Fotografias
13 A Pior das Dores
Notas iniciais
Sarah considerava-se uma mulher forte por conseguir aturar o namorado idiota por tanto tempo, mas ao mesmo tempo se sentia fraca e sem saída. Justamente pelo fato de ter medo de se livrar dele. Não era segredo algum que o tinha amado com todas as forças do seu ser e que, obviamente, era recíproco da parte dele. Só que o sentimento dele tinha se transformado em pura obsessão e Sarah não sabia mais como se livrar disso. Era como se não conseguisse desapegar do que um dia sentiu na vida e também como se tivesse medo de aceitar que o único homem da sua vida havia virado uma grande decepção.
Não era em todo ruim. Tiveram dias felizes. No inicio tudo parecia um jardim onde as flores nunca morriam. Sarah vivia no mundo das nuvens e não demorou muito tempo para concluir que estava perdidamente apaixonada pelo gerente da sua agencia bancária. Ele era inteligente e astuto. Na maioria das vezes se mostrava interessado em esportes e muitas vezes debatia contra ela sobre partidas de vôlei. Ele sabia que era o seu assunto preferido e sempre investia nele. Sarah, como uma boa ouvinte, adorava aqueles papos casuais. Por esse motivo havia aceitado o pedido dele para irem ao cinema naquela tarde de Julho.
Depois do pedido de namoro, eles passaram quase um ano sem problemas. Tudo parecia bom demais para que Sarah pudesse pensar que havia algo errado. Ele era o namorado que havia pedido a Deus. Atencioso e romântico, sempre lhe dera flores e chocolates. A cada dia que passava, a ruiva caía ainda mais na lábia dele. O que poderia dar errado se estava com um homem tão maravilhoso? Foi essa pergunta que fez seu mundo girar. Lembrava como se fosse hoje. Havia chegado em casa depois de uma longa noite com seus amigos, na casa da Claudia. Havia bebido todas e aquela havia sido a primeira vez que não atendera as ligações de Júnior e nem respondera suas mensagens. Quando passou pela porta do seu apartamento, ele a esperava sentado no sofá. Parecia uma esposa esperando pelo marido fujão que dizia estar trabalhando, mas estava realmente era na farra.
Explicou tudo o que aconteceu, omitindo, claro, o fato de ter beijado David e Victor. Só que, de alguma forma, ele já sabia do ocorrido antes mesmo de ter se recordado ao acordar no outro dia. Não sabia como e nem porque, mas todas as suas defesas em relação àquele caso tinha sido descartadas por ele. Júnior nem ao menos a ouviu direito. A essa altura do campeonato, já o havia perdoado por ter omitido o fato de que ele havia sido preso. Havia perdoado o fato de ele ter matado um homem com quatro tiros no peito a queima roupa! E nem isso foi o suficiente para ele se controlar. Ainda conseguia sentir a dor das porradas que ele havia lhe dado. Nunca tinha se imaginado apanhando de um homem, principalmente daquele homem. Ele era seu caminho mais próximo de um final feliz. Ele era seu príncipe. Ele a fazia se sentir a melhor das princesas. Mas todo aquele conto de fadas se transformou no mais horrível filme de terror.
No entanto, naquele momento, enquanto ele lhe acariciava o corpo e beijava seu pescoço, só conseguia pensar em Manuela. Desde o momento em que havia aceitado seus sentimentos, temeu pelo que pudesse acontecer a ela. Não queria envolvê-la naquele jogo perigoso. Estava sendo covarde, tinha plena consciência disso, mas faria o possível e o impossível para que ela ficasse em segurança. Mesmo que isso custasse um afastamento forçado. Não conseguia ficar muito tempo sem vê-la, sabia disso antes mesmo de toda aquela história maluca começar. Ela ainda era sua melhor amiga, seu porto seguro. E agora tinha que mantê-la longe para o seu próprio bem.
