Força e Vida - Tomione
48 Capítulo 48 - Encontros inesperados
Notas iniciais
✣ Draco Malfoy
— Vocês tem tudo de que precisam? – Perguntou tia Bela enquanto nos preparávamos para ir à estação.
— Sim, mãe. – Disse Hermione revirando os olhos para a preocupação da mãe. Era fofo e ao mesmo tempo engraçado presenciar a relação das duas. – Compramos tudo o que precisávamos. Livros, uniformes, penas, pergaminhos. Tudo. E checamos umas três vezes a mala. – Umas não, haviam sido três vezes. Hermione era neurótica com isso.
Durante as férias havíamos mandado uma carta para o Dumbledore, explicando a vontade da Hermione de ir para Sonserina ao invés da Grifinória naquele ano, e ele havia aceitado e preparado tudo com os professores que a haviam visto retornar e poderiam desconfiar, como Minerva, Snape e a enfermeira Papoula, para os dois primeiros ele havia contado toda a verdade, desde a viagem no tempo já que de qualquer forma Minerva havia me conhecido, e para a última era apenas uma forma de proteger minha irmã de algum mal.
Seu nome seria modificado para Amy Black, o que eu havia treinado inúmeras vezes durante as férias para não chamá-la de Hermione, ela seria uma prima que veio fazer um intercâmbio voltando junto comigo. Era até fácil sustentar isso, já que eu não tinha parentes em Hogwarts para discordar. Nós havíamos estado em uma escola estrangeira e Hermione havia recebido uma proposta da Beauxbatons para esse ano, e ela havia aceitado já que não tinha mais parentes ali e sabia falar francês fluentemente. Seria complicado manter essa história para alguns, principalmente para os mais próximos dela, porém os cabelos e os olhos da nova Hermione a deixavam totalmente parecendo outra pessoa.
Era engraçado ver aqueles olhos nela, já que eram tão parecidos com os meus, porém pareciam combinar mais com ela, assim como os cabelos.
Antes que a Bela perguntasse novamente se tínhamos tudo, nos despedidos dela com abraços e beijos, algo que eu não esperaria nunca há uns dois meses atrás, e andamos em direção à estação. Como minha tia chamaria uma atenção desnecessária se fosse nos embarcar, havia nos deixado em uma rua próxima, e logo que saímos de perto já aparatou.
— Achei que ela ia querer ir conosco até dentro do trem. – Disse Hermione suspirando. Não pude deixar de rir.
— É a primeira vez que você vai para Hogwarts, Amy. Ela está preocupada. – Hermione me encarou por um momento com aqueles gigantes olhos azuis, e então nós dois acabamos rindo da nossa nova piada pessoal.
— Passa ano, vem ano, e nós ainda temos piadas pessoais para usar em Hogwarts. – Hermione estava risonha, mas eu podia ver o quanto ela estava nervosa, e ansiosa. Então para acalmá-la, segurei sua mão fazendo um pequeno carinho lento.
— Eu vou cuidar de você, isso é outra coisa que nunca vai mudar. – Fui recompensado com um enorme sorriso da morena. Ela ainda estava ansiosa, mas respirou fundo e andou comigo até a passagem para o expresso de Hogwarts.
A plataforma já estava consideravelmente cheia, já que era cedo para os alunos estarem no trem e muitos chegavam a essa hora para garantir uma boa cabine.
Eu e Hermione não tínhamos de quem nos despedir ali, nem amigos por quem esperar, então apenas caminhamos lentamente para o trem, sem reparar realmente nas pessoas por quem passávamos. Até que um cabelo loiro platinado me chamou a atenção, apenas uma pessoa poderia ter aquele tom de cabelo fora eu, e se eu estivesse certo, aquilo com toda certeza significava problema.
— Draco. – Chamou ele antes que eu pudesse fazer qualquer coisa para sair de seu campo de visão ou até mesmo avisar Hermione. – Draco. – Insistiu ele mais uma vez quando eu tentei ignorá-lo e continuei andando.
Sabendo que não poderia fugir, já que o trem não sairia por pelo menos mais meia hora, suspirei parando e olhando intensamente para Hermione, tentando avisar o que estava acontecendo. Por sorte éramos bons em conversas não verbais, já que ela olhou discretamente para trás de mim e arregalou os olhos.
— Filho, estou te chamando, você não me ouviu? – Ele não parecia irritado, mesmo sabendo que eu o havia ignorado, parecia até mesmo preocupado. Preocupação que estava em seus olhos quando apareceu na minha frente, já que eu não me virei, ficando apenas congelado ali.
— Estava distraído. – Disse simplesmente, e tentando não acrescentar um tom gelado ou vazio na minha voz. Naturalidade, Draco. Naturalidade.
— Onde esteve nos últimos meses? Além das explicações do Dumbledore, não nos mandou uma carta sequer, não apareceu nenhuma vez em casa. – Lúcio despejava as palavras rapidamente em um tom baixo, para não chamar a atenção das pessoas ao nosso redor.
