Notas iniciais
Olá, coleguinhas! Primeiramente um muito obrigada enorme para quem comentou o último! Gosto de saber que tem alguém que está lendo e já está gostando! Quero ver se consigo continuar nesse ritmo de postar um capítulo por dia, só não posso prometer, muito menos ter certeza de que horas conseguirei fazer isso! Sem mais enrolações, espero que gostem! :)

Amanhã eu estarei voltando para Hogwarts. Meus livros e penas estão comprados, meu malão está milimetricamente organizado e a roupa que irei usar está estendida em uma cadeira. Tudo parece pronto como em todos os outros anos. E ao mesmo tempo, eu vejo que nada mais será como um dia já foi. Estou até o que poderia se chamar de ansiosa, para o dia de amanhã. Hogwarts é meu lar, o único que sobrou agora. Gosto dos Weasley e da casa do Sirius, mas eles não são como um lar. A casa dos meus antigos pais era, e Hogwarts sempre será. Lá eu voltarei a ter um pouco de segurança e tranquilidade. Poderei pensar e esquecer um pouco de tudo que aconteceu.

Achei que estava pronta outro dia, em que voltei ao Beco Diagonal, mas eu não estou pronta para enfrentar aquilo. Comprar meus materiais foi doloroso, eu me sentia exposta. Mas felizmente nenhum daqueles comensais apareceu. E eu cheguei à conclusão de que não podia viver com medo, mesmo que eu achasse que não mais vivia, não podia deixar que minha essência Grifinória fosse embora junto com aquele ataque, eu já havia perdido muito. Eu iria fazer do quinto ano, o ano do meu renascimento. Continuaria usando meu sobrenome trouxa, pois eles foram durante anos a minha família, mas eu sei que sou uma Black Malfoy, e eles, apesar de não serem corajosos, são frios e astutos. Irei mudar.

Acordei cedo. A manhã parecia nublada, porém o sol parecia que iria sair mais tarde. Não iria conseguir voltar a dormir, então fui tomar um banho. Olhar para meu corpo no espelho me machucava. Eu agora tinha corpo de mulher, magra e curvilínea. Nunca fui alta, mas também não era baixinha. Meu cabelo estava comprido até a metade das costas, eu não tinha mais aquele cabelo armado, agora ele caía em pequenas ondas pelas minhas costas. As cicatrizes em meu rosto eram finas e quase escondidas, os curandeiros haviam se esforçado ainda mais ali para que eu pudesse ter um rosto quase como o de antes, e eu também havia feito cortes mais superficiais naquela região. Havia três cortes em cada bochecha, em sentidos aleatórios e um acima da minha sobrancelha direita, este mais profundo. Eu não tinha olheiras, apesar de ter dormido pouco. Pelo meu corpo, as cicatrizes eram mais profundas e compridas. Em meu braço esquerdo havia uma longa, marcando todo o meu antebraço, exatamente no lugar onde eu sabia que ficavam as marcas do Voldemort. Eu queria me lembrar de que tipo de pessoa havia acabado com a minha vida. Agora eu sempre usava calças, ou saias e vestidos mais compridos, eu não tinha cicatrizes além do joelho, apenas grandes e profundas nas coxas, e pelo meu tronco elas também se espalhavam sem um padrão.

Desci para tomar café depois de um longo banho, todos ainda dormiam então encontrei apenas com Sirius e Lupin, que conversavam em voz baixa. Eles pareciam saber que algo grande estava acontecendo comigo, além da morte dos meus pais. Sempre que eu estava por perto, me olhavam com uma espécie de carinho a mais. Eu não me importava, só não queria identificar pena nos olhos de ninguém, eu não precisava.

— Bom dia, Hermione. – Me disse Lupin. Apenas sorri cordialmente.

— Não se preocupe, ninguém os atacará até a estação e em Hogwarts estarão seguros. O ano será, de preferência, monótono. – Disse Sirius em tom de brincadeira.

Sorri. Eu me sentia tranquila por ninguém notar meu real nervosismo e as causas dele. E também, eu gostava da forma com que esses dois faziam eu me sentir bem.

Tomei meu café em silêncio enquanto os dois conversavam. Eu estava nervosa, provavelmente veria meu verdadeiro pai e meu irmão hoje. Estava nervosa porque Lúcio não sabia quem eu era, mas eu sabia quem ele era. E porque Draco sabia de tudo.

Logo todos acordaram, e enquanto eles tomavam café, eu terminei de arrumar as minhas coisas. Iríamos para a estação protegidos por membros da Ordem. No trem, eu teria de encontrar com os outros monitores e a Professora Minerva.