As lágrimas ainda teimavam em escapar dos olhos, mas a jogadora as segurava da maneira que podia. Não queria as caricias dele, não queria sentir o toque dele em sua pele. Já não era a mesma coisa, não tinha mais aquela magia. Os calos das mãos dele deslizavam ásperos por sua pele alva e macia e tudo que conseguia pensar era em como seria se fosse Manu a fazer aquilo. Ainda era estranho pensar dessa forma, mas ultimamente não tinha conseguido evitar. E também não era tão constrangedor quanto no inicio. Quando ele ia abrir o fecho do seu sutiã, a campainha tocou. Sentiu-se culpada por seu coração apertar de tanto alívio.
– Vou ver quem é – se desvencilhou dos enormes braços e se enrolou numa toalha.
– Seja quem for, mande embora – Júnior sentou na cama e tirou o boné branco da cabeça, revelando a ausência de cabelos. Ele sempre passava maquina zero, porém Sarah nunca se importava.
Só quando chegou na porta, enrolada na toalha úmida, foi que percebeu que talvez não devesse se sentir tão aliviada por aquela repentina visita. Caminhou cautelosamente até a porta e a abriu sem ao menos verificar quem era pelo olho mágico. Os olhos verdes se arregalaram de imediato. Manuela estava ali, parada, com uma bolsa preta pendurada no ombro direito. Sarah conseguiu sentir as batidas do seu coração atropelarem umas as outras. Por Deus, por que existiam pessoas teimosas no mundo? Tinha dito para ela não vir e ali estava ela. Mesmo aflita, não conseguiu não reparar o quanto ela estava linda, mas tinha certeza que colocara as roupas com pressa. A blusa estava um pouco amarrotada por cima do short jeans e os cadarços do AllStar preto estavam amarrados de qualquer jeito. Sabia que Manu era chata para se vestir, era perfeccionista demais. Tinha sempre que estar perfeita.
Não sabia o que fazer. Ela precisava ir embora de qualquer jeito. Antes de falar, percebeu o olhar dela descer para o seu corpo e acompanhou aquele movimento. Então lembrou que estava vestida apenas de roupas intimas, cobertas por uma toalha minúscula. O que será que ela estava pensando?
– Eu falei pra você não vir – sussurrou, apoiando-se na porta para colocar a cabeça para fora do apartamento. – Vai embora, Manu. Por favor.
– Eu não vou embora!
– Fala baixo! Por favor, me escuta. Hoje não. Amanhã eu te pego no trabalho para conversarmos, mas hoje não – continuou dizendo num tom bem baixo.
– O que é isso no seu rosto? – Os olhos azuis ficaram enormes de tamanha surpresa ao ver o hematoma na maçã esquerda do rosto da ruiva. – Ele te bateu?
– Ele não fez nada... – Mordeu os lábios. Se contasse a verdade, ela não iria embora. – Por favor, Manu, me escuta só dessa vez.
– Por que você está demorando tanto?
Sarah sobressaltou-se quando ouviu a voz grave de Júnior invadir a sala, evidentemente mostrando que ele já estava cansado de esperar. Ele se aproximou com as sobrancelhas franzidas, tentando adivinhar quem estava atrás da porta semiaberta. Ao notar que ele queria saber quem era, a ruiva bateu a porta, mas ele se apressou e tornou a abri-la com uma violência desnecessária, mesmo com ela tentando impedi-lo. Quando viu a loira de olhos azuis, Júnior a olhou com olhos severos, mas nos lábios tinha um sorriso debochado.
– Que visita interessante – ele disse com calma.
– Ela já está indo embora, Júnior – Sarah se pôs na frente dele, mas aquilo não foi suficiente. – Júnior, por favor!
Manu observava a cena sem saber o que dizer. Não sabia nem ao menos como reagir àquilo. Estava decidida a ir até ali para descobrir o que estava acontecendo, mas ver a ruiva daquele jeito fez seu coração apertar. Nunca a tinha visto tão vulnerável, tão frágil. Agora, mais que tudo, queria tirá-la daquele homem. Não porque estava apaixonada por ela e sim porque não aguentava vê-la sofrer daquele jeito. A expressão de choro naquele rosto que tanto amava só fez com que apertasse ainda mais firmemente a alça da bolsa que estava segurando. Como não havia conseguido perceber o quanto ela estava sofrendo?
– Ela não vai a lugar algum – disse severo e empurrou-a para o lado. A loira arregalou os olhos azuis devido aquele movimento.
