Força e Vida - Tomione

9 Capítulo 9 - Superioridade


Notas iniciais
Bom dia, amores da minha vida! Sim eu estou de bom humor hoje, e sim é porque eu tenho leitoras lindas que vão nos comentários me visitar, obrigada amoras, vocês estão no meu frio coração sonserino! Só aviso desde já que é bem provável que ao fim do capítulo vocês não estejam entendendo nada e querendo a minha cabeça na sala de estar de vocês, então paciência, que amanhã sempre tem mais! Espero que não me matem :)

Os dias foram passando, em uma rotina ainda mais estranha do que a anterior. Eu levantava cedo todos os dias, tomava meu café na cozinha, agora junto com o Draco, e me dirigia à câmara junto com ele, onde nós estudávamos e conversávamos. Eu brincava um pouco com o meu Basilisco, agora adolescente, e meia-hora antes das aulas nós saíamos da câmara. Sempre trancávamos o banheiro com um feitiço forte, em que apenas nós dois poderíamos abrir ou fechar, já que era feito por sangue, e o meu sangue e o dele era muito parecido.

Queria poder fazer a ligação de sangue do Draco com o Grün, mas ele me explicou que aquilo só era possível com o herdeiro, e mesmo em gerações que havia mais de um descendente de Salazar, apenas uma pessoa era escolhida para ser o herdeiro.

Após as aulas eu ia novamente para a câmara e continuava estudando, saía para o jantar e voltava para lá, nessas ocasiões era apenas eu e o Grün. A companhia dele me fazia bem, era um amigo fiel e meu bicho de estimação. Havia descoberto suas propriedades mágicas e o seu verdadeiro poder de cura, quando caí um dia pelo túnel. Ganhei um corte na minha perna e um braço com hematomas. Quando cheguei mancando na câmara, Grün se preocupou e disse para eu entrar na água da piscina, estranhei, mas obedeci. Ele começou a cantar e de repente a água a minha volta ficou verde e as dores no braço e na perna passaram instantaneamente.

Investiguei a câmara por completo e descobri que, além da biblioteca no lado direto, havia uma cama grande com decoração verde e prata, madeira prateada, como a da escrivaninha, e cortinas verdes transparentes em volta, também havia um guarda-roupa com uniformes grifinórios, pijamas, roupas íntimas, e cobertores. E junto também havia um banheiro magnífico, escondido por divisórias finas, verdes, com uma banheira, um chuveiro, uma pia e uma patente prateados, e prateleiras e armarinhos verdes. Tudo era perfeito para morar lá e ficar para sempre.

A casa do Grün parecia ser confortável para uma cobra e era complicada para o meu acesso, já que a boca ficava no meio da extremidade da piscina e eu, apesar de gostar de ficar naquela água sempre tão transparente e tão mágica, era uma péssima nadadora.

Harry parecia ter percebido que os NOM’s estavam próximos e eu frequentemente o via estudando junto com o Rony no salão comunal. Felizmente os dois não tinham a mania de ir à biblioteca, então não haviam percebido que eu não ia mais lá, era uma explicação a menos para com qual eu precisaria me preocupar, e era algo que eu não queria e nem saberia como explicar. Eles adotaram o meu sumiço como uma rotina mais pesada de estudos, e como eu ainda os ajudava preparando seus horários de revisões e tomava o cuidado de estar no salão comunal exatamente no horário do toque de recolher, eles não haviam me questionado.

Gina, infelizmente, havia notado que eu não ia mais à biblioteca, e eu disse que havia parado porque muitos alunos novos ficavam lá fazendo barulho e levando bronca da Madame Pince, e porque havia encontrado um lugar melhor. Ela pareceu acreditar, já que ela não entrava sempre lá para ver que não era verdade, mas pareceu finalmente perceber também que eu não estava totalmente bem. Me senti mal por mentir de novo, mas disse que ainda sentia falta dos meus pais e que os NOM’s estavam me assustando.

