Força e Vida - Tomione
32 Capítulo 32 - Impulsos
Notas iniciais
O Salão explodiu em pequenas conversas assim que o diretor terminou de falar. Olhei discretamente para o lado, e percebi que o Tom conversava com seus comensais, a conversa não estava muito baixa, mas eu nem me preocupei em ouvir, apenas olhei para o sorriso escondido em seus lábios, e olhei para a Dorea ao meu lado.
Não poderia olhar para o Draco nesse momento, e ele também tinha noção disso, já que começou a acalmar Cedrella que estava sentada ao seu lado. Dorea estava em silêncio e olhava para mim assustada, seu namorado era um grifinório, e por ninguém saber que apenas nascidos trouxas eram atacados, ela provavelmente acreditava que ele poderia ser o próximo.
— Calma. Não foi ninguém que conhecemos. – Soltei levemente a mão do Tom, tomando cuidado para não puxá-la, e abracei de lado a sonserina. Passei minha mão boa em seus braços tentando acalmá-la. Iria falar mais coisas, mas novamente o diretor bateu em sua taça.
— Não queremos que todos se desesperem, o culpado logo será pego. O recesso de páscoa seria apenas daqui a alguns dias, mas seus pais já foram avisados, se vocês quiserem, serão liberados amanhã para ficarem duas semanas em casa. Acreditamos que a escola seja segura, mas sabemos que muitos de vocês irão se preocupar. – Teríamos direito a duas semanas de recesso, a páscoa seria no domingo que vem e só voltaríamos no outro final de semana. – Boa noite a todos. – Isso chegava quase a ser irônico, mas era uma forma de nos dispensar.
— Você ficará bem. Está segura. – Abracei a Dorea a confortando. Os professores chefes das casas estavam pedindo para que os monitores conduzissem os seus alunos para suas casas. Dorea olhou rapidamente para a mesa da Grifinória. – Pode vê-lo amanhã, dentro do trem. Agora precisamos ir. – Dorea parecia paralisada. Olhei para a Cedrella por um momento, ela parecia também estar em choque, mas estava menos assustada.
— Draco, pode ajudar o Tom com os alunos do primeiro ano? – O loiro apenas assentiu por um momento olhando bem nos meus olhos. Não me permiti olhar para o lado do moreno.
Delicadamente puxei a Dorea para sairmos da mesa e do salão principal, pedi ajuda para a Cedrella. Conseguimos sair rapidamente e descemos os lances de escada para as masmorras bem antes dos outros alunos.
— Consegue levá-la sozinha? – Perguntei para Cedrella quando estávamos chegando perto de uma passagem secreta. A sonserina segurou a amiga e apenas sinalizou com a cabeça que sim. – Preciso ir a um lugar. Me esperem no dormitório. Não contem a ninguém que eu saí, está bem?
— Ok. – Cedrella me olhava curiosamente, mas não me perguntou sobre para onde eu ia. – Tenha cuidado.
Assim que as duas se distanciaram um pouco, fui até um quadro que eu sabia que poderia me levar até em frente da sala precisa. Cuidei para que ninguém me visse entrando ali, e depois cuidei também para que ninguém me visse saindo no outro andar. Felizmente nenhum aluno havia conseguido subir todos os lances de escada ainda.
A sala estava me esperando como em todas as outras vezes. Sempre confortável e pacífica, apenas com a diferença de que dessa vez a minha mochila também estava me esperando lá. Em cima da mesa estava mais um envelope.
Filha,
Sinto muito que tudo isso esteja te assustando, mas jamais ficaria manchada em sua antiga casa por sentir medo em uma situação dessas. Gostaria de poder te dizer que tudo ficará bem, mas sabe que não sou a melhor pessoa para consolá-la dessa forma.
Todos sentimos medo, até os famosos grifinórios. Apenas os tolos não sentem medo, e você nunca foi tola.
Eu e o professor Dumbledore temos apenas hipóteses sobre o porque de suas marcas terem voltado, e suas cicatrizes estarem doendo. Acreditamos que os seus bichinhos de estimação pressentem o perigo a sua volta, pode não ter doído antes pelo fato do Riddle ainda não ser uma ameaça na sua época. Mas por essa teoria, com certeza iria doer depois da primeira vítima.
Sobre a sua mão, bem, Dolores Umbridge está te procurando, mesmo que finja que acredita na história do intercâmbio. E acho que todos sabemos que o único ingênuo no ministério é o nosso ministro. Nesse ponto, inúmeras possibilidades poderiam ser consideradas.
