Força e Vida - Tomione
45 Capítulo 45 - Tornando a casa
Notas iniciais
✣ Draco Malfoy
Bondade. Não é algo que possamos adquirir com o tempo. Podemos até escolher o caminho do bem, mas existem certos níveis de gentileza que só possui aquele que nasceu para isso.
Hermione era brilhante. Era a bruxa mais inteligente da sua idade. Por isso, eu não me assustei muito quando todos acreditaram nela ao assumir a autoria dos ataques às crianças nascidas trouxas. Ela não tinha uma capacidade natural para a mentira, porém quando precisava muito, sua mente perfeita além de criar uma história, a interpretava bem.
E ela havia precisado muito. Não para salvar sua própria pele, em raríssimas vezes o motivo era esse, mas para assumir a culpa por algo que ela jamais seria capaz de fazer. Ela poderia ter um basilisco, ser filha de dois comensais da morte, porém isso não influenciava em nada na bondade que ela tinha dentro dela.
Tudo que eu mais queria era poder correr até a sala do diretor e desmentir aquela história, queria poder dizer a verdade. Porém eles não acreditariam em mim, não quando eu culpasse o melhor aluno de Hogwarts, e que agora era também o salvador da escola.
Minha segunda vontade foi a de quebrar tudo que estava na minha frente, porém também reprimi essa. Descobri ao longo dos anos que quebrar tudo por fora, não cura o que está quebrado por dentro.
Então ao fim me permiti apenas encarar aquele banheiro, sem realmente prestar atenção em alguma coisa, tentando tirar da minha mente o olhar quebrado que eu havia visto em Hermione, mesmo que eu soubesse que ela havia sido boa o suficiente para que ninguém mais tivesse notado, até mesmo Tom, já que ela tentou não olhar em nossos olhos.
Eu já havia visto ela quebrada antes, mais de uma vez e vezes demais para tão pouco tempo. Em menos de um ano eu havia percebido o quanto ela era forte, mesmo que já soubesse disso antes, se mantendo em pé depois de tanta coisa que aconteceu. Mas eu sabia que agora seria muito mais difícil dela se erguer.
Foi sabendo que ela iria precisar de mim ainda mais, e que desta vez o Riddle não seria uma opção de consolo, que eu encontrei forças para pegar a Murta e levá-la para a ala hospitalar. Pensando nela consegui me manter firme, não brigando com o Tom, já que não valeria a pena, e me mantendo sentado e em silêncio, esperando para que fôssemos liberados da ala hospitalar.
Quando pensava em desistir, começar a chorar novamente e correr para a sala do diretor, lembrava que para chegar lá eu precisaria ser forte e precisaria esperar, para ver o que iria acontecer. Estava a ponto de ter outra crise de desespero, pensando nela sozinha sendo interrogada por todos os professores, quando Dumbledore finalmente apareceu.
— Obrigado por terem esperado, senhores. Acredito que agora já possam ir para os seus dormitórios. – Eu e o Riddle assentimos sem falar nada. – Poderia esperar pelo Draco lá fora, Tom? Gostaria de falar a sós com ele, por um momento. – Olhando rapidamente para ele, pela primeira vez em horas, percebi que parecia pensar se deveria ou não sair, mas por fim acabou saindo rapidamente.
Dumbledore esperou até que ele tivesse saído e fechado a porta, antes de então se sentar ao meu lado na cama em que eu havia me instalado. Ele parecia sábio e poderoso, como sempre, porém o vendo de perto, eu sabia que o professor estava cansado.
— Eu sei que ela não fez isso, Draco. – Começou o professor lentamente e em um tom de voz baixo. – Mas foi quase impossível conseguir uma pena leve para ela. Todos os professores queriam de alguma forma pedir justiça, mesmo que estivessem com medo do que ela poderia fazer. – Ele suspirou olhando para longe. – Ao fim consegui convencer Armando e a todos os outros que iria levá-la para algum lugar longe da escola, sem que ela perdesse a varinha. – Eu apenas encarava o chão, não era uma surpresa aquilo tudo. – Mas temo que não posso deixá-los perdidos aqui, Draco. Seus pertences, e também os da Hermione, já estão em minha sala, está faltando apenas a mochila dela, que é muito bem reforçada magicamente para que não seja transportada facilmente. – Dei um pequeno sorriso, orgulhoso do poder e da inteligência que ela sempre demonstrava ter. – Então, peço que você vá até o salão comunal da Sonserina, e me encontre em minha sala, em poucos minutos. – E então ele já começou a se levantar, e eu o segui para a porta.
