Notas iniciais
Olá, galera! Temos muito a agradecer pelo retorno do primeiro capítulo. 18 comentários (até agora), 16 favoritos e 27 acompanhamentos. É muito carinho!! E nós agradecemos muito por essa atenção toda a Forjados em Sangue. Sem mais, boa leitura! Nos vemos nas notas ao fim do capítulo! Espero que gostem

Observava o pequeno pergaminho retorcer-se e enegrecer em meio às chamas da lareira. Seu olhar estava fixo nas cinzas, emitindo um brilho sádico e animalesco, intenso. Era essa expressão que causava tanto fascínio e receio em torno da figura da vampira.

Um convite: eram essas as palavras mudas que seus olhos transmitiam. Um convite demasiado tentador, mas não menos perigoso. E que, uma vez aceito, não havia como voltar atrás. No qual a única opção viável era dançar conforme o ritmo inconstante de seu humor, visto que tentar conduzir os passos era algo que estava fora de cogitação, salvo quando o parceiro em questão se mostrasse tão habilidoso jogador quanto ela própria.

E tinha completa consciência de quem era seu adversário, apesar de ainda desconhecer seus motivos ou origens, sabia onde ele queria chegar. Travava uma guerra silenciosa e — até o presente momento — discreta, onde venceria aquele que obtivesse mais informações sobre os planos do outro.

— Você não faz ideia de quem criou, querido pai — disse, colocando os pensamentos em voz alta. — Aproveite a vida enquanto ainda pode. Creio que não durará muito mais.

Continuava a encarar diretamente a luz alaranjada, mas agora ostentava também um largo e presunçoso sorriso no rosto. Gostava desses momentos, onde afirmava ainda mais para si mesma o quão dissimulada era capaz de ser. Era como uma carícia em seu ego.

Ela jogava com a incerteza e com a ilusão, deixava pensarem estar sempre um passo à frente quando em verdade estavam milhas atrás, todos eram meros fantoches em suas mãos. Tinha maestria na escolha dos aliados certos, sabia que a verdadeira munição eram as informações e a manipulação, porém não descartava o valor e o uso da força bruta quando necessário. Apesar de extremamente impulsiva, quando se tratando de seus objetivos, sabia agir com a cautela necessária. Era uma perfeita estrategista e oponente fatal.

— Boa noite, alteza — a voz a despertara dos profundos pensamentos. Virou o rosto e viu o ancião, já muito curvado pelo tempo, chacoalhando de um lado para o outro na dificuldade de se locomover.

— Lorde Aurel. — o cumprimentou com um leve aceno de cabeça e o esboço de um sorriso educado no rosto.

Era um homem idoso, para mais de seus oitenta anos, com cabelos ralos e brancos, olhos de um tom castanho opaco e pele negra. Trajava sua habitual túnica de linho cor marfim. Provinha de uma antiga e nobre família, a qual desde os primórdios da formação do reino os descendentes ocupavam o cargo de Lorde dos Pássaros.

Aurel era o atual Lorde de Godfrey. Responsável por cuidar dos corvos, receber e enviar cartas e coletar notícias úteis de outros reinos por meio de seus informantes. Por possuírem acesso a conhecimentos antigos e valiosos, o Lorde sempre deveria ser um humano, e claro, alguém de confiança, para que não se corresse o risco de algum segredo escapar. Sendo um mortal, toda e qualquer informação seria enterrada ao fim da vida dele, perpetuadas apenas por anotações em livros ou diários.

A vampira nutria um certo apreço pelo velho. Como ela cresceu em meio aos livros sempre procurando por conhecimento, ele a havia guiado, narrando velhas histórias e a ensinando a ler e escrever. Já mais crescida, ele começara a mostrar-lhe anotações antigas de Lordes anteriores e livros contendo conhecimentos ocultos, indicou como decifrar códigos em escritos e a encontrar verdades escondidas em contos e fábulas. Tudo que ela sabia sobre a arte dos segredos ele quem havia a transmitido. Devia muito de sua habilidade ao tempo e paciência que o homem tinha lhe dedicado.

— Como vai, Princesa Lyra? Acredito que tenha acontecido algo para estar fora da cama tão cedo, os outros estão levantando-se agora — perguntou no costumeiro tom calmo e baixo, e um sorriso cansado nos lábios.

— Bem, obrigada... Estava tratando de alguns assuntos. Por acaso tem alguma informação do que acontece em Hemlock? — perguntou, educada, mas direto ao ponto. Enlaçou o braço ao dele, voltando a caminhar pelo longo corredor em direção ao salão do trono.

