Força e Vida - Tomione

8 Capítulo 8 - Amigos e irmãos


Notas iniciais
Boa noite, coleguinhas! Hoje demorei um pouquinho, desculpa, mas foi dia de comprar coisa de papelaria e eu sempre demoro nesses lugares! :x Mas, antes tarde do que nunca, espero que gostem! :)

Percebi que o brilho azul vinha de uma caixa que estava em cima da escrivaninha, fui até lá para ver o que era.

Olá Herdeira da Sonserina,

Seja bem-vinda a sua nova câmara. A criei a provavelmente muitos e muitos anos atrás, quando buscava por um lugar que pudesse ser só meu e mais tarde dos meus futuros herdeiros. Queria me livrar dos sangues-ruins dessa escola, queria purificar nossa raça, mas acima de tudo, quando criei essa câmara, não pensava nela apenas como um lar para o Basilisco, mas como um lugar onde nós pudéssemos nos esconder.

Seu ovo de Basilisco está nesta caixa, ele está enfeitiçado e assim que você o tocar e o colocar na água da piscina, ele irá chocar e a cobra crescerá, até sua forma adulta, em poucos dias.

Eu gostava muito da Königin. Assim como ela, esse Basilisco lhe será leal e também será um verdadeiro amigo. Escolha um bom nome.

Salazar Slytherin

Eu havia acabado de receber uma carta do fundador da Sonserina? Isso definitivamente a cada segundo ficava mais estranho e improvável, mas isso era magia, e eu aprendi a não duvidar dela quando eu tinha três anos, no meu primeiro indício involuntário.

Peguei a caixa com o ovo, a levei para perto da água e a abri. O ovo era belo. Era branco perolado com leves tons de verde, nada no mundo parecia ser mais bonito. Peguei o ovo em minhas mãos e ele pareceu sentir minha presença, me ajoelhei perto da água e o coloquei lá. Ele não afundou, começou a se dissolver e a cor pérola foi se espalhando pela água. De dentro do ovo saiu uma pequena cobra, verde esmeralda. No momento em que saiu do ovo já parecia estar crescendo, e quando chegou perto da borda da piscina tinha talvez uns sessenta centímetros. Era verde como a Königin, mas era talvez um tom mais claro, era um esmeralda mais brilhante que o dela.

Sem que eu pudesse fazer qualquer coisa, nossos olhares se cruzaram. Os olhos amarelos, apesar de assustadores, eram muito bonitos. Eu já havia visto olhos assim logo antes de ser petrificada, mas dessa vez nada aconteceu, continuamos nos fitando. De repente a pequena cobra mostrou seus dentes como em um sorriso.

— Olá, moça. – Sua voz era leve, porém estranhamente reconfortante.

— Olá, pequenino. – Ele mostrou mais seus dentes, parecia realmente sorrir.

— Você irá dar um nome para mim? — Eu precisava escolher um nome bonito e carinhoso como era o da sua antecessora. Olhando para sua cor decidi.

— Grün. Seu nome será Grün. – Eu estava gostando de uma cobra? Isso é estranho.

— Moça, não quero atrapalhar a sua discussão interna sobre gostar de mim ou não, mas posso fazer a ligação de sangue agora? – Como ele poderia saber disso? Ele podia ler minha mente? Eu sou oclumente.

— Você nunca consegue fechar sua mente para o seu Basilisco. Tanto eu, quanto a Königin, podemos ouvir toda a sua mente. Somos criaturas mágicas e possuímos magia também, e esta normalmente é direcionada aos nossos protegidos. Então a sua magia entende que você não precisa se esconder de mim.

Isso é assustador, mas faz todo sentido. Gostei do fato dele ser tão verdadeiro comigo, poderíamos ser amigos, mesmo eu não entendendo nem como eu podia falar essa língua sem saber.

— Você nasceu com esse dom. Sua família sempre foi sangue puro e em sua maior parte da Sonserina. Você apenas não conseguia falar e entender antes porque sua existência era protegida por feitiços, apenas sua mãe e seu pai sabiam sua linhagem, e apenas sua mãe sabia onde você estava. Como seu sangue era protegido para parecer trouxa, seus talentos ligados a ele também eram. Você sempre foi poderosa, mas vai descobrir que depois dessa descoberta fará magias muito mais fortes. – Não tinha ideia de como estava conseguindo acompanhar a velocidade do Grün nesse monólogo. — E se nesse momento, você passasse pela seleção das casas, seria quase impossível não ir para a Sonserina. O sangue diz muito sobre nós. E falando em sangue poderia fazer um corte acima do seu coração, por favor? Königin gostou da ideia de ser no braço, mas eu prefiro que isso seja em um local mais escondido. – Realmente aquele Basilisco tinha que ser meu. Achei que a cicatriz esmeralda no meu braço era realmente muito chamativa.