Ao chegar à estação, percebi o quanto eu sentia falta do meu lar. Como sempre, nenhuma emoção passava pelo meu rosto ou pelos meus olhos, mas eu estava feliz por voltar para casa. Estava me dirigindo ao trem quando vi os Malfoy. Lúcio estava com seu ar arrogante de sempre, ele era muito bonito, tinha que admitir. Observando, vi alguns traços do meu pai em mim mesma, mas agradeci mentalmente por me parecer mais com a Belatriz. Não a achava boa, nem amava o fato de ser sua filha, mas isso me salvava de qualquer suspeita vinda da família do meu pai. Draco percebeu minha presença e se virou encontrando o meu olhar, sua postura não era a mesma arrogante de sempre e seus olhos pareciam mais velhos.

Ao mesmo tempo em que eu o observava percebi que ele também me observava, e ao contrário de todos até agora, ele pareceu perceber imediatamente o vazio em minha expressão e o tom opaco dos meus olhos. Me olhou de forma confusa, mas eu logo baixei o olhar e entrei no trem. Eu não precisava que alguém soubesse, e nem eu, e nem ele precisávamos levantar suspeitas.

Harry ficou chateado por eu e Rony não podermos ficar com ele, mas Rony prometeu ficar com ele depois da reunião, indo os dois juntos guardarem suas malas. Aproveitei o momento para achar uma cabine vazia e colocar a minha mala, ficaria sozinha, já que eu precisava pensar. Fechei a cabine e a tranquei com um feitiço simples, não queria que ninguém me incomodasse quando eu voltasse.

Meu uniforme estava ajustado, a camisa mais justa e a saia mais curta, havia feito os ajustes nas férias passadas e agora parecia ainda mais largo. Me arrumei e fui em direção à cabine dos monitores. Estava caminhando e olhando para fora do trem, quando de repente esbarrei em alguém.

— Desculpe. – Falei imediatamente. Eu ainda estava me acostumando com esse meu novo tom.

— Tudo bem. Oi, Granger. – Reconheci a voz do Malfoy, mas não era seu tom de zombaria comum, parecia mais leve.

— Olá, Malfoy. – Eu não conseguiria falar muito mais do que isso, nem encará-lo nos olhos. O clima entre nós agora era estranho. Não poderíamos mais ser inimigos, eu era irmã e prima dele. E também não era uma sangue ruim, para ele ficar me incomodando.

— Está indo falar com a McGonagall também? – Pelo tom, ele havia chegado às mesmas conclusões que eu. Apenas assenti.

Ele pareceu perceber de novo que algo havia acontecido, pelo jeito que estava inquieto ao meu lado, enquanto caminhamos em silêncio até a cabine dos monitores.

Segundo as instruções da professora Minerva, faríamos as rondas em duplas de diferentes casas. Eu faria dupla com o Malfoy, e Rony com a Ana Abbott. Ele pareceu ficar furioso por eu estar com o loiro, e parecia querer questionar a professora, já que eu sempre fui incomodada pelo Malfoy, mas algo me dizia que a Minerva sabia sobre a atual situação entre eu e o loiro, e resolveu ajudar com a nossa convivência. De qualquer maneira eu não me importava, então olhei para o Rony e apenas neguei com a minha cabeça, e ele milagrosamente entendeu e aceitou, se calando.

Quando a reunião acabou, me retirei rapidamente para a minha cabine, cuidando para que o Rony não me notasse. Ele não me notou e foi atrás do Harry, mas um sonserino loiro me notou. Poucos minutos depois que eu me sentei, alguém bateu na porta. Abri, e dei de cara com o Malfoy.

— Aconteceu alguma coisa, Malfoy? – Perguntei polidamente, característica que sempre estava na minha voz agora.

— Podemos conversar, Granger? – Ele parecia querer tentar esconder sua ansiedade evidente.

— Entre. – Eu não queria conversar, mas acho que no fundo precisávamos.

— Acredito que devido aos recentes acontecimentos, não precisamos mais das formalidades não é mesmo, Hermione? – Essa era provavelmente a frase mais longa que o Draco já havia direcionado a mim, sem me xingar, ou sem tom de zombaria. Ele realmente queria tentar ter uma relação agradável.

— Acho que realmente não é mais necessário, Draco. – No fundo, acho que eu gostaria de ter ele por perto. Ele transparecia segurança. Eu até estava gostando disso.

— Está tudo bem com você? Parece que você não é mais a. – Ele hesitou. – Mesma pessoa. – Completou ao fim.

— Meus pais, bem, meus pais adotivos, morreram em um acidente de carro nessas férias. E dias antes eu fui atacada, com vários cortes, no Beco Diagonal, por ser nascida trouxa. – Aquela era a verdade que todos queriam ouvir, uma história triste que sempre me livrava de mais perguntas.

Mas Draco parecia pensar, ele parecia notar que aquilo não era tudo. Parecia perceber que minha dor vinha sim da morte, mas que a minha indiferença não era comum.

Notas finais
Nem só de capítulos pesados vive o homem, mas espero ver todos vivos aqui para o próximo capítulo! ♥