Força e Vida - Tomione

47 Capítulo 47 - Reassumindo


Notas iniciais
Sem nenhum comentário no último capítulo, porém eu sou uma pessoa boa, e cá estou com mais.

Belatriz Black Lestrange

Draco depois de tantos anos, havia se tornado uma companhia agradável. Já que quando criança era insuportável. Eu ainda não gostava muito dele, já que pelo menos um pequeno rancor eu havia guardado no peito, considerando que o homem que eu havia amado, não havia me escolhido ao fim.

Na aparência ele me lembrava muito o pai, mas na personalidade havia se tornado alguém muito melhor. Tudo graças a Hermione, segundo ele. O que eu não duvidava nenhum pouco.

Hermione me lembrava em alguns pontos uma mistura entre eu e Lúcio. Seus cabelos ondulados, uma mistura entre os completamente lisos e os cacheados, e o corpo esguio e magro. Já na personalidade, ela era totalmente diferente de nós dois. Minha filha era corajosa, destemida, inteligente e forte, porém também era doce, delicada e totalmente altruísta.

Em minha casa vivia apenas eu, já que eu havia desistido da fachada do meu casamento, e havia comprado uma casa boa e aconchegante em um vilarejo dividido entre trouxas e bruxos, havia comprado pensando em Hermione. Os móveis eram mais puxados para o gosto trouxa, e havia muitos aparelhos deles lá, o que fascinou Draco, e o conquistou rapidamente.

Minha filha parecia confortável ali, instalada em um quarto simples, porém grande e aconchegante. Nos primeiros dias ela não falava muito, porém havia voltado a comer normalmente, para o meu alívio e também do Draco, e passava bem menos tempo deitada.

Depois de duas semanas, os dois já estavam bem acomodados e acostumados, indo até mesmo às compras no mercado trouxa local, os dois bem camuflados, e Hermione havia feito o jantar, macarrão com almôndegas. Ela já estava interagindo mais, e conversando mais, mesmo que parecesse tão triste.

Na noite daquele jantar, ela havia rido pela primeira vez, quando Draco havia ficado completamente maravilhado com o sabor do prato trouxa. Foi tão surpreendente ouvi-la rir, que eu e o menino nos assustamos, porém logo já estávamos os três rindo.

— Mãe. – Depois de tantos dias, ela já me chamava naturalmente assim, porém para mim era sempre como ouvir pela primeira vez.

Hermione estava sentada no tapete da sala, um felpudo que ela gostava de passar a mão. Draco estava deitado em um sofá lendo um livro, e eu em um em frente, pensando em como tudo estava diferente nesses dias.

— Diga, filha. – Olhando para ela percebi que parecia insegura, passando as mãos com mais frequência no tapete.

— Por que eu não me pareço com você, ou com o meu pai? – Disse ela dando uma pausa na última parte, insegura se realmente queria usar o termo pai.

— Na verdade, eu acho que você se parece bastante conosco em vários pontos, porém. – Eu nunca havia contado aquilo a ninguém, já que havia sido uma forma de proteger ela desde o princípio. – Antes de te entregar aos seus pais adotivos, eu fiz um feitiço para mudar duas das suas características mais marcantes. – Suspirei me lembrando daquele dia, enquanto Hermione e Draco me encaravam esperando que eu continuasse a falar.

— Você pode desfazer o feitiço? – Hermione perguntou com a voz baixa.

— Posso. – Disse lentamente. – Mas você quer isso? Será muito mais fácil identificá-la.

Hermione não me respondeu com palavras, apenas se sentou melhor e esperou, me encarando pacientemente.

Com calma peguei a minha varinha, olhando uma última vez para o que eu havia modificado, antes de com um feitiço mudo, transformá-la, e então conjurei um espelho para ela poder se ver. Ela parecia chocada pela mudança, mas também parecia gostar.

— Desde bebê, você tinha os cabelos do mesmo tom que os meus, mas muito mais lisos. Achei que quando Lúcio olhasse para você na estação pela primeira vez, logo te reconheceria, então mudei a cor. E também a cor dos seus olhos, já que você nasceu com o azul brilhante dos Malfoy. – Hermione continuava linda, mas parecia mais pálida com os cabelos escuros e era incrivelmente bom voltar a ver os olhos que eu havia visto apenas em um bebê. Vendo seu silêncio resolvi acrescentar. – Mas se não gostar, eu posso deixar como era antes.

— Não. – Disse ela rapidamente. – Eu gostei, me pareço um pouco mais com você agora, e também não há mais porque esconder, já que eu posso me defender. – Disse ela sorrindo levemente.

Draco, que ainda não havia visto os olhos, desceu do sofá e engatinhou até ela, puxando delicadamente o seu rosto para vê-la.

— Continua linda como sempre, pequena. – Hermione sorriu para ele e o abraçou ainda mais sorridente.

Mesmo que fosse estranho, naquele momento estava tão feliz que minha filha aceitava ser quem era, que não me importei quando Draco me deu a mão e me puxou para um abraço a três.

— Hogwarts vai virar de cabeça para baixo quando você aparecer. Na verdade, não sei nem se vão te reconhecer. – Disse Draco ainda nos abraçando.

Realmente duvido que aquelas mudanças fossem passar despercebidas. Aquilo também havia me feito lembrar dos amigos que minha filha tinha lá, e o quanto tudo estaria mudado para ela.

— Falando em Hogwarts, eu sei que ainda falta um tempo. Mas desde já eu peço que vocês se mantenham o mais afastado possível do perigo. – Disse olhando para os dois, sentando no tapete com eles. – E isso quer dizer sem sair do castelo, nada de floresta proibida, e apenas passeio de Hogsmeade se eu estiver lá. E também nada de ficarem sozinhos com o professor Snape, não confio nele. E para a senhorita. – Disse olhando para Hermione. – Nada de aventuras com amigos grifinórios. Nem que seja alguma missão contra o lorde. Pode ajudá-los intelectualmente, mas nem pense em ajudar a agir. – Eu falava rápido, me sentindo uma mãe preocupada.

Hermione olhou para o chão por alguns momentos antes de suspirar e finalmente olhar para mim, ainda me surpreendendo um pouco com a intensidade daqueles novos olhos, já que eu sentia falta deles, mas havia me acostumado ao tom castanho.

— Não pretendo me envolver, mesmo que sejam meus amigos, agora será ainda mais perigoso caso eu me aproxime, se alguém descobrir o que eu fiz no último ano, bem, isso colocaria qualquer um próximo a mim em perigo. – Mesmo parecendo triste, cada palavra sua era firme e sensata. – Ainda não sei como conseguirei sumir e continuar me chamando Hermione, porém acho que vou pedir ao Dumbledore para ir para a Sonserina. É uma das casas mais perigosas, mas a Grifinória também é, e eu me acostumei depois de algum tempo lá. – Eu estava surpresa e orgulhosa da força que ela teria que ter para desistir de sua antiga casa, que havia sido seu lar durante tantos anos. – Também estarei mais perto do Draco. – Disse ela sorrindo um pouco.

Vendo o quanto ela teria que deixar para trás, não pude deixar de puxá-la novamente para um abraço, junto com Draco. Eu não era muito fã de contato físico, porém ela estava me ensinando a dar carinho, um carinho que estava guardado há tantos anos.

Finalmente eu tinha a família que durante anos eu sonhei. Em meus braços estava a minha filha, a menina com quem eu sonhei em todos os dias que estive em cárcere, e que manteve minha sanidade em momentos que nada mais poderia manter.

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