Abri os primeiros botões da minha camisa e passei a varinha acima do meu coração para fazer o corte. Sentei-me no chão perto da água, e o Grün se aproximou deslizando para pingar seu veneno no corte. Tive a mesma sensação que havia sentido antes com a Königin, e logo a dor passou da mesma forma. Ele também cantou a canção que vendou os meus olhos e em seguida foi ao meu coração.

— Eu sou o rei das cobras, nenhuma delas jamais vai te ferir. Nenhum veneno vai te machucar. Pelo contrário, em pessoas como você o veneno de uma cobra comum alivia dores e irritações, além de estancar sangramentos em ferimentos. Já o meu veneno pode te curar, mas apenas você, porque tem a ligação de sangue comigo. E minha magia pode te acalmar e te ajudar. Serei seu mais leal amigo, moça.

Eu me sentia estranhamente segura. Era muita informação em pouco tempo, muita novidade em poucos minutos, mas eu me sentia bem naquela câmara. Sorri, um sorriso verdadeiro que a muito não se via no meu rosto e fiz um pequeno carinho nas escamas da minha cobra. Eu já tinha um gato, e agora eu tinha uma cobra de estimação. E não era uma cobra qualquer, era um Basilisco.

Perdida em meus pensamentos, quase não notei o pergaminho se remexendo no meu bolso. Com a mão que não acariciava meu pequeno Basilisco, o peguei.

Está tudo bem? Onde você está?

Estava escrito em tinta preta, era do Draco. Me desesperei ao pensar na quantidade de horas que eu já podia estar naquele lugar.

— Está aqui há uma hora, se estivesse em algum outro lugar do castelo estaria a umas quatro horas, mas aqui o tempo passa devagar. Por isso há um relógio na área da biblioteca, ele funciona no horário comum. Olhei para o relógio e percebi que realmente estava ali há uma hora.

— Como pode ler minha mente? Como funciona? – Eu estava curiosa.

— O que você estiver pensando no exato momento quando estiver por perto, eu ouvirei na minha mente. Não busco coisas antigas, apenas leio o instantâneo. O que me lembra de que isso é para você.

Era uma miniatura de um ovo, ele era oco e formava a forma oval através de desenhos de ondas. Elas eram verde-esmeralda e brilhavam. Era pequeno e vinha em uma corrente prata.

— Pode usar como colar, pulseira, ou tornozeleira. A corrente irá se ajustar para o que você quiser. E quando você precisar de mim é só pedir ao ovo, que eu irei atrás de você. Se quiser também apenas conversar é só falar perto dele. Quero que se lembre também de que eu sou atemporal, pode ser importante. – Logo a desejei como uma pulseira. Era muito bela e chamaria menos atenção. A coloquei em meu pulso esquerdo e arrumei minha camisa. Era perfeita e um presente lindo.

Olhei ao redor. Teria de explorar tudo aquilo outra hora, sabia onde estudaria agora, mas algo me incomodava.

— Onde você irá dormir, Grün? – Não poderia deixá-lo tão desconfortável.

— A boca da estátua do Salazar se abre, lá dentro é a minha casa.

— Como se abre?

— Peça, que ela irá abrir. Tudo aqui funciona com sua vontade, moça.

— Abra. — E realmente a boca do Salazar se abriu. Olhei para dentro e parecia escuro. — Você vai ficar bem aí?

— Com toda certeza, moça. Não se preocupe, é ajustada para ficar igual ao meu habitat natural. E para me trazer comida com frequência. – Ufa, realmente a comida era algo com que eu não queria precisar me preocupar.

— Eu preciso ir, já estão me procurando. E antes de vir para cá, havia recebido uma notícia um pouco peculiar.

— Sua mãe? – Deixei que ele visse o que havia acontecido antes de eu ser chamada para a câmara.

— Vá. O rapaz deve estar preocupado com você. – Sorri, pensando que o Draco podia realmente estar preocupado.

— Tenha um bom dia, Grün. Assim que eu puder, eu retorno. – Estava curiosa para explorar.

— Bom dia, moça. Tenha cuidado sempre ao entrar.

Então voltei ao banheiro e escrevi para o Draco, por código, para ele poder saber onde eu estava.

Me sentei onde havia estado antes de tudo acontecer e continuei lendo o jornal. Mesmo com tudo aquilo acontecendo, eu ainda não havia deixado de sentir toda a raiva e a dor por ter a família que eu tinha, e por tudo de errado parecer acontecer apenas comigo.