– O que você pensa que está fazendo, seu idiota?
– Manu, vai embora! – Sarah implorou, mal conseguindo segurar a toalha em volta do corpo.
– Eu já disse que ela não vai – depois de dito, o gerente do Itaú inclinou o corpo para fora do apartamento e puxou Manu pelo pulso com tanta força que a jogou no chão da sala. Por pouco não havia batido a cabeça na mesinha de centro.
Teria levantado depressa se uma dor intensa não tivesse invadido suas costas como se quisesse esmagar todos os seus ossos. Tinha certeza que não quebrara nada, mas caíra de mau jeito e com certeza deveria ter afetado algum músculo. Fechou os olhos com força e firmou a boca intensamente para tentar aguentar a dor. Foi Sarah quem a ajudou a se levantar. No processo soltou alguns gemidos de dor.
– Você está bem, Manu? – Sarah indagou com desespero, segurando a mão dela com força. Suspirou quando a viu assentir e só então virou para Júnior. – Você é maluco?!
– Não, você é quem ainda não tem noção de quão insana você está. Eu disse para se afastar dessa garota e você está se aproximando cada vez mais. Não aguento mais você me fazendo de idiota. Acha que não sei que está apaixonada por ela? Você deveria me amar! – Sarah apoiava o corpo dela com medo de que ela caísse. – Você deve sua vida para mim, eu sou seu namorado! Sou a única pessoa que te ama como se fosse a única pessoa no planeta.
– Mas eu não sou a única! Eu sou só mais uma entre bilhões de pessoas. Eu gosto de ser amada pelos meus amigos, pela minha família. Não existe só você na face da terra, Júnior!
– Tome cuidado com suas palavras, Sarah. Você sabe muito bem o que eu sou capaz de fazer – ele se aproximou devagar e parou bem perto delas. A expressão transtornada e psicótica estava evidente no rosto dele. – Se você pensar em me deixar, eu te mato – levou a mão rapidamente ao pescoço dela, mal dando tempo para que ela se esquivasse. Apertou os dedos e Sarah rapidamente agarrou o pulso dele com ambas as mãos para tentar impedir.
– Solta ela! – Manu o empurrou com uma força que nunca imaginaria ter, fazendo-a cambalear para trás. Naquela altura não fazia ideia de onde sua bolsa havia parado.
A fotógrafa segurou o pulso de Sarah e a puxou para o lado, postando-se na frente dela. Só agora tinha entendido do que ela a estava protegendo. Aquele cara era um psicopata, mas não conseguia entender como ela havia deixado chegar a este ponto. Mas agora era sua vez de protegê-la dele, nem que isso custasse um ou dois ossos quebrados. Só precisava ganhar tempo para fugir dali com a ruiva. Quando deu um passo para frente, sentiu uma forte fisgada nas costas e gritou de dor, levando imediatamente a mão ao local. Ia cair para frente, porém Sarah mais uma vez sustentou seu corpo. Depois disso foi tudo rápido demais para que Manu conseguisse compreender.
Júnior chegou próximo demais e lhe acertou o rosto com uma surpreendente força. Não sabia dizer se havia sido um soco ou um tapa, mas conseguiu sentir o gosto de sangue na boca antes de sua mente escurecer totalmente.
– O que você fez?! – Sarah ficou em choque. A loira estava caída no chão, apagada. Em questões de segundos, as lágrimas vieram como cachoeira. Era sua culpa. – O que você fez, Junior? Ela não tem culpa de nada!
– Ela está caminho da minha felicidade.
– E você está no caminho da minha! – Gritou, não aguentando mais. Seu coração estava despedaçado.
De todas as vezes que havia apanhado, nenhuma delas doeu tanto quanto aquele momento. Ver Manu desmaiada fez com que todos os órgãos do seu corpo saíssem do lugar ao mesmo tempo. Era uma dor que jamais tinha sentido na vida e que, tinha certeza, jamais esqueceria. Quando se aproximou para ver como ela estava, ele a puxou para longe, dizendo que não permitia que Sarah chegasse mais perto dela. Tentou outra fez e recebeu outro tapa, seguido de um empurrão, como resposta. Sarah chorava compulsivamente. Ele pegou a loira no colo e sumiu cômodo adentro. Mesmo estando sem forças, conseguiu levantar e caminhou atrás dele.
