janela aberta da sala de estar, onde terminaram todo o ritual. Tinham passado por todos os cômodos do apartamento. Duas horas antes, ambas decidiram que já estava bom e foram tomar banho, assim iniciando tudo novamente.
Assim que estavam devidamente vestidas, Sarah se certificou se não tinha se esquecido de nada. Antes de sair, beijou sua namorada demoradamente. Agora tinha um jogo para vencer e a viagem inteira para dormir, porque a noite foi longa.
(...)
Faltava apenas uma semana para o dia marcado pela doutora e Lia já estava enlouquecendo. Não conseguia mais dormir em paz, acordando de hora em hora por falta de uma posição confortável. Isso quando a vontade de ir ao banheiro vinha irritantemente toda vez que começava a cochilar. Já estava de licença no trabalho e não suportava ficar em casa sem fazer nada, só esperando algo acontecer. Para a japonesa, aqueles seriam os dias mais longos de toda sua vida.
Durante a gestação, ela e Ju saíram diversas vezes para comprar coisas para o bebê. Era como uma terapia, pois ficava sempre imaginando como ficaria nele, ou nela. Compraram fraldas, roupinhas neutras, já que opinaram por não saberem o sexo, móveis brancos, que seriam decorados logo após o nascimento, etc. Também viajaram para três lugares diferentes, para que pudesse relaxar todo o estresse acumulado no trabalho. Juliana era um amor, de uma paciência que a japonesa sabia que nunca iria ter na vida.
Era quase quatro da manhã quando acordou pela terceira vez, sentindo uma dor chata nas costas. Foi só então que notou algo estranho. Estava tão cansada que não havia sentido nada antes. Ao seu lado, Juliana dormia profundamente, de bruços.
– Amor – Lia a sacudiu de leve, mas a mulata não respondeu. – Amor, acorda.
– Hmm? – Ela abriu devagar os olhos escuros para fitá-la. – O que foi, amor?
– Diz para mim que eu estava sonhando com banheiro e fiz xixi nas calças. A cama está toda molhada... – Como se tivesse levado um soco, Ju levantou de supetão.
– Meu Deus, será que a bolsa rompeu?!
– Parece que sim – a japonesa franziu as sobrancelhas, sentindo o princípio da primeira contração daquela noite.
– Você está bem? Está doendo? O que eu faço? – As perguntas saíam apressadas, as palavras atropelando umas as outras em meio a um desespero que Lia nunca tinha visto. Juliana sempre foi a mais controlada do grupo.
– Calma, eu estou bem – a camisola que vestia estava encharcada, o que estava dando um nervoso danado.
– Eu vou ligar pra Mari – Ju se materializou ao lado do interruptor e acendeu a luz do quarto, cegando a japonesa.
– Fica calma. Deixa a mulher dormir. Me ajude a trocar de roupa – pela primeira vez na vida, Liane estava sendo o ser pensante e calmo daquele lugar. Se contasse, as meninas ririam com toda certeza. Quando ela se aproximou, segurou firmemente a mão dela e levantou, deixando-a tira-lhe a camisola e mostrando a barriga enorme.
Assim que trocou de roupa, Ju a conduziu até a porta. Nunca a tinha visto daquele jeito. Precisou pedir para pegar a bolsa do bebê e a sua, que ela havia esquecido em cima do sofá. E realmente estava começando a perder a paciência quando a primeira contração forte veio, no estacionamento do condomínio, e a mulata tinha voltado ao apartamento porque havia esquecido as chaves. Era uma dor infernal, Lia achava que morreria. Isso porque eram as primeiras.
Então seguiram para o hospital. Juliana dirigindo numa velocidade incrível e palavras nenhuma a deixava mais tranquila. E mais dor vinha. Parecia ser a cada sete minutos, pelo que acabou contando por falta do que fazer.
Juliana não conseguia ver sua mulher daquele jeito, mas não sabia o que fazer. Quando chegaram ao hospital, pensou que ela seria logo levada para a sala de parto, mas não. Primeiro precisaram preencher alguns formulários e seu nervosismo estava evidente na mão trêmula ao escrever cada palavra.
