Notas iniciais
Bem, como prometido, aqui está um novo capítulo. Esse se reflete basicamente em como eu desejo que a relação entre Amelia e Meredith fosse, embora todos nós sabemos que as duas só coexistem por causa do Derek, então cabe apenas e criar esse universo alternativo no mundo das fics. Enjoy *-*

Meredith abriu os olhos.

Os raios solares já tinha invadido seu quarto, o que provavelmente a fez acordar. Ela abriu seus olhos, mas não fez qualquer esforço para se levantar.

Pensou na noite anterior e não se recordava de qualquer pesadelo. Talvez porque ela não tivesse realmente dormido. Para sonhar, era necessário adentrar no sono REM, e só se entrar nesta fase após aproximadamente noventa minutos de sono consecutivo. Ela duvidava ter entrado nesse estágio, já que acordava a cada poucos minutos.

Portanto, ela estava tão cansada como na noite anterior. Podia ter dormido, mas não descansou, por mais impossível que soasse. Assim, fechou seus olhos novamente, na esperança que pudesse desligar-se do mundo, mesmo que na questão de segundos.

Mas sabia que tal não podia fazer. Tinha dois filhos que precisavam dela mais que nunca. Zola e Bailey eram a única razão dela conseguir levantar-se todo dia. Eram a única razão dela tanto esforçar-se para recuperar-se de seus traumas.

Sem outra escolha, levantou-se. Dirigiu-se à cozinha, onde encontrou seus filhos sendo mimados por Amelia “Bom dia” saldou-os simplesmente.

“Hey” Amelia a cumprimentou. “As crianças acordaram alguns minutos atrás e eu me responsabilizei de tomar conta delas, já que você ainda dormia”

Meredith caminhou até Zola. “Como você está, meu amor? Está se sentindo um pouco melhor?” deu-lhe um beijo na cabeça, antes de voltar sua atenção à Amelia. “Você poderia ter me acordado”

“Yeah, eu preferi deixa-la dormir, já que ficou no telefone até altas horas”

Ela mordeu o lábio inferior, corando instantaneamente. “Eu sinto muito, eu não quis mantê-la acordada”

“Está tudo bem, eu não conseguia dormir de qualquer forma” ofereceu-lhe um sorriso fechado. “Além do mais, Derek já tinha me avisado que altas ligações como essa aconteceriam mais cedo ou mais tarde.”

Meredith riu levemente, sentando-se ao lado de Zola à mesa. Bailey estava tão distraído com a comida à sua frente que mal notara a presença de sua mãe. “Você quer algumas panquecas também?” Amelia questionou.

Ela fez uma cara. Ainda não conseguia comer, seu estômago ainda se repugnava com o mero contato com qualquer alimento. “Não, obrigada. Eu não estou com fome”

Amelia olhou profundamente em seus olhos, por mais que a outra tentasse desviar o olhar. Percebia o que estava acontecendo, sua cunhada estava se fechando do mundo totalmente, até mesmo das coisas essenciais para viver. E qualquer um que reparasse, podia dizer que ela estava perdendo peso, deixando-a mais magra do que já era. “Você acabou de sair de um jejum, precisa comer algo. Vamos, experimente uma panqueca, eu insisto”

Sem poder argumentar, Meredith aceitou o prato, encarando a comida por diversos momentos. Conseguiu digerir algumas garfadas, mas nada mais. Ao menos acredito que seria o suficiente para enganar a mulher ao seu lado.

Mas não foi. Amelia encarou-a por diversos momentos antes de começar a falar: “Sabe, quando eu ainda estava em Los Angeles, minha melhor amiga foi estuprada. Ela foi atacada em seu próprio hospital, e o homem a machucou tanto que acabou quebrando alguns dos ossos em sua face. Eu não estou dizendo que o que lhe aconteceu foi pior, porque eu sei que a dor de ser estuprada é a mesma para qualquer mulher, mas fisicamente, ela aparentava pior. E seu estuprador nunca foi levado à justiça. Sabiam quem ele era, mas só porque ela demorou a denunciar, sequer se deram o trabalho de investiga-lo. Mas, por mais que o universo estivesse contra ela, ela conseguiu superar o trauma. Não foi fácil, mas ela conseguiu, e agora vive felizmente com seu marido e filhos”

Meredith olhou para baixo, com um nó na garganta. “Por que você está me dizendo isso?” engoliu um seco. Seu coração doía ao pensamento que outras mulheres passavam por isso, por essa dor. Nenhuma mulher jamais merecia passar por aquele tipo de trauma.

