Força e Vida - Tomione
13 Capítulo 13 - Primeiros contatos
Notas iniciais
✣ Draco Malfoy
A sensação de viajar no tempo era horrível, minha cabeça durante algum tempo apenas doía. Esperei para que a Hermione me avisasse quando abrir os olhos, não queria correr o risco de ouvir aquele turbilhão de pessoas falando durante o tempo em que viajávamos.
Quando finalmente abri meus olhos, olhei ao redor. Não tinha certeza se estávamos no lugar certo então pedi para a Hermione checar. Sim, pelo jeito estávamos.
Hermione pediu para mudarmos de roupa, ela fez um feitiço para que as roupas ficassem um pouco rasgadas e me entregou a poção, que tomei rapidamente, aquilo fez minha pele arder por um segundo, mas em seguida passou. Logo depois disso, ela me entregou a sua mala e eu conjurei, junto com a minha, uma mochila, tinha a sensação que teria que carregar a morena. Ela me entregou sua varinha e eu guardei junto com a minha no meu bolso. Então ela tomou a poção.
Parecia que ela estava sofrendo muito, estava com a mandíbula travada para não gritar. Segundos depois de que bebeu a poção, caiu de joelhos no chão ainda sem abrir a boca. Ela era forte, Dumbledore me disse que aquela poção a machucaria muito e que os gritos eram insuportáveis. Logo cortes fundos começaram a aparecer no corpo dela, e mesmo assim ela se manteve em silêncio, pensei em quanta dor ela já não havia sentido e ficado calada no passado, para conseguir manter seu controle agora. Eu queria correr para ela e socorrê-la, mas eu precisava esperar todos os cortes aparecerem, segundo o que Dumbledore disse.
Quando pareceu que todos os cortes estavam ali, a peguei no colo e corri para o orfanato. Ao passar pelos portões, uma senhora que cuidava das crianças que brincavam ali, veio correndo, apostei que deveria ser a responsável pelo orfanato.
— O que aconteceu? – Ela parecia muito preocupada.
— Ontem nossa casa foi bombardeada. Nossa família se foi, só sobrevivemos porque estávamos no porão, mas minha prima estava no meio das escadas quando aconteceu, ela foi atingida mais gravemente do que eu. Procuramos abrigo durante a noite e ela parecia bem, mas foi piorando. Eu não posso perdê-la, moça. Por favor, precisamos de um lugar para ficar até setembro, quando vamos para a escola. – Eu deixei algumas lágrimas caírem pelo meu rosto, estava realmente preocupado com a Hermione.
— Tudo bem, criança! Terão abrigo até quando precisarem, cuidaremos de vocês. Agora vamos entrar e tratar da moça. – Ela havia deixado uma lágrima cair, eu era um bom ator.
Entramos no orfanato, o lugar era antigo e simples, mas era bonito. Corremos até uma sala em que ela abriu a porta para mim.
— Aqui é a enfermaria, coloque-a em uma cama que eu vou buscar o nosso médico. – Dito isso ela saiu correndo pela mesma porta por onde havíamos entrado.
A enfermaria era pequena, além de quatro camas e quatro armários, havia, perto das camas da porta, uma escrivaninha e uma estante abarrotada de livros. Coloquei a Hermione em uma cama perto da janela, ela parecia mais pálida e sua pele queimava, estava olhando pela janela com um olhar ainda mais inexpressivo do que o seu comum.
Rapidamente peguei de dentro do meu bolso o frasco com o líquido amarelo que o professor havia me dado, junto com algumas indicações, no último segundo antes de partirmos totalmente. Era veneno de cobra, não curaria Hermione, isso levantaria suspeitas, mas faria sua dor passar totalmente.
— Abra a boca, é veneno de cobra, vai fazer sua dor passar. – Ela abriu com muito esforço e deixou o líquido escorrer pela garganta. Seu corpo relaxou imediatamente.
Peguei o frasco, que agora estava pela metade, e com muito cuidado o fechei. Aquilo não podia cair em nenhum dos meus cortes.
Quando ia guardar o frasco, ouvi alguém entrando pela porta. Era a senhora que havia nos ajudado, junto com um homem e um rapaz. O adulto era loiro de olhos azuis e o rapaz tinha cabelos escuros, pele transparente e olhos verdes escuros e opacos. Aquele com toda certeza, era Tom Riddle.
