Força e Vida - Tomione
77 Capítulo 77 - Um novo ano
Notas iniciais
— Mesmo tantos anos antes, a vida não fazia sentido para mim da mesma maneira que aqui. Mas isso mudou. Porque devagar e com cuidado um garoto moreno, sonserino e muito belo. – Admiti ruborizando. – Me conquistou. Ele era frio e fechado, mas com certo cuidado, eu conquistei o meu espaço com ele. Eu me apaixonei. Mas não nos esqueçamos de que essa é a minha história, então é mais do que óbvio que ela não seria um mar de rosas. Sim, eu o amava. Muito. Mesmo que eu não admitisse para qualquer um, ou sequer para mim. Porém ele tinha um defeito, chame como quiser, que eu não conseguia perdoar. Ele odiava os nascidos trouxas e os machucava por isso, e eu não conseguia simplesmente ficar olhando. A cada nascido trouxa que ele tentava machucar mais eu ficava confusa e tentava me afastar. Até que eu admiti que o amava, não só para ele, mas para todo mundo. E por um breve tempo eu fui absurdamente feliz, mas uma menina tinha que entrar no nosso caminho, ele tentou matá-la. E eu sinceramente não o culpo por isso, mas eu assumi a culpa e sem que eu conseguisse sequer reagir, Draco nos trouxe de volta. Ao contrário de tudo que eu havia sofrido antes, aquela dor não tinha cura. Ela não passava. Durante todas as minhas férias para o sexto ano eu fiquei na casa da minha mãe me recuperando. Mas é claro que eu não conseguiria fugir para sempre, quando eu me atirei na frente do meu irmão para que ele não fosse azarado, eu voltei a vê-lo. – Suspirei finalmente tendo coragem para encará-lo. Ele me observava atentamente.
— Eu te amo, Tom. Não importa o quanto eu acho errado a sua causa, mesmo que a minha família inteira esteja nela, eu jamais conseguiria ficar do outro lado de uma guerra contra você. Harry foi meu amigo durante muitos anos, e eu não queria que ele morresse, nem que você assumisse todo o mundo mágico, porque eu tenho medo do quanto isso é perigoso. Do quanto todo esse poder atrairia pessoas ruins querendo tomá-lo. E eu me odeio por saber que em momentos como esse, mesmo que minimamente, eu sou um ponto fraco seu. – Admiti meus maiores medos. Como uma torneira estava despejando tudo que vinha a minha mente. – Isso não muda absolutamente nada, mas eu precisava te contar. Não aguentava mais ver tudo isso entalado na minha garganta, quando eu sabia que você tinha perguntas e era respeitoso o suficiente para não fazê-las. Queria te falar antes que você precisasse perguntar, e sinto muito por ter demorado tanto. – Suspirei não conseguindo segurar algumas lágrimas. Me levantei me preparando para sair, ele precisaria de espaço depois de tantas informações.
— Aonde vai? – Finalmente disse ele segurando a minha mão.
— Entrar. Eu sei que você vai precisar de tempo para pensar. – Se é que iria querer continuar comigo.
— Sente-se. – Pediu ele delicadamente, até mesmo me assustando.
Me sentei encarando ele em todos os mínimos detalhes, mas ele não estava olhando para mim. Ele olhava para o chão a sua frente sem realmente olhar para qualquer lugar.
— Cinquenta anos. Esse foi o tempo que eu esperei para finalmente poder vê-la novamente. – Disse ele. – Durante todos esses anos, eu passei por inúmeros estágios. Desde a profunda depressão no começo, seguido pelo desespero que me levou a ser quem sou, e passando para a saudade e a ansiedade de revê-la. Desde o primeiro momento em que eu voltei a câmara, eu soube que você era do futuro. Königin apenas me revelou que você era uma futura herdeira, e como eu sabia que jamais poderia ser seu pai, não me sentindo como eu me sentia, sabia que ela procuraria por outro dono, alguém forte, já que eu era o último herdeiro de sangue. Mas eu não sabia dali quantos anos você nasceria então só me restou esperar. – Ele suspirou.
— Desde os primeiros pesadelos que eu tive, até o momento em que eu vi o bicho-papão do Draco e chegando até o momento em que eu retornei para um corpo humano, eu sempre soube que você nunca iria gostar do que eu estava me tornando. Eu sempre tive medo da morte, e saber que você era do futuro só me fez ainda mais desejar ser imortal e foi o que eu busquei, sem medir as consequências. E eu encontrei. Horcruxes. Essas foram a chave para que eu continuasse com a aparência dos meus trinta anos e para que eu jamais morresse. Não sei se você sabe o que é.
