Força e Vida - Tomione

22 Capítulo 22 - De volta à Hogwarts


Notas iniciais
Bom dia, amorzinhos! Como gostaram do último, espero que também gostem desse capítulo! Estou animada porque estamos voltando para Hogwarts, e porque tenho muita coisa planejada para essa fase hihihi

Eram sete horas da manhã. Eu havia acordado para, mais uma vez, conferir se tudo estava dentro do meu malão. Desci da minha cama e fui até ele, que estava no chão, perto do armário. O abri, dentro havia meus uniformes bem arrumados em uma pilha, minhas roupas trouxas em outra, e pijamas em outra. Por baixo, estavam minhas roupas íntimas e meias, pelo meio estavam os livros e materiais que eu havia comprado, e os livros e ingredientes que o Dumbledore havia colocado ali, estavam na bolsa com feitiço de extensão, que eu agora havia conjurado em uma mochila de pano marrom, para que eu pudesse usar em Hogwarts. Meus sapatos estavam em bolsões por dentro da tampa do malão. Tudo parecia estar aqui, e provavelmente estava, já que eu estava conferindo pela quinta vez.

Depois de conferir de novo, peguei um vestido azul escuro liso, que era justo até minha cintura e depois ficava levemente rodado, um casaco fino branco, uma sapatilha branca, e roupas intimas. Fui então em direção ao banheiro para tomar banho. Depois que terminei de me arrumar, peguei minha bolsa de banheiro com todos os meus pertences dentro, e levei para guardar na mala também, junto com o pijama que havia usado na noite passada. Guardei tudo e fechei o malão.

Eram oito horas e eu já estava pronta, sairíamos daqui apenas às nove e quarenta. Olhei para os lados e vi que os meninos ainda dormiam profundamente. A mala do Tom estava perfeitamente organizada e aberta nos pés da sua cama, por cima eu podia ver o distintivo de monitor da Sonserina. Já a mala de Draco estava uma bagunça, balancei a cabeça e resolvi organizá-la. Em quinze minutos a mala dele já estava organizada, suas coisas de banheiro arrumadas em cima da pia, para que ele se lembrasse de pegá-las, e eu havia escolhido uma roupa para ele e a colocado em cima da sua mala fechada. Depois de satisfeita com tudo, e depois de rever mais uma vez se não havia esquecido nada no armário, na escrivaninha ou embaixo da cama, chamei a Esme e desci para tomar café.

Eram apenas oito e vinte e todas as crianças ou já haviam ido para a escola, ou estavam dormindo, eu podia andar livremente com a Esme pelos corredores. Pedi para que ela me esperasse no jardim e fui tomar café.

Depois de comer, mais do que eu comia ultimamente, fui em direção ao jardim dos fundos. O dia estava muito bonito, mesmo sendo apenas oito e quarenta da manhã o céu já estava claro e ensolarado. Encontrei com a Esme atrás da nossa árvore de sempre.

— Sentirei sua falta, Esme. – Eu estava triste por ter que deixá-la.

— Eu chamaria muita atenção em Hogwarts, e esse ano nós duas sabemos que grandes coisas estão para acontecer lá. Você saber falar comigo e me ter, levantaria suspeitas. – Eu havia me esquecido completamente de que esse era o ano em que a Murta seria assassinada pela Königin.

— Tinha me esquecido o quanto esse ano seria importante. – O ano seria mais complicado do que eu esperava.

— Você estará segura. – Isso sem dúvida era verdade.

— Mas Draco não estará. – E isso me assustava.

— Draco é sangue puro, e você pode protegê-lo. – Sim, eu faria de tudo para manter o loiro a salvo.

— Se eu precisar. – Por um momento eu quase disse “ir embora”. – De algo, acharei uma forma de te chamar.

Quando eu voltasse para o meu tempo a levaria comigo, ela havia se tornado minha única amiga verdadeira aqui.

— Tudo bem, agora vá.

Nos despedimos, e eu entrei para o orfanato sem olhar para trás, isso não seria um adeus. Decidi parar um pouco perto da porta, para pensar e me recompor antes de ir atrás dos rapazes. Depois de um tempo, decidi que era hora de seguir em frente.

Quando cheguei perto do refeitório, vi o Draco e o Tom já arrumados indo em direção a ele. Eles conversavam animadamente, por um momento só os observei, até que os dois notaram a minha presença.