Apenas ele pareceu prestar atenção no frasco que estava na minha mão, então rapidamente o guardei, mas acho que ele já fazia ideia do que poderia ser, porque ele ficou me encarando por um tempo.
O loiro logo me pediu para me sentar na cama de frente para Hermione, examinou meus cortes rapidamente, perguntou se eu sentia dores e se havia cortes em meu corpo. Eu respondi que não e ele examinou meus ouvidos e meus olhos.
— Você parece estar quase inteiro. Tom, poderia vir aqui e fazer os curativos nele? Preciso cuidar da moça. – Percebi sua preocupação quando falou da Hermione, realmente ela não parecia bem.
— Sim senhor. – Ele foi até o armário, pegou algumas coisas e veio na minha direção.
Eu estava curioso, essa era a primeira vez que tinha um ferimento tratado de forma totalmente trouxa. Não podia demonstrar isso, nem o fato de que a presença do rapaz na minha frente me dava ódio, só de lembrar do que ele no futuro causaria à minha família e à Hermione.
— Eu sou o doutor Jones, vou precisar trocar suas roupas para poder te examinar, tudo bem? – Ele falava com Hermione, ela assentiu e virou seu rosto para a janela, não antes de eu ver dor em seus olhos.
Ela não gostava de ser tocada. Não me lembrava de ela ser assim nos anos anteriores, mas havia aprendido que era melhor só abraçá-la se ela me abraçasse primeiro ou tocá-la só em casos de extrema urgência.
O senhor foi até o armário ali do lado e pegou um pijama, que parecia com os usados na enfermaria de Hogwarts, pelos botões na frente provavelmente seria mais fácil de examiná-la.
Ele colocou a calça nela e subiu o seu vestido, vi que aquilo assustava ela, mas que ela tentava controlar isso ao máximo. Vi em seu corpo várias cicatrizes iguais as que ela tinha no rosto, nunca havia perguntado como ela as tinha ganhado, e não sabia que ela tinha tantas, não me lembrava delas nos anos anteriores. Aquilo havia acontecido, com toda certeza, nas últimas férias de verão.
Ela tinha hematomas roxos e cortes novos por todo o corpo, a temperatura do corpo pelo jeito havia baixado já que o loiro não se assustou ao tocá-la. Ele começou a cuidar de seus cortes depois de examiná-la por inteiro. Percebi que Tom olhava para ela com uma grande frequência, mesmo que tentasse esconder, eu havia notado. Ela pelo contrário, após o doutor examinar seus olhos, olhava apenas para a janela. Hermione estava sofrendo, e algo me dizia que não era pelas dores que a poção causou, eu sabia o que veneno de cobra fazia com ela, acho que era o toque que a estava machucando. Um dia ela iria me contar o que aconteceu, mas agora eu tinha que me preocupar em cuidar dela nessa época.
—--✣—--
✣ Tom Riddle
As férias de verão haviam começado. Era a época do ano que eu mais ficava irritado, já que eram meses sem Hogwarts, sem magia, preso com os trouxas. Nada acontecia nessas férias, tudo era monótono, sempre as aproveitava para ler mais, estudar mais, e aumentar meu ódio pela raça inferior dos trouxas. Dessa vez pelo jeito não seria diferente, levantei da minha cama de manhã, olhei ao meu redor, como sempre estava tudo no mesmo lugar, já que eu tinha um quarto só para mim no orfanato, levando em conta que nenhuma outra criança iria querer dividir o quarto comigo.
Saí da cama, me arrumei e fui tomar o meu café da manhã. Sentei em um canto isolado do refeitório, ninguém sentava perto de mim em um raio de três cadeiras para cada lado, eu gostava muito disso. Muitas das crianças daqui já haviam se metido comigo e levado uma lição, e todas as outras haviam ouvido suas histórias.
Quando terminei meu café me dirigi à biblioteca, estava entediado e precisava me distrair. Chegando lá encontrei com o Leonard, ele era o médico daqui, e era casado com a Julieta, uma jovem senhora que cuidava de todas as crianças junto com sua irmã Sra. Cole, que administrava esse orfanato.
— Oi, senhor Jones. – Ao ouvir minha voz ele se virou para mim sorrindo vindo na minha direção.
