Força e Vida - Tomione

23 Capítulo 23 - Um novo lar


Notas iniciais
Bom dia, fofoletes! Não, eu não estou tão animada quanto aparento, estou um pouco cansada até, mas estou em casa então né! Um dos momentos que todos esperavam está para acontecer nesse capítulo então, espero que gostem! :D

— Caros alunos e alunas, esse ano teremos no quinto ano a presença especial de dois alunos, Draco e Hermione Black. Eles eram alunos do Instituto Durmstrang, mas por questões familiares precisaram vir para Hogwarts. Eles serão selecionados agora para suas casas, espero que sejam bem recebidos. – Falou o diretor Dippet.

Então o professor Dumbledore chamou o Draco. Ele se sentou no banquinho e recebeu o chapéu em sua cabeça.

— Interessante e promissor. Não se preocupe tanto com as coisas meu jovem. SONSERINA. – Sorri, eu não esperava nada menos do meu irmão. A mesa da Sonserina, que ficava na extrema esquerda do salão, explodiu em aplausos.

Agora Dumbledore chamou a mim. Eu estava nervosa, mas não tanto quanto na minha primeira vez. Me sentei e recebi o chapéu, fechei os meus olhos para não olhar para todos e me mantive em silêncio.

— Difícil, especialmente difícil. Mesmo marcada por profundas maldades é forte, incrivelmente forte. É leal como uma lufana, e corajosa como uma grifinória, estaria muito bem nessa casa por sinal. Inteligente, oh sim, muito inteligente, se daria muito bem entre os corvinos. Mas seu sangue fala muito alto. Sempre foi astuta, mas não podia ser entregue antes. Uma herdeira, sim posso ver. Estará muito bem onde vou colocá-la. SONSERINA. – Eu estava em choque, mas não demonstraria isso, mais tarde pensaria sobre.

— Só mais uma coisa querida, – O chapéu falou, agora apenas para mim. – Sua mãe se vingou de quem fez com você o que fez. Boa sorte. – Ele falou tudo isso muito rápido, para ninguém perceber, mas eu entendi muito bem.

Minha mãe estava sabendo. Isso não podia ser bom. Eu não queria pena de ninguém. Me movi mecanicamente até a mesa que ainda me aplaudia, me sentei ao lado do Draco e notei que na frente dele estava o Tom, mas nada me importava, eu estava em transe pelo que havia ouvido no fim.

Tentei sorrir educadamente para todos que sorriam para mim, eles provavelmente queriam conversar, mas nesse momento, Dippet começou o seu discurso antes do jantar. Pude ficar neutra.

— O que aconteceu? – Draco me perguntou bem baixo, perto do meu ouvido. Eu olhava para um ponto fixo na mesa. Minha mão tremia levemente, ele percebeu e a segurou com força.

Apenas neguei com a cabeça, eu provavelmente não conseguiria falar. Podia sentir que o Tom olhava fixamente para mim, mas eu só me sentia a deriva. Era muita coisa para suportar.

Durante o discurso do diretor aproveitei para me estabilizar após o susto. Draco olhava para o diretor, mas ainda segurava a minha mão, e o Tom, de tempos em tempos, olhava na minha direção. Quando o jantar foi servido, eu já estava melhor, estava pelo menos pronta para lidar com a curiosidade das pessoas, afinal de contas, eu e o Draco éramos os brinquedos novos.

Até o fim do horário do jantar, descobri que a menina simpática sentada ao meu lado era Dorea Black, a futura avó do Harry, já que ela namorava com Charlus Potter, da Grifinória. Também descobri que o loiro sentado ao lado do Tom era Abraxas Malfoy, avô do Draco e por consequência, meu avô. Ele era o primeiro Malfoy que eu realmente conhecia além do Draco, era bonito e frio, demonstrava uma arrogância que eu reconhecia em meu irmão às vezes. E parecia ser bem amigo do Tom, já que os dois conversavam com certa frequência e isso não era comum quando se tratava dele. Também conheci Cedrella Black, que estava sentada ao lado da Dorea, era sua prima, e também namorava um grifinório, Septimus Weasley.