“Eu estou lhe dizendo isto para provar-lhe que não é impossível seguir em frente”

Pela primeira vez, Meredith olhou nos olhos da outra. Pôde ver a sinceridade neles. “Eu sei que não é impossível, mas não é fácil tampouco. Eu estou tentando, realmente estou, mas é como se nada ficasse mais fácil”

“Você é como uma irmã para mim, Meredith, mais irmã do que qualquer uma de minhas irmãs biológicas e eu vou te contar algo, mas antes preciso que prometa que não contará a ninguém”

“Você tem minha palavra” Meredith assegurou.

“Ok, bem, eu tive um filho quando ainda em LA, de meu noivo. Não James, mas meu noivo morto por uma overdose. Ambos nós estávamos drogados, na verdade, mas ele.... ele simplesmente não sobreviveu. E quando fiquei limpa, descobri que estava grávida. Eu estava tão feliz. Mas então eu descobri que meu bebê não tinha um cérebro. Disseram-me que não era minha culpa, mas eu sabia que era, então eu me culpei. E pensei que não conseguiria sobreviver sem ele, mas cá estou eu. Meu bebê pôde não ter se salvado, mas ele salvou diversas outras crianças doentes também. E eu sou uma mãe, mesmo que meu menino não esteja mais aqui”

Meredith estava literalmente boquiaberta. Por mais que tivesse passado por muitas coisas ruins naquela vida, nunca deu à luz a um bebê anencéfalo. E este era um tipo de dor que sabia que não poderia se sobrepor. “Amelia, eu-eu... eu sinto muito, eu não tinha ideia.

“Eu nunca contei a ninguém, nem mesmo a Derek. Mas onde quero chegar é, coisas ruins acontecem, e sim, elas são uma merda, mas é assim que sobrevivemos. Sobrevivemos por tentarmos superar as coisas ruins que nos acontecem”

Meredith podia ver a dor que sentia ao falar da criança falecida, mas ainda assim, não era afetada pela morte. Amelia, de fato, era mais forte que parecia. Sem perceber, ela tinha a mão dada para Zola, seus olhos fixos em Bailey. Não podia imaginar perde-los, seria uma dor grande demais. “Meus filhos são a única razão para eu tentar o melhor para seguir em frente. Eu tenho que ser a melhor mãe possível, e esta não poderei ser caso continuar danificada”

Amelia balançou a cabeça. “Você não deveria ficar melhor apenas por eles, mas sim, por si mesma. Você pode pensar que apenas Zola e Bailey fá-la-ão sentir-se melhor, mas não é verdade. Você precisa se esforçar para não cair no fundo do poço, pois acredite, uma vez que cair, nunca realmente volta para o topo”

“Como?” ela perguntou sem medo. “Eu não tenho ideia do que fazer para manter-me em pé”

“Bem, você pode começar apenas por colocar um é na frente do outro, sem olhar para o lado. Apenas foque em viver de nascer a pôr do sol, primeiramente. Mas mais importantemente, busque ajuda”

“Eu busquei por ajuda, eu estou vendo um terapeuta” Meredith argumentou.

“Um terapeuta não é o único que a pode ajudar, Meredith. Nós somos seus amigos, sua família, e só queremos seu melhor. Mas você não fala. Nós não temos ideia de como você está sentindo ou como fazer para ajuda-la porque você não fala”

“Eu falo” ela tentou protestar, embora soubesse que fosse verdade.

Amelia ofereceu-lhe um sorriso condicente. “Não, você não fala. Eu não quero soar intrometida nem nada, mas eu ouvi sua conversa com Cristina, e você demorou diversos minutos simplesmente para contar-lhe sobre o que aconteceu, então eu suponho que sequer pretendia contar-lhe. Então não tente negar, ambas nós sabemos que você não fala sobre o que aconteceu.”