— Desculpe. Eu recebi uma carta de uma escola estrangeira, não deu tempo de avisar, e eu também precisava de um tempo sozinho. – Ele não acreditaria na primeira parte, mas eu confirmaria aquela versão até mesmo se fosse torturado. E no fundo ele sabia que eu estava precisando de um tempo, com toda essa história do retorno do Lorde.
Eu sabia que o Lorde teria planos para mim, sendo filho e neto de quem eu era, Dumbledore apenas havia confirmado ainda mais as minhas suspeitas, quando me enviou para longe, mas eu tinha esperanças de que aquele ano longe tivesse me tirado da linha de frente.
— Sua mãe ficou preocupada, e eu também. – Disse ele depois de um tempo me analisando. Me surpreendi ao perceber que pela primeira vez, eu sentia que ele estava falando toda a verdade. Que ele realmente se preocupou comigo.
— Draco, temos que ir. – Disse Hermione baixinho, tentando não chamar a atenção do nosso pai.
Porém sua voz suave teve o efeito contrário, já que Lúcio que ainda não havia notado a presença dela pousou os seus olhos sobre ela rapidamente.
Eu não sabia que reação esperar, porém fiquei totalmente chocado quando vi ele a reconhecer em menos de um segundo. Seus olhos estavam arregalados e sua boca entreaberta com a surpresa, e de repente o homem frio, sério e contido que era Lúcio Malfoy, estava com os olhos cheios de água.
— Qu-quem é você? – Em toda a minha vida, eu nunca havia visto o meu pai gaguejar.
— Meu nome é Amy. – Disse ela simplesmente, não entrando em detalhes ou expandindo qualquer conversa. Mesmo que ela tentasse esconder, também estava totalmente abalada, e eu pude ter certeza disso quando ela olhou nos meus olhos com um pedido de ajuda mudo.
— Bem. Foi bom te ver, pai. Mande um beijo para a mamãe, e assim que eu conseguir vou para casa. – Falei rapidamente puxando meu carrinho com uma Hermione petrificada ao lado.
Ele respondeu alguma coisa como tudo bem, ou de qualquer forma foi isso que eu consegui entender, já que ele agora olhava para o nada, como se tivesse perdido toda a memória para um feitiço. Ele não havia insistido para que eu fosse para casa agora, ou então no natal. Enquanto procurávamos por uma cabine, ainda podíamos ver ele paralisado do lado de fora, totalmente alheio a qualquer um.
— Ok, isso foi interessante. – Falei finalmente, quando eu e Hermione já estávamos acomodados em uma cabine com a porta trancada e a cortina fechada. A morena estava sentada na minha frente, perdida em seus próprios pensamentos, só um pouco menos congelada do que o meu pai.
— Interessante é um belo eufemismo para a situação. – Mesmo com tanta tensão no ar, ela ainda sorriu minimamente. – Estou mais preocupada com o que vai acontecer quando ele descongelar e for atrás da minha mãe. Isso sim será interessante. – Ri um pouco pensando no quanto esse encontro seria interessante.
Tia Bela não contaria nada, muito menos diria que a menina que ele conheceu era Hermione, contaria a história de que ela era um parente distante e tudo o mais, porém gostaria de estar presente para ver como ele perguntaria a ela, e se ela seria educada ao responder.
Provavelmente não, já que ela era um doce com a filha, e até mesmo educada comigo, mas não com o resto do mundo. Qualquer outra pessoa conhecia uma Belatriz muito mais fria e letal.
— Será uma conversa bem acalorada, e que com certeza temos sorte de não conseguirmos estar presentes, ou em um raio de quatrocentos metros. – Apesar daquele dia ter se transformado em algo bem emocionante, acabamos rindo de tudo aquilo, imaginando como seria a conversa.
— Só espero que eles não achem um jeito de sobrar para nós em Hogwarts. – Rimos mais um pouco, até que o silêncio que se instalou se tornou confortável, e sem a tensão inicial que a cabine abrigava. – Draco. – Continuou Hermione depois de um tempo em que eu já estava olhando para a janela.
— Diga. – Olhei para ela. A morena parecia nervosa e ansiosa como antes.
— Será que eu me adaptarei à Sonserina atual? Quer dizer, eu sou a herdeira da casa atualmente. – Sem que ela percebesse, ela havia suspirado, provavelmente lembrando do antigo herdeiro. – Mas será que vou me acostumar? – Olhando em seus olhos percebi seu real medo. Não ser aceita a machucaria.
Pelas suas mãos a puxei para o meu lado a abraçando e puxando para o meu peito.
— A Sonserina atual não é muito diferente da antiga. É a casa a qual você pertence por direito, mas tenho certeza que você vai se acostumar. Meus amigos também não são tão ruins quando os conhece. – Afaguei seus cabelos para acalmá-la. – Fora que de qualquer forma, você estará comigo.
— Eu sei. Me sinto boba por ter medo, mas eu sempre fui assim. – Disse ela olhando para o meu rosto e sorrindo, sorri de volta antes que ela voltasse a deitar no meu colo.
Aquele seria um ano completamente diferente de todos os outros, perdendo apenas para o ano anterior em esquisitice, já que nada superaria uma viagem no tempo. Mas eu sabia que tudo ficaria bem enquanto nós pudéssemos lutar juntos.
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