Força e Vida - Tomione

76 Capítulo 76 - Verdades apresentadas


Notas iniciais
Gente, estamos chegando na reta final da fic, os três últimos capítulos, eu sei parece que foi ontem que tudo começou, mas eu não vou falar muito agora se não já ficarei nostálgica desde já! Pois bem, o capítulo hoje é dedicado para a Wendyy que fez sua primeira recomendação a uma fic, fico muito feliz que tenha escolhido minha fic para receber essa honra! *0*

Eu estava nervosa. E a culpa não era da longa e bela trança de lado que a Pansy havia feito no meu cabelo, com um pouco de feitiços de extensão e de outros produtos para cabelo, ou então da belíssima e leve maquiagem que a Narcisa havia me feito, ou por fim do belo e elegante vestido branco que a minha mãe havia me dado junto com uma lingerie da mesma cor, acho que isso era mania de irmãs. Não. Eu estava nervosa porque hoje ia ser a festa de ano novo dos Malfoy e eu havia decidido que iria contar a verdade para o Tom.

Provavelmente não tudo, porque isso não era necessário, mas pelo menos o suficiente para que eu não me sentisse tão mal por esconder certas coisas. Como a minha presença no passado, o porquê de eu ter ido embora e um pouco da minha profunda falta de interesse no lado das trevas.

Era o lado que toda a minha família havia escolhido, e também do amor da minha vida, mas ainda sim, eu não via tudo aquilo como certo. E isso havia sido grande parte do motivo para eu querer fugir dos meus sentimentos pelo Tom no começo. Não era como se eu simplesmente fosse desistir de todos que eu amo, e iria para o lado do Harry, porque eu nem ao menos cogitava isso. Mas eu também não conseguia aceitar que ele teria que morrer.

Havia falado com a minha mãe e com o Draco e os dois haviam me apoiado. Eles também achavam que eu deveria contar e disseram que se algo desse errado, nós três daríamos um jeito de sumir do mapa. Eu não queria que algo desse errado, mas era bom saber que eu tinha cem por cento do apoio daqueles que eu mais amava.

— É mais ou menos assim que eu imagino que você vai estar quando nos casarmos. – Com algo tão doce e, como eu podia ver nos olhos dele, tão sincero, Tom me tirou um pouco dos meus devaneios e do meu nervosismo.

— Talvez eu esteja com algo um pouco mais chamativo, já que a Narcisa está na minha família. – Beijei a sua bochecha enquanto ríamos. Ela iria usar um vestido dourado, longo e brilhante nessa noite, não duvido o que faria se eu um dia anunciasse o meu casamento.

Mas aquilo não havia sido o suficiente para que eu desligasse totalmente as minhas preocupações, o que não passou despercebido pelo moreno enquanto descíamos as escadas para a nossa grande entrada no salão. Da última vez que eu havia estado lá, eu havia entrado com o Draco, dessa vez ele entraria com a namorada e eu com o Tom, era o mais certo, mas isso me dava mais uma carga de nervosismo, mesmo sabendo que dessa vez a mamãe também estaria lá com o marido.

— O que está te preocupando, Mione? – Sussurrou o moreno enquanto nos arrumávamos na fila. Seríamos os primeiros, seguidos pelo Lúcio e a Narcisa, a Bela e o Rodolfo, e por fim o Draco e a Pansy. Antes de responder tentei fazer uma cara confusa, mas sabia que ele não cairia em um truque tão bobo, ele me conhecia. – Nós dois sabemos que você não consegue esconder esse tipo de coisa, Mione. – Repreendeu ele levemente.

— Eu preciso falar com você mais tarde, Tom. – Falei baixinho no seu ouvido, para que só ele ouvisse.

— Está nervosa por isso? – Perguntou ele ainda mais curioso.

— Sim. – Admiti abaixando a cabeça, ainda mais nervosa.

— Hei. Não fique assim. – Disse ele levantando o meu queixo. – Se quer conversar, vamos conversar, não precisa ficar tão nervosa. – Assenti com um sorriso lhe dando um selinho.

De qualquer forma eu teria que falar. Eu não aguentava mais esconder tudo aquilo, além de não fazer bem para nós também. Nunca conseguiria ficar totalmente tranquila guardando tanta coisa. Ele fazia o imenso favor de não perguntar, mas eu sabia que também queria saber, a curiosidade estava sempre no seu olhar.