— Oh sim! O reino está uma bagunça. E que bagunça! A família real não está sabendo lidar com a situação. Um verdadeiro caos! — ele exclamou, gesticulando com o braço livre. — Soube que estão querendo promover uma ida até os domínios da Floresta Negra, com representantes de todos os reinos para uma reunião, já que foi na região que o rei sumiu.

— Compreendo, realmente é uma grande confusão — tentou se mostrar comovida com a situação. Sua mente já estava trabalhando com as novas informações, e perdeu-se novamente em pensamentos, porém Aurel a despertou dos devaneios com a sua próxima pergunta.

— Um corvo de Hemlock chegou mais cedo, soube reconhecer pela penugem mais acinzentada. Porém não havia carta alguma. Por algum acaso sabe o que pode ter acontecido?

— Sim, eu quem desamarrei a mensagem que ele trazia. Não continha nada, apenas o informe que o rei desaparecera. Gostaria que lhes respondessem que Godfrey se solidariza com o momento o qual eles estão enfrentando. E por favor, não emita nota nenhuma aos habitantes deste reino, sim? Quero evitar alardes, as fofocas irão bastar ao povo.

— Como desejar, alteza. Irei fazer o que ordena agora mesmo — o velho fez uma leve reverencia e voltou cambaleando lentamente pelo corredor.

Lyra o observou se distanciar, emitindo um leve riso vitorioso. Com uma simples conversa tinha acabado de manipular toda uma situação a seu favor.

A resposta que mandara ser redigida mostrava claramente que, diferente de como o outro reino pensava, Godfrey não recrutaria um soldado sequer em prol da busca de Sandor. E muito menos confirmara a presença de Bill na reunião do Grande Conselho. O silêncio do reino frente a essa situação inibiria seus habitantes de se comoverem com a causa. Se a vida do Hemlock estivesse nas mãos do povo de Godfrey, ele já estaria morto. Não mediria esforços quanto a tarefa de demonstrar hostilidade, enquanto não descobrisse quais eram os termos do ultimo acordo feito entre os dois reinos antes de toda essa reviravolta, pouco a importava que tal projeção fosse negativa para o que quer que tratasse a nova aliança.

Caminhou em passos alegres nos últimos metros, abrindo as portas duplas de madeira entalhada do grande salão do trono. O lugar estava vazio. Dirigiu-se ao cadeirão do rei, sentando-se sobre o mesmo e cruzando as pernas, fitando a parede à sua frente. O trono era feito em ouro intrincado das mais variadas pedras preciosas e estofado em tecido vermelho intenso como sangue. Quem a visse naquele momento, não teria dúvidas de que era ali o lugar onde pertencia, a imponência que exalava era algo intrínseco a sua figura. Os adornos do lugar ao seu redor só ampliavam esse efeito.

Seu olhar mudou de direção quando viu um borrão adentrar o lugar.

Viu um homem de pele branca e cabelos loiros cuidadosamente penteados para trás, os olhos negros contrastavam com as vestes também negras e uma fina barba dourada amoldurava as linhas expressivas de seu rosto.

Era Bill.

— Olá, querido pai — o cumprimentou com o esboço de um sorriso no rosto, mas ainda sim mantinha o ar superioridade perante a ele.

— Lyra, minha filha. Que prazer vê-la tão cedo! Isso só pode significar que temos a chegada noticias importantes, estou certo? — ele aproximou-se de braços abertos, parando ao lado dela e depositando um leve beijo no topo da cabeça da vampira, para em seguida, recostar-se sobre o braço do cadeirão da rainha.

— Sim, um corvo de Hemlock chegou ao fim da tarde. Aurel informou que o rei Sandor desapareceu. Adiantaram também a noticia de que em breve haverá uma reunião com representantes do reino na Floresta Negra, como se tratava de um assunto urgente, me prontifiquei a ir eu mesma a nos representar. Aurel a esta altura já deve ter mandado o corvo em resposta, assim espero.

Os lábios de Bill torceram-se levemente, incomodado com a situação. O que só aumentou o brilho no olhar de Lyra. Ele detestava quando ela tomava a frente dos assuntos que lhe diziam respeito, porém logo disfarçou abrindo um largo sorriso, não iria lhe dar o prazer de se mostrar irritado.

— Ótimo! Bom saber que tudo está encaminhado. Mas não acho sensato que...

