Força e Vida - Tomione

55 Capítulo 55 - Feridas abertas


Notas iniciais
Olá pessoinhas! Obrigada pelos comentários, e cá estamos com mais!

Abri os meus olhos lentamente. Minha cabeça doía e eu estava com muita sede. Olhando devagar para os lados, tentando não mexer muito a cabeça, percebi que eu não reconhecia o lugar onde eu estava, mas minha mãe dormia ao meu lado.

Eu não me lembrava de nada. A última lembrança que tinha era do rosto angustiado do Draco, quando ele tentava me manter acordada e então havia pequenos flashes, como o rosto do Tom, mais velho como eu havia visto no meu sonho, sua voz enquanto ele parecia cantar um feitiço e sua expressão surpresa e preocupada.

Tentando enxergar algo ao meu redor, me sentei lentamente, com certa dificuldade e um pouco de dor no corpo. Não queria acordar a minha mãe, mas eu queria ir beber água, mesmo que a minha cabeça estivesse latejando e o meu corpo não parecesse estar em muito melhores condições.

O lugar não me era conhecido, porém não conseguiria aguentar muito tempo com a sede que sentia, fora que mesmo com dor, eu queria andar um pouco depois de tantas horas dormindo. Com cuidado, e devagar, andei até a porta do quarto, abrindo-a lenta e silenciosamente.

O corredor era grande e cheio de portas, algumas com luzes vindas por debaixo e outras totalmente escuras. Dali eu também conseguia ver o primeiro andar, a porta da casa e uma pequena luz que vinha de alguma sala ou da cozinha.

Agora parecia loucura ter saído da cama, já que mesmo que eu estava dormindo no mesmo quarto que a minha mãe, eu nunca havia estado nessa casa. Ao olhar para as paredes com mais atenção, cheguei à conclusão de que realmente era loucura, já que havia ali quadros da família Malfoy e de Draco com seus pais.

Draco havia me trazido para a mansão Malfoy. Eu podia pensar em pelo menos cinco razões para aquilo ser errado, porém eu parecia ter sido bem curada, o que definitivamente não teria conseguido tão facilmente em Hogwarts, não sem pelo menos dever uma explicação.

Mesmo sabendo o quanto andar por ali sozinha era errado, decidi que a minha vontade de beber água era maior e que a minha mãe não precisava ser acordada para isso.

Comecei a andar devagar pelo corredor, devido às dores e para fazer silêncio. Apesar das luzes acesas nas portas fechadas, não havia nenhum barulho no corredor o que indicava que talvez alguém havia esquecido a luz acesa. Eu não tinha ideia de que horas eram, mas a casa parecia adormecida em sua maioria, e a minha mãe não era de dormir tão cedo.

Já estava quase na escada e não havia ouvido um barulho sequer, o que era um ótimo sinal. Como tinha que andar devagar, ia reparando nos quadros da casa e na decoração rica e cheia de detalhes. A casa não era aconchegante, moderna e confortável como a da minha mãe, parecia confortável, mas em cada simples detalhe a ideia de riqueza era aparente, o que tornava tudo mais frio.

Olhando um pouco melhor, eu podia imaginar um pequeno Draco tendo uma infância solitária ali. Eu não teria sido feliz crescendo em uma casa como aquela, e minha mãe só possuía aquela casa confortável de uns tempos para cá. Conseguia definitivamente entender o porquê dela não ter ficado comigo desde que eu era criança. Graças ao seu sacrifício, agora eu tinha lembranças de uma boa infância.

— Não deveria estar fora da cama. – Ouvi assim que pisei no primeiro degrau e por muito pouco não caí escada abaixo com o susto que levei. Não era apenas alguém totalmente silencioso, era ele. Ouvir sua voz quase me fez deitar no chão e ter uma crise de choro, devido às saudades.

— Você me assustou. – Disse em um sussurro rouco e completamente assustado. Felizmente a minha voz saiu firme.

