Força e Vida - Tomione

33 Capítulo 33 - Indo embora


Notas iniciais
Boa noite, pessoal! Um pouco de mudança de personagens narrando porque sim!

Draco Malfoy

Uma nova vítima da petrificação. Isso era decididamente, a última coisa da qual precisávamos. Hermione estava começando a se acertar com o Tom, até mesmo eu já estava começando a gostar dele, mas tudo não poderia estar tão bem assim.

O Riddle seria um assassino no futuro, e em alguma hora isso precisava começar, só não precisava ser necessariamente agora.

— Cedrella. Pode chamar a Hermione? – Não vi quando, mas já havia me levantado do sofá e perguntado sobre a minha irmã para a menina que descia lentamente as escadas.

— Ela está tentando acalmar a Dorea. – Dorea e Cedrella haviam chegado antes ao salão comunal da Sonserina. Eu queria acreditar que a morena estava lá em cima, mas algo na postura da sonserina na minha frente, dizia que a Hermione ainda não havia voltado.

— Como ela está? – Eu não poderia confirmar as minhas suspeitas com todos os amigos do Riddle por perto, então apenas voltei a me jogar no sofá.

— Está em choque. Esses ataques podem acontecer a qualquer um, mas está impossível colocar isso na cabeça dela. – Cedrella parecia chateada e cansada, além de não querer demonstrar, mas também temer pelo seu namorado na Grifinória.

— Vá descansar, amanhã poderá ir para casa, e também pode viajar junto com o seu namorado. – Dei um beijo em sua testa antes de sair para o meu dormitório, já havia tido muita emoção para apenas um dia. – Deseje boa noite para a Hermione por mim. – Não queria desejar boa noite a mais ninguém, e provavelmente não conseguiria ver a minha irmã.

Escovei os meus dentes e troquei de roupa antes de deitar na minha cama. Não esperaria pelos meus companheiros de quarto, não queria nem ouvir as conversas dos outros hoje. Queria apenas dormir e ver como a minha irmã estaria pela manhã.

Acordei inquieto, a noite havia sido cheia de sonhos e pesadelos. Me senti cansado assim que pisquei mais do que duas vezes, e a vontade era de deixar os meus olhos se fecharem de novo e levantar apenas quando todo esse cansaço passasse, afinal de contas, querendo ou não, estava de férias até que as aulas voltassem.

Teria ficado ali e dormido se algo na minha cabeceira não tivesse chamado a minha atenção. Havia um envelope ali, em cima apenas o meu nome podia ser visto, mas algo mais importante estava ali, era a letra da Hermione, que eu poderia reconhecer em qualquer lugar.

Me senti tenso no mesmo momento em que percebi que era da morena, sentei rápido abandonando o sono de vez. Não me sentia mais cansado, estava alerta, a minha irmã não arriscaria colocar uma carta no meu dormitório se não fosse importante.

Pegando o envelope, notei que ela não havia se arriscado tanto assim, já que não era possível abri-lo normalmente. Abri um pequeno corte no meu dedo e pinguei o sangue no ponto onde a carta havia sido lacrada, minha irmã era fã de feitiços complexos principalmente dos que envolviam sangue. E o fato da carta ter aberto instantaneamente, só me confirmou que a carta era autêntica.

Draco,

Não pretendia avisar alguém, mas pensando bem achei injusto fazer isso sem falar com você. Estou indo para o orfanato passar esse feriado forçado de páscoa, e se você está lendo isso, provavelmente eu já estou embarcada há algum tempo.

Sei que você pode ficar bravo comigo, mas se eu falasse, você iria me pedir para ficar ou para ir junto, e eu não quero chamar atenção. Tudo que não precisamos nesse momento é de mais atenção.

Olhei para os lados do quarto, para ter certeza de que ninguém estaria olhando. O dormitório estava vazio e o sol lá fora demonstrava que a Hermione estava certa, o trem para Londres provavelmente já havia saído.

Falei com a minha mãe ontem, ela acredita que o Lorde das Trevas tem mudado, e que eu possa ser a causa disso. Mas eu vi o sorriso dele quando o diretor Dippet falou sobre o ataque, mais uma vez eu me deixei levar, mas ele não tem sentimentos.

Posso controlar as minhas emoções, mas não conseguiria olhar para ele sem demonstrar de alguma forma que o acho um monstro. Eu não estava fingindo, estávamos indo bem, mas preciso desse tempo.

Falei para a Dorea e a Cedrella que havia recebido uma carta da minha mãe e que algo estava realmente errado, elas acreditaram, acho que é uma boa desculpa para usar com o Riddle também.

Sinceramente, queria que você pudesse vir comigo, mas seria óbvio demais.

Te amo, sabe disso,

Hermione

Ela havia dito que me amava? Isso era de longe o que mais me preocupava na carta, mas não precisei me preocupar em escondê-la, já que assim que terminei de ler, a carta queimou. Parecia fogo, mas então lembrei que se tratava da minha irmã, e a carta terminou em cinzas azuis indolores que sumiram tão rápido quanto haviam surgido.