Nesse momento, um dos guardas do castelo adentrou o salão, interrompendo a conversa. Trajando uma armadura de aço negra, o barulho de sua movimentação ecoava alto pelo lugar. A poucos passos do patamar elevado onde ficavam dispostos os tronos, o soldado ajoelhou-se sobre a perna direita e abaixou a cabeça.

— Majestade, trouxemos o primeiro prisioneiro para que seja executada a sentença.

— Começaremos cedo, pelo visto. Mande trazê-lo — o rei meneou a cabeça, e então o guarda deu meia volta e se retirou. Bill virou-se para a filha com um sorriso amarelo no rosto, estendendo a mão para ela. —Me daria a honra de desfrutar de sua companhia? — o olhar dele mostrava claramente quais eram suas intenções. Uma batalha indireta.

— Adoraria, majestade — deu uma ênfase quase explicitamente debochada a ultima palavra. Colocou a mão sobre a dele e se levantou, aceitando a proposta.

A porta foi aberta e dois guardas trouxeram, cada um segurando por um braço, um vampiro visivelmente fraco pela falta de sangue. Jogaram-no bruscamente ao chão, o prisioneiro bateu com o rosto contra o mármore frio, resmungando de dor.

— Eu, Willian Arthur Godfrey, o sentencio a morte pelo crime de comercialização de sangue vampírico — vociferou, meramente por uma questão de etiqueta, não se demorando muito em ditar a sua misericórdia.

Ele desceu os degraus com as mãos estendidas para um dos guardas, que lhe passou uma adaga com lâmina de prata pura. Segurou o vampiro pelo cabelo emaranhado e sujo e o puxou para cima.

— Como ia dizendo anteriormente, creio que seria sensato que eu comparecesse a reunião. — disse sem olhar para Lyra.

Estava focado em pressionar a lamina contra a bochecha do prisioneiro, observando a carne queimar em contato com o metal. Ao retirar a adaga, o lugar onde antes havia uma camada de pele, agora mostrava um espaço vazio. Repetiu o mesmo processo do outro lado, o escutando em êxtase os gritos de agonia. Um sorriso permanente e grotesco havia sido entalhado de maneira cruel em seu rosto, os dentes todos expostos, pois não havia mais o que esconde-los na boca.

— Não acho que vá fazer diferença, pelo que foi dito é somente um reconhecimento do local, ouvir o que os habitantes da Floresta têm a dizer a respeito. No máximo irão convocar uma nova reunião para debater o que quer que tenha sido descoberto.

A vampira pegou a arma das mãos do rei, dirigindo-se as costas do homem. Passou a ponta da lâmina seguindo a linha da coluna desde a nuca até o quadril, cravou lateralmente a adaga na carne através do corte, deslizando-a, de baixo para cima, repetidas vezes, separando a carne dos ossos. Primeiro o lado esquerdo, em seguida o direito.

— É um assunto delicado, irão pensar que não estamos dando a devida atenção — ele observava a filha ir retirando a pele do refém que chorava em desespero, não tinha forças para soltar mais que alguns resmungos, o corpo encoberto de sangue que já formava uma densa poça aos seus pés. Mantinha-se debilmente ereto apenas pelo fato de Bill o segurar pelo cabelo.

— Muito pelo contrário. Irão ver que o reino está mobilizado em prol de sua causa. É de conhecimento geral a obrigação do rei. Mas mostrar-lhes que a família real está comprometida na frente dos representantes de todo o continente? Só fortalecerá nossa imagem de um reino inabalável, onde todos colaboram e confiam uns nos outros.

Ela então golpeou o pescoço do vampiro, atravessando sua garganta com a lâmina. Encarava o pai nos olhos em desafio, com uma sobrancelha arqueada, o esboço de um sorriso nos lábios.

— Não há o que ser discutido, sou a representante Godfrey. Agora se me der licença, tenho assuntos a tratar.

Caminhou de volta para a saída principal. Sentia o olhar furioso de Bill à suas costas, o que só aumentava o gosto da vitória em sua boca.

***

A lua crescente brilhava alto no céu estrelado e sem nuvens. Não se passava muito mais que a metade da noite quando o grupo de pessoas se reuniu entre as ruinas de um antigo castelo.

A Corte dos Caçadores de Ekatomb era uma sociedade fechada, hierarquizada e extremamente rigorosa, formada por centenas de hábeis guerreiros, responsáveis por manter a ordem e o equilibro entre os reinos. No topo, estavam Os Dez, cada membro representando uma das raças habitantes do continente.

