Força e Vida - Tomione
57 Capítulo 57 - Voltando à superfície
Notas iniciais
Mais uma vez eu havia sonhado com o Tom. Dessa vez eu conseguia reconhecer o corredor, que eu havia visto na noite anterior, além de ter a certeza de que o moreno estava com a aparência da mesma idade do sonho, e isso definitivamente não me acalmava, já que era mais um indicativo de que talvez o sonho pudesse se realizar logo, ou ele fosse um aviso. Já que como sempre eu estava usando o meu perfume quando cheguei aqui, e isso era mais um passo em direção à descoberta da minha real identidade.
Não que eu não achasse que ele já não tinha uma ideia da verdade, mas para ele não ter dito ou feito nada, certeza ele provavelmente não tinha. E era isso que me mantinha sã e me permitia abrir os olhos naquela manhã. Já que se ele tivesse certeza, provavelmente já teria tentado me matar, depois de tantos anos que, para ele, eu havia passado desaparecida.
Mesmo que isso deixasse a minha mente em ordem, meu coração parecia a ponto de desistir de tudo e me fazer voltar a chorar. As marcas do feitiço do Harry já haviam sumido, e como Tom havia dito, nenhuma cicatriz ficou para trás. Mas as marcas da noite de choro estavam bem presentes na dor de cabeça pesada e latejante, no corpo cansado e na falta de vontade de me levantar.
Olhando para a janela, percebi que ainda era cedo, talvez oito horas da manhã, e olhando para o lado, notei que estava sozinha na cama, o que achei estranho, já que sabia que minha mãe havia ficado abraçada comigo pelo menos até o cansaço me vencer e eu acabar dormindo. Mas entendi quando prestei atenção no som do chuveiro que vinha do banheiro, ela provavelmente havia se levantado um pouco antes de eu acordar.
— Bom dia, filha. – Bela saiu do banheiro já totalmente vestida e maquiada, daquela forma que apenas ela poderia se arrumar.
— Bom dia, mãe. – Falei baixo e lentamente tentando controlar a dor de cabeça e ainda querendo voltar a dormir.
— O café já está pronto, e eu vou descer porque terei que participar de uma missão hoje. – Disse ela depois de um tempo, em que apenas me observou. Parecia profundamente chateada por ter que sair. – Draco ficará aqui com você. Provavelmente está noite eu os leve para a minha casa e então para Hogwarts. – A última parte era apenas um sussurro.
— Vou ficar bem, não se preocupe. – Sorri tentando tranquiliza-la. Eu sabia o porquê dela querer que eu fosse embora logo, era mais seguro. E com toda certeza ela não queria que eu passasse muitas tardes sozinha em uma casa onde Lorde Voldemort estava no quarto ao lado.
— Até te chamaria para descer junto, mas você não parece estar em condições para isso. – Ri sem muita força, sabendo que isso tinha algo a ver com as minhas prováveis olheiras profundas e olhos vermelhos, troféus da noite complicada.
Bela apenas beijou a minha testa antes de sair e fechar a porta. Eu não queria estar presente nas refeições, e como ela queria poder sair logo dessa casa. Minha presença estava chamando muita atenção, seria questão de tempo para Narcisa tentar me ver, para tentar conseguir mais informações sobre mim. Não era possível que ela não havia percebido que todos pareciam saber mais do que ela, até mesmo Tom, que teoricamente era para nunca ter me visto na vida.
Se eu fosse ela jamais aceitaria a história de que sou uma prima distante, muito menos ao perceber que a Belatriz havia dormido no mesmo quarto que eu, e que havia cuidado de mim. Ela conhece a irmã desde sempre, deve saber que isso nunca seria um comportamento normal vindo dela.
Eu ainda não estava com fome, na verdade queria apenas voltar a dormir e esquecer de todo o resto. Esquecer que eu estava na casa do meu pai, esquecer que Tom Riddle também estava aqui, e simplesmente pensar que eu estava em uma cama confortável o suficiente para que eu pudesse dormir em paz.
Não percebi quando dormi, só notei que havia mais uma vez cochilado quando a porta do quarto se abriu novamente, dessa vez para um loiro silencioso. Draco entrou com delicadeza, tanto que eu não teria acordado se não estivesse em um estado tão alerta. Mesmo estando tão cansada, meu corpo não conseguia relaxar.
— Não queria te acordar. – Draco disse sorrindo minimamente. Suavemente sentou ao meu lado e beijou a minha testa. – E como vai minha irmãzinha? – Ele estava sendo muito fofo, mas era perigoso me chamar de irmã ali. – Não se preocupe, a Bela enfeitiçou o quarto, só é permitida a entrada de quem ela autorizou, no mais a porta está trancada, e nada pode ser ouvido lá fora. – Sorri abertamente pensando no quanto havia puxado a inteligência da minha mãe.
— Eu estava com saudades, maninho. – O abracei apertado, deixando que um pouco dos meus medos saísse com aquele carinho. – Como está tudo lá fora? – Eu estava curiosa e sair não era uma opção inteligente.
