Força e Vida - Tomione
35 Capítulo 35 - Ao resgate
Notas iniciais
— Porém ao invés do meu sangue, dê um jeito de subir as escadas do dormitório feminino e consiga algum pertence da Hermione. Vou falar com o Draco. – Abraxas relaxou da pose séria e sorriu brilhantemente por um momento.
Até mesmo ele quer ir atrás dela. Essa menina definitivamente havia enfeitiçado todo mundo.
Andei pelos jardins, tentando me controlar para não correr até as margens do lago. Ao chegar mais perto, notei que o loiro jogava pedras lá dentro, mas parecia ser um movimento totalmente mecânico, já que seus pensamentos não pareciam estar ali.
— Está tudo bem, Draco? – Era uma pergunta relativamente besta, mas foi a única forma que achei para puxar assunto, já que ou ele não notou a minha presença ali, ou simplesmente não estava nem aí para quem quer que fosse.
— Está. – O loiro suspirou. Ele não parecia bravo, parecia cansado, tenso e preocupado.
— Ela sabe bem como se virar. – Era algo em que eu também queria conseguir acreditar.
— Eu sei que ela sabe, ela sabe se virar melhor do que qualquer um que eu conheça. – Ele suspirou novamente, jogando a próxima pedra com mais força. – Ela me deixou uma carta, apenas dizendo que havia recebido algo da minha tia, e que ia averiguar. – Então no final das contas ela havia dito algo. Senti um pouco de ciúmes por ela não ter me avisado. – Não disse aonde iria primeiro. E a carta se queimou assim que eu terminei de ler. – Ele riu um pouco ao fim. Sorri pensando no quanto a morena é esperta.
— Eu devia ter sido menos ingênuo, e percebido que ela iria sair. – Eu nunca o havia visto tão frustrado ou triste. – Afinal de contas, ela estava com medo dos ataques. Ela sabia que tinha algo ruim acontecendo. Se não fosse pela minha tia, acho que ela teria ido de qualquer jeito. – Senti o meu coração apertar ao pensar que a morena estava com medo de algo que eu estava causando.
Por um momento, deixei que o aperto no coração continuasse, deixando também que a tristeza me invadisse. A Hermione tinha medo de algo que eu estava provocando às outras pessoas, ela já havia me dito antes que sentia um pouco de medo, mas estranhamente, nesse momento isso me atingia de uma forma muito maior. Me senti confuso, não entendendo o que havia mudado para que o sentimento tivesse se intensificado.
Teria continuado ali, talvez pelo resto do dia, tentando entender o que se passava pela minha cabeça, quando voltei à superfície, acordando com a movimentação do Draco, que agora calmamente se virava para voltar ao castelo.
— Eu e o Abraxas faremos um feitiço de localização. Iremos atrás dela para ver se está tudo bem. – Draco havia começado a andar, mas parou. – Sairemos sem autorização, então se não quiser ir, tudo bem.
— Não sou muito ligado às regras, Tom. – Draco sorriu de canto, olhando para mim pela primeira vez nessa manhã.
— Ótimo ouvir isso. Então vamos para as masmorras, Abraxas já deve ter conseguido entrar no dormitório feminino. – Começamos a andar em direção ao castelo.
— Por que ele iria fazer isso? – Draco parecia ter voltado um pouco ao seu normal. Estava voltando a falar, pelo menos.
— Para o feitiço é preciso um pertence da pessoa a ser localizada. – O loiro apenas assentiu, e continuou andando. Estávamos indo mais rápido, agora que nos aproximávamos do salão comunal.
— Subir foi razoavelmente fácil. Achar a cama dela então foi ridículo já que ela é a mais organizada, e a que mais tem livros perto da cabeceira. O difícil foi acha um pertence que seria perfeito. – Abraxas estava sozinho, em pé diante de uma das mesas de estudos. Na mesa havia um pergaminho aberto, uma pena e a varinha do loiro. – Precisava ser algo bem importante, para que torne o feitiço melhor. Então achei a pena que ela mais usa, acho que vai servir. – Disse ele, colocando o pergaminho deitado na horizontal, com a pena na ponta direita.
— Reditum. — Abraxas estava concentrado, passando a varinha como se fizesse um retângulo, indo do começo ao fim da pena e à lateral esquerda do pergaminho.
Assim que ele terminou o retângulo, em letras douradas apareceu um local na extremidade esquerda do papel.
Orfanato Wool's. A Hermione poderia escolher ir para outro lugar depois, mas no momento ela ainda estava no orfanato.
— Alguém tem alguma ideia para sair rapidamente de Hogwarts? – Precisávamos ser rápidos, ela poderia sair de onde estava a qualquer hora.
