Força e Vida - Tomione

51 Capítulo 51 - Um pedido desesperado


Notas iniciais
Gente eu não sou de postar dois capítulos em um dia, sabem disso, mas não sei se foram os comentários queridos e rápidos ou a recomendação maravilhosa, mas cá estamos de novo!

Durante três dias eu esperei com medo de receber alguma resposta. Ia pelo menos duas vezes por dia à câmara para ler cartas da minha mãe, que com seu estranho jeito, conseguia me acalmar. Draco e Pansy, mesmo que não soubesse do que se tratava, também tentavam me acalmar, ou pelo menos então me distrair durante o dia, para que eu não ficasse apenas pensando nisso.

Receber ou não uma resposta, não era necessariamente bom ou ruim, então o que mais me deixava receosa, era não saber o que esperar. Isso era algo que me deixava totalmente desconfortável, porque não era uma situação estável. Eu poderia receber uma resposta ruim, como no caso deles de alguma forma me obrigarem a ir, ou uma boa. Como eu poderia não receber nenhuma resposta, e isso ser péssimo, como Narcisa ficar curiosa e chamar a atenção de todos para mim, ou bom, e todos se esquecerem de que eu existo.

Fora tudo isso, ainda havia o ataque feito a Cátia Bell, da Grifinória. Havia sido dela o grito que eu havia ouvido. Em Hogsmeade ela havia sido enfeitiçada para entregar um embrulho para o diretor Dumbledore, porém o embrulho estava rasgado em algum ponto e ela havia tocado um colar amaldiçoado.

Draco havia me contado isso, quando percebeu que haviam sido Crabbe e Goyle, já que eles haviam falado com ele para que os ajudasse com a tarefa que o lorde havia dado a eles. Como Draco, que era a primeira escolha do lorde, havia ficado fora, eles haviam recebido a tarefa de matar Alvo Dumbledore, algo impossível.

Aquela terça-feira amanheceu fria e cinzenta, bem como estava o meu humor. Nem ao menos o meu bom dia estava simpático quando cheguei à aula de Transfiguração, já que ao olhar para fora, decidi que não iria para o café da manhã.

Assim que sentei em minha carteira de sempre, a primeira do lado da Sonserina, percebi que algo estava errado, já que o Draco chegou mais cedo e mais pálido do que o normal. Não precisei perguntar, apenas o encarei quando se sentou ao meu lado, e ele entregou para mim uma carta dobrada.

Sem ao menos abrir, eu já sabia do que poderia se tratar, e também sabia que provavelmente as notícias não eram boas.

— Se possível, leia no intervalo. – O loiro sabia o quanto eu era curiosa, mas apenas assenti para ele, sabendo que se ele estava me pedindo para esperar, era melhor ouvi-lo.

Durante toda a aula tentei me concentrar o máximo possível, já que imaginar o conteúdo da carta, não faria com que ela melhorasse ou piorasse magicamente, mesmo no mundo bruxo. Copiei toda a matéria com cuidado e calma, tentando ao máximo não me distrair ou me desviar do que a Minerva tentava nos ensinar.

Quando a aula finalmente chegou ao fim, guardei o meu material lentamente, e saí da sala com calma, tentando não me desesperar e sabendo que o caminho até as estufas para a aula de Herbologia era longo.

— Eu esperava que talvez isso acontecesse, mas estava torcendo para que não. – Draco cortou o silêncio, e continuou quando eu apenas olhei confusa para ele. – Sabia que se o meu pai tivesse algo a dizer sobre a sua carta, diria a mim. – O loiro suspirou olhando para as janelas do castelo.

Sabendo que eu não poderia adiar mais, e que a Pansy não iria com a gente hoje, já que ela havia ficado dormindo essa manhã, abri a carta lentamente e respirando fundo.

Draco,

Espero que esteja tudo bem em Hogwarts, e que desta vez você possa estar aqui nas férias.

Eu sei que eu não sou um exemplo de pai, e que você a essa altura já deve saber o quanto eu não fui um bom esposo, mas não é por isso que eu estou escrevendo.

Antes de mais nada, quero que me prometa que ficará longe do Crabbe e do Goyle. Não me importa que sejam amigos, e que se você não tivesse sumido no último ano, você estaria no lugar deles, mas não questione o que eu quero dizer com isso, apenas me escute uma vez na vida.

Também mantenha ela longe deles, o mais longe possível de qualquer encrenca.

Isso pode parecer ridículo, já que eu a chamei para a festa do final de ano, mas eu não posso explicar as minhas razões agora, seria muito perigoso. Apenas consiga que ela venha, por favor. É importante.

