Força e Vida - Tomione
34 Capítulo 34 - Tomando decisões
Notas iniciais
✣Tom Riddle
Eu estava irritado.
Na madrugada anterior havia torturado mais um sangue ruim, dessa vez um grifinório, propositalmente havia feito a Königin petrificá-lo, para colocar também um pouco mais de terror em Hogwarts, o que havia sido ideia de um dos meus amigos. E também havia largado o garoto perto da biblioteca, para que ninguém desconfiasse do banheiro, onde ficava a entrada da câmara.
Até aí tudo bem, mas a sensação de bem estar, que eu esperava que viesse depois de atacar o garoto, não veio. A sensação de poder que eu esperava ter, não passou nem por perto. Voltei para o salão comunal me sentindo oco por dentro.
E continuei me sentindo vazio, até aquela tarde, quando a Hermione ficou sentada ao alcance dos meus braços. Com ela por perto eu me senti cheio de bons sentimentos, eu queria sempre sorrir quando ela estava ali, e eram sorrisos naturais que simplesmente brotavam em mim.
Ela tinha olhos tão lindos, mesmo sendo opacos na maioria das vezes. Era bonita no seu interior, bondosa, corajosa, inteligente, bonita de rosto, e também de corpo, mas nisso eu procurava não pensar muito, já que toque já era algo complicadíssimo para ela, quem dirá algo mais intenso. Já havia sido uma longa luta para conseguir me segurar para não beijá-la, até o momento que finalmente havia conseguido.
Eu tentava me concentrar na conversa dos meninos, mas a beleza dela me distraía, até mesmo a forma como ela respirava tranquilamente enquanto lia, me chamava atenção e me cativava.
Mas então ela saiu sem dar explicações, voltou caindo de dor, e quando eu pensava que havíamos nos entendido, e eu havia desejado e conseguido segurar sua mão em público, ela simplesmente sumiu depois do recado do diretor Dippet, o que também não me deu ânimo para comemorar o desespero do diretor, já que me senti feliz por um momento, mas assim que a Hermione soltou a minha mão e foi cuidar da Dorea, eu me senti vazio.
Por que eu não conseguia ficar feliz sem ela? Por que o que eu havia feito parecia até mesmo um pouco errado quando eu percebi a reação da Dorea, e até mesmo da própria Hermione, que procurou não demonstrar, mas também parecia muito chateada.
Decidi tentar ir dormir, mesmo estando em um tremendo estado de irritação. Draco já parecia estar no quinto sono quando eu entrei no quarto, ele havia tentado falar com a morena, mas ela não havia saído do quarto, e até o momento que eu tinha vindo para cá, ela ainda não tinha aparecido.
A noite acabou me irritando ainda mais, já que eu me sentia ansioso, como se algo estivesse errado, mas eu não conseguia descobrir o que era. Acabei dormindo apenas quase quando o sol estava para nascer, quando fui vencido pelo cansaço.
Acordei razoavelmente tarde, mas percebi que o Abraxas e o Draco ainda dormiam. Me arrumei em silêncio e desci para o café da manhã, com um mau humor que poderia até ser considerado perigoso. Comi sem trocar muitas palavras com os rapazes que estavam na mesa da Sonserina. Até mesmo o bom humor do Abraxas não foi capaz de me estender em um longo diálogo.
Algo estava errado, além de eu estar me sentindo irritado, me sentia ansioso. Volta e meia eu me pegava olhando para a porta, como se algo ou alguém que entrasse por ali, pudesse mudar o meu humor. Foi em uma dessas minhas olhadas furtivas, que notei o Draco entrando no salão, com uma cara de que também não estava com um excelente humor.
O loiro parecia estressado e pensativo, mas o que mais parecia era que ele estava preocupado. Ao concluir isso, senti uma pontada no meu peito, e mais outra quando o Abraxas perguntou sobre o paradeiro da Hermione. Mas senti minha irritação indo completamente embora, e sendo substituída por preocupação quando o Draco contou que ela havia saído de Hogwarts naquela manhã.
Ouvindo-o falar, senti o meu sangue sumir completamente do meu corpo, e um frio subir pela minha espinha. Não conseguia parar de encará-lo, me segurando para não enchê-lo com um interrogatório. Ela não havia falado com ele? Claro que não, ele havia ido dormir cedo e acordou tarde.
Eu não lembrava mais do meu estado de espírito anterior, minha cabeça só se fixava na preocupação com a morena. O mundo podia muito bem explodir agora, que eu só descobriria daqui a alguns dias. Quando o vi levantar da mesa, tive vontade de segui-lo, mas algo me dizia que ele queria ficar sozinho, e que precisava desse momento.
