Força e Vida - Tomione
43 Capítulo 43 - A Herdeira
Notas iniciais
— O que aconteceu, Mione? – Draco me perguntou preocupado, talvez percebendo o quanto eu estava pálida, ou o fato de que eu não estava piscando ou respirando.
— É esta noite, Draco. – Sussurrei.
— O que é esta noite? – Mesmo eu tendo falado baixo, ele havia me ouvido.
Comecei a andar rápido em direção às masmorras, com o Draco logo atrás de mim, quase correndo para começar a acompanhar o meu ritmo.
— O que está acontecendo? – O loiro estava preocupado e parecia ansioso.
— Precisamos ir ao salão comunal, ver se o Tom está lá, se ele não estiver, você vai até o Professor Dumbledore e vai pedir para ele chamar todos os outros professores com urgência. — Eu continuava andando rapidamente, praticamente correndo pelos corredores, enquanto falava.
— Hermione, me explica o que está acontecendo? Por que eu precisaria chamar os professores? – Draco havia me parado.
Olhei para todos os lados do corredor antes de responder, precisávamos voltar a andar logo, e ele não iria mais rápido se eu não contasse.
— Essa foi a noite em que a Murta morreu, Draco. Não acredito que eu me esqueci de monitorar os dias próximos a essa data, mas eu preciso impedir, se for acontecer hoje, eu preciso impedir. – Draco havia ficado tão pálido quanto eu, e depois de olhar por mais um segundo para o meu rosto, começou a andar rapidamente para o salão comunal.
Tom não estava no dormitório, nem em nenhum canto do salão comunal. E apesar de que eu tinha esperanças de que ele não estaria em encrenca, utilizei o feitiço de localização que eu havia aperfeiçoado com o Abraxas e o que apareceu me fez desistir.
Corredor do Segundo andar.
Ele ainda não estava no banheiro, mas ele estava quase lá, e isso não poderia ser coincidência, já que o horário do jantar ainda não havia acabado, então ele ainda não estava na ronda. Suspirei antes de olhar para o Draco, não queria dizer em voz alta, e ele pareceu entender e apenas assentiu.
— Apenas espere alguns minutos, eu vou tentar controlar isso, mas. – Hesitei. – Não demore muito. – Encarei o chão, eu não queria que ele me visse a beira das lágrimas.
Antes de sair Draco me deu um beijo na testa e afagou os meus braços por um momento, então olhou nos meus olhos fixamente, deixando claro que estaria comigo com o que quer que acontecesse essa noite. Assim que ele saiu pela porta, suspirei profundamente, vencendo a vontade de correr para o quarto e chorar.
Novamente eu havia esquecido que estava lidando com Voldemort e com Tom Riddle, e não apenas com o adolescente, mas também com alguém que se tornaria um assassino famoso e um dos piores bruxos que já havia existido.
Mas mesmo querendo chorar no quarto, ou me jogar no sofá e fingir que o mundo havia explodido, eu precisava ser forte e primeiro impedir o Tom, para depois pensar. Então antes que ficasse por ali mesmo, suspirei mais uma vez e saí do salão comunal em disparada como o Draco havia saído a pouco, porém pegando um atalho por uma passagem que me levaria ao segundo andar. Uma passagem que provavelmente o próprio Salazar havia criado, para que os seus herdeiros pudessem ir até a câmara, ou fugir dela, rapidamente.
Corri pelos corredores da passagem, sabendo que se eu corresse o suficiente, eu chegaria antes que a Murta tivesse morrido. Eu sabia o que talvez iria precisar fazer, sabia desde o momento que pedi para o Draco chamar os professores, não seria fácil, mas eu precisava tentar.
Cheguei ao corredor do segundo andar ofegando. A porta do banheiro estava fechada, e havia claridade lá dentro, indicando que o Tom já estava lá, e que provavelmente a Murta também estava. Abri a porta com a varinha, que eu felizmente sempre deixava nas vestes e não na mochila, e em total silêncio entrei no banheiro.
Olhando para o chão, notei que precisaria andar com muito cuidado, e bem devagar, já que tudo estava alagado, apesar da água ainda não ter chegado ao lado de fora, o que indicava que aquilo não havia acontecido há muito tempo.
Tom parecia não estar ali, mas a entrada da câmara estava aberta, o que provavelmente queria dizer que ele estava vindo. Eu também podia ouvir um choro baixo vindo das cabines, o que queria dizer que a Murta continuava ali, viva, e que não havia ouvido a abertura da câmara. O Riddle havia sido silencioso, para que ela não saísse antes do tempo.
Sabendo que logo ele estaria de volta, fui para perto das cabines, ainda com cuidado. Chegando lá me posicionei uma porta antes da qual eu ouvia o choro, parando bem no meio do corredor. Não havia tempo para que eu tirasse a Murta dali em segurança, se ela sequer abrisse a porta, não sairia sem fazer barulho, então eu teria de ficar ali, e impedir que ela olhasse para cima.
Não demorou muito para que eu começasse a ouvir alguém se aproximando. Eu olhava para o chão, não queria ter que olhar para o Tom agora, e precisava me concentrar no que teria que fazer e impedir, teria que ser rápida.
— Você vai matá-la. Ela irá olhar para você, tenho certeza, assim que ouvir minha voz e vier ver quem é. – Era a voz do Riddle e ele estava falando com a Königin. A voz estava se aproximando, e era suficientemente alta, para que eu ouvisse e também a Murta. Ele queria chamar a atenção dela.