— O lorde avisou que teremos um jantar essa noite, com vários comensais, algo relacionado com a missão que a Bela foi hoje. – Senti um arrepio passar pela minha espinha, ao imaginar aquela casa cheia de comensais. – Mas não precisa se preocupar, provavelmente vamos usar a ocasião para ir embora sem chamar muita atenção. Cresci aqui, mas não aguento ficar muito mais tempo. Minha mãe está quase me torturando para saber sobre você, meu pai está estranhamente quieto, o que também é perigoso. E sinceramente estou me sentindo péssimo de ter te trazido para cá, sei que poucas pessoas poderiam te curar como o lorde, mas foi arriscado demais. Me desculpe. – Draco suspirou, não olhando nos meus olhos. Parecia preocupado e cansado.
— Não tenho porque te desculpar, Draco. Se estivéssemos ainda em Hogwarts eu poderia estar morta, então só tenho que te agradecer. Você pensou rápido, e me salvou de uma estupidez tremenda do Harry. – Era difícil falar assim de alguém que havia sido meu melhor amigo por anos, mas aquilo havia sido completamente estúpido, queria poder brigar com ele por isso. – Sei que é arriscado estar aqui, não só para mim como para você, mas obrigada, obrigada por ter me salvado. – O abracei fazendo carinho em seus cabelos.
— Sabe que eu faria isso de qualquer forma. Somos família. – Sorri colocando a minha cabeça em seu ombro. – Ele me reconheceu, Mione. Tenho certeza que reconheceu. – Olhei para ele prestando atenção no que dizia. – Acho que talvez até tivesse dúvidas, mas não tem mais. – Suspirou novamente.
— Ele te disse alguma coisa? – O aperto no meu coração parecia que iria me matar.
— Não, mas eu vi nos olhos dele, ontem no jantar, quando perguntei sobre você para a Bela. Ele tentou disfarçar, mas ainda são os mesmos olhos. – Me encolhi nos braços do loiro. Sim, ainda eram os mesmo olhos. – Desculpe, Mi. – Disse ele rapidamente, percebendo a minha reação.
— Tudo bem. – Sussurrei baixinho. – Se ele já descobriu você, está próximo de me descobrir também, então quanto antes sairmos daqui, melhores estaremos. – Suspirei.
Ele não poderia ter me descoberto, já teria dito algo se o tivesse feito, porém ao contrário do Draco, eu não havia conseguido olhar em seus olhos por muito tempo. O que no final havia sido uma grande falha, se eu tivesse olhado, poderia saber se ele me reconheceu. Mesmo que fosse por alguma raiva reprimida, e não por um amor que eu ainda sentia e queria que ele também sentisse.
— Sabe alguma coisa da missão? – Perguntei depois de um tempo em que o loiro apenas ficou em silêncio me abraçando.
— Não consegui ouvir muita coisa. Depois do café todos eles foram para a biblioteca. Mas todos pareciam tensos, mesmo que tentassem não demonstrar, e o lorde parecia perdido em um mundo só dele. – Era bom não ouvir o nome do Tom com muita frequência, chamá-lo de lorde fazia com que parecesse outra pessoa.
— Algo importante está acontecendo. Minha mãe saiu para uma missão hoje, e esse jantar. – Uma missão grande parecia estar sendo planejada e até mesmo executada. – O que mais me assusta é que ele ainda não se revelou ao mundo, então essas missões provavelmente não estão deixando rastros, o que me assusta ainda mais. – Tom ainda não havia sido visto. Até mesmo o Harry ainda não havia visto seu novo rosto, apenas aquele que ele havia adquirido quando voltou a ter um corpo.
— Sim. Ele tem sumido com pessoas e provavelmente inúmeras outras estão enfeitiçadas para cumprir suas ordens, mas dessa vez, vai ser algo grande. O jantar nunca seria feito sem um bom motivo. – Estremeci só de pensar nas inúmeras possibilidades do que ele poderia estar preparando. – E eu estava tentando me preparar para a festa de natal. – O loiro parecia assustado, como eu também estava, mesmo que eu tentasse não demonstrar.
— Nós teremos que sair antes. Podemos nem ao menos envolver a Bela. – Draco tirou o colar que estava em seu pescoço e colocou na minha mão, junto com algo que tirou do seu bolso, era o vira-tempo e a minha bolsa.
— A capa está dentro. E podemos voltar no tempo novamente. – Poderíamos ir embora sem que a Bela se envolvesse.
— Obrigada. Podemos ir hoje à noite, não sei se já posso fazer viagens no tempo, então melhor esperar mais um pouco, e não quero ir sem ter notícias da minha mãe primeiro, preciso saber que ela vai voltar bem dessa missão. – Poderíamos ir agora, mas eu não aguentaria ter que esperar por uma carta sua para saber se ela estava bem.
No final das contas, a noite seria interessante para todos nós.
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