Força e Vida - Tomione
18 Capítulo 18 - Dumbledore
Notas iniciais
Os dias foram passando, já fazia um mês que eu estava aqui com o Draco. Os dias eram comuns, eu passava a maior parte do tempo sozinha com Esme em algum canto, ou então na enfermaria visitando o Leonard, agora cuidava para aparecer mais nas refeições e começava a me preocupar com o fato do Dumbledore ainda não nos ter procurado. Draco estava sempre atrás da Elisa e eu sempre o motivava a isso, queria ele feliz e não me importava de perder sua companhia para isso. Tom estava estranho como sempre, depois daquela noite que o ouvi falar, tentei me aproximar dele e ao mesmo tempo esconder a minha vida. Mas ainda não éramos amigos, apenas conversávamos e nos cumprimentávamos quando passávamos um pelo o outro, quando nossos olhares se cruzavam no refeitório ou então quando nos encontrávamos na enfermaria, lugar que ele frequentava mais do que eu.
Tudo comum, até esse dia. Eu estava no refeitório tomando café, longe do Draco, já que apesar de eu gostar da garota que ele escolheu, eu não conseguia ficar perto de casais. Comia tranquilamente quando notei o Tom entrando no refeitório, ele parecia meio confuso e desconfiado, veio em passos rápidos até mim.
— Sra. Cole me pediu para chamar você e o Draco para a sala dela. – O que isso significa?
Apenas assenti para ele e me levantei. Fomos em direção ao Draco e Tom falou a ele o que havia me falado. Trocamos um breve olhar e seguimos para a sala dela. Batemos e entramos os três.
— Hermione e Draco, esse senhor veio ver vocês e entregar uma proposta. – Ela indicou o homem a sua frente.
Ele era jovem, e usava roupas levemente incomuns para um trouxa. Tinha barba e cabelos meio ruivo meio castanho, e olhos incrivelmente azuis. Era Alvo Dumbledore.
— Professor Dumbledore? – Disse Tom com uma voz quase vazia, sem olhar para ele pude sentir sua perplexidade e curiosidade.
— Olá, Tom. Estou aqui para convidar esses dois jovens para ingressarem em nossa escola. – Alvo sorriu amigavelmente.
— Bem acho melhor, deixá-los a sós. – Sra. Cole indicou para Tom para que os dois saíssem. Ele parecia meio relutante, mas aceitou.
— Abaffiato. – O professor Dumbledore era mais precavido nessa época.
— Senhores, seus nomes apareceram na lista escolar de onde eu trabalho. Vim convidá-los para estudar lá. Algo me diz, por suas idades, que vocês já sabem o que são, e que já foram instruídos do que fazer com sua magia.
— Eu tenho uma carta para o senhor, professor. – Ele parecia curioso agora.
Fui até ele, e lhe entreguei a carta. Ele pareceu considerá-la, então a abriu e começou a ler. Estranhamente, em nenhum momento, ele pareceu se surpreender com alguma coisa. No fim de sua leitura, apenas sorriu.
— Acho que a senhorita já deve ter pensando em algo, não, senhorita Black? – Como ele podia saber que eu havia lido a carta? Mas agora isso realmente não interessava muito.
— Pensei em dizer que somos primos, filhos de integrantes da família Black que fugiram para se casarem com as pessoas que realmente amavam. Somos puros-sangues, e estudávamos em Durmstrang, até o dia em que fomos atacados por seguidores do Grindelwald, nossos pais sumiram e antes disso nos mandaram para um lugar qualquer, parando aqui. Não sabemos o que fazer, não temos notícias dos nossos pais, e nossa antiga escola tem muitos seguidores dele. Então decidimos tentar ficar em Hogwarts, onde dizem ser um dos lugares mais seguros do mundo bruxo. – Havia pensado sobre isso nos últimos dias.
— Muito bem, senhorita Black. Vou providenciar históricos de Durmstrang, e memórias para que vocês saibam um pouco mais sobre a escola que estudavam. Peço que esperem aqui um minuto. – Dito isso ele desaparatou.
Esperamos por mais ou menos quinze minutos, quando Dumbledore aparatou novamente.
— Aqui estão, os históricos ficam comigo, e agora peço que vejam as memórias. – Ele conjurou uma penseira e colocou pequenos fios prateados que estavam em frascos.