– Agora é você – ele disse, assustando-a enquanto atravessava o corredor.
– Pelo amor de Deus, onde ela ta? O que você fez com ela? – Agarrou a camisa dele com intensidade, mas ele a segurou pelos pulsos. – Você está me machucando!
– É pra machucar mesmo. Agora você vai me dizer toda a verdade – a voz dele saía cheia de raiva. Empurrou-a até que ela bateu o corpo com força contra a parede. – O que você sente por aquela garota?
– Ela é minha melhor amiga! – Gritou de olhos fechados, sentindo uma dor terrível na cabeça.
– Vou repetir mais uma vez. O que você sente por aquela garota? – Ele repetiu bem devagar dessa vez.
– Eu sou apaixonada por ela! – Falou com firmeza e automaticamente levou mais um tapa no rosto. – Eu sou apaixonada por ela! – Repetiu mais alto, sentindo o rosto arder e as lágrimas descerem sem pudor. Mais uma vez ele lhe deu um tapa. – Aceita que dói menos – mesmo morrendo de dor, Sarah sorriu de lado e ele a jogou no chão por causa disso.
– Você não tem ideia do que está fazendo! Eu não admito que você me abandone, está me entendendo? Você deveria me amar tanto quanto eu te amo! Deveria ser minha para sempre. Você é minha vida e tem que viver para mim. Eu sou seu namorado, sou...
– Você disse bem. Eu deveria ser sua para sempre, mas não sou e nunca vou ser! Você pode fazer o que quiser comigo, mas não vou voltar atrás com minhas palavras. Eu não quero mais namorar com você. Já aturei tudo que podia e não aguento mais olhar para sua cara.
– Não faz isso, eu te amo – a expressão dele mudou, porém ele deitou sobre o corpo dela, ainda apertando os pulsos com uma força surpreendente.
– Sai de cima de mim – virou o rosto para o lado quando ele tentou beijá-la a força.
Por alguns segundos, Sarah não sabia o que tinha acontecido. Alguém puxou Júnior de cima de seu corpo como se ele fosse feito de penas. Quando focou seu olhar, observou um pouco desnorteada um rapaz de terno socar a cara dele. Demorou um pouco para reconhecer quem era. Sua cabeça estava rondando e seu rosto queimava por causa das pancadas. Sarah sentou-se devagar, sentindo o corpo inteiro doer, e encostou as costas na parede. As lágrimas desciam descontroladas, enquanto Victor jogava Júnior no chão e o enchia de pancada. Seu amigo falava coisas que não conseguiu entender, porém tudo que queria saber era onde Manu estava. Estava morrendo de preocupação.
– Victor, já chega – Sarah virou o rosto na direção de onde vinha outra voz.
– Isso é pouco, Nanda. Eu quero bater mais!
– Eu disse chega – ela repetiu com uma voz autoritária, se aproximando devagar até onde a ruiva estava sentada com as costas escoradas na parede. – Você está bem?
– Eu estou ótima – mentiu. Nanda estava vestida com a farda da Marinha. Eles deveriam ter vindo da festa. – Pelo amor de Deus , a Manu está lá dentro em algum lugar. Eu vi sangue! – O rosto de Sarah estava vermelho por causa do choro compulsivo.
– Victor – a índia apenas disse isso e ele assentiu, levantando e correndo a procura da loira.
Sarah só podia agora esperar e pedir muito a Deus que ela estivesse bem. Não conseguiria jamais se perdoar se algo grave tiver acontecido com ela. Fechou os olhos com força e respirou fundo, sentindo o pulmão doer. Estava bastante difícil de respirar também por causa da tentativa de enforcamento dele. Aquela sensação de alivio durou muito pouco tempo, muito menos do que Sarah realmente esperava. Júnior se levantou e caminhou com a boca e o supercílio sangrando até onde elas estavam. A ruiva estava cansada demais para falar algo, mas conseguiu notar Nanda suspirar exaustivamente, como se já soubesse que aquilo aconteceria.
