Força e Vida - Tomione

42 Capítulo 42 - Um dia no escuro


Notas iniciais
Hihihi Mais capítulo para gente linda!

Eu sabia que estava cedo. Podia sentir no meu cansaço e também podia ver, através da janela, que o sol ainda não havia nascido. Mas apesar do horário, eu já não me sentia tão cansada, na verdade estava sentada, alerta e suando frio, enquanto tentava normalizar a minha respiração.

O pesadelo, depois de tanto tempo, estava vivo e bem detalhado na minha cabeça, tanto que eu tremia enquanto as lágrimas rolavam pelo meu rosto. Olhando para os lados, notei que eu estava na sala precisa, levei um tempo para lembrar que eu e o Tom havíamos vindo para cá. O moreno não estava na cama, o que era estranho, mas isso estava lá no fundo da minha mente.

Há pelo menos um mês eu não pensava sobre o ataque, desde o dia em que eu havia estado com o Tom nos jardins, aquilo não havia invadido a minha mente, nem mesmo quando eu estava acordada. Ainda respirando rápido, chorando e agarrando as cobertas com força, tentando esquecer, levei um susto quando a porta do banheiro se abriu e o Tom saiu de lá, com apenas uma calça de pijama, ele estava tentando ser silencioso, talvez pensando que eu estava dormindo, porém desistiu disso quando olhou para mim.

— Hei. O que aconteceu? Por que está chorando? – O sonserino havia corrido até mim e me abraçado, me puxando para os seus braços, enquanto encostava-se à cabeceira da cama.

— E-eu ti-tive um pesadelo. – Tentava falar, mas o choro e o desespero atrapalhavam bastante.

Tom me abraçou mais apertado, beijando a minha testa e as minhas têmporas. Eu não precisava ser mais específica para que ele soubesse de que pesadelo eu estava falando.

— Eu estou aqui. Sempre estive, e sempre estarei. – Sussurrou ele. – Você está segura comigo. – Sussurrou ele novamente, me dando um selinho.

Devagar fui me acalmando, e me aconchegando melhor ao sonserino, até que consegui parar de chorar, e voltei a respirar normalmente. Nós estávamos deitados na cama, enrolados, enquanto eu estava deitada no seu peito.

— Por que estava acordado? – Sussurrei depois de um tempo, me lembrando de que ele já estava acordado quando eu acordei.

— Eu também tive um pesadelo. – Tom suspirou, sabia que ele parecia tranquilo, mas também sabia que o pesadelo provavelmente o havia perturbado, já que ele havia começado a passar a mão nas minhas costas, por cima da camiseta, que era na verdade parte do pijama dele.

— Quer falar sobre o que era? – Perguntei falando baixo e calmamente.

— Não quero preocupá-la com isso, é besteira. – Com toda certeza não era besteira, mas eu não iria forçá-lo a falar, então apenas levantei a minha cabeça e beijei os seus lábios, apenas um selinho, seu rosto, e então o seu pescoço, voltando a me acomodar em seu peito, sorrindo para ele da mesma forma que ele estava sorrindo para mim.

— Não acho que eu consiga voltar a dormir. – Suspirei. Eu já havia conseguido voltar a dormir depois daquele pesadelo quando eu estava com o Tom, porém dessa vez eu não estava preparada, e me sentia ansiosa, sentindo que algo realmente ruim estava para acontecer.

— Ainda está cedo, mas não cedo o suficiente para nós não podermos tomar um banho e depois o café da manhã. – Sorri apertando o moreno nos meus braços. Eu estava ansiosa, com o sentimento de que tinha alguma coisa fora do lugar, mas ele havia conseguido me distrair um pouco.

Ainda era razoavelmente cedo quando terminamos de tomar café e colocamos os nossos uniformes. Eu já estava acostumada com as cores da Sonserina, e achava que até que me caíam bem, mesmo achando que combinavam muito mais com o moreno.

Um belo começo de manhã era a paisagem das janelas, quando saímos da sala precisa. Normalmente não vínhamos para cá nos domingos, já que tínhamos aula na segunda cedo, porém essa não era uma regra, e sempre que estávamos com vontade de ficar sozinhos, acabávamos ali de qualquer forma.