Tudo parecia encaminhado e acertado até aquela noite. Harry iria fazer uma reunião da AD e eu resolvi não ir, já conseguia fazer meu patrono claramente, antes era uma Lontra, mas de uns tempos para cá havia se transformado em um pequeno Basilisco, me lembrava o Grün quando nasceu. Então resolvi descer à câmara. Estranhamente, não havia visto o Draco durante o dia todo, nem mesmo tomar café comigo ele havia tomado, apenas depois do almoço havia escrito no pergaminho:

Fique segura esta noite.

Aquilo queria dizer o que? Eu não conseguia entender. Algo estava para acontecer? Algo ruim, como um ataque?

Pensando nisso fui me encontrar com o Grün, que agora era um Basilisco adulto, grande e poderoso, mas muito gentil. Não iria estudar hoje, estava cansada. Entrei na piscina e tentei mais uma vez aprender a nadar melhor, com ele me supervisionando. Depois fui tomar um banho e lavar os meus cabelos, coloquei o meu pijama e ia me deitar na cama quando recebi algo no pergaminho.

Queira se juntar a nós, senhorita Granger. Dolores Umbridge.

Estava escrito em vermelho sangue. Rapidamente me levantei e apenas olhei para Grün.

— Será que não é perigoso? Não a sinto por perto, nem dentro do banheiro. – Meu Basilisco era o melhor.

— Acho que não. Além do mais o Draco não a deixaria entrar. – Eu confiava nele.

Me retirei, fechei a câmara e subi para o andar do banheiro. Quando cheguei lá, mal havia fechado a descida para a câmara quando ouvi a voz da professora na porta.

— Senhorita Granger, sei que está se escondendo aí. Algo estranho está acontecendo nessa escola e sei que você está envolvida nisso. – Era a Dolores.

Me desesperei, e assim que tentei pensar em algo a porta se abriu. Draco havia aberto a porta e atrás dele estava a excelente professora.

— Seu amigo Potter parece estar aprontando alguma, recebi um bilhete anônimo dizendo que ele estaria com outros vários jovens em uma sala secreta no sétimo andar. Ao chegar lá, percebi que provavelmente alguém os tinha avisado. Por ser tão amiga do Potter provavelmente sabe do que se trata, e também posso supor que faz parte do que ele está fazendo. Só não consigo entender como chegou tão rápido ao segundo andar. Draco disse que a viu na porta da tal sala secreta e brilhantemente já está aqui, mas logo resolveremos esse mistério, venha até a minha sala. – Não era um convite, parecia mais uma ordem.

Duas coisas eu sabia. Estava encrencada. Pelo tom de voz dela eu estarei em detenção antes de dizer quadribol. E o Draco havia me traído. Ele pelo jeito queria que eu fosse pega abrindo a câmara ou sendo cúmplice do Harry. Tudo que eu não precisava agora era de uma traição vinda dele, aquilo iria me quebrar.

Apenas assenti para Umbridge sem olhar para o meu irmão. Aquelas palavras já me doíam.

Subimos em silêncio para a sala dela. Ela ia na frente, eu estava na sua esquerda e o Draco na direita. Percebi que ele parecia tentar me encarar em momentos que ela não via, mas eu não queria olhar nos seus olhos e nem na sua direção.

Quando chegamos, ela pediu para ele se retirar, já que o seu trabalho por hoje já estava feito e no dia seguinte eles iriam ter muito trabalho, investigando outros jovens. Ele me encarou durante um tempo e vendo que eu não iria retribuir o olhar, saiu.

— Muito bem querida, sente-se. – Sua voz estava doce e nojenta como sempre. Me sentei na poltrona de frente para ela.

— Gostaria de beber água, chá, café, suco de abóbora? – Com toda certeza ela iria colocar veritaserum na minha bebida.

— Não, obrigada. Estou sem sede.

— Eu insisto que beba algo comigo. – Sua postura suave pareceu falhar um pouco. Eu gostei disso.

— Suco de abóbora, já que insiste. – Coloquei toda a minha carga de sarcasmo naquelas últimas três palavras. E ela sorriu mais falsamente, se é que isso era possível.

Me entregou a xícara com o suco e pegou a sua própria com chá. Voltou a se sentar na minha frente, esperando eu tomar um gole, para começar a falar. Obviamente fiz minha melhor atuação, sem realmente beber.

