Notas iniciais
Boa noite, gente bonita! Sextas são dias de muitas aulas na faculdade, o dia todo lá trancada, porém agora estou aqui! Mais do que podre, diga-se de passagem, mas espero que gostem! *-*

— Onde está doendo? – Ele parecia desesperado, e com o mesmo olhar triste da noite em que eu havia saído da detenção com a Dolores.

— Minha cabeça. As cicatrizes. E a minha mão. – Draco ficou apreensivo, ele sabia de que cicatrizes eu estava falando. O loiro me puxou com delicadeza pela mão esquerda, e me sentou ao lado do Tom no sofá.

Abraxas também havia ido sentar com o Tom, deixando espaço para eu me sentar entre os dois. O moreno me encarava preocupado, mas meus olhos estavam nos do Draco, que havia se ajoelhado na minha frente.

— Precisa me explicar o que dói e como, para que eu possa fazer alguma coisa, ok? – Draco parecia um médico, pensar isso quase me fez sorrir. Mas acabei sorrindo, ao pensar que isso também era papel de um irmão.

— Minha cabeça está latejando. Muito. As cicatrizes estão queimando e latejando. E minha mão, as marcas voltaram totalmente, eu não sei como. Tá doendo como na primeira vez. – No fim minha voz parecia quase chorosa, o que era bem estranho.

— Primeira vez? – Abraxas parecia curioso, mas ao mesmo tempo parecia relutante em demonstrar isso.

— Vou precisar de ajuda, Abraxas. Tenho algumas coisas no dormitório que podem resolver isso. – Draco não respondeu a pergunta do outro loiro, e achou uma forma de distraí-lo disso, já que os dois saíram em disparada para as escadas dos dormitórios masculinos.

— O que está acontecendo, Hermione? Por que saiu daquela forma? – Estava mantendo os meus olhos fechados para ver se a minha cabeça parava de latejar, mas o que realmente parecia estar relaxando a minha dor eram os sussurros curiosos do Tom.

Ele havia se aproximado e agora sua voz parecia estar ainda mais próxima. Mas eu não conseguia abrir os meus olhos para ter certeza disso, tinha medo de que qualquer movimento brusco me fizesse gritar. Porém por fim, cheguei à conclusão de que ele devia estar preocupado, e que não estava acostumado a ficar sem entender alguma coisa.

— Eu não sei o que está acontecendo. – Comecei bem baixo, apenas sussurrando como ele. Não havia muita gente ali, menos até do que antes, e pareciam estar desinteressados na nossa conversa, mas sussurrar não doía. – Eu precisava encontrar um lugar para pensar, sempre procuro estar sozinha para isso, mas tudo piorou quando as dores começaram. – Não era verdade, e mentir para ele estava começando a se tornar doloroso. Então deixei a minha cabeça cair com o cansaço, a dor persistente estava drenando as minhas forças e mentir sobre o que estava acontecendo, também não era uma boa fonte de energia.

Por um momento apenas fiquei parada com minha cabeça tombada. Mentir para ele não me fazia bem, e isso me preocupava ainda mais, já que tudo que eu mais fazia era esconder coisas e mentir para ele. Mas não consegui continuar pensando sobre isso, já que senti a mão do Tom apertar a minha levemente. Minha mão direita continuava escondida dentro das minhas vestes, e agora a esquerda estava sendo acariciada pelo moreno, por um momento, me permiti respirar fundo, utilizando mais uma vez o toque dele para me acalmar.

— Uma vez te prometi que estaria ao seu lado. – A voz dele estava ainda mais baixa do que antes. – E não pretendo descumprir essa promessa, pode me contar tudo o que estiver te incomodando. – Eu não posso. Ele não poderia saber de onde eu vinha, também não podia saber que a cicatriz que eu estava sentindo dor era a do Basilisco, já que lembrar a ele que eu tinha uma cobra, poderia fazê-lo encaixar as peças sobre o garoto petrificado.

Suspirei derrotada e apertei a mão dele, ter ele por perto era obtusamente bom e calmante. Eu não poderia falar agora, ele estava sendo verdadeiro comigo, estava preocupado, e eu não podia nem ao menos dizer o porque de eu ter fugido, ou pedir sua ajuda para descobrir porque as minhas cicatrizes estavam doendo. Ele tinha um Basilisco a mais tempo do que eu, mas eu não poderia nem pedir ajuda nisso. Era tudo simplesmente frustrante.