Fomos até o salão principal, mesmo que já tivéssemos conseguido comida na sala precisa, e nos sentamos para esperar pelos nossos amigos. Eles sabiam que não tínhamos dormido no salão comunal, porém o resto da escola não precisava saber, então nós íamos sempre para o café da manhã, mesmo que para não comer absolutamente nada, como hoje.

Nenhum dos amigos do Tom ousava comentar algo sobre o fato de termos dormido fora, apenas cumprimentavam a mim e a ele. Abraxas, assim como o Draco, sorria presunçosamente enquanto me dava um beijo no rosto, os dois eram praticamente idênticos, eu ainda não entendia como ninguém desconfiava do seu parentesco, ainda mais nessas horas, quando eles agiam tão igualmente. As meninas, apesar de sempre fazerem um pequeno escândalo, com direito a gritinho, hoje estavam na mesa da Grifinória, nos dando um pouco de paz.

Porém quando chegamos à sala de Feitiços, eu não consegui escapar dos gritinhos, que aconteciam todas as vezes que eu dormia fora, não que eu tivesse dormido tanto assim, talvez um pouco, mas elas gostavam de dramatizar e exagerar, sabendo que eu ficava envergonhada. Hoje não havia sido diferente, fiquei vermelha assim que elas começaram a gritar, mas elas não conseguiram me abraçar, como sempre faziam, já que o Tom foi mais rápido me enlaçando pela cintura e me dando um beijo na bochecha, antes de mostrar a língua para elas e me puxar para sentar perto dele.

Não pude deixar de rir da cena. Tom sendo brincalhão era algo extremamente raro, normalmente ele ria do que os outros faziam, mas não fazia os outros rirem. Até mesmo Dorea e Cedrella esqueceram que deveriam estar brabas com ele, e riram junto. O que deixava a cena ainda mais estranha para quem estava de fora, já que três sonserinas estavam rindo animadamente e um sonserino, conhecido por não ter um excelente humor, era a causa das risadas.

A aula passou rapidamente, com um pouco de revisão de tudo que havíamos visto naquele ano, já que incrivelmente, o fim do ano letivo estava quase chegando, o que era desesperador já que parecia que ontem havíamos chegado àquele tempo.

No horário livre, que eu tinha depois de feitiços, fiquei apenas pensando em como tudo havia mudado em tão pouco tempo, e no quanto eu ia sentir falta da Hogwarts dessa época quando chegasse a hora de irmos embora. Não queria nem ao menos pensar em Tom, não era uma dor que eu queria sentir por antecipação.

Na hora do almoço, o bom humor do moreno parecia ter sido afetado, já que assim que coloquei os meus olhos nele, e o vi sentado totalmente tenso na mesa da Sonserina, eu sabia que mesmo que ele tentasse esconder, algo estava errado. Porém me esqueci disso quando me aproximei, já que ele ao me ver sorriu feliz e me cumprimentou com um selinho carinhoso quando me sentei a mesa.

— Desculpem-me pelo atraso, me distrai com um livro. – Não era a verdade, mas eu não podia contar nada sobre os pensamentos que haviam me tirado de órbita, e me feito correr para o salão principal, quando notei que estava atrasada.

— Tudo bem, Mione. O único que sentiu a sua falta foi o Tom mesmo. – Disse Abraxas dando de ombros, mesmo que ele tentasse manter uma expressão séria, logo ele começou a rir.

— Olha, eu sei que eu senti falta dela mesmo. Mas você sentiu a de uma grifinória, então estamos empatados. – O moreno sorriu de lado, me puxando para um abraço e me dando um beijo na bochecha. Abraxas ficou vermelho na hora, e se calou, o que arrancou risadas de todos nós.

Assim que terminei de comer, me despedi de todos e corri para as masmorras, já que precisava pegar a minha mochila, que havia esquecido na pressa para o almoço. Como todos eram mais precavidos do que eu, ou mais preguiçosos, fui sozinha, já que eles já estavam com o material em mãos.