Eu não sabia para onde iríamos, mas no momento, estava seguindo uma parte de cada vez, então apenas fui para o salão comunal da Sonserina, respondendo no automático as meninas, e saindo de lá o mais rápido possível, sabendo que quanto antes fosse ao Dumbledore, antes estaria perto da minha irmã.
Como já estava tarde, e eu tinha permissão para estar nos corredores, consegui chegar à sala do professor de transfiguração em uma velocidade incomum, porém bati na sala e entrei devagar, não me apressando ou me afobando, para não passar nada disso para a morena.
Ao entrar não consegui prestar atenção em nada além da Hermione, que era apenas uma pequena figura encolhida em uma poltrona com um olhar baixo para o chão. Ela parecia cansada e frágil, simplesmente acabada, o que me deixava ainda mais desolado, então a muito custo desviei os meus olhos, e olhei para o professor que estava sentando em outra poltrona, olhando com carinho para a morena.
— Eu dei minha palavra ao Armando de que a Hermione estaria saindo do castelo esta noite, porém eu não tenho certeza, se é seguro para vocês lá fora, vocês não tem família aqui, e duas guerras estão acontecendo, a bruxa e a trouxa, então acredito que seja melhor, e mais seguro, vocês voltarem para o seu próprio tempo. O ano letivo já está no fim de qualquer forma, e ninguém desconfiará de nada. Tenho certeza de que na sua época nada vai bem, porém pelo menos lá vocês tem quem os esconda e os proteja. – Dumbledore estava cansado, tudo que ele dizia parecia lhe custar anos de vida. Eu também podia ver o quanto ele queria poder nos deixar ficar.
— Realmente acho que é o melhor que podemos fazer, senhor. – Disse depois de um tempo que soube que ninguém mais iria se pronunciar.
Abrindo a mochila da Hermione em cima da mesa, procurei com cuidado pelo vira-tempo, porém apenas encontrei o veneno do Basilisco que seria necessário para nos enviar de volta. Hermione ainda estava olhando para baixo, porém segurava agora o vira-tempo puxando-o de dentro das vestes no pescoço.
— Espero vê-los em breve, meus caros alunos. Temo que apenas lhes desejar sorte não será suficiente para protegê-los, mas espero poder fazer mais no futuro. – Disse o professor enquanto eu pegava nossas malas encolhidas, junto com nossas mochilas, e passava o cordão do vira-tempo também pelo meu pescoço.
— Obrigado por tudo, professor. – Disse tentando lhe dar um sorriso compreensivo. Eu nunca fui realmente seu fã, mas ele parecia imensamente chateado com a nossa saída.
Antes de derrubar o veneno do basilisco sobre o vira-tempo, com todo o cuidado que eu teria de ter, olhei para a morena na minha frente. Pequenas lágrimas caíam agora pelo seu rosto.
— Eu vou cuidar de você, irmã. – Sorri para ela, mantendo um pequeno contato visual e tentando lhe passar força. – Ninguém vai te machucar, eu prometo. Vou nos manter em segurança.
E então derrubei o veneno, com um pouco de medo que caísse em minha outra mão, que segurava o vira-tempo, porém ele absorveu todo o veneno, começando a girar em seguida.
Fechei os meus olhos, e então me permiti pensar em todos que eu havia conhecido ali, desde o orfanato até ao salão comunal da Sonserina. Eu havia amado naquele tempo, eu havia me divertido, rido e conversado como eu jamais havia conseguido fazer naturalmente, mas eu não me sentia mal por estar voltando, pelo contrário, perto da minha família e dos meus amigos do futuro, eu tentaria ser eu mesmo.
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