Mesmo que não ia atrás dele, decidi deixar o resto do café da manhã para trás e ir para a biblioteca, onde passei a tarde toda, até quase anoitecer, saindo de um livro que não me distraía e indo para outro, maior, buscando algo que prendesse a minha mente. Havia achado algo interessante, um livro sobre os fundadores, quando o Abraxas entrou andando bem rápido na biblioteca, ele sabia que não podia correr ali e isso tornava a cena quase engraçada.
— Preciso falar com você, Tom. – Apesar de eu finalmente ter achado um livro que me distraía da Hermione, percebi que ele estava bem sério.
Abraxas sério era uma raridade tão grande, que o assunto provavelmente era de máxima urgência, então ao menos tentei prestar atenção nele.
— Pode falar, Abraxas. – Falei calmamente, tentando controlar o turbilhão de sentimentos que vinha com a minha mente desocupada.
— Não pode ser aqui. – Então o loiro saiu da biblioteca, e eu o segui, até o Hall de entrada do castelo, em frente às portas do salão principal, que agora estava fechado. – Eu consegui informações sobre aquilo que você me pediu. – Senti o meu corpo gelar ainda mais. Tudo no mesmo dia.
— O achou? – Podia sentir o quanto minha voz estava gelada, não estava nem recheada com desprezo, o gelo parecia que vinha de dentro de mim.
— Ainda não. Precisei pedir discretamente à Hermione, para que ela me ajudasse com um feitiço de localização, dei a desculpa de que estava curioso sobre aquele feitiço, e ela não desconfiou de nada. – Senti o meu coração apertar mais uma vez quando ouvi o nome dela, dessa vez não consegui impedir uma careta. – Tenho certeza de que o feitiço funciona, então podemos, sim, encontrá-lo. – O loiro parecia um pouco apreensivo.
Hermione era brilhante, com certeza o feitiço funcionava. E era isso o que me deixava ainda mais nervoso do que eu já estava antes.
No começo do ano letivo, eu havia pedido ao Abraxas para que ele procurasse, em segredo, por uma forma de localizar o meu pai. Entre os rapazes que haviam se juntado a minha causa, o Malfoy era o único em quem eu confiava, era o meu único amigo real, antes da chegada do Draco e da Hermione. Apesar de que eu não sabia como eu poderia chamar a morena, ela não era realmente uma amiga, já havia sido, mas parecia algo mais agora.
Bem, a questão era, que eu havia descoberto através de longas pesquisas no orfanato, que a minha mãe havia morrido no meu parto e que não tinha nenhum documento com ela. Até aí eram informações que eu havia tido na minha infância, porém nas últimas férias, no final delas, eu havia conseguido falar com o Leonard sobre isso, e ele havia contado que a minha mãe, no pouco tempo em que havia ficado no orfanato, chamava o meu pai o tempo todo de trouxa, eles não haviam me contado, achando que era um xingamento, mas mal sabiam eles que era ainda pior do que isso.
Eu havia, com o tempo, deixado de lado o pedido que havia feito ao loiro, e nem sabia que ele havia até mesmo pedido a ajuda da morena. Mas o certo era que agora eu poderia encontrar o meu pai, e matá-lo por ter abandonado a minha mãe, e por simplesmente ser trouxa.
— Podemos usar o seu sangue para a busca. – Disse o loiro depois que notou que eu não iria me manifestar.
Estava prestes a dizer que sim, que o meu sangue provavelmente ia ser bem útil, quando olhei para os jardins de Hogwarts e enxerguei um garoto loiro, em pé perto da margem do lago negro. Por aquela cor de cabelo, eu podia ter certeza de que era o Draco, mesmo ele estando de costas.
Ao olhar para o garoto lá sozinho, lembrei na mesma hora da prima dele. E novamente todas as emoções que eu havia esquecido com o momento ‘posso rastrear e matar o meu pai’, voltaram com força total, junto com a minha curiosidade sobre o que havia acontecido com a Hermione.
Meu pai ou a Hermione?
Era uma decisão difícil, mas eu só conseguiria me preocupar com um dos dois hoje. Eu não conseguiria ir ver o meu pai, estando tão preocupado e confuso em relação à morena, e também não conseguiria ir atrás dela querendo caçá-lo.
Qual emoção é mais forte? Qual consigo reprimir por mais tempo?
Olhando por esse ângulo, era incrivelmente fácil escolher.
— Prepare tudo que vai precisar para o feitiço. – Abraxas assentiu.
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