— Eu sei bem o que é. – Respondi rapidamente não deixando que ele terminasse, e agora fazia todo o sentido todos aqueles símbolos de Hogwarts. – Não sei como fazer, mas li sobre em um livro uma vez. Era uma leitura pesada, eu admito, mas eu estava curiosa. – Disse rapidamente. – Sei que utilizou os objetos dos fundadores para fazer três delas. – Não tinha certeza, mas pelo olhar surpreso dele eu estava certa. – Quantas mais você criou? – Era algo muito sombrio saber que ele havia partido sua alma tantas vezes, mas eu precisava saber.
— Eu criei seis ao todo, mas desconfio que exista uma sétima. – Disse ele encolhendo os ombros. – Queria poder sentir mais vergonha disso, mas não consigo reverter o que fiz. O arrependimento me mataria. – Nunca havia visto o moreno parecer tão infeliz. — Eu sei o quanto te fere ver o que eu faço. Sei que não te faz bem, e eu queria mais do que tudo, poder desistir de tudo e ir viver a nossa vida em algum lugar distante. Porque desde que você foi atacada pelo lobo, mais do que nunca eu percebi que nada faz sentido sem que eu tenha você por perto. Eu te amo, Hermione. Sempre amei e sempre vou amar, não importa o que aconteça. – Sorri começando a chorar ao ouvir tudo isso vindo dele.
— Mas eu não posso desistir de tudo, ao menos não agora. Nós seríamos seguidos até os confins da Terra. Nunca teríamos paz. E eu não estou falando apenas de comensais e outros bruxos das trevas, eu estou falando até mesmo do Potter. – Olhei para ele com os meus olhos arregalados sem entender. – Eu já estive na mente dele por mais de uma vez. Assim como ele atacou ao Draco sem ao menos ter certeza do que estava fazendo, ele faria com qualquer outro para chegar aos seus objetivos. Ele está ficando obcecado, tudo que mais deseja é ser o eleito e vencer. Cada vez mais não há bem ou mal, você melhor do que ninguém sabe disso. Existem partidários dos dois lados, porque convenhamos, posso chamar os meus de comensais, mas o garoto também possui pessoas que o seguiriam de olhos fechados. E existem pessoas boas em ambos os lados, mas apenas um de nós pode sobreviver, e mesmo ele querendo dizer que ele é o lado do bem, ele apenas não quer morrer, como eu também já desejei um dia. – Era incrivelmente assustador ver tudo aquilo de outro ponto de vista.
— Eu posso atrasar isso tudo em alguns anos, já que eu ainda não fiz a minha apresentação pública, mas não consigo mais evitar. Na verdade, tenho sérias dúvidas se algum dia eu teria conseguido evitar. – Tom suspirou e olhou para mim com um olhar cansado e culpado.
Ele parecia querer continuar a falar mais alguma coisa, porém não o deixei continuar, o puxando para perto de mim e o abraçando com força. Tom era sim o cara mal, não totalmente, porque todos possuem trevas e luz dentro de si, mas nem isso me importava. Eu ficaria ao lado dele, não importando qual fosse a decisão e qual fosse a luta, eu iria protegê-lo e levá-lo para longe do caminho que levava para mais trevas, eu buscaria a luz nele.
— Nós daremos um jeito em tudo. Mas dessa vez do jeito certo, juntos. – Disse o beijando levemente quando finalmente o soltei. – Para começar precisamos esconder as suas Horcruxes, Dumbledore está atrás delas, se é que já não destruiu alguma. – Me assustei com o quanto eu sentia vontade de protegê-lo.
— Uma já foi destruída, mas vou esconder as outras de uma forma melhor.
— Juntos. – Disse com mais firmeza do que eu havia sentido em qualquer momento antes.
— Sempre juntos. – Concordou ele apertando a minha mão. – Nada mais vai nos separar.
Na noite de ano novo eu estava escolhendo o meu destino. Eu iria lutar não pelas trevas ou pela luz. Não ia lutar por mortes, sangue ou maldições. Eu iria achar uma forma de livrar o amor da minha vida da morte, para que pudéssemos viver em paz. Acharia uma maneira de viver em um lugar calmo com a minha família. Eu iria lutar pela minha felicidade. E mais do que tudo que eu havia aprendido na vida, ali havia uma lição importante. Para ser feliz não importava se era bom ou mau. A felicidade vinha para todos, desde que tivéssemos apenas duas coisas: Força e vida.
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