Colocaram-se todos ao redor de uma grande e redonda mesa de pedra. Em um patamar mais alto, de costas para as tochas que iluminavam o lugar, estava Ichabord Eleon Kirsch, Comandante da Guarda Real de Ekatomb e também Juiz Supremo da Corte dos Caçadores. Ele detinha o voto máximo e poder de veto dentro da Corte, nenhuma decisão era tomada sem passar por seu conhecimento.

Todos vestiam longas capas de tecido pesado e cor verde escura, o que os diferenciava dos demais que usavam uma capa num tom de verde mais aberto. A luz alaranjada e tremulante das tochas trazia um ar sombrio e misterioso à reunião.

— O que houve para que fosse incomodado tão tarde da noite? — resmungou uma voz masculina.

— Éogan, por favor. Poderia não incomodar com suas ladainhas pelo menos nesta reunião? — respondeu seca, a mulher que estava ao seu lado.

— Creio que muitos mais compartilhem de mesma opinião, Heidi.

— Em verdade não. É o nosso dever, se estamos aqui é porque assumimos o compromisso. Se a Corte atrapalha seus afazeres, fique a vontade para abdicar o cargo — retrucou ríspido um terceiro caçador. Este estava com a cabeça baixa, sentado modo desleixado e um dos braços, completamente tatuados, estendido sobre a mesa.

— Silêncio! — Ichabord se pronunciou com o tom de voz elevado. A voz grossa e rouca ecoando pelo lugar. —Tsvietz está certo, não são obrigados a comparecer a todas as reuniões. Porém caso resolvam se abster, recordem-se que não terão o direito de reclamar das decisões tomadas.

O homem tatuado abriu um sorriso afiado, divertindo-se com a irritação de Éogan que contorcia o rosto em uma careta enrugada. Todos menearam a cabeça em concordância as palavras de Kirsch, mantendo-se imóveis e calados.

Era de conhecimento geral o quanto de sangue e suor haviam doado, de bom grado, para ocupar um assento naquele grupo. Se fazer parte da Corte era um desafio ao qual muitos não resistiam, ser um integrante dos Dez era uma tarefa que somente os mais ambiciosos ou destemidos ousavam arriscar.

— O que nos traz aqui com tanta urgência, afinal, Lorde Kirsch? — indagou Éogan, com a curiosidade já atiçada.

— Ao fim da tarde recebi um corvo de Hemlock. — Ele observou o rosto de cada uma das nove pessoas presentes. Alguns estavam com o corpo tenso, outros crispando os lábios temerosos com o que viria a seguir.

Os Caçadores eram neutros, não serviam diretamente a reino algum. A tarefa deles era somente caçar e levar a julgamento os que se atreviam a desrespeitar as regras. Tinham liberdade de transitar por todo o continente para poderem realizar suas caçadas, e nenhuma outra instância poderia intervir. Se um dos reinos havia os convocado, é porque a situação era, no mínimo, critica.

— E que mensagem ele trazia? — o bruxo tornou a apressar o andamento da reunião. Alguns suspiros foram ouvidos em resposta as palavras dele. Éogan, apesar de excelente na arte da caçada de elfos, era egoísta. Não escondia que os únicos motivos para se dispor à Corte dos Caçadores eram o status que integrar os Dez lhe proporcionava e as informações em primeira mão que obtinha.

— O rei desapareceu. Acreditam que ele tenha sido capturado em uma tentativa de afronta ao reino. Não seria de nosso interesse essa informação caso a situação tivesse desdobramento em território de Hemlock, a guarda real lidaria com isso. Porém ele sumiu nas terras da Floresta Negra...

— E como a Floresta é politica e territorialmente fechada, os únicos que podem adentrar e procurar o causador disso tudo somos nós — completou Heidi. A caçadora sempre fora sagaz em deduzir o cenário completo com meias informações, esse era um dos motivos pelos quais tinha grande serventia a Corte. — O que não compreendo é: porque nós e não os guardas da Floresta?

— Como Sandor desapareceu em território da Floresta, julgam que tenha sido um de seus habitantes o responsável por tal ato. Não confiam que eles irão colaborar com as buscas. Devido a nossa neutralidade, todos concordam que é o melhor meio de resolver a situação sem causar um atrito — pronunciou-se um caçador à direita de Ichabord.