— Eu sei que tem algo errado. Não sei se você sabe o que é e não quer contar, ou se não tem ideia. Mas realmente, se precisar falar com alguém. – Nesse momento eu não aguentei, abri um pouco os olhos, para me situar, e deitei a minha cabeça no encaixe do seu ombro. Continuei segurando a sua mão e senti o seu cheiro, que também era um ótimo calmante.

— Obrigada, Tom. – Beijei o seu pescoço levemente em forma de agradecimento. – Eu não sei o que está errado, apenas sinto que está. – Apesar daquilo doer ainda mais, precisava medir as palavras que usava para não entregar nada. – Eu estou com medo. – Ainda era dificil admitir aquilo, fui da Grifinória durante muitos anos.

— Você não precisa ter medo, não está sozinha. Seu primo está aqui, você tem amigas, e tem a mim também, sabe disso. Essas dores vão passar, não deve ser nada demais. – Mesmo que aquelas palavras estivessem sendo tranquilizadoras, ele também parecia não acreditar nas últimas coisas que falou.

Tudo no mundo bruxo tinha um significado, seja ele bom ou ruim. Eu havia entendido isso desde o meu primeiro ano em Hogwarts. E dentre as coisas que poderiam ter um significado ruim, sentir dor em cicatrizes mágicas só perdia o topo para ouvir vozes que ninguém mais conseguia.

— Tomara que você esteja certo. – Me aconcheguei melhor em seu peito. Draco estava demorando para voltar, então me permiti ficar nos braços do moreno, enquanto ele brincava com a mão nas minhas costas, tentando me acalmar em uma causa perdida.

— Vocês são um belo casal de pombinhos, mas eu preciso tratar da minha prima, e não quero ficar de vela. Então vão se separando. – Draco desceu as escadas depois de um tempo. Eu já estava quase dormindo, mas despertei totalmente com sua sutileza.

Apesar de tentar nos dar um sermão, e parecer um pouco tenso e preocupado, Draco estava sorrindo quando se aproximou. Deixei que o Tom me arrumasse no sofá, já que a preguiça estava grande, e mesmo com as dores, o sono também já havia me alcançado.

— Ainda está cedo para a senhorita dormir, e ninguém vai para a cama sem jantar. – O loiro estava mais uma vez ajoelhado na minha frente.

Junto com um pote com água e alguns panos, Draco havia deixado alguns frascos ao seu lado no chão, eu não tinha ideia de quando ele havia conseguido aquelas coisas.

— Eu sempre tive um kit de emergência guardado em casa, só não esperava que um dia ia realmente precisar dele. – O loiro estava triste, e olhava para baixo enquanto explicava. Ele era um bom ator, mas não iria mentir dessa forma olhando nos olhos de alguém.

Dumbledore provavelmente havia dado a ele aquelas coisas, assim como havia dado o veneno de cobra que me salvou no meu primeiro dia no passado. Nunca havia perguntando ao loiro, o que tanto o professor havia lhe dado, já era perigoso nós conversarmos sobre isso no orfanato, aqui então, era ainda pior.

Com a minha mão boa, brinquei um pouco com os fios platinados do cabelo do Draco, queria poder lhe dar mais conforto, mas não era boa nisso. Sempre acharia estranho o fato do loiro ser muito mais emotivo do que eu. Felizmente ele pareceu sair de sua melancolia com o meu toque. Bastou eu mexer um pouco nos seus cabelos, que ele levantou a cabeça e sorriu para mim.

— Vamos lá então. – Draco pegou um pano e torceu na água. – Apoie a cabeça no sofá. – Obedeci o loiro, que colocou o pano úmido na minha testa. O alívio foi imediato, tanto que fechei os meus olhos e suspirei.

Não havia percebido que a minha cabeça estava doendo tanto, até sentir o alívio. Algo muito potente estava naquela água, poderia até arriscar o palpite de que era da piscina da câmara, mas isso era impossível de ter acontecido agora, e Dumbledore também não podia entrar em nenhuma das câmaras.

— O que você pôs nessa água? Eu definitivamente vou querer um pouco! – Abraxas provavelmente estava rindo.

— É uma água diferente, na verdade. Ninguém sabe o que realmente é colocado nela. Mas só funciona com algumas pessoas, comigo não acontece nada. – Era água frequentada por Basiliscos, mas isso era simplesmente impossível. Porém continuei com os meus olhos fechados, aproveitando a sensação de conforto.

— Preciso ver sua mão, Mione. – Abri os meus olhos lentamente. Eu não queria que o Tom ou o Abraxas vissem o que estava escrito ali, mas provavelmente não poderia evitar.