Durante toda a entrada eu sorri e cumprimentei estranhos com toda a educação que eu havia recebido. Quando finalmente fomos para a mesa me mantive em silêncio, conversando ora ou outra com a minha mãe, ou com a Pansy e o Draco, tentando ao máximo não demonstrar o quanto eu estava longe.

Não era que eu não estava me divertindo, ao contrário do último jantar eu me sentia menos deslocada e mais feliz, mas as preocupações não me permitiam aproveitar como um todo, já que apenas uma parte minha realmente estava presente ali.

— Não se estresse tanto. – Sussurrou a minha mãe quando o Tom e o Lúcio saíram para fazer seus discursos e liberarem o jantar.

— Está difícil. – Admiti sorrindo minimamente. Não era impossível, só eu não estava conseguindo me concentrar em mais nada.

Minha distração era tão grande que eu não consegui nem ao menos prestar atenção no que estava sendo dito nos discursos. Eu sabia que tinha palavras de mais um próspero ano, melhor do que esse havia sido, mas esse era o máximo de palavras que eu conseguia juntar, já que mesmo tentando eu não conseguia prestar total atenção.

Quando o jantar foi servido me concentrei totalmente no prato, não conversando, para que conseguisse ao menos apreciar a comida que eu sabia que estaria gostosa, e pelo menos isso eu consegui fazer, o que me deixou um pouco menos nervosa. Eu conseguia focar, só precisava ir com um passo de cada vez.

No fim do jantar, Lúcio se levantou novamente para liberar a pista de dança, e assim que os primeiros casais começaram a dançar e o resto da nossa mesa saiu, para conversar ou arriscar alguns passos. Tom se virou diretamente para mim sem cerimônias.

— Eu te tiraria para dançar, mas algo me diz que você não iria aproveitar nada. – Comentou ele levemente dando de ombros o que me arrancou um sorriso. – Varanda? – Perguntou ele simplesmente, me dando sua mão para que eu me levantasse.

Felizmente ele não escolheu a parte da varanda em que nos encontramos da última vez, o que me deixaria ainda mais nervosa. Ao contrário disso me levou para as escadas e direto para uma parte iluminada do jardim, onde havia um pequeno banco.

Ninguém havia saído para o jardim, chegando no máximo até a varanda, mas para me dar ainda mais confiança, Tom lançou um abaffiato ao nosso redor. Suspirei assim que tive certeza de que estávamos totalmente sozinhos.

Tom não me disse para começar a falar. Ele simplesmente segurou a minha mão e a apertou levemente me dando permissão e confiança. Era um sinal de que ele não iria me apressar e que me ouviria até o fim.

— Até o começo do quinto ano em Hogwarts, eu era conhecida como Hermione Jean Granger, grifinória, sangue ruim e sabe-tudo. Porém antes das aulas começarem, eu estava na casa dos Weasley quando resolvi ir sozinha ao Beco Diagonal, onde desafiei e fui atacada por três comensais que me reconheceram. Eles me deixaram para morrer, mas ainda não era a minha hora. Alguns dias depois eu perdi os meus pais em um acidente de carro. Ali eu havia perdido qualquer que fosse a vontade de viver, mas eu continuava me levantando da cama todos os dias em uma existência infeliz e vazia. Até que antes de finalmente ir para a escola veio mais uma bomba. Eu não era quem sempre pensei que fosse. Eu era sangue puro. Uma Black Malfoy, assim como o meu irmão Draco. E para melhorar eu descobri da noite para o dia que podia falar com as cobras, e ganhei um basilisco. Foi uma fase realmente estranha da minha vida. – Completei com um pequeno sorriso. – Fui torturada pela Umbridge porque decidi não dedurar os meus amigos e briguei com o meu irmão por isso. Mas tudo começou a ficar realmente estranho, deixando o resto até parecendo normal, quando a minha mãe mandou uma carta para o Dumbledore, dizendo que eu poderia correr perigo aqui, e um deles era a Dolores, e que uma boa ideia era me mandar para o passado. Para eu não ir sozinha até o Draco foi colocado no meio. – Ele não precisava saber de todos os detalhes. – Nós estudaríamos no passado e depois de um ano voltaríamos. Ainda não tenho total certeza do porque de eu ter aceitado ir, mas tudo bem. Acho que uma das ideias do velho era que eu tentasse mudar alguma coisa na cabeça do famoso Voldemort, mas sinceramente não sei. – Dei de ombros ignorando o aperto mais forte que o moreno deu na minha mão quando eu disse o nome com o qual ele se intitulava.