Força e Vida - Tomione

58 Capítulo 58 - A paz antes da tempestade


Notas iniciais
Oi gente, cá estamos com mais hihi

Conforme a manhã foi passando, a fome começou a se apresentar, até que quando o almoço ficou pronto, Draco se prontificou a ir dar uma desculpa para os seus pais e buscar a comida, para que eu não precisasse sair do quarto, onde eu estava segura.

Durante a tarde procuramos passar o tempo com qualquer coisa que tivesse no quarto do loiro. Nos divertimos jogando jogos antigos, e contando histórias engraçadas do nosso passado. Draco não havia tido um passado escolar tão animado quanto o meu, mas os sonserinos também haviam achado formas de se divertir.

No fim, o dia acabou passando sem que nós notássemos, e durante algumas horas eu havia conseguido esquecer de todas as minhas preocupações. Durante aquela tarde não havia existido a missão da minha mãe, ou o lorde das trevas no quarto ao lado. Mas quando olhei para o céu e notei que já estava escurecendo, todas as preocupações voltaram de uma só vez.

Bela não havia dado notícias, o que me deixava preocupada e ansiosa, e sem notícias Draco sabia que eu não conseguiria ir embora. Era irracional e perigoso continuar ali, mas tudo se tratava da minha mãe. Naquele momento não havia razão ou perigo que me tiraria dali.

— Ela está bem, Mi. Ninguém poderia ser melhor do que ela em uma missão. – Draco tentava me consolar, saindo do banheiro, depois de ter tomado banho, com apenas uma toalha na cintura.

— Eu sei que você é bonito. Você sabe que é bonito, precisava sair só de toalha? – Por um momento me permiti brincar, saindo do estado jogada na cama, para o estado deitada na cama apoiada nos cotovelos.

— É sempre bom lembrar algo assim, sabe? – Draco colocou apenas a cabeça para fora do closet ainda rindo.

O loiro havia separado um traje formal para o jantar que aconteceria naquela noite, já que de qualquer forma ele precisaria descer e aparecer para todos, como se nada estivesse acontecendo, como se nós não estivéssemos pensando em ir embora, e como também se ele não precisasse estar na escola em uma época como essa, mas nisso acho que ninguém havia pensado.

Draco já havia colocado a calça e estava começando a abotoar a camisa, quando ouvimos suaves batidas na porta. Em um segundo eu estava sentada totalmente tensa, e em dois o loiro já estava ali, com a camisa totalmente aberta.

Antes que ele fosse abrir a porta daquela forma, corri para o banheiro e me tranquei lá dentro. Quem quer que fosse, não poderia ser boa coisa, já que a única pessoa que nós esperávamos poderia entrar sem bater.

Fiquei o mais próxima da porta que conseguia, e também o mais imóvel possível, para que pudesse ouvir o que acontecia no quarto sem chamar atenção.

— Ela está se preparando para ir para o banho. – Draco disse em um tom de voz normal. Provavelmente sua mãe estava ali.

A conversa havia sido em um tom de voz baixo, e não muito demorada, de tal forma que assim que ouvi a porta se fechar novamente, abri a do banheiro para saber do que se tratava.

— Minha mãe veio lhe trazer um vestido. – Havia um magnífico vestido verde escuro em cima da cama. Longo no estilo princesa, com a saia rodada, e tomara que caia, com as mangas e o pescoço inteiramente em renda. Para combinar, um par de sapatos pretos, e um conjunto de lingerie preto. – Me pergunto o que se passa pela cabeça dela. — Disse Draco pegando o sutiã todo rendado.

— É realmente uma excelente pergunta, primo. – Sorri para ele e caí na risada, imaginando o que minha tia não pensaria se soubesse de toda a verdade sobre o nosso parentesco e relacionamento. – Mas pelo menos ela tem um ótimo gosto. – Tirei das mãos dele o sutiã e também peguei o vestido, indo em direção ao banheiro.

Se minha mãe não voltasse logo, nossa única saída seria descer para o jantar. Eu não queria ser teimosa e me arriscar, e sinceramente esperava que ela chegasse antes disso, mas lá no fundo eu sabia que seria incapaz de sair sem notícias, mesmo que agora o peso dessa decisão começasse a aparecer.

Depois de um banho longo e perfumado, com meu próprio sabonete, shampoo e hidratante, já que Bela havia pensado em tudo quando preparou a mala de emergência, vesti as peças de roupa com cuidado e elegância. Também resolvi arrumar os meus cabelos magicamente em um coque um pouco bagunçado, e fiz uma maquiagem leve, porém intensa. Ainda era engraçado maquiar os meus olhos, e perceber quão diferente eles podiam ficar.

— Está magnífica. – Draco estava em pé já todo arrumado. Seu terno o deixava sério, e para combinar comigo ele havia escolhido uma gravata da cor do vestido.

— Você também. – Sorri para ele enquanto me sentava na cama para por os sapatos.

— Sei que é burrice nós ficarmos, mas eu preciso descer pelo menos um pouco, e nem eu conseguiria sair daqui sem notícias da Bela. – Draco suspirou olhando para a porta. Era realmente burrice, mas não havia nada mais que pudéssemos fazer.

Me olhando mais uma vez no espelho do banheiro, caminhei até o loiro e entrelacei meu braço no seu, em sinal de carinho, coragem e cumplicidade. Coisas que eu e ele havíamos conquistado, depois de tantos problemas, durante os últimos meses.