Poucos minutos depois, ouvi uma batida na porta. Fiquei com medo de que fosse qualquer outro, mas no pergaminho apareceu:

Estou aqui. Abra para mim, por favor.

Draco pedindo por favor? Ele devia estar realmente desesperado para entrar. Retirei o feitiço da porta e o esperei. Assim que ele entrou e fechou a porta, eu recoloquei o feitiço.

— Hermione Granger, você pretende faltar aula? Eu nunca te vi faltar aula na vida, exceto quando você estava petrificada, e sinceramente acho que nada pode ser pior do que ser petrificada. – Ele parecia zangado, e isso era engraçado. Ser reprimida pelo Draco era muito estranho.

— Também faltei quando estava vomitando bolas de pelos, no mesmo segundo ano. Que ano estranho foi aquele. – Acho que aquele ano havia sido o mais estranho.

— Verdade, por que aquilo aconteceu naquela vez? Você nunca me contou. – Ele parecia mais calmo, acho que um pouco estava preocupado porque eu realmente não era de faltar aula, e agora se sentia mais tranquilo por ver que até leves piadas eu estava fazendo.

— Eu havia feito uma poção polissuco para perguntar a você sobre quem era o herdeiro da Sonserina. Harry e Rony se transformaram em seus guarda-costas e eu iria me transformar em Emília Bulstrode. Havia pegado cabelo dela durante o nosso duelo, mas era na verdade pelo de gato. – Realmente aquele havia sido um ano bizarro.

Draco começou a rir, gargalhar na verdade. Era bom vê-lo rindo, mas eu não entendia seus motivos.

— A sabe-tudo de Hogwarts não soube diferenciar pelo de gato de cabelo humano, alguém avise o ministério da magia. – Ele ria mais agora. Apenas bufei.

— Pare de rir Malfoy e diga logo o que veio me dizer, não estou com muita vontade de ir para as primeiras aulas. – Vê-lo rindo era bom, mas aquele assunto ainda era delicado para mim, ainda sentia o desconforto de vomitar bolas de pelo e ter uma cauda.

Ele riu mais um pouco até parar totalmente e sentar na minha frente, olhando-me nos olhos. Agora estava sério.

— Queria saber se a minha irmã estava bem, senhorita Malfoy. – Ele me chamar de irmã e pelo meu verdadeiro sobrenome, na mesma frase, fez o meu estômago dar cambalhotas duplas. Felizmente eu havia tomado café bem mais cedo, caso contrário era provável que teria vomitado só com a surpresa. Meus olhos se arregalaram e eu pensei por um momento.

— Eu estou bem. Já passei por coisas piores. – As duas coisas eram verdade, e a pior de todas as coisas havia ocorrido naquelas férias.

Ele pareceu refletir por um momento me encarando, então me olhou nos olhos mais uma vez e me abraçou, me puxando para o seu colo. O abraço era reconfortante e seguro. Eu estava me sentindo muito segura hoje, e isso era ainda mais estranho do que o meu segundo ano.

— Me preocupo com você mais do que gostaria de admitir. – Ele falou bem baixo no meu ouvido.

Aquilo me reconfortava. Alguém se importando realmente comigo e esse alguém não era um amigo, era da minha família.

— Você é minha família, Draco. – Ele me abraçou mais forte.

Ficamos por um tempo abraçados, até que eu cheguei a conclusão de que precisava contar tudo sobre a câmara à ele.

— Preciso te contar uma coisa muito interessante que descobri hoje.

Ele ouviu toda a minha história com muita atenção. Contei tudo desde minha reação no salão principal. Eu sentia que pelo menos nisso eu precisava ser sincera com ele, não podia contar de onde vinha a minha dor original, mas precisava contar algo a ele. Precisava que o loiro soubesse que confio e me importo com ele como ele se importa comigo. Quando eu terminei de contar Draco pareceu pensar por um longo tempo em silêncio, até finalmente dizer:

— Uma hora dessas, eu posso conhecer a sua câmara e o seu bichinho de estimação, herdeira da Sonserina? – Ele parecia curioso e animado.

— Com toda certeza. Meu irmão com certeza seria o primeiro a conhecê-la. – Eu sorri e Draco ficou pálido. O que eu havia feito de errado?

— O que foi, Draco? – Eu estava preocupada.

— Foi a primeira vez que você me chamou de irmão. – Ele parecia deslumbrado. Era muito fofo de se ver.

— Você sabe que você é, e a partir de agora para sempre será. – Eu cuidaria dele como ele estava cuidando de mim.

Notas finais
Gente, muito obrigada pelos comentários! De verdade! Qualquer erro que acharem aqui pode me mandar também! ♥