“O que eu devo falar, então?” Meredith questionou. “Sobre como ele me machucou? Ou como ele se forçou em mim? Ou como ele ameaçou àqueles que eu mais amo?” ela tomou cuidado para não dizer nada impróprio ou que alarmasse as crianças ao seu lado. “Eu não quero falar sobre isso”

“Moma, o que é ameaçar?” Zola perguntou, prestando mais atenção na conversa das duas do que deveria.

Meredith mordeu o lábio inferior. “Hm... Ameaçar é quando uma pessoa diz que fará algo ruim se você não fizer o que ela quer”

“Então moma e papa me ameaçam quando dizem que não posso assistir TV se não arrumar meu quarto?”

“Não, meu amor, isso é uma punição”

“Eu não entendo, moma”

“Bem, quando você faz algo errado, como não arrumar seu quarto ou gritar com seu irmão, há uma punição, uma consequência para suas ações, como ficar sem assistir TV. Uma ameaça, entretanto, é quando uma pessoa má diz que fará um dodói em você se não fizer o que ela quer, mesmo se você não fizer nada errado”

Zola assentiu, finalmente compreendendo. “Uma pessoa má te ameaçou, moma?”

“Não, meu amor” Meredith sorriu, em garantia. “Agora vá se arrumar para nós podermos ir para o hospital” pediu-lhe mais do que demandou. Não sabia por que iriam ao hospital, além do mais, ela estava proibida de praticar medicina, mas simplesmente não queria ficar sozinha. Ao menos, no hospital, ela poderia assistir cirurgias, e esse era o pensamento que mais a acalmava naquele momento.

Sem precisar ouvir duas vezes, Zola saiu correndo para seu quarto, provando que estava já curada de sua gripe, assim deixando as duas mulheres sozinhas com Bailey, embora este não realmente entendesse o que acontecia. “Zola é uma menina muito curiosa. Você tem que tomar cuidado com o que diz ao seu redor, porque ela escuta tudo”

Amelia riu levemente. “Quando eu vim inicialmente a Seattle, vim para ver se eu poderia ser uma esposa, uma mãe. E eu vejo o jeito que você e Derek se olham, estão tão apaixonados que chega a ser irritante. E o jeito que Derek te trata.... Ele nunca tratou uma outra mulher assim, nem mesmo Addison, ele nunca amou uma outra mulher da mesma forma que te ama, então eu acredito que vocês conseguirão superar essas brigas. Mas meu ponto é: você é uma excelente mãe. Se meu filho me perguntasse o que uma ameaça significa, eu o mandaria ir assistir TV, porque não há como explicar o que uma ameaça é para uma criança de três anos. E foi por isso que eu terminei com James, eu não nasci para ser uma mãe”

“Eu também não nasci para ser mãe” Meredith confessou. “E eu estava tão insegura quando conseguimos a guarda de Zola, especialmente dado ao fato que Derek e eu estávamos... lidando com algo. E eu errei muito, ainda erro, tenho medo de que farei algo que arruinará suas vidas ou que os farão me odiar. Mas quando olho para trás e penso no tempo que não queria filhos, sinto-me como uma tola, porque meus filhos são a melhor coisa que já me aconteceu”

Amelia sorriu com a história. “Você é uma boa mãe. E não precisa se preocupar com eles te odiando, jamais um filho poderá odiar seus pais’

“Bem, só espere eles completarem 13 anos para ver o quanto me odiarão” brincou e ambas riram. “Eu vou checar Zola”

Silenciosamente, Meredith levantou-se e seguiu para o quarto de sua menina, na expectativa de encontra-la já vestida. Mas o que viu fez seu coração palpitar.

Ou melhor, o que ela não viu.

“Zola?” ela chamou o nome de sua criança. Podia ver as roupas espalhadas pela cama, significando que a menina a tinha obedecido quanto a trocar de roupa. Mas onde estava agora?

Como não conseguiu uma resposta, começou a gritar: “Zola!?”

Notas finais
DUN DUN DUN, o que será que aconteceu com a Zola? Será que ela está bem? Deixem suas especulações em seus lindos reviews hahah xoxo