Tanto eu quanto Draco mergulhamos na penseira, e recebemos memórias da forma de ensino em Durmstrang. Poderia resumir bem a escola em poucas palavras. Frio, preconceito, rigidez, determinação. Parecia ser uma escola incrível, mas bem puxada.
— Acho que assim estarão prontos. Para mostrar que não conhecem o beco diagonal, irei pedir para que Tom os leve lá daqui a algumas semanas, para que vocês possam comprar seus materiais. As aulas começam no dia primeiro de setembro. E vocês serão selecionados com as crianças do primeiro ano. Alguma pergunta? – Não conseguia acreditar que tudo estava sendo tão facilmente organizado.
Apenas negamos com a cabeça.
— Então vou falar com o senhor Riddle, tenham um excelente fim de férias, até mais. – E tão rápido quanto havia sido toda essa conversa, ele retirou o feitiço da sala e saiu para se encontrar com o Tom.
Eu e Draco ficamos ali mais um tempo pensando no que faríamos. Sabíamos que teríamos de ter cuidado com o que falássemos para o Tom a partir de agora, cuidado para que não fôssemos atacados e para não sermos descobertos.
Apesar de todos os problemas que teríamos de enfrentar até irmos para Hogwarts, eu estava aliviada por ver e poder confiar em Dumbledore novamente, não estávamos mais sozinhos, e só precisaríamos ficar mais alguns meses. Não queria voltar para a minha realidade, enfrentar Voldemort e a minha família, mas eu não poderia ficar para sempre aqui também. Não era meu tempo e mesmo meus amigos não sabendo onde eu estava realmente, nem eu estando do lado deles como ficava antes, eles eram meus amigos e eu os amava. Tudo daria certo, era assim que eu devia pensar.
Depois de ficarmos perdidos em nossos pensamentos por um tempo, Draco me olhou nos olhos, suspirou e sorriu. Precisaríamos ficar juntos mais do que nunca. Nos abraçamos e decidimos que era hora de enfrentar o que nos esperava lá fora. Desvencilhamo-nos e fomos em direção à porta.
Lá fora, Dumbledore conversava com Tom perto da porta do orfanato. O professor como sempre estava calmo e com um sorriso leve, já Tom eu podia ver que tentava esconder totalmente suas emoções em uma expressão suave. Mas seus olhos o traiam, ele parecia curioso e até meio ansioso.
Draco me disse que iria passear pelos jardins, provavelmente ia ver Elisa, ele parecia tenso e sério. Disse-me que se precisasse de algo, estaria esperando com o pergaminho. Provavelmente ele havia percebido que em um mês e meio estaria sem a garota, ou que ela não pertencia ao mesmo mundo que ele. Apenas assenti, mesmo que eu estivesse morrendo não o chamaria, ele precisava de espaço e devia estar muito confuso.
Logo que Draco saiu, Dumbledore também se retirou pela porta da frente, sobrando apenas eu e Tom no corredor, antes que ele se virasse para mim ou pudesse fazer qualquer coisa, andei em direção as escadas e subi para o quarto, eu precisava pensar e me distrair.
Chegando lá, subi para a minha cama, deitei com a cabeça para o lado do guarda-roupa, fechei meus olhos e suspirei. Peguei minha bolsa, dentro dela procurei minha varinha, eu me sentia melhor com ela. Comecei a soltar pequenas linhas de tinta colorida da varinha, o fio de cores mudava após um tempo, então desenhei no ar símbolos sem sentido, apenas para me acalmar. Desenhei o brasão Black sem perceber, apenas pensando em casa.
— Está tudo bem? – Era a voz profunda que eu há certo tempo já sabia a quem pertencia.
Ele estava de pé no caminho entre a porta e o meio do quarto. Sua expressão era séria, mas em sua voz parecia haver um toque de preocupação. Não o havia ouvido entrar, e após o breve susto que levei, pensei em guardar a minha varinha, e comecei a me movimentar para isso.
— Não precisa guardar a varinha. Eu sei o que você é, e eu sou também. Segurar a varinha, também me acalma às vezes. – Seu tom era conciliador. Mas dessa vez não havia tons de falsidade.
— Só estou preocupada. – Era uma meia verdade, mas também era verdade.
