Força e Vida - Tomione
50 Capítulo 50 - Cartas e convites
Notas iniciais
Senhorita Black,
É com um grande prazer, que a família Malfoy a convida para a festa de ano novo desse ano.
Esta é uma época especial para se estar junto dos seus familiares e amigos mais próximos, então esperamos que se junte a nós para comemorar mais esse bom ano que se encerra e a chegada do próximo.
Lúcio e Narcisa Malfoy
De todas as cartas, convites e afins, que eu já havia recebido na vida, aquela era de longe a mais assustadora e bizarra. Então tentando esquecer o que aquele convite queria realmente dizer, abri a carta da minha mãe, esperando um pouco de normalidade.
Filha,
A essa altura você já deve ter recebido o incrível e espetacular convite para a festa de fim de ano da família Malfoy.
Até aí acho que eu não teria muito mais a dizer, só algo como eu definitivamente farei de tudo para você não ir, e acho que não encontrarei nenhuma resistência da sua parte.
Mas acredito que você deve estar mais do que abismada com o convite, então acho que é melhor eu contar desde já como isso aconteceu.
Como você bem sabe, Lúcio te reconheceu em questão de segundos, e apesar de não ter questionado diretamente, não tenho ideia do porquê, mas talvez tenha algo relacionado com o fato de que nunca deixo que fiquemos sozinhos e aparato descaradamente quando isso está remotamente perto de acontecer, ele não cansa de me encarar como se eu tivesse feito algo tremendamente errado.
Porém mesmo tentando falar comigo, ele não contou a mais ninguém sobre sua aparição na escola, e sei que como eu, tem observado se qualquer um dos outros comensais fala algo sobre. Todavia Narcisa tem preparado os convites a mando do Lorde, e Lúcio acrescentou o seu nome na lista.
Achei estranho, e bobo da parte dele se pensa que você irá realmente comparecer, mas felizmente ninguém mais percebeu fora eu, então estamos bem.
Espero que esteja tudo bem por aí, e como sempre te manterei informada caso algo mude.
Estou com saudades,
Belatriz Black Lestrange
Não sei se era o tom sarcástico e o humor ácido do começo ao fim, mas algo na carta dela me acalmou. Algo ali me dizia que havia um mundo normal onde Lúcio Malfoy não colocava meu nome em listas de festa de fim de ano.
Como ela havia dito, era estranho ele realmente pensar que eu iria. E fora a esperança de que eu fosse, não havia sentido algum me esconder e agora colocar tudo a perder. Para mim era simplesmente impossível que ele realmente acreditasse que um simples convite me obrigaria a ir.
Queria poder responder a carta, perguntando o que ele pensava ao me mandar o convite, porém me contentei apenas respondendo à minha mãe, sabendo o quanto ela podia ficar chateada e brava se eu não respondesse com uma carta de pelo menos uma linha, mesmo que só para dizer que eu havia recebido sua carta.
Depois de respondê-la, nadar um pouco no tanque com Grün e tomar um banho, resolvi que era hora de sair da câmara, antes que os corredores começassem a ficar cheios e ficasse impossível de eu sair sem ser vista.
Andei tranquilamente pelos corredores vazios e fui em direção ao salão comunal da Sonserina. Esperaria deitada na minha cama, até o horário que eu pudesse ir para o jantar e também pudesse contar sobre a carta da minha mãe e o convite enviado para a festa de fim de ano ao Draco.
Antes que pudesse pensar já estava dormindo. Eu não havia percebido o quanto estava cansada até deitar a minha cabeça no travesseiro, e foi com muita sorte, que eu acordei a tempo para o jantar, já que tranquilamente eu teria conseguido dormir até o dia seguinte, sem ao menos acordar de madrugada com fome.
— Onde você se meteu a tarde toda? – Disse Draco bravo assim que me viu. Ele não estava no salão principal, mesmo que o jantar já tivesse sido servido. Pelo jeito havia me esperado, o que vindo dele era um gesto de muito carinho e preocupação.
— Passei a tarde na câmara, não estava me sentindo muito animada para ir para a aula. – Passei os meus braços pelo seu pescoço o abraçando, para que ele relaxasse. – Mas eu já estou melhor agora. – Sorri e beijei sua bochecha.
— Deveria me avisar quando vai sumir assim. Eu sabia que você havia ido para a câmara, mas achei que voltaria para as aulas. – Disse ele retribuindo o abraço e suspirando. – Mas fico feliz que esteja bem. – Draco parecia tenso, e não era apenas a preocupação comigo, eu o conhecia bem.
— O que aconteceu? – Perguntei baixinho, sem me soltar dele e olhando fixamente em seus olhos.
— Recebeu o convite para a festa de ano novo? – O loiro suspirou novamente cansado. Apenas assenti esperando para contar depois os detalhes. – Eu não poderei escapar. Terei que enfrentar pelo menos uma noite com os meus pais, se eles não tentarem me prender lá, e eu estou com medo. – Draco nunca admitia quando estava com medo.
— Do que? – Perguntei passando a mão carinhosamente em seu rosto.
— Ele ainda não fez a conexão do meu nome, o que eu acho estranho, mas duvido que possa enganá-lo pessoalmente. – Ele. O loiro não precisava usar nomes para que eu entendesse a quem ele se referia.