Ver ele e Charlus me fez sorrir, eu estava conhecendo os avós dos meus melhores amigos, vendo a semelhança deles com os seus netos, o que me fez sentir falta dos rapazes. Septimus era ruivo, como todo Weasley, e Charlus tinha os cabelos e a personalidade tímida do Harry, que era contrastada com a animação da Dorea.

As meninas me explicaram tudo sobre Hogwarts, em talvez cinco minutos, já que a animação de ter uma nova colega de quarto era gigante. Depois de Charlus e Septimus já terem se aproximado, foi à vez de eu conhecer sua melhor amiga, a capitã do time de quadribol, do qual os rapazes eram apanhador e goleiro, Minerva McGonagall.

Ela parecia com a minha professora, mas possuía um sorriso constante no rosto e momentos zombeteiros, que eu não esperaria muitas vezes da sua versão mais velha. Além do mais, percebi que Abraxas olhava para ela diferente da forma que olhava para outras garotas, e havia se calado assim que ela se aproximou. Quando notei, olhei para o Tom e rolei os meus olhos na direção dos dois, ele apenas sorriu levemente, olhando para longe para que ninguém notasse que estávamos nos comunicando, e deu de ombros.

Depois disso, notei que ao lado do Tom e do Abraxas, havia apenas rapazes, e todos eram silenciosos e cautelosos em suas conversas, possuíam expressões frias como a de Abraxas antes. Futuros comensais provavelmente. Eu teria que descobrir se o Tom já tinha o seu grupo formado e marcado, se esse fosse o caso, precisaria proteger a mim e ao Draco.

Quando o jantar terminou totalmente, Tom junto com a Dorea, que também era monitora, assim como Minerva e Charlus, conduziriam os alunos novos para o salão comunal. Eu estava me juntando a eles quando Draco disse no meu ouvido:

— Eu poderia nos guiar para lá de olhos fechados, mas acho que isso não seria a minha melhor ideia, não é mesmo? – Tive que rir naquele momento. Nossas piadas internas demorariam a acabar.

Seguimos em silêncio, já que ao contrário dos novatos, apenas estávamos matando a saudades dos lugares do castelo. Provavelmente o fato de eu ter tido acesso ao mapa do maroto seria bem útil agora, já que provavelmente todas as passagens ainda estavam intactas. Sorri com o pensamento, eu havia mudado até a minha forma de ver esse tipo de quebra das regras.

Descemos as escadas na lateral oposta de onde eu subia para ir a Grifinória, andamos por um tempo por corredores, que apesar de frios, eram até aconchegantes. Paramos em uma parede lisa no fim do corredor e Tom disse a senha:

— Sangue puro. – Reverei os meus olhos com o fato daquela senha ser tão ridiculamente óbvia.

Ao entrar me surpreendi. O salão era tão, ou até mais bonito, que o da Grifinória. Tudo tinha detalhes em verde e prata, havia pinturas encantadas nas paredes que eram feitas de fios de prata em fundos verdes. Havia mesas para estudo pratas com cadeiras verdes, e era um lugar muito aconchegante, eu sabia que estudaria ali por horas. Também havia enormes sofás pratas e tapetes verdes felpudos, que pareciam muito confortáveis e macios. Mesmo sendo uma masmorra, não era totalmente fria, e também não tinha cheiro ruim ou sensação de abafamento. Magia realmente era algo incrível.

— Ai, ai, senti saudades. – Disse Draco baixinho.

Depois de um banho demorado em meu novo banheiro, incrivelmente grande para apenas três garotas e organizado para nos receber. E depois de colocar um pijama bem confortável e analisar meu novo e magnífico quarto, com minha cama totalmente verde prata e meus uniformes, comecei até a gostar da cor verde. Tudo era bonito. Depois de tudo isso, deixei Dorea e Cedrella e desci as escadas para o salão comunal. Ele estava quase vazio e Draco já me esperava jogado em um sofá. Ele abriu os braços e eu corri e caí em seu colo. Rimos da atitude infantil por um momento. Então Draco me ajeitou para que eu me sentasse de frente para ele, ficamos olhando um para o outro por um momento.