Continuei com os meus olhos no chão, olhando para a água, e vendo que havia movimentação perto das pias, percebi que o Tom devia estar chegando, então me concentrei nos sons atrás de mim, precisava controlar a reação da Murta, devagar girei nos calcanhares, ficando de costas para a entrada da câmara, não havia mais nada que eu precisasse ver ali.
— Quem está aí? – A voz da Murta estava abafada pela porta e pelo choro, porém ela havia começado a ouvir a movimentação do Riddle, e parecia, além de curiosa, furiosa.
Agora eu já ouvia os passos do Tom e o rastejar da Königin, eles haviam chegado ao banheiro. Agora era só questão de tempo para o sonserino me reconhecer.
A Murta havia se movido na cabine, e parecia que iria sair, então sem me importar com as novas companhias, coloquei um feitiço na porta dela.
— Deixe-me sair! – A corvinal começou a bater na porta. Era dramática, iria dar trabalho.
— Hermione? – A voz agora era do Tom. Mesmo estando de costas, eu podia imaginar sua expressão assustada, já que o seu tom de voz era o de alguém que havia sido surpreendido.
Suspirei e coloquei mais feitiços na porta da Murta, eu não poderia me demorar, já que logo os professores estariam ali. A corvinal estaria segura dentro da cabine se os feitiços não fossem tirados, então me virei para o Tom, olhando friamente nos seus olhos e o analisando.
— Como?! – Foi a única coisa que ele conseguiu falar, mas eu não estava com ânimo para conversar com ele, então continuei o olhando da mesma forma, esperando para ver se ele não iria tentar abrir a porta.
Em um segundo eu o estava encarando, e no próximo a porta atrás de mim estava aberta, com Tom segurando a varinha apontada para trás de mim. Achei que ele iria continuar com a varinha, e apontá-la para mim, porém ele a guardou enquanto uma Murta curiosa saía rapidamente da cabine.
Girei nos calcanhares o mais rápido que pude, para tentar impedir que ela olhasse para cima, mas já era tarde demais, já que ela havia olhado para o chão e visto os olhos da Königin, no segundo seguinte ela estava caindo petrificada no chão, só deu tempo de eu segurá-la antes que ela caísse.
Coloquei ela no chão com cuidado, e então me virei de volta para o Tom. Eu sentia a raiva me consumir, eu havia visto uma garota ser petrificada, da mesma forma que eu já havia sido, e a culpa era toda dele.
Porém não mantive os meus olhos no Tom, olhei para ele apenas por um momento, e então fixei na Königin, ouvindo uma ingestão de ar aguda do moreno. Ele provavelmente achava que eu estaria morta uma hora dessas.
— Vá para a câmara, e fique lá, Königin. – Eu estava tentando controlar a raiva na minha voz, já que a culpa não era dela, mas eu estava sentindo o meu corpo tremer, e minha voz não estava muito mais estável do que isso.
— Boa noite, Hermione. – Königin entrou para a câmara sem ao menos olhar para o Tom.
Assim que ela entrou e que as pias voltaram ao seu aspecto normal, ouvi a porta do banheiro sendo arrombada. O professor Dumbledore vinha à frente seguido pelo diretor Dippet, por todos os outros professores e pelo Draco.
— O que aconteceu aqui, senhor Riddle e senhorita Black? – Disse o diretor, quando viu a garota petrificada atrás de mim.
Olhei para o Draco por um segundo, suspirei baixinho e então olhei para todos os adultos ali presentes.
— Eu estava atacando os alunos sangues ruins, senhor. – Olhei então diretamente para o diretor.
— E o que o senhor Riddle está fazendo aqui? – O diretor parecia em choque, se eu não fosse mais realista, ele nunca acreditaria.
— Ele desconfiou de mim, achou que havia algo errado, e me seguiu. Ele teria me impedido se chegasse um pouco mais cedo. – Falei séria e tentando me manter estável e fria.
— Porque fez isso, senhorita? – Dumbledore tinha uma expressão tranquila, e seus olhos me olhavam com carinho, ele sabia que eu estava mentindo e que estava protegendo o Riddle.
— Eu era da Durmstrang e agora sou da Sonserina, cresci ouvindo que essa escola deveria selecionar melhor os alunos, então descobri um jeito de sumir com aqueles que não são bons o suficiente, mas eu não conseguiria matá-los então os petrifiquei. – Eu havia colocado o máximo de convicção que consegui no meu discurso, e acho que eles acreditariam quando eu mostrasse como trazer os alunos de volta.
— Você sabe como trazê-los de volta? – Perguntou o professor Slughorn. Ele parecia acima de tudo chateado, parecia gostar de mim, já que eu sabia a sua matéria e era da Sonserina.
— Sim. – Respondi simplesmente, com a máxima indiferença que consegui.
Todos pareciam petrificados em seus lugares, já que ninguém havia se movido desde que entraram ali. Dumbledore pareceu se mover primeiro, andando calmamente em minha direção e com um aceno de varinha, secando o chão.
— A senhorita virá comigo, junto com os outros professores, para a sala do diretor, enquanto o senhor Riddle e o senhor Black, levarão a pobre aluna para a ala hospitalar. – Dumbledore olhou para os rapazes, e eu não soube suas respostas, já que não tirava os olhos do professor. – Peço que me entregue a sua varinha. – Lentamente estendi a minha varinha para ele e a entreguei.
Sem olhar em nenhum momento para o Tom ou para o Draco, saí do banheiro acompanhada pelos professores. Eu precisava me manter forte e estável.
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