— Desculpe. Não era a minha intenção. – Sua voz estava suave e tranquila. – Mas você realmente não deveria sair da cama.

Por um momento quase me deixei cair para que não precisasse virar e olhar para ele, porém suspirei baixinho e me virei lentamente, tentando me controlar, mesmo sabendo que seria impossível segurar o meu coração.

— Tudo bem. Eu estou com sede, por isso saí. E não queria acordar. – Não era sábio chamá-la de mãe, não tinha ideia se ele sabia sobre isso ou não. – Ninguém. – Estar perto dele me deixava descuidada.

Meu coração batia tão forte que eu podia ouvi-lo quase por cima da minha voz, e tinha sérias dúvidas se ele também não estava ouvindo. Tudo isso sem que eu tivesse sequer olhado nos seus olhos, estava apenas olhando para baixo, talvez com a desculpa da minha dor de cabeça.

— Você está bem? – Minha vontade de olhar para os seus olhos e correr para abraçá-lo começava a apertar o meu coração me trazendo ainda mais dor.

— Não. Além da sede estou com dor de cabeça, muita. E um pouco de dor no corpo. – Me apoiei no corrimão me sentindo fraca de repente.

— O feitiço que usaram em você é perigoso, felizmente o Draco foi rápido e eu sabia o contra feitiço, não ficará com cicatrizes. – Agora fazia sentido os flashes de memória que eu tinha com ele.

— Foi doloroso. – Comecei a me sentir mais fraca, já estava falando com mais dificuldade, mas a minha vontade foi a de gritar quando ele encostou a mão na minha testa.

— Está com febre, por isso a sede, algum dos cortes deve ter inflamado. Precisa voltar para cama.

— Não quero acordar a Bela. – Me sentia como se estivesse bêbada, ele devia ter razão sobre a febre.

Sem falar nada ele apenas me pegou no colo com cuidado, mas não me levou para a direção do quarto do qual eu havia saído, me levou para uma daquelas portas que estavam com a luz acesa.

— Vou cuidar de você. E depois te levo para o quarto. Assim não acordamos a sua mãe. – Olhei para ele assustada, diretamente em seus olhos, esquecendo o quanto aquilo iria doer.

— Ela me contou. E também sobre o seu pai. – Ele interpretou mal o meu olhar totalmente arregalado. Era estranho minha mãe ter contado isso a ele, mas o meu choque estava mais ligado ao choro descontrolado que eu estava tentando esconder, ao finalmente olhar em seu rosto.

— Achei que ela não contaria a mais ninguém. – Disse desviando, com muito custo, os meus olhos para a cama.

O quarto era como o corredor, exagerado em detalhes nas paredes, mas a mobília, apesar de cara, era simples e o moreno não parecia possuir muita coisa, além de roupas em um armário, kits de poções e livros em cima de uma escrivaninha. Não havia fotos, ou cobertas diferentes, tudo era impessoal, da forma como ele sempre mantinha as suas coisas, pensar nisso me fez sentir ainda mais fraca e dolorida.

— Deite-se você está piorando. – O moreno começou a mexer em coisas no seu armário, procurando por alguma poção ou pomada. – Essa poção fará a febre baixar, além de cuidar de qualquer inflamação ou infecção e essa pomada vai aliviar a dor.

Tomei a colher da poção que ele me deu e deixei que passasse a pomada na minha testa que automaticamente aliviou minha dor de cabeça. O alívio foi tão rápido que fiquei com medo dos componentes daquela pomada, mas ele provavelmente não aplicaria algo envolvendo um basilisco, se não tivesse certeza de quem eu era.

Tom também conjurou um copo de água para mim. Eu nunca havia sentido tanta sede, e também nunca havia me sentido tão bem depois de beber água. Depois que a sede e a dor passaram, comecei a me sentir cansada.

— Mais água? – Tom estava sendo atencioso, o que aumentava e muito o nó na minha garganta que estava se formando. Apenas neguei com a cabeça. – Cama? – Assenti sorrindo levemente, junto com ele.