As próximas aulas passaram como um borrão. Eu não estava conseguindo prestar muita atenção, havia anotado a aula de História da Magia mecanicamente, e estava no modo automático na preparação da poção de hoje, tudo porque a ansiedade que havia me atingido naquela manhã, quando acordei do pesadelo, estava aumentando gradativamente enquanto o fim do dia chegava. O Tom parecia distante e um pouco bravo, quando eu cheguei atrasada na aula de História da Magia, e parecia preso em seus pensamentos enquanto caminhávamos para Poções, porém eu não o havia questionado, deixaria isso para mais tarde, no salão comunal.

O jantar havia sido tranquilo e diferente, já que hoje, excepcionalmente, eu havia jantado na mesa da Grifinória a pedidos da Minerva, e também da Dorea e da Cedrella, que queriam ficar com os namorados. Mesmo querendo ficar com o Tom, e depois puxá-lo para o salão comunal para conversar sobre o seu dia, já que ele ainda parecia distante, eu sabia que ele iria precisar fazer ronda, e que apenas um jantar não faria mal eu estar longe.

Eu sentia um pouco de falta da minha antiga casa, e havia me esquecido o quanto os grifinórios dessa época lembravam meus amigos, o que me deixou um pouco chateada, porém também feliz, por estar matando a saudades, mesmo que só um pouco.

Quando terminei de jantar, me levantei e disse que iria para o meu salão comunal. Eu sabia que as meninas não queriam ir agora, já que o horário do jantar ainda não havia acabado, e elas queriam aproveitar para ficar mais um pouco com os seus garotos, e eu de qualquer maneira poderia muito bem ir sozinha. Então apenas me despedi e saí, dando uma rápida olhada para a mesa da Sonserina, percebendo que o Tom já não estava lá, e que o Draco estava também indo em direção à porta, poderíamos ir para as masmorras juntos.

— Está tudo bem? – Draco parecia um pouco irritado quando saímos pela porta.

— Está. Só estou um pouco bravo com uma garota da Corvinal. – O loiro suspirou.

— Por quê? – Draco dificilmente ficava irritado com alguém, pelo menos nessa época, e que eu sabia ele não conhecia ninguém da Corvinal para estar tão irritado.

— Você não viu o que aconteceu? – O loiro me olhou levemente pasmo, o que me deixou ainda mais confusa. Não precisei responder, já que a minha cara de pura confusão devia estar dizendo que não. – Uma garota incomodou o Tom o dia todo, ela se meteu na frente do Abraxas e fez equipe comigo e com ele durante a aula de Adivinhação. Ela é maniacamente apaixonada por ele, e disse ter visto na bola de cristal o futuro dos dois, e que eles seriam felizes juntos. Desde então, está no pé dele. O incomodou até o fim da aula, depois também o perseguiu no caminho para a aula da História da Magia, e agora de noite, resolveu sentar do lado dele na mesa da Sonserina e ficar o amolando. Ela é insuportável, o Tom saiu do jantar quando não aguentou mais, ele parecia furioso, o que não é para menos, e mesmo assim a garota foi atrás dele. Tomara que ele tenha conseguido chegar ao salão comunal antes que ela o tenha alcançado. – Olhei para o Draco totalmente surpresa, como eu poderia ter perdido tanta coisa em um único dia?

Não era possível que em todas essas horas eu havia me afastado. E quem era essa tal garota para pensar que poderia ter um futuro com o Tom? Tudo bem que o moreno tinha fãs na escola, porém nenhuma delas já havia feito uma cena dessas, no máximo suspiravam no corredor, ou mandavam bilhetes de vez em quando. Estava prestes a ter um ataque de ciúmes e ir atrás do Tom para saber quem era a garota, e poder ir atrás dela para mandar que ela parasse de segui-lo, quando algo me ocorreu.

— Como a garota era, Draco? – Estava sentindo toda a comida que eu havia comido se revirar no meu estômago.

— Não se preocupe, Mione. Não era bonita, usa óculos e o cabelo preto estava preso em dois rabinhos, cada um de um lado da cabeça, bem infantil. Fora que o Tom gosta de você. – Draco estava protegendo o amigo, mas depois da descrição de como era a menina, eu não consegui me concentrar em mais nada.

— Que dia é hoje, Draco? – Não poderia ser? Poderia? Devia ser apenas uma coincidência, mesmo que bem infeliz.

— Hm. Treze de junho. Por quê?

Notas finais
Tec do entendimento u.u