— Está tudo bem, Mione? Vamos sair daqui à meia hora. – Draco estava preocupado. Provavelmente minha cara não estava das melhores.

— Vou sentir falta da Esme. – Minha voz era neutra, mas deixei que um pouco de emoção transbordasse, para que não fosse mais questionada.

— Podemos vir para cá no natal se quiser. – Draco provavelmente iria querer ver a Elisa.

— É, talvez. – Eu não estava exatamente animada para isso, me sentiria melhor em Hogwarts.

Antes que o Draco ou o Tom pudessem falar mais, a Elisa apareceu e os chamou para tomar café com ela. Draco foi todo sorridente, e Tom antes de entrar no refeitório, rolou os olhos para mim. Sorri com o seu gesto.

Sairíamos dentro de cinco minutos. Nossas malas já estavam no saguão e eu e o Tom esperávamos enquanto Draco se despedia da namorada. Depois de muitas juras de amor piegas, finalmente conseguimos sair. No caminho para a estação eu e Tom fomos falando sobre o relacionamento do Draco, só para nos distrair um pouco. Ríamos do fato deles serem tão doces.

Ao chegar à estação, atravessamos para pegar o expresso de Hogwarts. Tom nos foi explicando tudo e nós fomos fingindo que não havíamos feito aquilo nos últimos quatro anos. Ver o expresso me deixou tão deslumbrada quanto quando vi o antigo Beco Diagonal. Tudo era muito bonito nesse tempo, parecia mais colorido.

Logo depois que chegamos nos separamos do Tom. Ele provavelmente queria ver os amigos e precisaria ir até o vagão dos monitores quando o trem partisse. Ele estranhou um pouco, mas eu e Draco não queríamos começar a fazer amizades agora, por mim eu não as faria nunca e o Draco parecia desanimado por saber que ficaria longe da Elisa.

Procuramos uma cabine vazia, achamos uma no final da parte da Sonserina, guardamos nossos malões e nos acomodamos. Dessa vez não peguei um livro, peguei apenas uma manta. Me sentei de frente para a janela, com os meus pés nos acentos do meu lado, me cobri com a manta e olhei para o Draco. Ele olhava pela janela.

— Você está bem? – Eu estava preocupada com ele.

— Vou ficar, maninha. – Ele disse a última parte bem baixo e sorriu. Sorri para ele.

— Qualquer coisa, pode falar comigo. – Estaria disposta a ouvir os seus problemas, e isso ultimamente era raro.

— Obrigado. Pode dormir, ficarei bem. Te chamo quando for para se trocar. — Apenas assenti e virei para o outro lado, cobrindo até a minha cabeça. Minha sapatilha estava no chão e o casaco no último banco do meu lado. Dormi assim que me acomodei.

— Ela está bem? – Ouvi bem baixo, mesmo falando tão baixo, para talvez não me acordar, eu sabia que era o Tom. Continuei no meu canto, fingindo que dormia.

— Acho que está, ir para aula fará bem a ela, sempre faz. – Eu sabia que Draco estava sorrindo no fim da frase.

— Você parece preocupado. – Tom também parecia preocupado em seu tom de voz.

— Tenho medo que ela seja selecionada para uma casa que a deixe longe de mim, ou que sofra mais, já a vi sofrendo demais. – Draco tinha uma voz sofrida. Tenho que aprender a esconder melhor o que eu sinto. Não queria que todos ficassem sempre vendo a minha dor.

— Não vamos sair do lado dela, nem que ela vá parar na Grifinória, não se preocupe tanto. – Mesmo que não achasse que o Tom era verdadeiro e que nas horas mais importantes realmente estaria lá, era bom ouvir isso.

As chances de eu ir para a Grifinória eram grandes, eu sabia que essa era a preocupação do Draco.

— Quer comer algo? O carrinho de doces logo estará aqui. – Tom estava tentando melhorar o clima.

— Acho que vou pegar algo, e pegar algo para a Mione, caso ela acorde com fome.

— Que horas que ela dormiu? – Tom parecia preocupado.

— Está dormindo desde que saímos. – Draco parecia desconfiado, quase ri e entreguei a minha situação.

— Deve ter dormido mal à noite. – Ouvi Tom dizer bem baixo, era apenas um pensamento alto.