— Sim, Thalean — com um meneio de cabeça, Kirsch assentiu. — Contudo, não é somente isso. Na mesma mensagem Hemlock pronunciou-se sobre a vontade de promover uma reunião com representantes dos três reinos e da Floresta. Em minha função como Comandante da Guarda Real, me delegaram a tarefa de verificar como Godfrey e Rumancek receberam a noticia, antes de fazerem a proposta.

— Rumancek não possui uma boa relação com a Floresta e Godfrey dispõe certa liberdade para que seus habitantes transitem naquelas terras — informou Thalean. Assim como ele, todos estavam com o olhar fixo em algum ponto, estudando com cautela, tudo que acabaram de ouvir. — Portanto, me leva a crer que Hemlock deduz que os outros reinos também possam estar envolvidos no caso. A reunião é somente um pretexto para sondar o comportamento e posicionamento de todos diante do acontecido.

— Mas por que Rumancek seria suspeita se nem acesso àquelas terras possuem? — Éogan perguntou, como se estivesse declarando algo óbvio.

— Seria muito cômodo infiltrar alguém na Floresta e sumir com o rei sem levantar suspeitas, não? — Tsvietz deu de ombros, desdenhando do bruxo.

— Sim, mas o importante agora é decidir quem irá nos representar. Estarei presente no papel de Comandante da Guarda Real e gostaria de contar com a presença de pelo menos dois de vocês para comunicar à Floresta. A reunião geral será daqui a quatro noites. Heidi? — olhou para a mulher. Sabia que a escolha dela seria uma das mais sensatas, pois era um dos caçadores mais centrados do grupo.

— Infelizmente não poderei assumir esta responsabilidade — disse, olhando discretamente para a lua. — Mas acredito que Thalean seja uma escolha apropriada, afinal, ele cresceu naquelas terras.

— Se todos estiverem de acordo, eu aceito a missão. Como as fadas possuem maior influência no Conselho da Floresta, acho que Bard seria a companhia mais apropriada para mim.

— Eu aceito a missão — declarou Bard. — Será fascinante ter acesso à estrutura política das fadas.

Todos assentiram em concordância, exceto Éogan que esperava ser escalado e não fazia cerimônia quanto a exibir seu descontentamento.

— Deveríamos enviar grupos para vasculhar os três reinos. Mesmo que o rei tenha sumido na Floresta, não é improvável que o responsável tenha saído daquelas terras. Seria estúpido da parte dele — um caçador disse. Durante todo o tempo esteve mais escondido nas sombras, e somente o brilho de seus olhos verdes iluminados pelas tochas demonstravam que estava atento ao que se passava. Exibia uma postura entediada, os braços cruzados a frente do corpo e os lábios crispados.

— Helwin tem razão. Se vamos caçar o responsável por isso, precisamos estar atentos a todos os cantos deste continente. Focar-se em um único ponto é uma estratégia débil e falha. — disse a única outra figura feminina presente ali, que sentava-se ao lado de Heidi.

— Concordo, Zhoran. Você e Helwin estão encarregados de destacarem três grupos para liderem com os reinos, então — Ichabord decretou num tom de voz satisfeito. Gostava da iniciativa dos caçadores mais jovens, eram eles quem faziam a Corte funcionar de maneira eficaz.

— Ficarei com Godfrey — pronunciou-se imediatamente o caçador, com um esboço de sorriso sádico no rosto. — Nero, gostaria de me acompanhar?

— Prontamente, Arthur. Partiremos amanhã mesmo ao fim da tarde — Tsvietz sorriu animado, finalmente poderia voltar para o conforto de sua torre nos arredores da serra de Godfrey.

— Gostaria de lhe acompanhar, Zhoran, se assim desejar — o bruxo Éogan tratou logo de trazer seu nome a tona, não iria ficar de fora de uma movimentação de tal magnitude.

— Aeron e Fionn podem ir para Rumancek, então... — Kirsch disse, por fim. — Sendo assim, encerramos por aqui. Na primeira noite da terceira lua a partir de amanhã nos reunimos novamente, até mais ver.

Ichabord desceu do tablado e imediatamente deu as costas a todos, retirando-se do local. Os outros se juntaram às suas duplas e começaram a discutir sobre os detalhes de cada missão, reunindo e pesando o máximo de informações que dispunham no momento, em uma conversa que durou até perto do dia raiar.

Notas finais
Então, o que acharam? Esperamos ver suas opiniões nos comentários! Vale lembrar que a partir deste capítulo faremos uma brincadeira com nossos leitores. Responderemos como se fossemos algum personagem do enredo, por isso digam tudo que queiram! Até o próximo! Beijos, Layla & Amélia.