Força e Vida - Tomione
12 Capítulo 12 - Queimando
Notas iniciais
— Acho que seria bom que você e o senhor Malfoy a lessem, antes de eu continuar. – Dito isso o diretor me passou a carta.
Eles não estão mais protegidos aqui, tenho receio de que o Lorde comece a colocar seus planos em ação em breve, isso nós não podemos permitir. E também Dolores Umbridge está muito perto da minha filha, isso é perigoso. Você sabe o que deve fazer. Quarenta e duas voltas devem bastar.
Belatriz Black Lestrange
Eu não sei o que está acontecendo, mas tenho certeza de que será algo no mínimo interessante.
— Nós três sabemos, que a cada minuto Tom adquire mais do seu poder original. E no dia em que sua mãe me enviou a carta sobre a sua verdadeira origem, também enviou outra com um plano para proteger a filha e o sobrinho, e também para talvez conseguir que Voldemort nunca venha a existir. Ela pediu para que eu guardasse total segredo sobre o seu plano, até que a hora certa chegasse, e pelo jeito a hora é agora. — Dumbledore fez uma pausa, talvez para que nós tentássemos absorver tudo aquilo, mas assim que ele percebeu que era impossível continuou.
— Sua mãe me enviou um vira-tempo pertencente aos Black a várias gerações e escondido há séculos. Ele não volta apenas horas, mas volta anos no tempo, além de lhe enviar para qualquer lugar que desejar. A ideia dela é enviar vocês dois para o quinto ano do Tom Riddle, onde ele ainda não havia matado ninguém, ou seja, a época mais segura que poderia enviar vocês, além do fato de vocês dois terem a idade certa para isso. Eu os enviaria para que ficassem escondidos lá, já que nós sabemos que grandes coisas estão para acontecer em seus futuros aqui e talvez seja bom que vocês não estejam presentes. – Novamente a pausa não nos fez conseguir processar as informações.
— Seriam enviados na época das férias de verão de 1942. Ficariam no orfanato do Tom, eu iria até lá para lhes entregar a carta de Hogwarts e vocês entregariam ao meu eu do passado uma carta, que eu já tenho preparada, com as informações que ele iria precisar para mantê-los seguros. Se estabeleceriam e estudariam esse ano lá, ao mesmo tempo poderiam tentar mostrar para o Tom coisas como a amizade e o amor, para tentar mudá-lo mesmo que minimamente. – Dessa vez a pausa foi mais curta.
— Ao se passar um ano, ou se quiserem voltar antes, precisariam apenas pingar veneno de Basilisco sobre o vira-tempo, ele não seria destruído só entenderia que era hora de voltar para casa. – A sala caiu em um silêncio mortal. — Aceitam essa missão? – Em suas mãos agora havia um pequeno vira-tempo prateado e um frasco com veneno. Eu podia reconhecer veneno de Basilisco de longe, já que havia um pouco daquilo no meu sangue.
— Quando teríamos de partir? – Eu não tinha nada a perder. Havia passado um tempo com meus amigos, agora eu entendia o porquê daquilo, e se ele aceitasse ir junto, estaria com o meu irmão. Além do mais, no passado eu não seria uma filha da relação errada entre dois comensais, e ninguém perguntaria sobre a minha dor porque ninguém me conheceria. Era um pouco de descanso.
— Agora.
Olhei para o Draco e ele olhou para mim. Encaramo-nos por um tempo, os dois pensando nos prós e contras dessa loucura. E por fim ele pegou a minha mão e a apertou.
— Nós aceitamos. – Falamos juntos. Se minha mãe estava se empenhando tanto para nos proteger, quer dizer que a coisa ia ficar feia para o nosso lado.
— Ótimo! Seus malões com roupas do passado já estão prontos. Também dentro, estão coisas que achei que vocês achariam importante de ter por perto. Chegarão ao passado em um beco do lado do orfanato, sugiro que a senhorita tome esta poção e que o senhor Malfoy tome essa outra, assim que chegarem lá. Sentirá dores e ficará com vários cortes. E o senhor Malfoy ficará com cortes também. Digam para a dona do orfanato que perderam toda a família em um bombardeio trouxa. São primos, puros-sangues e apenas Black. Não falem mais nada a ninguém a princípio, mostrem dor e ninguém suspeitará. – Ele mostrou um vidro roxo escuro e outro verde. Entregou-me uma bolsinha que possuía feitiço de extensão, para que eu pudesse colocar o veneno do Basilisco, as poções e a carta que entregaríamos ao Dumbledore do passado.
— E lembrem-se, no passado sou professor de transfiguração. Nunca digam que são Malfoys, porque eles normalmente têm apenas um herdeiro, então vocês seriam descobertos pelo Malfoy de 1942. E Hermione, o que você esconde no segundo andar deste castelo, pode lhe ser útil para se aproximar do Tom.
Automaticamente peguei minha pulseira e falei para o ovo na língua que somente ele entenderia.
— Eu vou ficar bem, e voltarei bem também. – Grün iria fazer falta.