Não podia culpar a minha irmã por ir embora, até deveria ter sido menos ingênuo e percebido que ela faria isso sem falar comigo. Não estava bravo, chateado e preocupado eram sentimentos que explicavam mais o meu estado de espírito. A morena estaria sozinha por duas semanas, tudo bem que era o orfanato e tudo de pior que poderíamos enfrentar estava dentro desse castelo, mas a Hermione havia se tornado a minha irmãzinha e eu não estava exatamente feliz com a distância.

Em nenhum momento ela havia chamado o Tom pelo nome, em cada palavra eu podia ver o ressentimento embaixo daquela grossa camada de indiferença. Hermione havia começado a sorrir um pouco mais quando ela e o Riddle começaram a se acertar, ele não havia ficado com ninguém e estava indo bem, mas havia desandado.

Bufei com esses pensamentos, poderia tentar enganar qualquer um, mas queria a cabeça do Tom apenas por ele estar magoando a minha irmã. Era um sentimento novo para mim, mas era muito bem vindo. Porém teria que fingir que estava tudo bem, e felizmente, tinha mais prática nisso do que a Hermione, mesmo a versão atual dela.

Decidi que era hora de sair da cama, tentar pegar algo para comer e dar uma volta por aí. Queria ver quantos alunos haviam ficado e procurar algo para fazer durante essas férias. Não havia pensado em ir ao orfanato, ver Elisa seria complicado, gostava dela, não era como algum outro caso meu, gostava dela de verdade, mas era bem a cara do meu destino, ficar com inúmeras garotas e ter que deixar para trás a única que realmente gostava. Não era uma ridícula diferença de sangue que nos separava, mas uma diferença leve de cinquenta anos. Não poderia alterar o futuro dessa forma, não era uma opção ficar aqui ou levá-la comigo.

Não percebi exatamente quando saí do salão comunal da Sonserina, ou por quais corredores passei, mas estava na frente do salão principal antes mesmo de pensar na palavra quadribol. O salão estava vazio, apenas um pouco menos do que como ficava na época do Natal. Muitos alunos haviam entrado em pânico, mas vários pais não estavam em casa durante o ano e provavelmente tinha casos de alunos, como o Tom, que não gostariam de voltar para casa fora de época.

Todos os meus colegas de casa pareciam ter acordado tarde, já que o Riddle e seus amigos estavam sentados tomando café tranquilamente. Nada de se estressar Draco. Preparei minha melhor cara de sono e mau humor matutino e fui em direção a eles, escolhi sentar de frente para o Tom, mas não exatamente na sua frente, mas na do Abraxas, era muito mais fácil ficar perto dele do que do moreno em uma manhã como essa.

— Olha quem acordou! Achei que você iria dormir para sempre. – Abraxas estava animado como sempre e sorria à toa, era difícil saber que ele era um comensal e que seria por culpa dele que a minha família se prenderia a isso.

— Resolvi aproveitar. – Fazer o estilo mal humorado não seria interessante, então mudei para desligado e levemente preocupado. O que era quase o meu estado de espírito real.

Comecei a tomar meu café em silêncio, não estava a fim de conversar como ontem, na verdade, desde o momento em que ouvi a notícia sobre o aluno petrificado e vi a reação da Dorea e da Cedrella, não me senti muito disposto a falar com os amigos do Riddle. Eu havia visto a Hermione petrificada na enfermaria no segundo ano, e agora a via encolher toda vez que ouvia a palavra petrificação, não conseguiria ficar exatamente feliz com tudo isso.

— Dorea e Cedrella foram para casa, nem as vimos sair. Mas cadê a Hermione? – Abraxas já havia olhado para as portas várias vezes, parecia preocupado, no fundo era um bom amigo. Percebi que o Tom olhou rapidamente para mim, mas desvio com a mesma rapidez. Suspirei antes de me pronunciar.

— Saiu também. – Tom ficou levemente tenso e olhou para mim, dessa vez me encarando com um pouco de interesse, mas eu não olhava para ele, decidi que o teto estava mais interessante.

— Mas não é perigoso ela sair sozinha? – Definitivamente o Abraxas era um bom amigo para a Hermione, já que o bom humor dele havia sumido, o deixando com um ar tenso e uma expressão de preocupação.

— Sim. – Suspirei e olhei para ele. – Primeiro, porque ela não falou aonde ia, e eu não sei o quanto está perigoso para a nossa família lá fora. Segundo, porque eu precisava continuar tratando a mão dela. – Quase havia me esquecido disso quando li a carta dela, mas me preocupava com o fato de que as dores poderiam voltar, e até mesmo piorar.

Eu continuava sem olhar para o Riddle, mesmo sabendo que ele estava me encarando, olhei apenas para a mesa com uma expressão pensativa. Éramos amigos, havíamos nos dado bem desde o começo, mas a minha irmã estava sofrendo por causa dele, então era melhor eu ignorá-lo do que testar o meu autocontrole e por tudo a perder.

Com o café da manhã inacabado, saí da mesa rapidamente, porém sem fazer barulho. Não queria chamar muita atenção, queria apenas achar um lugar para pensar, e de preferência que esse lugar fosse o mais longe possível do Riddle e dos seus amigos.

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Notas finais
Muito obrigada para quem me encontra nos comentários, e para quem abandonou-me por lá, espero que vocês voltem também :