Isso era uma das coisas sobre as quais eu já havia pensado. Simplesmente não conseguia entender como o lorde ainda não havia percebido quem Draco era. Já que tudo bem Abraxas ter um neto com o mesmo nome do antigo amigo de colégio, mas não era possível que ele não havia visto fotos do meu irmão na casa.
— Daremos um jeito, Draco. Ninguém vai te prender lá, minha mãe nunca deixaria, e se fosse para ele notar, não acha que já o teria feito? Existem fotos suas naquela casa. – Disse tentando tranquilizá-lo, e obtendo sucesso, mesmo que eu não pudesse ser tranquilizada daquela maneira.
— Nós sempre acabamos dando um jeito, não é mesmo? – Assenti sorrindo levemente. Ele estava tentando se consolar, mas isso não deixava de ser verdade. Nós sempre conseguíamos dar um jeito.
— Eu preciso enviar uma carta declinando o convite? – Perguntei quando Draco sentou na minha frente para jantar. Tentei agir naturalmente, mas tinha esperanças de que apenas não aparecer já seria suficiente.
— Precisa. – Disse Draco suspirando. – Minha mãe faz um planejamento detalhado da festa de fim de ano. Você chamaria muita atenção se nem ao menos respondesse ao convite. – O loiro não precisou continuar a falar, era mais do que óbvio que não precisávamos de mais atenção. Muito menos atenção vinda da minha tia.
Acabei fazendo uma careta. Não por ter que enviar uma carta, também não estava animada para isso, mas por pensar nela como minha tia. As vezes eu me esquecia do quanto nossa família era complicada e estranha.
— Então farei isso hoje a noite. Quanto antes eu deixar de ser um dos convidados da lista, melhor. – Draco assentiu para mim com um certo olhar de compaixão, sabendo que mandar uma carta para a família não era algo que eu sonhava em fazer.
O resto do jantar se passou em um borrão. Comi mecanicamente sem ao menos sentir o sabor da comida, não prestei atenção nem no que eu estava cortando, comendo ou bebendo, quem dirá no que acontecia ao meu redor. Felizmente Draco sabia o porque do meu silêncio e Pansy, apesar de perceber que algo estava errado, apenas olhou para mim e sorriu levemente, sabendo que não era o momento que eu iria falar.
A sonserina já havia aprendido. Haviam momentos em que eu conversava sobre tudo e qualquer coisa que me perguntassem, mas haviam momentos em que nada nem ninguém conseguia tirar palavras da minha boca. Ela havia percebido isso logo nas primeiras semanas, e desde então havia respeitado o meu espaço. Esse era um dos motivos para a nossa amizade ter ido para frente.
Assim que chegamos ao salão comunal, Draco me desejou boa noite com um beijo na testa e um abraço apertado, antes de eu ir para o meu dormitório e ele ficar por ali com a Pansy, conversando em um dos sofás.
Meu dormitório, parecia ainda mais gelado do que o normal, mas no fundo eu sabia que o calor havia fugido dos meus membros e não do quarto. Então lentamente fui até a minha escrivaninha já com o material para a carta preparado.
Eu não tinha ideia do que escrever, nem se deveria ser formal ou não, ou o que poderia chamar atenção ou não. Até cogitei ir atrás do loiro, mas ele provavelmente não sabia como fazer esse tipo de carta, já que ele sempre foi para casa no final do ano.
Não. Eu teria de fazer isso sozinha, e da forma mais breve e educada que eu conseguisse, para que ninguém desconfiasse ou ficasse chateado com o meu tom.
Sr. e Sra. Malfoy,
É com uma grande tristeza, e minhas sinceras desculpas, que informo que não poderei ir à festa de ano novo.
Agradeço pelo convite, e espero que em uma próxima ocasião eu possa estar presente.
Um feliz ano novo,
Amy Black
Não era nem de longe a verdade, mas era educado e sem grandes detalhes, como uma desculpa para eu não poder ir. Eu não os conhecia pessoalmente, já que encontrar com Lúcio na estação não contava como conhecê-lo, então era muito mais fácil escrever algo tão impessoal.
Dando meu trabalho como feito, coloquei a carta dentro de um envelope, junto com o convite que me havia sido enviado, e deixei em cima da mesa. Como o dia seguinte era sábado, eu iria esperar todos irem para Hogsmeade e então iria até o corujal, para poder enviar a carta, e depois para a câmara, ver se já havia uma resposta da minha mãe.
Tomei um banho e me deitei. Estava cansada, mas havia pensamentos demais na minha cabeça, para que eu acreditasse que dormiria assim que encostasse minha cabeça no travesseiro. Porém depois de um tempo olhando para o teto, finalmente o cansaço venceu a ansiedade e a agitação.
Na manhã seguinte eu havia ido para o corujal logo depois que o Draco, o Blásio e a Pansy haviam saído para o passeio na vila bruxa. Toda Hogwarts parecia estar fora, já que eu havia encontrado todos os corredores vazios e o corujal cheio de corujas, porém sem ninguém enviando cartas.
A vista lá de cima era incrível, e mesmo querendo ir para a câmara depois de enviar a carta, continuei ali apenas apreciando a paz e o silêncio.
Porém o silêncio não durou muito, já que mesmo do alto, pude ouvir um grito de pleno desespero vindo dos portões das terras de Hogwarts.
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