— Eu tenho. – Disse o Draco, ainda encarando o pergaminho. – Conheço uma passagem secreta para fora, e podemos usar vassouras para irmos para Londres.
— Eu tinha pensado em usar uma lareira, mas acho difícil que consigamos uma facilmente, fora que poderíamos ser detectados. – Abraxas também pensava rápido, mas realmente sua ideia era mais complicada.
— Então vamos com a ideia do Draco. Abraxas, consegue pegar as vassouras? Você tem a sua própria, pegue também a do Lestrange e a do Crabbe. – O loiro assentiu rapidamente, ele teria acesso, já que era do time de quadribol. As vassouras do colégio seriam muito lentas, e eu não precisaria de autorização para pegar as vassouras dos outros sonserinos. – Draco, talvez seja bom levar o seu kit de emergência, só para garantirmos. – O loiro assentiu, sem nada comentar. – Eu vou com o Abraxas.
— Nos encontramos no Hall de entrada, lá eu explico o que precisamos fazer. – Draco saiu rápido para o quarto, enquanto eu e o Abraxas saímos do salão comunal.
— Pelo que a minha tia e o meu tio contaram a Hermione, existem várias passagens para fora de Hogwarts, porém ela me contou apenas sobre uma. – Draco falava baixo, volta e meia olhando para os lados discretamente. – Ela nos leva ao porão da Dedosdemel, só precisaremos ser silenciosos e cuidadosos quando chegarmos lá. – Eu sabia que Hermione conhecia passagens em Hogwarts, mas não sabia que ela conhecia algumas que poderiam nos levar para fora.
— Estamos sem os uniformes, podemos nos passar por clientes que sem querer foram parar no porão, caso sejamos pegos. – A ideia do Abraxas não era excelente, mas era o melhor que poderíamos pensar agora.
Felizmente não encontramos com ninguém até estarmos em um canto da loja. Havia apenas um atendente, que estava auxiliando algumas crianças a escolher doces. Saímos devagar, sem chamar atenção.
Assim que nos afastamos um pouco do povoado, levantamos voo. Eu não era do time de quadribol, e nem me interessava muito pelo esporte, mas sabia voar razoavelmente bem. Abraxas era do time, artilheiro, se eu não me engano, então voava muito bem. Mas a surpresa foi Draco, que voava incrivelmente bem, e parecia feliz no ar.
— Você joga quadribol, Draco? – Disse Abraxas.
— Eu já fui apanhador. – O loiro continuava se divertindo.
— Devia fazer o teste para o time então.
— Hermione me mataria. Ela não gosta desse jogo, acha muito perigoso. – Draco sorria. Realmente eu nunca havia visto a morena em uma conversa sobre quadribol.
A viagem para Londres, apesar do vento gelado devido a nossa velocidade e altura, foi tranquila e impressionantemente rápida. Fomos conversando na maior parte do caminho. Draco parecia um pouco distraído em alguns momentos, já que ele provavelmente sabia que talvez fosse ver a Elisa, e também provavelmente estava preocupado com a prima.
Ao chegarmos perto do orfanato, utilizamos um feitiço para que ninguém pudesse nos ver, já que as nuvens nos protegiam antes, mas agora teríamos que descer em uma cidade bem movimentada, mesmo que já fosse noite. Descemos no quintal dos fundos sem muitos problemas, provavelmente havíamos chegado na hora do jantar, o que explicava o quintal estar totalmente vazio.
Ia dizer para entrarmos, e procurarmos lá dentro, porém algo se mexeu no meio das árvores, me chamando a atenção. Uma garota de longos cabelos castanhos e cacheados havia se levantado, aquela decididamente era Hermione saindo do seu esconderijo entre as árvores, o favorito dela para conversar com a sua cobra. Era engraçado pensar que uma menina tão meiga e doce, poderia ter uma cobra de estimação.
Draco mal havia tirado o feitiço que o deixava invisível e já estava correndo na direção da prima, e em seguida, a abraçando apertado, e rodopiando uma morena assustada no ar. Parecia que o loiro estava colocando toda a sua preocupação daquela manhã, em apenas um abraço.
Mesmo eu estando aliviado, sentindo um peso, que eu nem havia percebido que estava lá, sair das minhas costas, andei mais calmamente até ela junto com o Abraxas. Não que eu precisasse manter alguma aparência próximo ao meu colega de quarto, já que ele não era apenas meu seguidor, mas um amigo, porém eu estava aproveitando a sensação de saber que ela estava bem, e também, no fundo, eu estava um pouco chateado, por ela não ter me avisado que iria sair. Era um sentimento completamente bobo, mas eu sabia que ele também estava ali e que não havia nada que eu pudesse fazer para que ele fosse embora mais rápido.
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