— Senhorita, como lhe expliquei, tenho meus receios quanto a postura e as atitudes do senhor Potter. Gostaria que me dissesse o que ele vem fazendo. – Ela não conseguia esconder o tom presunçoso, realmente achava que eu estava sobre o efeito da poção da verdade.

— Acredito que o Harry não vem fazendo nada de incomum ou ilegal. Ele pareceu crescer bastante, depois de receber aquela restrição leve quanto ao quadribol. – Eu não aguentava mais aquela mulher, meu tom era frio e banhado com sarcasmo.

— Tenho certeza de que o seu amigo não tem feito nada de bom. E que você estava junto dele, antes de fugir milagrosamente para o banheiro. O senhor Malfoy é um dos que mais confio na Brigada Inquisitorial, a informação dele definitivamente era correta. Beba mais. – Seu tom era seco, eu a estava irritando.

Mesmo sabendo que estava pisando em solo frágil, eu não iria conseguir parar de provocá-la. Meu irmão havia me traído, apenas para conseguir créditos extras.

— Acredito que já esteja tarde e que o meu toque de recolher esteja próximo. Não acredito que eu tenha uma informação importante para a senhora. E realmente posso pensar em algumas coisas que poderia fazer com o tempo que estou perdendo aqui. – Eu estava sendo até mal-educada, mas eu não me importava, eu só sentia a raiva.

— Como ousa falar comigo nesse tom? Estará em detenção a partir de agora, todas as noites úteis, até refrescar sua memória e resolver me contar algo. – Ela parecia não caber dentro de si, de tanta raiva.

Eu havia conseguido uma detenção com a Umbridge. E ao contrário da detenção do Harry, dessa vez ela estava com muita raiva, e não se divertindo. Aquilo ia doer.

Ela se levantou, colocou um rolo de pergaminho e uma pena em cima de uma mesa de estudante que ficava próxima da sua escrivaninha. Indicou para que eu sentasse ali. Fui até lá obedientemente e me sentei. Ela se sentou em sua mesa e preparou uma pilha de papéis, em sua frente havia uma ampulheta caindo os grãos em um ritmo normal. Ela tocou a varinha sobre a ampulheta, que passou a derrubar seus grãos em um ritmo lento. Provavelmente se eu passasse quatro horas aqui, apenas uma hora passaria no tempo normal. Aquela noite iria ser longa.

— Professora, não me disse o que preciso escrever. – Eu sabia que de tinta eu não precisaria, aquilo seria escrito com o meu sangue. Mas eu não sabia o que precisaria escrever.

— Não devo desacatar os meus superiores. – Ela sorriu mortalmente.

Ela estava falando do meu sangue? Como eu queria poder contar nesta hora de quem eu era filha. Mas eu precisava passar por aquela detenção sem fraquejar, sem me irritar e sem demonstrar dor. Eu merecia aquilo, por ter confiado cegamente em alguém que me humilhou durante anos.

A cada vez que eu escrevia, as palavras se gravavam nas costas da minha mão. Eu não sentia mais dor e as palavras já estavam bem legíveis. Eu calculava que já estava ali há doze horas, e tinha quase certeza de que agora lá fora estaria perto da meia-noite. Eu sentia fome, sono e sede. Precisava sair dali antes que definhasse.

Umbridge bocejou talvez pela trigésima vez, e finalmente se pronunciou.

— Acho que por hoje está ótimo.

Fechei o rolo de pergaminho e me levantei para me retirar. Saí da sala sem olhar para trás. Ao fechar sua porta, reparei que havia alguém ao meu lado. Pelos cabelos loiros platinados, que eram enxergados até no escuro, eu sabia que era o Draco. Eu não tinha forças para berrar ou brigar com ele. Apenas abaixei minha cabeça e segui meu caminho para as escadas e para a torre da Grifinória, minha mão ardia e eu sabia que não deveria coçá-la. Ele me seguiu em uma distância segura. Eu não iria explodir, não tinha forças nem de ir até a cozinha para comer, só precisava da minha cama.

Seguimos em silêncio, até ele puxar o meu braço e me virar para ele em uma parede próxima do quadro da Mulher gorda.

Notas finais
Desviando dos avadas, desviando dos avadas! Até amanhã pequenos e pequenas!