Força e Vida - Tomione
19 Capítulo 19 - Todos mudam
Notas iniciais
Mas nenhuma dor veio. Pelo contrário, de repente senti mãos firmes me segurarem pela cintura e me puxarem para cima, me deixando em pé perto de um corpo quente. Senti um perfume, era leve e masculino. Muito bom. Mas não era o do Draco e se não era o dele. Abri meus olhos, estava nos braços do Tom, e ele parecia estar tão assustado com isso quanto eu. Seu toque era muito bom, mas me machucava.
— Obrigada. – Disse sinceramente, saindo dos seus braços.
— De nada. – Ele parecia confuso.
Saímos do quarto, com um Draco nos fuzilando profundamente com seu olhar. Mas ele não disse nada, sabia que não adiantaria tentar perguntar algo. E sabia que se perguntasse não obteria nenhuma resposta.
Então fomos em direção ao refeitório em silêncio, eu de cabeça baixa sem olhar para nenhum dos outros dois. Chegando lá, Draco foi sentar com a Elisa que já o chamava, logo depois de pegar sua comida. Eu me enrolei mais pegando para não precisar sentar perto deles, queria me sentar sozinha, como fazia ultimamente.
Vi que o Draco e o Tom me observavam enquanto eu me sentava o mais longe possível deles. Tom estava sentado de frente para Draco e este estava sentado do lado de Elisa. Os dois trocaram um olhar quando me viram sozinha, mas nada disseram. Provavelmente achavam que eu não vi. Eles pareciam preocupados, mas eu precisava do meu espaço de vez em quando. Olhando discretamente para eles, notei o quanto pareciam amigos.
Eu quase não passava um tempo com o loiro, e não havia percebido antes como os dois conversavam naturalmente e pareciam cúmplices quando se tratava da minha pessoa. Eu tinha agora um mês para me aproximar mais dos dois, se não teria apenas o Draco em Hogwarts, e como eu não sabia o quanto Tom já estava avançado em seus planos, não sabia se iria precisar me camuflar para me esconder dos amigos dele, eu não era mais uma nascida trouxa, mas também não concordava com os ideais que a minha família acreditava.
Desde que perdi meus pais, comecei a aceitar que eu tinha uma família bruxa, não era mais fácil sem meus pais adotivos, mas teria sido mais difícil se eles estivessem presentes quando tudo aconteceu. Agora, depois de vários meses, eu estava mais estável em relação aos primeiros dias, e se eles tivessem me visto sem vida, teriam me levado a um psicólogo trouxa que teria descoberto tudo.
Não agradecia por suas mortes, jamais pensaria assim, mas eu também não sentia emoções muito profundas depois daqueles dias. Parecia que toda e qualquer dor que eu poderia ter sentido no mundo, veio em uma dose só, e agora não havia sobrado espaço para nada. Nem felicidade, nem tristeza, só vazio. Eu entendia que continuava vivendo, mas não lutava para buscar amor ou carinho de alguém.
Já havia pensado nisso inúmeras vezes, e nada mudava o que eu sentia, pensar nisso não mudava o fato de que eu não voltaria a ser o que era. Decidida a parar de pensar nisso de uma vez por todas, terminei de comer e levantei para sair do refeitório. Vi que os olhares do Draco e do Tom caíram sobre mim assim que me levantei, mas não me importei, eu iria para o jardim, ficar um pouco com a Esme.
Chegando ao jardim dos fundos, me sentei em um canto silencioso e escondido atrás de uma árvore, fechei meus olhos e senti o cheiro das plantas ao meu redor, aquilo me acalmava.
— Parece tensa, Hermione. – Era Esme, ela vinha rastejando em minha direção até ficar na minha frente. Se levantou até ficar na altura do meu rosto.
— E estou, Esme. – Conversar com ela também me acalmava, porque não era difícil.
Ela não me questionaria sobre o meu passado, nem perguntaria sobre o fato de eu estar sempre sozinha. Ela entendia o meu silêncio e minha frieza, afinal de contas era uma cobra.
— Estará bem segura em Hogwarts, e até lá estarei aqui para ajudá-la. – Isso realmente me confortou, diferente das palavras do Tom, porque eu sabia que ela estaria aqui.
— Eu sei. Só às vezes me estresso com o que me tornei. – Nem eu sabia que aquilo estava dentro de mim, mas era verdade.
— Por quê?
— Porque eu mudei para algo que antigamente julgaria impossível. – Eu era uma grifinória leal e forte ao lado de seus amigos. E aquilo havia sido tirado de mim.
— Os seres humanos são interessantes. Vocês lutam para longe da dor com todas as suas forças, não deixam que a dor os machuque até sair, vocês lutam. – Ela esperou para que eu entendesse o que queria dizer. – Você não lutou no início, foi destruída, marcada com uma dor profunda demais para apenas uma jovem de 15 anos aguentar, marcada de uma forma que ninguém merecia ser marcada. Você sentiu a dor, você sentiu o fim, mas você lutou depois, lutou muito e batalhou. Ninguém conseguiria se recuperar da forma que você se recuperou. Qualquer pessoa teria sequelas profundas. Você mudou, e isso era de se esperar, seu corpo repele qualquer coisa que a leve a aquela dor de novo. Então não se culpe por mudar. Esqueça isso, tente viver com o que você tem. Tem amigos que te protegem e tem uma família que apesar de diferente te ama. – Enquanto ela falava algumas lágrimas caíram pelo meu rosto. Eu não choraria, sempre impedia minhas lágrimas, mas aquilo era demais para eu ouvir.
— Obrigada, Esme. Você sempre sabe o que me dizer. – Sorri levemente.
— Um dia vai haver alguém que faça com que esse sorriso lindo, volte a chegar aos seus olhos. – Sorri mais.
— Quem sabe, Esme.
Levantei e fui em direção ao orfanato. Sempre de cabeça baixa, subi as escadas até o quarto e fui tomar banho. Depois de um longo banho relaxante, subi para a minha cama e me deitei. Não estava com fome para ir para o jantar e não queria ficar acordada pensando. Adormeci assim que deitei a minha cabeça no travesseiro.
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