— Gostou daqui? – Ele não podia falar muito alto, as pessoas não podiam ouvir isso.

Apenas assenti com a cabeça.

— Tinha medo de que você não viesse para cá. – Ele parecia aliviado, eu também estava um pouco, por poder ficar perto dele.

— Vou sentir falta de casa, mas não sabia que aqui poderia ser um bom lar. – Eu mantinha minha voz ainda mais baixa do que a dele, mas eu sabia que ele podia me ouvir.

— Estará protegida no ninho, sempre protegemos os nossos. Ainda mais eu. Não deixarei que nada aconteça com você. – Ele sorria para me passar confiança.

— Nem eu com você. – Sorri.

Ficamos por um momento apenas sorrindo um para o outro e aproveitando a paz de estar novamente em casa, mesmo que longe de nossa época e de nossos amigos, Hogwarts sempre seria Hogwarts. E era o único lar que eu tinha.

— Sente falta de casa? – Eu me preocupava que ele sentisse muito, ou se arrependesse de ter vindo.

Ele pareceu pensar por um momento.

— Um pouco, mas as coisas estavam difíceis ultimamente. – Ele parecia sério. Naquele momento pensei que talvez a minha mãe realmente nos mandou não apenas por mim, mas porque algo poderia acontecer com ele no futuro. – E você? — No momento que ele perguntou, fez uma careta. Não entendi sua reação.

— Esse é meu único lar, há um certo tempo. – Falei aquilo quase que sem um pio, era perigoso contar isso alto. Mas ele me ouviu e pareceu entristecer. — Não se preocupe, eu me acostumei. – Sorri sinceramente para ele, era a verdade, eu havia mesmo me acostumado.

Ele me observou e então me abraçou. Não notei que o Tom nos observava o tempo todo, do outro lado da sala. Ele não poderia ouvir, mas poderia ver as emoções ali presentes.

Depois de um tempo decidi que era hora de ir me deitar, porque amanhã seria o começo de uma nova Hogwarts, um novo ano, em uma nova casa. Eu teria de sobreviver entre as cobras, e essa ideia me fazia sorrir, afinal de contas, nenhuma cobra podia me machucar. Não fisicamente pelo menos.

A noite foi sem sonhos ou pesadelos, foi apenas um espaço vazio entre a escuridão e o próximo dia. Acordei bem cedo, o quarto ainda estava escuro e as meninas ainda dormiam profundamente. Eu sabia que não conseguiria voltar a dormir, e tinha certeza de que se tentasse, os pesadelos poderiam voltar, então resolvi levantar e me arrumar. Iria em silêncio até a sala precisa, já que ir a câmara seria muito perigoso e arriscado.

Levantei, peguei meu uniforme e fui em direção ao banheiro. Tomei um banho relaxante, coloquei minha camisa, minha saia, meus sapatos e minha gravata. Eu tinha que admitir que ficava bem com as cores da Sonserina e que com a saia de cintura alta aparentava estar ainda mais magra, mas ainda tinha belas curvas e boas proporções. Já estava ficando com dor de cabeça só de pensar nos foras que teria que dar, eu não seria o novo objeto dos rapazes.

Quando terminei de me arrumar, fui até o meu armário. Já que cada uma no quarto tinha o seu próprio, que pelo tamanho, poderia ser usado por duas a três pessoas. Abri o meu malão, que estava guardado em uma das prateleiras mais baixas, eu havia deixado guardado ali os pertences pessoais extras que Dumbledore havia mandado, em uma caixa de madeira escura que estava escondida em um compartimento secreto do malão. Eu havia achado o esconderijo no orfanato e ainda não tinha tido tempo de pensar sobre isso. Resolvi que era uma boa hora para descobrir o que havia ali.

Sentei na minha cama com as pernas cruzadas e a caixa na minha frente, observei que ela não possuía fecho, mas em sua tampa estava entalhado em dourado a seguinte frase:

Diga-me quem é você, talvez para ti eu possa abrir.

Notas finais
100 pontos para a Sonserina! O que será que vem por aí?