Bem, eu sei que eu nunca consegui colocar em palavras tudo o que você precisava ouvir, e muito menos estou conseguindo nessa confusa carta, mas, por favor, me escute.

Eu confiei em você nesse ano que não tivemos qualquer notícia sua. Sei que sua mãe vai interrogá-lo sobre isso, mas não me importa onde esteve, porque eu confiei que você estava fazendo a coisa certa, então apenas dessa vez, confie em mim.

Lúcio Malfoy

Não era uma carta inteiramente confusa, na verdade era bem hesitante. Como se nem tudo ele pudesse colocar em um papel, e talvez realmente não pudesse já que a carta poderia ser extraviada no correio comum.

Não havia nomes, mas eu nunca havia visto um ela tão cheio de significado quanto aquele. E talvez tenha sido isso, o que mais me deu vontade de chorar em relação ao resto da carta. Eu não podia enxergar Lúcio Malfoy escrevendo aquela carta, mas eu podia sentir o desespero dele.

Ele nunca escrevia para o filho, então eu tinha ideia do quanto cada simples palavra era pesada ali. E havia pesado em Draco. Por isso ele parecia tão nervoso quando chegou à aula, e ainda estava.

Eu no lugar dele, não conseguiria recusar o pedido daquela carta. Então podia sentir o quanto o nervosismo do loiro estava ligado a isso. Já que antes era uma verdade convicta que eu não iria a essa festa, mas ali, mesmo não sabendo o motivo para o nosso pai querer tanto que eu fosse, parecia impossível negar isso a ele.

— Eu irei. – Disse baixinho, olhando para o caminho que seguíamos. – Você não precisa me pedir, eu vou. – Olhei para ele, tentando não demonstrar o quanto a minha mente gritava que aquilo era absurdamente perigoso.

— Você não precisa fazer isso. – Draco olhou profundamente nos meus olhos, tentando colocar verdades em suas palavras.

— Sim eu preciso. Por você eu farei isso. – Olhei para ele na mesma intensidade. – Eu não conseguiria recusar, e sei que você também não consegue. – Suspirei sabendo o quanto seria difícil convencer a minha mãe.

— Não quero que você corra perigo, mesmo que ele tenha feito um pedido como esse. É loucura. – Draco estava frustrado.

— Não me diga algo que você já sabe que eu sei, Draco. Será praticamente impossível fazer a minha mãe aceitar, e é um risco logicamente desnecessário. – Falei de uma vez aquilo que a minha mente gritava a plenos pulmões, não me dando chances para arrependimentos. – Mas nem tudo é lógico. E eu aprendi essa lição de uma forma bem dolorosa, e a marca ainda está recente e dolorida. – Disse entre dentes, me esforçando para não começar a chorar.

Em segundos a frustração do meu irmão havia ido embora, sendo substituída por um olhar de carinho e compaixão. Mesmo que estávamos no caminho para as estufas, ao ar livre, com vários outros alunos circulando por ali, Draco me puxou para um canto e me abraçou apertado, deixando que eu escondesse o meu rosto no seu pescoço.

— Me desculpa. Eu não queria te envolver. Primeiro pensei em nem te mostrar a carta e deixar tudo como estava, mas eu sei o quanto você esperava por uma resposta sobre isso, e não queria deixar algo omitido entre nós, ainda mais te vendo tão preocupada nesses últimos dias. – Ele sabia o quanto eu estava ansiosa, e mesmo que a resposta havia sido ruim, eu até me sentia um pouco feliz por ele ter me contado.

— Obrigada por ter me mostrado a carta, e não ter escondido ela. – Suspirei ainda aconchegada em seus braços parada na mesma posição. – Eu teria ficado muito chateada se descobrisse depois. – Beijei o seu pescoço. – Posso enviar a carta para a minha mãe? Talvez isso nos ajude a convencê-la, ou pelo menos ela vai colocar ele contra a parede, para ver se ele entrega suas intenções. – Sorri levemente imaginando a minha mãe levantando o meu pai pelo colarinho com a varinha em seu pescoço.

— Pode. Acho que é a nossa melhor chance. Provavelmente é o único jeito de ela aceitar, já que duvido muito que ela confie em qualquer desculpa. Ela nos conhece bem demais. – A temporada na casa dela havia deixado nós três próximos.

— É verdade. – Me soltei do abraço e segurei a sua mão, voltando a caminhar na direção das estufas. – Só espero que ela não me mande um berrador. – Sorri imaginando a cena da câmara fazendo eco com os gritos dela.

— Seria uma experiência bem interessante. – Disse o loiro rindo, talvez imaginando a mesma coisa que eu. Segurando o riso, fiz cara de brava e cutuquei as suas costelas com o cotovelo.