Lentamente tirei a mão direita de dentro das vestes. As palavras, marcadas com a minha própria letra, estavam ainda mais fortes do que da primeira vez, ao seu redor a pele estava azulada. A frase estava marcada em sangue vivo, e ao olhar discretamente para cima, percebi que o Tom e o Abraxas estavam olhando fixamente para as marcas, com os olhos arregalados.

— Quem teve a coragem de fazer isso com você? – Abraxas estava perplexo, sua voz estava baixa e incrédula. Tom parecia tão chocado quanto ele, seus olhos estavam escuros, mas o moreno não me deixou observá-los por muito tempo, porém eu pude ver a raiva passando por ali.

— Eu estava no lugar errado e na hora errada. – Tremi ao perceber que isso não se aplicava apenas as marcas na minha mão, como também às cicatrizes que eu tinha no corpo. – Uma professora que já não gostava de mim, ficou ainda mais irritada quando eu me opus a entregar meus amigos. A pena não tinha tinta, ela escreve com sangue, enquanto eu escrevia no papel, as palavras marcavam nas costas da minha mão. – Era como se eu estivesse lá de novo. – Foram longos dias de detenção.

— A professora enfeitiçou a sala, a Hermione ficou em detenção muito mais tempo do que deveria. – Draco estava com o olhar perdido, provavelmente se lembrava de tudo tão bem quanto eu. Passei a minha mão boa pelo seu rosto, e sorri o encorajando.

— Ela não poderia ter feito isso com você! Praticamente te torturou! – Abraxas falava em seu tom normal, mas parecia a ponto de explodir.

— Tudo bem. Já passou agora. Só é estranho, porque essas marcas haviam praticamente sumido a algum tempo. – Olhei um pouco nervosa para o Draco. – E simplesmente voltaram intactas essa tarde.

Tom não havia dito nada, ele ainda estava tenso, mas a raiva nos seus olhos já havia se dissipado. Ele entendia bem o quanto era estranho as marcas voltarem tão marcantes, o moreno sabia que eu havia sido tratada com veneno de cobra quando cheguei aqui.

Draco pegou outro pano e o umedeceu no pote com água. Assim que ele tocou as costas da minha mão com o pano, novamente senti como se o alívio estivesse passando pela minha corrente sanguínea. Voltei a fechar os meus olhos, absorvendo o máximo daquela sensação.

O loiro conseguiu limpar as marcas sem nenhuma dificuldade, e sem qualquer oposição da minha parte. Quando ele terminou, pegou um frasco com uma pasta azul, a cor me lembrava o corte feito pelo Grün, que ainda latejava no meu peito. Antes de abrir o frasco, Draco colocou luvas nas duas mãos.

— É cicatrizante. – Ele disse enquanto abria o frasco e passava a pasta na minha mão. Devia ser alguma coisa misturada ao veneno do meu Basilisco, já que o loiro tomava cuidado para que não tocasse a sua pele.

— Por que precisa das luvas? – Abraxas estava olhando para a minha mão com curiosidade.

— Sou alérgico a alguns componentes dessa pasta. Se isso tocar a minha pele, fará um estrago. – O loiro sorriu enquanto prendia ataduras na minha mão. – Pronto. Isso provavelmente vai te manter bem por algumas horas. Depois do jantar e de você tomar banho, vou precisar ver novamente. – Draco parecia um médico, sorri para ele.

— Isso! Provavelmente já está na hora do jantar. – Abraxas olhou ao seu redor. O salão comunal estava vazio.

— Deve estar quase começando. – Sempre tive um sexto sentido para os horários de Hogwarts. – Mas acho melhor irmos, antes que ou você ou o Draco, desmaie de fome. – Coloquei minha mão na testa de forma dramática. Os três riram da minha atuação exagerada.

Draco foi para o dormitório guardar seu kit “salva a vida da Hermione” enquanto eu fui para o meu quarto, com um pano umedecido na água especial. Precisava passar a água nas cicatrizes dos Basiliscos, estavam apenas latejando e não doendo como a minha mão antes, mas ainda sim a situação era incômoda.

Meu dormitório estava vazio, as meninas não haviam vindo aqui desde que saíram pela manhã. Fui direto ao banheiro e abri minhas vestes, a sensação de conforto voltou assim que coloquei o pano em cima da cicatriz azul brilhante. Abri o bracelete que havia ganhado da minha mãe, e também passei o pano sobre a cicatriz verde, as duas marcas eram muito chamativas e incomuns para serem tratadas no salão comunal.

Depois de arrumar as minhas vestes e fechar o bracelete, sequei o pano com um feitiço simples e o guardei na minha mala. Com cuidado puxei de dentro da minha roupa o ovo do Grün, tinha uma ideia em mente, e não sei se iria funcionar, mas precisava tentar.

