Notas iniciais
Gente muito obrigada pelos comentários constantes, fico muito feliz de saber o que estão pensando e como estão reagindo aos acontecimentos recentes! *0*

Calmamente Tom foi até a porta e a fechou, silenciando o quarto em seguida. Tentando não me preocupar com as perguntas, fui até a cama e sentei nos pés da Hermione, que parecia dormir com uma expressão mais relaxada e menos pálida.

— Quem é ela, Bela? – Achei que ele me interrogaria friamente, porém seu tom era calmo, apenas curioso.

Olhei hesitante para ele. Era óbvio que ele a havia achado pelo menos semelhante à Hermione, se já não tivesse certeza que era ela ali, então suspirei, percebendo que era melhor a verdade do que uma desculpa qualquer.

— Ela é minha filha. – Sua expressão surpresa quase me fez rir, poucas coisas o surpreendiam. – Não é filha do Lestrange. – Um pouco mais de surpresa apareceu em seu rosto, e também um pouco de dúvida. – Ela é puro sangue, sabe que eu não me envolveria com trouxas, milorde. – Era fácil adivinhar o que se passava em sua cabeça, agora que ele havia voltado a ter um rosto humano. Eu o conhecia o suficiente para isso. – É filha do Lúcio também. – Agora os seus olhos que haviam fugido para a menina, voltaram e cravaram nos meus, talvez tentando entender um pouco dessa história maluca.

— Foi um caso antigo. – Suspirei. – Eu o amei muito na adolescência e depois do meu casamento, continuamos nos vendo, mas ela não podia ter uma família dessa forma. Lestrange com toda certeza perceberia que ela não é filha dele e logo todos perceberiam a verdade. – Olhei para o rosto tranquilo da Hermione. – Ela merecia uma família de verdade. Então eu a entreguei para uma família e desde então me mantive longe, mas sempre procurei me manter informada. Até que soube que os pais adotivos dela haviam morrido, então pedi para o Draco ir buscá-la com a desculpa do intercâmbio. – Tom nunca acreditaria que o garoto realmente havia estado em um intercâmbio, então era melhor criar uma mentira melhor para o lorde. – Eu sabia que a desculpa era ridícula para o Lúcio e a Narcisa, mas precisava ser algo bom apenas para Hogwarts, e vai continuar sendo a versão oficial, que Draco vai manter para os seus pais. – O moreno não havia dado uma palavra sequer e nem tentado me interromper. – Peço que não conte a eles, milorde. Foi um erro meu e do Lúcio, que não precisa chegar aos ouvidos da minha irmã. Fora que a minha filha não merece ser tratada com desprezo pela própria tia.

— Não ouvirão uma palavra sequer vinda de mim, Bela. O segredo é seu, cabe a você dividi-lo com quem achar melhor. Só precisa avisar Hogwarts sobre os dois terem saído da escola, isso se o velho Dumbledore já não sabe disso. Vou buscar algumas pomadas para você passar nela depois do banho. – Tom saiu me deixando de boca aberta. Com certeza a forma humana estava interferindo nele, porque ele não era normalmente gentil, ou atencioso dessa forma.

A única conclusão que eu podia chegar, era a de que ele havia mudado quando começou a se lembrar de Hermione. Ela o havia machucado, porém o poder havia ocupado o lugar da dor e agora tudo que ele parecia sentir era saudade. Porém eu não sabia o que ele poderia fazer caso soubesse que a minha filha era a garota que ele havia conhecido, ele continuava sendo volátil e imprevisível.

Sabendo que pensar sobre isso agora não era a melhor solução convoquei uma mala de roupas que eu mantinha no quarto do Draco, para os casos emergenciais, e encolhi magicamente algumas peças para colocar em Hermione depois que a desse um banho.

Depois de dar um lento banho de banheira na pequena menina, aplicar as pomadas que Tom havia me indicado, e vesti-la com uma camisola confortável, tomei um banho e troquei minhas vestes, antes de descer para enfrentar a família Malfoy, e um jantar que provavelmente seria tumultuado.