— Coloquem a corrente vocês dois, depois use o vira-tempo como colar, senhorita Granger. Você está mais acostumada e saberá como escondê-lo melhor. Boa sorte. — Coloquei a corrente em mim e no Draco e contei as quarenta e duas voltas.
A última coisa que vi, antes de fechar os meus olhos, foi um sorriso do professor Dumbledore.
— Feche os olhos, o baque será menor. – Instrui ao Draco.
Eu já havia feito viagens no tempo, várias delas, em todos os dias no meu terceiro ano. Eu sabia que quando fechamos os olhos tudo fica silencioso e calmo, com uma leve brisa. Na minha primeira viagem havia ficado de olhos abertos, e tudo o que as pessoas perto do local onde eu estava, falaram durante aquele tempo que eu voltava, passou rápido na minha cabeça, quando cheguei a dor de cabeça e a tontura foram gigantescas.
Quando senti que a brisa havia parado, arrisquei abrir os meus olhos. Estávamos em um beco pequeno e escuro.
— Já pode abrir os olhos, Draco. – Ele obedeceu.
— Que dor de cabeça! Não sei como conseguiu aguentar isso durante um ano! – Eu havia contado a ele sobre isso um tempo atrás, e ele havia ficado animado quanto a fazer esse tipo de viagem.
— Você se acostuma depois de um tempo, e é só fechar os olhos desde o começo que a dor diminui um pouco. – No início realmente era difícil.
— Estamos no lugar certo? – Eu não sabia dizer, então fui até a frente do beco.
O dia estava bonito e quente, o céu estava limpo. Aquilo definitivamente se parecia com o começo das férias de verão. Olhei em volta e vi pequenos estabelecimentos e pessoas andando por ali. No fim da rua, havia um terreno grande com um grande casarão. Parecia simples, mas bem cuidado, no jardim muitas crianças brincavam, e de longe eu podia ver uma placa de metal que estava em um bloco de concreto, que sustentava as grades e os portões do local. Eu não conseguia ler a placa, mas pressentia que aquele era o lugar.
— Sim estamos. Precisamos trocar de roupa antes de ir até lá. – Ver aquelas pessoas na rua me fez lembrar que mulheres não usavam calças nessa época. Conjurei uma parede escura do lado de fora e por onde poderíamos enxergar do lado de dentro e abri meu malão, que estava do tamanho de uma mala trouxa antiga, peguei um vestido e uma sapatilha. Draco também pegou suas roupas e nos trocamos.
Assim que estávamos prontos com roupas simples e apropriadas para a época, fiz um feitiço para que nossas roupas se cortassem em alguns pontos, não poderíamos chegar ao orfanato bem vestidos depois de um bombardeio. Peguei os frascos de poções na minha bolsa e entreguei o verde para o Draco.
Ele tomou e automaticamente cortes apareceram em seu rosto e em seus braços. Ele fez uma breve careta, provavelmente ardia um pouco todos aqueles cortes aparecendo ao mesmo tempo. Entreguei minha mala que, junto com a dele, o loiro transfigurou em uma mochila e colocou nas costas. Tirei a parede que havia feito e entreguei minha varinha para ele guardar.
Peguei o frasco com o líquido roxo e bebi. No segundo em que o líquido tocou a minha garganta tudo começou a queimar, mas resisti e tomei até o fim em um único gole. Tudo parecia queimar dentro de mim, todos os meus órgãos pareciam em brasa, cortes começaram a aparecer no meu corpo, eram cortes profundos, como se o meu corpo os estivesse abrindo para fazer com que um pouco daquele calor interno saísse. Minha pele queimava, mesmo eu vendo que ela estava da mesma cor de sempre. Travei minha mandíbula para não gritar, se eu gritasse ia acabar assustando o Draco. Nem notei que estava de joelhos no chão, fiquei imóvel em uma tentativa de que aquela dor horrível passasse.
Draco me pegou no colo e correu para o orfanato. Uma mulher, que parecia ser a responsável pelo orfanato, veio correndo ver o que havia acontecido. Draco falava com ela, parecia um pouco assustado e pelo seu olhar transparecia verdade, mas eu não conseguia ouvir nada, dentro da minha cabeça havia apenas meus próprios gritos.
Rapidamente ele entrou comigo para dentro do orfanato e em seguida dentro de uma sala toda branca. Havia quatro camas de hospital ali, duas de frente para outras duas e separadas nas laterais por armários, de madeira escura com portas de vidro. Parecia ser a enfermaria dali. Draco me colocou na cama mais próxima da janela, eu olhava para o sol lá fora e as pessoas andando. Me acalmava saber que o mundo não era aquela dor que eu estava sentindo. Fiquei olhando fixamente para fora, a dor não havia passado nem um pouco, mas agora em meus ouvidos havia apenas um zumbido. Eu tinha a sensação de que estava morrendo. E meus pensamentos atentavam para o fato de que o Dumbledore não havia me dado um antídoto.
Fale com o autor