Com o mesmo cuidado de antes, o moreno me pegou novamente e silenciosamente rumou para o quarto onde eu estava dormindo. A luz dessa vez estava acesa, o que me deixou preocupada e tensa antes mesmo de abrir a porta. Minha mãe estava acordada.

— Amy? – Felizmente minha mãe não havia me chamado pelo meu nome. – Milorde? – Perguntou ela um pouco mais alto do que antes, quando nos viu passando pela porta. – O que aconteceu? – Ela parecia ter acabado de acordar, porém levantou rapidamente, nos olhando preocupada.

— Ela saiu da cama para ir buscar água e eu saí da biblioteca para ir deitar. A sede vinha da febre, que eu já controlei. – Disse o moreno simplesmente enquanto me colocava gentilmente na cama.

— Porque não me chamou? – Minha mãe não desconfiava da palavra do lorde, mas eu sabia que ela ficaria brava se soubesse que eu havia saído sem chamá-la.

— Não queria acordá-la, e queria andar um pouco também. Desculpe. – Eu estava me sentindo cansada e emocionalmente esgotado com Tom Riddle no mesmo quarto que eu.

— Tudo bem. – Ela suspirou enquanto Tom me cobria. Ele estava me tratando tão bem, que eu não tinha certeza se ele já não havia descoberto toda a verdade. Talvez só não houvesse me perguntado o meu verdadeiro nome, pelo fato da história que a Bela lhe contou não me encaixar em outro tempo. – Obrigada por cuidar dela, Tom. – Minha mãe disse ao fim, surpresa com o zelo que ele estava tendo comigo.

— Sem problemas, Bela. – Ele estava sério, mesmo que seu tom não fosse rígido. – Não faça mais tanto esforço, pode ser perigoso. – Assenti para ele sem olhar em seus olhos.

— Boa noite. – Disse ele antes de sair.

Minha mãe o seguiu até a porta e se despediu, fechando a porta, trancando-a, fechando também a porta do banheiro, a janela e silenciando o quarto. Atitude sensata já que assim que ela terminou eu desatei a chorar.

Meus soluços não eram contidos, e muito menos pareciam que teriam um fim. Na verdade o fim parecia ser quando meu coração despedaçasse de vez, já que a cada soluço que eu dava, um pedaço parecia se rasgar.

Era uma dor que eu já havia tentado conter, reprimir e controlar, mas que toda vez que eu visse ele, voltaria com força total.

— Está tudo bem, meu amor. – Minha mãe me puxou para os seus braços, me abraçando com força. – Chorar lava a alma. – Ela não tentava me acalmar, apenas me deixava mais confortável em seu peito, sabendo que fazer parar não me ajudaria.

— Eu sinto tanta falta dele. – Finalmente eu estava colocando para fora as palavras que eu não me permitia dizer desde que voltei para o presente. – Tem dias que a dor parece mínima, mas em outros eu sinto que não conseguirei levantar da cama ou respirar. Eu sonho com ele todas as noites. E agora ele está aqui, a duas portas de distância, e a alguns passos de ter a certeza de quem eu realmente sou. – Eu tremia enquanto falava, chorava e soluçava.

— Draco fez o melhor lhe trazendo para cá, mas eu esperava poder adiar o máximo possível esse encontro, ou até mesmo evitar qualquer contato até você estar forte o suficiente para aparatar. – Bela fazia carinho nos meus cabelos enquanto falava calmamente.

Eu sabia que o loiro estava certo em ter me trazido para a casa dele, já que em Hogwarts teríamos que dar muitas explicações e talvez ele não tivesse encontrado o contra feitiço a tempo, mas o meu coração estava com uma ferida exposta, e nada mais me importava no momento.

Chorei até que não houvesse mais lágrimas, em seguida parei de tremer, e ao fim parei de soluçar, sendo vencida pelo cansaço no aconchego dos braços da minha mãe, sabendo que os dias naquela casa não seriam nada fáceis.

Notas finais
E a Hermione voltou para nós!