— Dumbledore me disse que vocês irão para Hogwarts em setembro também, e me pediu para levá-los para o Beco Diagonal para comprar seus materiais perto das aulas. Onde estudavam antes? – Ele estava curioso. Claro que estava sendo educado e gentil para descobrir alguma coisa, afinal era Tom Riddle.
— Durmstrang.
Tom pareceu surpreso, provavelmente pensava que fôssemos nascidos trouxas, parecia querer perguntar mais coisas, mas provavelmente não sabia que eu conhecia o jeito que ele tentava persuadir as pessoas a falar. Então preferiu não dizer nada e continuar a fingir que se importava.
— Não se preocupe, estarão seguros em Hogwarts, não importa o que tenha acontecido para precisarem ir para lá. – Por um momento ele parecia ter sido sincero em suas palavras, e ficou levemente tenso, provavelmente havia falado o que pensava antes de pensar sobre isso.
Saber que ele ainda tinha um lado humano, que parecia se importar comigo, me deixou estranhamente feliz, mas não deixei que isso transparecesse. Eu não precisava que ele soubesse que eu tinha emoções, e eu havia prometido a mim mesma que não voltaria a olhar para qualquer rapaz com outros olhos, depois do que aconteceu.
— Obrigada. – Virei para encarar o teto e fechei os meus olhos, respirando fundo.
Ele me surpreendeu, vindo até mim e acariciando o meu rosto com as costas da mão.
— Não se preocupe, de verdade. – Olhei para ele e ele sorriu brevemente, era um sorriso verdadeiro, um dos únicos que eu já havia visto em seu rosto.
Ele era muito bonito, e provavelmente com essa idade já sabia disso. Não duvido de que já havia conquistado pelo menos metade das meninas de Hogwarts só com um sorriso falso. Não pense nele dessa forma nem de forma nenhuma. Me repreendi, Tom não era uma opção, jamais seria.
— Vou tentar. – Sorri de canto levemente.
— A propósito, posso te fazer uma pergunta? – Ele parecia apenas curioso.
— Claro. – Eu também estava curiosa para saber o que ele queria saber.
— Desde quando fala com cobras? – Fiquei tensa. Eu sabia que ele tinha me visto em algum momento conversando com a Esme, mas ele nunca havia falado sobre isso comigo.
— Quando chegou aqui, suas dores foram controladas em parte por veneno de cobra, vi o frasco na mão do Draco. E você tem uma cobra de estimação mágica que está aqui para te proteger. Como isso? – Ele sabia mais do que eu pensava. Decidi que era melhor eu contar um pouco da verdade.
— Eu não sei desde quando consigo falar, descobri apenas quando ganhei um. – Hesitei um pouco e olhei bem fundo em seus olhos – Um Basilisco. Por esse presente que consigo usar o veneno de cobra e também foi ele quem me mandou Esme. – Era uma meia verdade novamente, eu não podia contar como havia ganhado o Grün, nem que na verdade foi Königin quem me mandou a Esme.
— Achei que fosse isso. Já precisei usar veneno de cobra antes. – Arregalei meus olhos para fingir que não sabia que ele era ofidioglota nem que ele era o herdeiro da Sonserina.
— Eu tenho um Basilisco também, herança de família. – Ele apenas deu de ombro.
— Sei como é. — Meu presente não era uma herança, mas me havia sido dado, em parte, por causa do meu sangue.
Ele pareceu pensar por um momento, e apenas me encarou. Ficamos nisso por um tempo, até que ele se aproximou mais o seu rosto do meu. Eu entrei em pânico, e estava pronta para dar um jeito de fugir, quando a porta se abriu para um Draco ofegante.
— Até que enfim encontrei vocês dois. Está na hora do almoço, e vocês estão atrasados. – Dei um pulo. Tom já havia se afastado, e nenhum de nós dois havia notado que o tempo havia passado tão depressa.
Guardei minha varinha na bolsa. Saí tão rápido da cama que tropecei em um dos degraus. Eu estava fraca, não havia conseguido tomar meu café direito e não tinha mais a saúde de ferro que tive um dia. O que havia acontecido, havia tirado muito da minha força e acho que isso seria assim para sempre. Eu iria cair, eu sentia isso, e provavelmente me machucaria feio, mesmo não estando tão longe do chão. Fechei meus olhos e esperei pelo pior.
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