— Draco é bom ator. – Disse Tom apoiado no corrimão da escada, olhando para baixo.

Não entendi sobre o que ele estava falando até ouvir a voz do rapaz no primeiro andar, onde ele conversava com os pais.

— Eu precisava de um tempo, ok? Sabem o quanto me irrito com Hogwarts e toda sua idolatria para o Potter e os sangues ruins. Eu cansei, recebi uma oportunidade de sair e fui. Simples. Achei que não iriam se preocupar tanto, então não mantive contato, se soubesse que estavam tão preocupados teria deixado uma carta.

— Realmente. – Concordei com o lorde, ouvindo apoiada no corrimão ao lado dele.

— Ela está bem? – Perguntou Tom olhando para a porta fechada do quarto do Draco.

— Está. Não acordou nem durante o banho, mas está dormindo calmamente agora. – Suspirei. – Eu disse tantas vezes a ela para ficar longe do perigo, mas pelo jeito ela é um imã para isso. – Tom riu fracamente olhando para mim.

— Você parece uma mãe superprotetora, o que é bem engraçado vindo de você, Bela. – Olhei para ele incrédula, mas acabei rindo um pouco. Realmente não era algo com que eu fosse comumente associada.

— Acho melhor irmos salvar o Draco e jantar. – Disse indo em direção as escadas e sendo seguida pelo lorde.

Em silêncio entramos na sala lado a lado. Draco estava em pé de frente para os pais, que estavam sentados no sofá onde Hermione havia estado. Tanto o sofá quanto Draco já estavam limpos de todo o sangue da Hermione, e o loiro parecia ter acabado de sair do banho.

— Amy está bem? – Perguntou o loiro assim que eu entrei na sala. – Minha mãe convocou algumas roupas minhas para o quarto dela, e eu vou dormir aqui na sala, quero que fique com ela no meu quarto. – Narcisa olhou interessada para ele, já que ele realmente estava preocupado com a morena.

— Está dormindo, e vai ficar bem. Obrigada, Draco. – Sorri levemente para ele, tentando tranquilizá-lo, para que mais perguntas não fossem feitas.

— Vamos jantar? – Tom interrompeu e perguntou, antes que Narcisa me perguntasse algo.

Todos concordamos, Narcisa parecia ter medo do Tom, o que era bem sábio, já que essa fase legal poderia passar a qualquer momento. O que me lembra muito uma bomba, pensamento que quase me fez ter um ataque de riso sentada na mesa do jantar.

Procurei jantar em silêncio, não abrindo espaço para perguntas, quaisquer que fossem e de quem viessem. Eu sabia que Narcisa me encarava a cada dez minutos, na esperança que em algum momento eu olhasse para ela e dissesse que conversaríamos mais tarde. Mas isso não iria acontecer, eu não iria contar uma desculpa para eu me preocupar com a menina, era burrice começar a dar espaço para mais mentiras.

Era melhor não contar nada, do que contar algo que eu pudesse me contradizer e acabar entregando tudo. E entregar tudo nunca seria uma opção, por mim eu iria para o túmulo sem contar a ela. Minha irmã não precisava saber, havia sido um erro meu e do marido dela, e o que existia entre nós havia acabado há muitos anos.

Assim que terminei de comer, desejei uma boa noite a todos e subi para o quarto, fugindo de qualquer conversa pós jantar com a desculpa que precisava ver se a menina já havia acordado. Draco olhou para mim enquanto eu saía e eu sorri levemente para ele, eu não estava brava por ele ter trazido a Hermione, até estava feliz por minha filha estar por perto.

Hermione ainda estava dormindo na mesma posição que eu a havia deixado, com o rosto sereno e a respiração longa, dormindo profundamente. Suas cicatrizes já pareciam mínimas agora e as pomadas continuavam fazendo efeito.

Olhando para ela, bem e saudável, dormindo calmamente, adormeci logo depois de colocar o meu pijama e deitar na cama.

—--—--

Notas finais
O capítulo é curtinho sim, mas é algo para acrescentar sobre o que vai começar a acontecer *--*