Espero que agora já tenha conseguido controlar as dores, acredito que o Draco deve ter te ajudado com isso. Na verdade, pelo que tenho percebido do Lorde das Trevas, talvez um moreno também esteja te ajudando ultimamente.
Não vou brigar com você por se aproximar dele dessa forma, você sabe bem o porque de estar aí, e tudo está acarretando aos poucos em um mundo melhor. Ele se lembra de você, e entre muitas coisas ruins, talvez isso possa até mesmo ser uma saída, mas isso parece demais com as palavras do Alvo, e não faz exatamente o meu estilo.
Enfim, cuide de você e do Draco da forma que estiver ao seu alcance, manterei contato sempre que puder, e os manterei informados.
Belatriz Black Lestrange
Receber uma carta dela, era sempre uma experiência diferente. Mesmo que eu até tentasse não pensar muito sobre isso, no momento a carta havia me deixado até mesmo um pouco feliz. Na maioria das vezes, normalidade me deixava dessa forma, e nada mais normal do que sua mãe te escrever explicando um pouco de suas teorias sobre dores intertemporais.
Mas ler sobre o Tom não fez com que eu me sentisse da mesma forma, era bom saber que talvez eu poderia mudar alguma coisa dentro dele, mas seu futuro ainda era o mesmo. Ele ainda se tornaria a mesma pessoa, e nesse momento ele havia atacado mais uma pessoa inocente. Dessa vez eu não havia estado lá para proteger a vítima e provavelmente era um milagre que ela estivesse viva, ou ele usaria a petrificação a seu favor.
O que mais me doía, era pensar que ele poderia ter sido carinhoso e preocupado comigo naquela tarde, mas que havia atacado mais uma pessoa naquela manhã e agido normalmente. Mais uma vez eu havia me deixado levar, havia sido ingênua, e esquecido novamente de quem se tratava.
Nunca importaria a minha missão ali, nunca importaria se eu gostasse dele ou não. Tom já tinha duas vitimas, ele não havia matado ninguém, mas era, como sempre, apenas uma questão de tempo.
Mãe,
Felizmente Draco tinha um kit de emergência para o caso de acontecimentos extremos, como os de ultimamente. Acredito que suas teorias são provavelmente plausíveis, já que mexer com o tempo acarreta em consequências imprevisíveis.
Sobre os meus medos, me sinto culpada por eles. Mas acho que tem razão quando diz que apenas tolos não tem medo.
Não queria falar sobre isso com ninguém, mas acho que se tem alguém que poderia me ouvir e não ver um lado emotivo nisso, esse alguém seria você.
Tom me deu sua mão hoje pela primeira vez na frente de todos, já havíamos andado de mãos dadas antes, mas sem nenhum público. Estávamos indo para o jantar, e ele simplesmente pegou a minha mão. Foi simples, como se isso acontecesse todos os dias, mas me deixou feliz. Porém no fim do jantar descobrimos que mais um aluno foi petrificado hoje pela manhã, e o Riddle estava sorrindo para os seus amigos enquanto o diretor falava.
Ele não tem um coração, mal tem emoções. E eu ainda acredito quando parece que ele tem alguma emoção, sou totalmente ingênua. Todos os alunos foram levados para os seus salões comunais, e eu fugi para a sala precisa, amanhã poderemos ir para casa mais cedo. A páscoa está chegando, eu pretendia ficar no castelo, mas vou para o orfanato.
Não irei avisar o Draco, e ficarei alguns dias sem poder me comunicar com você, mas acho que será melhor assim. Eu preciso pensar, e nada melhor do que alguns dias longe de todos os alunos para isso. Ficarei bem e estarei segura lá. Draco também ficará seguro aqui, já o instrui sobre como andar pelo castelo seguramente.
Até mais,
Hermione Black
Era uma medida praticamente desesperada e totalmente impulsiva, mas eu precisava de tempo para pensar. Não conseguiria olhar para o Tom sem entregar tudo o que eu sabia, sem que em algum momento mostrasse ódio ou raiva. Poderia levar o Draco comigo, mas chamaria ainda mais atenção para a minha fuga.
Precisaria chegar ao dormitório sem fazer qualquer barulho, ninguém poderia me ver pelos corredores. Depois precisaria arrumar as minhas coisas, e talvez a parte mais difícil, convencer as meninas a não falar para onde eu iria e conseguir sair sem novamente encontrar com alguém.
Não seria fácil, mas também não era algo impossível, precisaria apenas das palavras certas e dos cuidados certos. Uma boa desculpa para as meninas, e logo estaria na tranquilidade do orfanato sozinha com os meus próprios pensamentos.
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