– Você está bem? – Voltou a perguntar, pela milésima vez. Como ela poderia ficar tão calma?!
– Estou, amor. O tempo das contrações está diminuindo, mas estou bem – explicou-a novamente, espalmando a mão com força no ventre, tentando amenizar a nova onda de dores que estava por vir.
– Eu vou falar com a recepcionista de novo. Você não pode ficar aqui sentindo dor...
– Não é preciso – uma voz muito conhecida invadiu o ambiente, chamando a atenção de algumas pessoas que também esperavam por atendimento. – A recepção me ligou e eu vim o mais rápido que pude. Por que não me ligaram, suas idiotas?
– Eu ia ligar, mas Lia pediu pra deixar você dormir – Juliana olhava para Mari com uma expressão de alivio. – Podemos levá-la para a sala de parto?
– Quanto tempo entre uma contração e outra, Lia?
– Cinco minutos, mais ou menos – a japonesa respondeu, as sobrancelhas franzidas.
– Então nós vamos para o quarto. Precisamos aguardar a doutora Laura, que também está a caminho. Eu preciso pegar meu jaleco na minha sala. Vou falar com a recepcionista e vocês logo vão ser conduzidas para o quarto que reservei – ao terminar de dizer, a loira virou as costas e sumiu em meio ao monte de pacientes.
– Você está bem? – Ju perguntou no segundo seguinte.
– Se você me perguntar isso de novo, eu juro que vou te dar um soco. Fica calma, nem parece você. Vai ficar tudo... – Calou-se ao sentir a maldita da contração. Mordeu os lábios com força e apertou o tecido da camisa que estava usando entre os dedos. Aquela dor não poderia ser de Deus. Não era possível.
Alguns segundos depois, um enfermeiro a conduziu numa cadeira de rodas até o quarto em que ficaria. O ar condicionado parecia estar na capacidade máxima, pois ali estava um frio desgraçado. Lia pensou que ficaria satisfeita quando finalmente voltasse a deitar, mas muito pelo contrário. Quanto mais tentava arranjar uma posição que a agradasse, mais incomodada ficava. Fora que as contrações estavam vindo com bem mais frequência.
Esperaram por quinze minutos até Mari aparecer e contar-lhes que a doutora Laura já havia chegado. Mesmo assim, foi um médico diferente que apareceu, afirmando que ia verificar o quão dilatada a japonesa estava.
– Espera, espera – Lia disse entre dentes cerrados ao vê-lo se posicionando em um lugar em que deixava claro suas intenções. – O que você vai fazer?
– Vou verificar sua dilatação para que...
– Nenhum homem toca na minha menina – as palavras fez com que Ju e Mari segurassem o riso. – Não adianta, eu me recuso – protestou, apontando o dedo para ele.
– É o procedimento daqui e...
– Não interessa. Eu estou pagando essa porcaria – droga, estava começando a surtar. Precisava ficar calma. – Você não vai enfiar o dedo em mim! Mari, faz alguma coisa! – Olhou para ela de forma desesperada, notando-a soltar um suspiro divertido. Ela ficava linda de jaleco, com os cabelos de um loiro escuro soltos sobre os ombros.
– Pode deixar, Robson – a médica deu um tapinha leve no ombro do rapaz e sorriu de forma generosa. – Deixa que eu faço – quando ele saiu, ambas riram.
– O que foi? – Ela perguntou, irritada. – Eu aqui morrendo de dor e vocês rindo?
– Essa é a Lia que a gente conhece – Mari voltou a rir e ajeitou as penas dela. – Só não enlouqueça de prazer quando eu introduzir meus dedos milagrosos em você – gargalhou com as próprias palavras, sendo acompanhada por ambas.
– Cala a boca e faz logo, idiota — disse Lia, sentindo o rosto corar forte. – Fica brincando numa hora tensa como essa.