– Fernanda, não é? – O rapaz perguntou, passando as costas da mão para limpar o liquido vermelho do canto da boca. Quando ela assentiu, ele continuou: — Quem você pensa que é?
Com um sorriso irônico e demonstrando que não sentia nem um pouco de medo dele, Nanda levantou e o olhou com os olhos semicerrados. Aproximou-se até ficar a um palmo de distância dele e colocou a mão no bolso, tirando uma carteira fina preta e mostrando o conteúdo de dentro para ele.
Ele observou a foto 3x4 da índia e deu dois passos para trás, receoso.
– Sou alguém que tem autoridade suficiente para te levar detido para qualquer delegacia dessa cidade. O que você pensa que está fazendo? – Indagou com calma, voltando a guardar sua carteira de oficial no bolso interno do paletó.
– Você não passa de uma mulher. Como acha que vai fazer isso comigo?
– Que decepção – Nanda balançou a cabeça de um lado para o outro, em total reprovação do que ele acabara de dizer. – Isso é preconceito, sabia?
Como sempre fazia com Sarah, ele tentou segurar os pulsos da índia para imobilizá-la, mas ela foi mais rápida. Puxou o braço direito para trás tão rápido que mal deu tempo de ele tentar repetir o movimento. Com mais pressão do que imaginou conseguir colocar no braço, Nanda fechou a mão em punho e acertou o rosto dele, vendo o armário cambalear para trás como consequência. Quando ele se enfureceu e partiu para cima, a oficial tirou a arma do cós da calça e apontou para ele.
– Nem mais um passo, Júnior – Nanda disse com frieza, destravando a arma prateada. No segundo seguinte ela desviou momentaneamente sua atenção quando Victor apareceu no corredor com Manu no colo.
Foi tudo que Júnior precisava. Aproveitou a distração da mulher e correu para fora do corredor, para em seguida fugir rapidamente do apartamento. Nanda iria atrás dele se não estivesse tão preocupada com Manuela. Ela tornou a travar a arma e colocou de volta onde estava antes. Sarah e ela olharam para Victor e ele sorriu.
– Ela está consciente – ele a colocou sentada no chão, ao lado de Sarah.
Foi como se uma onda de trovoes tivessem atravessado seu corpo em questão de segundos. Ela estava ali, ao seu lado, mas ainda estava com os olhos fechados. Nanda e Victor as olhavam em silêncio. Sarah pegou na mão dela e a apertou de leve. Só então viu os olhos azuis tão vívidos e expressivos. Estava se sentindo tão culpada com o que aconteceu que mal conseguia dizer uma palavra para ela.
– Me desculpa – Sarah pediu, deixando mais lágrimas escorrerem por seu rosto.
– Não precisa se desculpar, não foi culpa sua – a loira sorriu de leve e Sarah viu um fio de sangue que havia escorrido do canto da boca dela. Agora estava seco e aquela visão só a fazia se sentir ainda mais culpada. – Eu ouvi o que você falou.
– Ouviu? – Sentiu o rosto esquentar, pouco se importando com os dois penetras.
Reunindo toda a força que ainda tinha, Manu ergueu o rosto para frente e segurou o rosto dela com uma das mãos. Encostou seus lábios nos dela, dando um selinho demorado e se afastando para olhá-la logo depois. Seu coração martelava contra o peito tão intensamente que sentia como se ele estivesse prestes a atravessá-lo.
– Espera um pouco! – Nanda as atrapalhou e abaixou ao lado delas. – Você beijou a Sarah na boca?!
Manu soltou uma risada cansada e assentiu com a cabeça, vendo os dois intrusos arregalarem os olhos. Ambas estavam coradas naquele momento.
– Meu Deus, merecemos outra festa! – Victor gritou, evidentemente animado. – Isso é um milagre divino.
– Obrigada, gente – Sarah agradeceu-os, sorrindo agora sem pudor. Estava cansada, mas tinha certeza que tudo podia melhorar com o tempo. — Mas como vocês sabiam?
– Eu liguei para eles — Manu respondeu e sorriu, ainda muito cansada.
Continua...
Fale com o autor