— Olá Tom! É muito bom vê-lo, faz muita falta durante seu período escolar. – Jones era uma das poucas pessoas que eu quase confiava na minha vida, ele e sua esposa eram pessoas boas, apesar de serem trouxas.
Eu estava prestes a responder quando a senhora Cole entrou correndo na biblioteca.
— Leonard, e também Tom, venham comigo, é urgente. Chegaram duas crianças vítimas dos bombardeios que ocorreram ontem. – Saímos rápido dali, pelo menos meu dia estava melhorando um pouquinho. Tinha brinquedos novos para eu brincar.
Ao chegar à enfermaria, vi dois jovens. Um rapaz loiro de olhos azuis quase cinza, e uma moça, pelo que eu via do vestido, deitada em uma cama atrás do menino. Nas mãos do rapaz havia um frasco com um líquido amarelo, aquilo era veneno de cobra, tenho certeza. O que me intrigava era o que ele havia feito com a metade do frasco que não estava no vidro.
Quando nos viu o rapaz guardou o frasco rapidamente, mais tarde eu o questionaria quanto a isso. Assim que ele saiu da frente e foi sentar na maca de frente para a maca da garota, pude vê-la. Estava muito machucada, e os cortes que tinha pelo corpo eram profundos, mas mesmo assim, era muito bonita, provavelmente a garota mais bonita que eu já havia visto.
Na mesma hora que pensei isso, me repreendi. Já havia ficado com muitas meninas em Hogwarts, todas sangues-puros e muito bonitas. Eu não podia olhar para uma trouxa, era ridículo até mesmo em pensamento.
Enquanto estava perdido em meus pensamentos, Leonard examinou o rapaz, ele não parecia muito ferido e possuía apenas cortes no rosto e nos braços. Leonard pediu para que eu fosse fazer o curativo nele, fui e agradeci mentalmente por não poder ficar mais olhando diretamente para a garota.
Eu estava limpando os cortes e inconscientemente a olhava de vez em quando, Jones havia trocado suas roupas, ela possuía cortes pelo corpo todo e hematomas roxos. Não olhava para nenhuma pessoa, apenas para objetos e para fora, parecia querer não deixar que víssemos qualquer coisa que estivesse em seus olhos. Ela parecia não gostar de toque, percebi pela maneira que ela estava desconfortável e levemente tensa. Percebi que seu corpo já tinha cicatrizes antigas, e que era muito bonita mesmo com elas e com os roxos. Pare Tom, ela é uma sangue ruim. Realmente eu não podia pensar sobre ela dessa forma, mas o orfanato era grande, eu poderia ignorá-la até quando voltasse para as aulas. Já estava me conscientizando disso quando a Sra. Cole voltou.
— Bem eu ainda não sei seus nomes, querido. – Ela se dirigia ao rapaz na minha frente.
— Eu sou Draco Black, e essa é minha prima Hermione Black. – Eles eram primos, fazia sentido os olhares preocupados que ele lançava em direção a ela.
Não são namorados. E estranhamente eu estava feliz com isso. Realmente eu teria que ficar longe dela. Reparei também que seus sobrenomes eram bem incomuns para famílias trouxas, mas se fossem bruxos eu já os teria encontrado em Hogwarts. Mas os Black jamais se juntaram com sangues ruins. Ou aquilo era uma coincidência ou eles eram que nem eu. Senhora Cole me tirou dos meus pensamentos com a sentença que provavelmente mudaria todas as minhas estimativas para o verão.
— Nenhum de nossos outros quartos está vazio, se importaria se os dois ficassem no seu quarto, Tom? – Isso ia ser ruim.
Como eu ia fugir da garota se ficássemos no mesmo quarto? Seja homem. É não iria fugir dela, e além do mais se eles fossem que nem eu, eu precisava descobrir.
— Sem problemas, Sra. Cole.
— Ótimo, vou mandar colocar uma beliche e outro armário lá. Obrigada, Tom. A propósito, teria problema para você, Draco? Ou para Hermione? – Eu olhei para o garoto, ele parecia pensar, olhou para a Hermione, ela ainda olhava para longe.
— Acho que não teria problema, obrigado por nos acolher, Sra. Cole. — Essas férias pareciam que seriam interessantes.
—--✣—--
Fale com o autor