– Está tensa é? – A loira sorriu maliciosa. – Ai, é brincadeira, Ju – passou a mão na cabeça ao levar um cascudo. Sem dizer mais nenhuma palavra, fez todo o procedimento necessário e se afastou, retirando a luva descartável. – Pelo jeito, você vai ter que esperar mais um pouco, Lia.
– Quanto tempo?
– Provavelmente umas duas horas, até que o nível de dilatação seja o adequado para darmos início ao parto – explicou em um tom totalmente profissional.
– Eu vou ter que ficar duas horas sentindo dor?! – Exclamou, boquiaberta. Ao vê-la assentir, seus olhos puxados se arregalaram. – Eu quero ter esse bebê agora!
– Não adianta surtar, não é escolha sua. Você vai esperar e quietinha – Juliana apenas observava a discussão das duas. – Agradeça por eu estar aqui com você. Agora sossegue esse facho, antes que o bebê fique nervoso também.
– Você é uma filha da puta, sabia? – Lia semicerrou os olhos, deixando menores do que já eram.
(...)
Já tinha passado cinco dias desde que Sarah havia saído para viajar com o time do Flamengo. Era horrível dormir pensando que ela estava tão longe assim. Não que dormissem juntas todos os dias, mas ainda assim a sensação não era nada boa. Já havia se acostumado com a presença constante de sua namorada e quando ela precisava viajar era um tormento sem fim. Só queria ter ido com ela, porque ficar em casa sem fazer nada era um saco.
Estava deitada no sofá e ainda era oito da manhã. Maldita mania de acordar cedo quando não precisava. Assistia a qualquer canal na televisão, enquanto comia um misto-quente com suco de maracujá. Não via a hora de voltar a trabalhar logo. Havia ficado três dias de folga por ter coberto um evento importantíssimo e logo em seguida veio o final de semana. Só trabalharia no dia seguinte, o que significava que ficaria mais um dia inteiro sem fazer nada.
Quando ia levantar para pegar o controle da televisão sobre a mesinha de centro, seu celular tocou. Antes de atender, notou a fotografia de David no visor. Por que ele ligaria tão cedo? Franzindo as sobrancelhas, deslizou o polegar pelo sensor de toque e atendeu a ligação, levando o aparelho ao ouvido.
– Oi, príncipe – era assim que ela costumava chamá-lo.
– Manu, a bolsa da Lia estourou e ela já está no hospital – Manu voltou a franzir as sobrancelhas quando as palavras do garoto atropelaram umas as outras do outro lado da linha.
– A Lia?! Mas já? Não era só daqui há duas semanas?
– Era, mas o bebê decidiu nascer por agora mesmo – ouviu-o explicar, ainda meio tenso. Até parecia que ele era o pai. Aquele lado protetor de David a encantava. – Ela está esperando pela tal da dilatação tem mais de três horas.
– Estou indo para lá agora – a loira respondeu, já levantando apressada do sofá, quando se lembrou de uma coisa importante. – A propósito, David, seu pai é o técnico do time da Sarah, não é?
– É, sim, por quê?
– Você sabe quando o time volta para o Rio? A Sarah disse que seria por cinco dias, mas até agora não disse nada concreto – enquanto dizia, Manu procurava por alguma roupa no guarda roupa. O celular sendo apoiado pelo ombro. No fim, decidiu-se por um vestido azul soltinho, com uma estampa florida. Afinal, ainda era verão.
– Mas o time já está no Rio há dois dias, Manu – o tom de voz do moreno era confuso e a fotógrafa paralisou no meio do caminho para o banheiro.
– Está falando sério?
Como assim o time tinha chegado há dois dias e nem sinal de Sarah? Por que ela mentiria quanto a isso? Seu coração ficou apertado de repente, como se algo estivesse acontecendo sem que ela soubesse. Estava tão nervosa que nem prestou muita atenção no que David continua a falar do outro lado da linha. Alguns segundos depois, despediu-se e encerrou a ligação.
Alguma coisa estava muito errada.
Continua...
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