Ouvi os dois saírem da cabine. Eu ainda estava com sono e não tinha fome, resolvi voltar a dormir. Me ajeitei melhor, deitando em cima do meu casaco e virada para o tecido do banco, logo estava dormindo de novo.

Draco me acordou quando estávamos bem perto, disse que era hora de eu me trocar, e saiu da cabine enquanto eu trocava de roupa. Meu uniforme era comprido como o da época, só a saia de cintura alta era mais justa em cima e a camisa também havia sido ajustada, já que eu era bem mais magra do que jamais havia sido. Coloquei a capa, os sapatos e abri a porta para o Draco entrar.

— Ficou muito bem no uniforme. – Ele sorria levemente com a nossa piada de época interna. Todos precisavam pensar que eu nunca havia visto esse uniforme, e realmente eu ficava melhor neste do que no do nosso tempo.

— Gostei porque é comprido, e não muito quente. – Sorrimos de novo. Conhecia de perto o uniforme de Durmstrang graças ao Vítor.

— Estamos chegando, sigam os alunos do primeiro ano. – Era o Tom entrando em nossa cabine. Assim que colocou os olhos em mim, sua expressão neutra pareceu falhar um pouco.

— Está bonita, Hermione. – Aquilo me pegou de surpresa e pelo jeito a ele também. Draco apenas sorriu presunçoso.

— Obrigada, Tom. – Sorri levemente. Ele também estava muito bonito, as cores da Sonserina combinavam com ele.

Pare.

Chegamos e nos dirigimos aos barcos que os alunos do primeiro ano utilizavam, senti falta do Hagrid nos aconselhando. Se tudo desse certo, eu impediria que ele se tornasse guarda-caça ou pelo menos impediria que ele perdesse a varinha.

A noite estava clara, e o lago como sempre, magnífico. Eu não precisava fingir para ficar maravilhada com tudo aquilo. Dentro do castelo tudo parecia com a nossa época, mas as coisas eram mais novas do que no futuro. Segundo Dumbledore, seríamos selecionados após os alunos do primeiro ano.

Quando entramos no salão principal, meus olhos tentaram absorver tudo, todas as semelhanças com o futuro, e pararam no céu encantado. Eu lembrava que em meu primeiro dia, aquilo havia sido o que mais me chamara atenção, e agora depois de tanto tempo, ainda era o que mais me encantava na magia, o fato de coisas tão belas poderem ser feitas. Segui para o meio do salão ainda olhando discretamente para o céu.

Quando chegamos, eu e o Draco ficamos mais para a esquerda, apenas esperando pacientemente. Ouvimos alguns avisos do diretor Dippet e então o chapéu começou a recitar.

Nada no mundo é concreto, tudo é relativo.

O tempo que tanto achavam que era fixo,

Mostrou-se relativo apenas por uma simples coisa,

Escolhas.

Nossas escolhas mudam tudo a nossa volta,

Até mesmo elas mudam, mas ainda comandam todo o resto.

Cuidado com suas escolhas criança,

Chegará o momento que precisará escolher com o coração.

Não deixe sua inteligência te guiar em tudo.

Toda qualidade é importante, mas tem sua ruína.

Nem toda coragem, salva alguém ou a si mesmo.

Nem toda a inteligência, nos livra da maior enganação de todas, a morte.

Nem toda lealdade, é segura e firme.

Nem toda astúcia, te traz bons frutos.

Cuidado criança, escolha bem.

Eu ainda tinha a música que havia ouvido no começo do meu quinto ano na cabeça, essas duas eram provavelmente as canções mais especulativas que eu já havia ouvido do chapéu, e essa principalmente, parecia ser um grande alerta para algo importante que estaria por vir.

A seleção dos alunos novos ocorreu tranquilamente, exceto pelo fato que nessa época o chapéu falava abertamente para todos ouvirem. Apenas não se ouvia o pensamento da pessoa que estava ali. Quando chegou mais perto da minha seleção, comecei a pedir a Merlin para que o chapéu não falasse tudo o que pensava. Com todas as crianças já acomodadas, agora todos os olhares curiosos estavam sobre nós, era a hora da verdade.

Notas finais
Não é que eu amo só quem comenta, mas para quem comenta saiba que eu amo vocês muito mais! u.u