Antes de sairmos do quarto, Draco sorriu para mim e me deu um leve beijo na testa, tentando passar a coragem que eu também queria passar para ele.

Juntos, com calma e elegância, saímos do quarto e fechamos a porta. Caminhando lentamente na direção das escadas, de onde já podíamos ouvir conversar no andar de baixo.

Para o loiro aquele era apenas mais um jantar, com pessoas que ele sempre havia convivido desde criança, e que embora não gostasse delas, eram conhecidas dele. Mas eu estava ali pela primeira vez. Eu era o brinquedo novo. A prima misteriosa que todos iam falar sobre, e que os mais corajosos, e enxeridos, iam querer se aproximar e interrogar, em busca de qualquer informação a mais.

Com um último suspiro, deixei que o loiro começasse a nos conduzir lentamente pelas escadas, descendo um degrau de cada vez, com paciência. Parecia que estávamos adiando algo inevitável, mas também de nada adiantaria descer correndo. Estaríamos indo para o mesmo lugar, ver as mesmas pessoas, e pelo menos dessa forma as palpitações no meu coração e a sensação de que eu estava me aproximando do perigo por conta própria, vinham de forma mais lenta.

Quando nos aproximamos do fim da escada, esvaziei a minha mente. Parei de enumerar tudo que poderia dar errado. Parei de pensar nas pessoas que teria que enfrentar, a começar pela minha tia, meu pai e uma mãe furiosa quando soubesse que eu estava indo para o jantar. Mas o último pensamento que ficou, e que simplesmente não queria ir embora, era o rosto do homem que eu provavelmente veria naquele salão e que talvez eu tivesse que conversar como se nada estivesse acontecendo, ou tivesse acontecido.

Eu até poderia ser uma mentirosa razoável quando precisava, mas eu não queria pensar no nível que eu precisaria apresentar para que até mesmo pudesse enganar o lorde. Eu não queria pensar no quanto era errado eu estar dando mais uma chance para ele descobrir quem eu era, isso se ele já não tivesse certeza, como no caso do Draco.

Então antes que eu desmaiasse de medo, ou desespero, chegamos ao fim da escada. E eu finalmente soltei o ar que eu nem havia percebido que estava segurando. Eu não era mais uma grifinória, mas por uma noite eu precisaria ter coragem, mas também precisaria ser a sonserina que havia treinado tanto para ser.

Precisaria ser astuta, fechada, e séria. Porque eu não sabia o que realmente esperar daquela noite. Nada e tudo nunca pareceram ter significados tão intensos como naquele momento.

— Fico feliz que tenham escolhido se juntar a nós. – Narcisa me tirou dos meus pensamentos com um sorriso educado e agradável. Sorri para ela da mesma forma, agradecendo mentalmente por ela ter me tirado do espaço escuro e tenebroso que eu chamava de mente.

— Eu sei o quanto jantares são importantes para você, mãe. E também Amy está se sentindo bem melhor, então achamos melhor descer um pouco, para que ela pudesse caminhar e pegar um ar. – Draco era educado e gentil. Cavalheiro da forma como ele havia sido criado.

— Nos assustou chegando daquela forma Amy, mas ficamos muito felizes de saber que já está bem. – Lúcio havia brotado atrás de nós de uma forma tão silenciosa que eu quase havia dado um pulo.

— Acho que logo já poderemos estar em Hogwarts novamente, senhor. – Disse suavemente. Ele se aproximou da esposa e lhe deu um beijo na testa, da mesma forma que Draco fazia comigo. Apesar dele tentar manter uma postura relaxada, pude ver em seus olhos inúmeras emoções enquanto ele olhava para os meus trajes e ainda mais emoções quando ele me ouviu falar.

Era difícil ter o meu pai na minha frente e não poder dizer nada. Não podia brigar, chorar, abraçar ou qualquer uma das emoções que me dominasse primeiro. Chegava a ser frustrante manter um sorriso educado.

— Todos já chegaram e já se acomodaram nas mesas, mais tarde quero que vá falar com cada um, querido. – Disse Narcisa ao filho, não notando o clima tenso que havia se instalado no olhar fixo entre pai e filha.

— Pode deixar, mãe. – Olhei para o loiro e sorri levemente, sentindo um pouco de tédio vindo da sua voz.

— Agora que já estamos todos aqui, acho que já podemos entrar. – Senti meu corpo enrijecer como na noite anterior, mas pelo menos dessa vez eu não havia levado um susto à beira da escada.

— Com toda certeza, milorde. – Disse Lúcio olhando para trás do meu ombro.

Draco também nos virou, mas minha curiosidade não venceu a dor que eu sabia que sentiria se olhasse para o lorde, então mantive os meus olhos baixos e meu braço bem agarrado ao do loiro, que afagou minha mão quando percebeu a força que eu estava aplicando ali.

Com Tom na frente, depois Narcisa e Lúcio, e por último eu e o Draco, nos encaminhamos para as portas duplas que haviam no final do corredor ao lado da escada. Até mesmo de costas tentei não olhar para o moreno, mantendo o meu olhar em vasos de flores e quadros, porém foi impossível não olhar para frente quando as portas do salão se abriram.

— A noite vai ser longa. – Draco sussurrou para que apenas eu ouvisse. Ainda um pouco surpresa, apenas concordei em silêncio.