— Oi, Grün. Estou com saudades. Sei que algo grande está para acontecer, e me irrita não saber o que é. Coisas esquisitas aconteceram hoje, mas eu estou bem. Não posso falar com você ou com a Königin, seria muito arriscado. Mas eu estou bem. – Guardei o ovo, novamente bem escondido dentro das minhas vestes. Tinha esperança de que se conseguisse falar e tranquilizar o Grün, o latejamento na cicatriz iria passar.

Saí do dormitório indo para o salão comunal sem pressa. Os garotos provavelmente estavam me esperando, mas estávamos com tempo. Chegando no salão, observei que os garotos já me esperavam sentados em um sofá.

— Até que enfim! Achei que ia começar a passar fome. – Draco estava forçando uma expressão dramática.

— Com o tanto de comida que você armazenou aí no almoço, me admira que você ainda possa sentir fome. – Apontei para a barriga do loiro com cara de desconfiada, como se ele pudesse explodir.

— Eu não comi tanto assim, e tenho metabolismo rápido. – O loiro cruzou os braços e fingiu estar aborrecido. Não pude deixar de rir, ele parecia uma garota.

— Você está parecendo uma garota. – No fim, Tom e Abraxas começaram a rir, e até mesmo o Draco não conseguiu fingir mais.

Andamos pelos corredores conversando sobre coisas comuns, lá fora já estava escuro, mas tanto o castelo como o lado de fora pareciam agradáveis. Abraxas e Draco riam sobre banalidades e andavam alguns passos a frente, enquanto eu andava ao lado do Tom, vendo as tapeçarias e volta e meia olhando para fora. Eu estava fora do ar, com a cabeça vazia. Só voltei ao mundo real, quando senti os dedos do Tom se entrelaçarem nos meus.

O moreno estava andando ao meu lado esquerdo, e desde que saímos do salão comunal conversava com os rapazes ou olhava para o céu como eu. Me assustei quando ele prendeu sua mão na minha, apenas não me esquivei porque já estava acostumada com o seu toque, mas ainda sim procurei pelo seu olhar, tentando entender o porque daquilo. Não éramos publicamente um casal romântico, mas Tom apenas deu de ombros e sorriu para mim quando viu que eu o olhava interrogativamente.

Fomos para o salão principal de mãos dadas e sob os olhares intensos do Abraxas e da maioria dos alunos pelos quais passávamos. Draco apenas sorriu quando percebeu e assim como o outro loiro, nada disse e continuou sua conversa normalmente.

O salão não estava muito cheio, muitos alunos provavelmente estavam nos jardins, ou voltando do passeio a Hogsmeade, mas todos que estavam ali, deram pelo menos uma espiada na garota que estava de mãos dadas com o Tom Riddle.

Sentei na mesa da Sonserina um pouco envergonhada com toda a atenção que estava ganhando. Até mesmo os professores olhavam discretamente para nós. Mas eu me senti um pouco melhor quando Tom pegou a minha mão por baixo da mesa e a apertou, ao olhar para os seus olhos ele sorriu me encorajando.

Jantamos animadamente, já que logo a Dorea e a Cedrella voltaram contando tudo sobre o seu passeio com Charlus e Septimus, e os alunos que haviam visto a minha entrada não estavam mais me encarando descaradamente.

Quando estávamos quase nos levantando para sair do salão, o diretor Dippet bateu em sua taça pedindo silêncio. Ao olhar para ele percebi que estava sério e parecia preocupado. Um calafrio passou pela minha espinha, era a segunda vez que isso acontecia hoje, não poderia ser uma coincidência. Fiquei em silêncio olhando diretamente para a mesa dos professores, eu não havia reparado que todos eles pareciam estar tão tensos.

— Caros alunos e alunas, alguns professores não achavam certo eu falar com todos vocês sobre isso. – O diretor parecia cansado. – Mas devido aos acontecimentos recentes, unanimemente decidimos que devemos informá-los sobre a situação. – Acontecimentos recentes? Eu nem piscava enquanto olhava para o diretor. – Como é do conhecimento da maioria de vocês, pouco antes do natal um aluno da Lufa-Lufa foi atacado e petrificado. – Senti o meu sangue gelar. – Nesta manhã, outro aluno, agora um da Grifinória, foi encontrado na mesma situação, perto da biblioteca. – Me segurei para não demonstrar nenhuma reação e para não emanar nenhum sentimento.

Notas finais
Um capítulo enorme aaaaah