Forgotten Love
16 Capítulo 15
Notas iniciais
Meredith abriu seus olhos, meio sonolenta. Não estava realmente dormindo, ao menos não o suficiente para entrar no sono REM e era neste momento que os seus pesadelos vinham e sua mente sabia que não poderia dormir profundo o suficiente para entrar em tal fase e permitir que sua filha a visse tendo um ataque de pânico.
Olhou ao seu redor, vendo que sua filha ainda dormia pacificamente bem. Pôs a mão em sua testa, dando graças ao perceber que sua febre não era mais tão agravante quanto antes.
Não sabia o que a havia acordado, mas era incerto que conseguiria voltar ao sono novamente. Não queria voltar ao sono. Levantou-se da pequena cama, garantindo com que Zola estivesse confortável, então seguindo para fora do quarto. A casa estava escura, não algo incomum para tal hora da manhã. Pessoas normais dormiam a tal hora, mas ela não era normal mais.
Seguiu para a sala, onde se acomodou no sofá, com uma manta envolvendo sua perna. Tinha somente a luz de um abajur acesa, mas esta era suficiente para manter seus medos afastados. Ao menos, parte deles. A escuridão e a solidão era seus maiores temores naqueles tempos.
Sentia a necessidade de falar com alguém, a solidão a fazia pensar em seu passado, um passado que preferia esquecer. Queria ligar para Derek, pedir-lhes desculpas por ser tão egoísta quanto à sua mais recente discussão, mas naquele momento, ele estaria provavelmente em um avião sobrevoando o país.
E naquele instante, ela desejava mais que nunca que tivesse apenas concordado em mudar-se para DC. Se tal ocorresse, ela não teria ficado até tarde brigando com seu marido e saído de casa apenas para ser estuprada. Mas mais principalmente, ela não precisaria enfrentar a solidão.
Meredith simplesmente o amava tanto, não conseguia imaginar sua vida sem ele. E sabia que ele o amava também, ela percebeu a dor em seus olhos quando lhe dissera que tinha que ir para DC. Ou talvez, se ele realmente amasse sua família, teria ficado. Não, ela não queria aquilo, não queria que Derek ficasse em Seattle e ressentisse-a.
Ele pode ser sonhador, mas não é o sol, você é, as palavras de Cristina constantemente ecoavam por sua cabeça, embora Meredith se sentisse de qualquer jeito menos como o sol. Era como se o homem que a estuprou tivesse arrancado seu brilho, e agora não passava de uma estrela ordinária. Ela era uma cirurgiã extraordinária, mas duvidava que jamais faria uma cirurgia novamente.
Sem mais saber o que fazer, pegou seu celular e ligou para a única pessoa que tinha em mente, a única pessoa que poderia oferecer-lhe um pouco de paz.
“Alô?”
E quando ela ouviu a voz do outro lado da linha, metade de seus problemas simplesmente desapareceu no ar.
“Alô?” a voz repetiu, ao não conseguir uma resposta imediata.
“Cristina” foi tudo que Meredith conseguiu dizer.
“Meredith?” a coreana disse, reconhecendo a voz perfeitamente. “O que está acontecendo? Deve ser por volta das... das duas da manhã em Seattle, o que você está fazendo acordada?”
“Quantas horas são aí?” foi a única coisa que saiu de sua boca.
“10:17”
“Oh, você está ocupada, então” concluiu.
“Sim, mas eu posso falar” Cristina respondeu. “O que está acontecendo?”
“Eu preciso conversar com alguém, e nós mal nos falamos desde que você chegou em Zurich.”
“Eu sinto muito. Eu estive ocupada, bastante”
“Não estou pedindo por desculpas, só estou dizendo. Eu estive ocupada nesses últimos dias também” disse, ocupada tentando simplesmente respirar.
“Yeah? Derek está fazendo da sua vida um inferno?”
Se fosse ao menos ele quem fez sua vida um inferno¸ ela pensou, mas respondeu: “Bem, não exatamente. Estamos apenas tentando sobrepor nossas diferenças” disse. Não poderia contar-lhe que apesar de uma briga ou outra, Derek estava agindo totalmente agradável com ela, dado às circunstâncias, não queria dizer-lhe quais eram as circunstâncias. Não acreditava que tinha coragem para tal. E sabia que seu marido estava sendo atencioso assim por causa do trauma que tinha passado.
“Afinal, vocês estão em Seattle ou em DC?” Cristina indagou.
“Eu não vou sair de Seattle, não posso dizer o mesmo por Derek”
“Então ele está em DC agora” ela mais afirmou que questionou.
“Sim, ele foi ontem à noite” respondeu.
“Diga-me, como você vai sobreviver sem sexo se a pessoa que te oferece sexo está do outro lado do país? Pessoas normais conseguiriam sobreviver, mas você é Meredith Grey, viciada em sexo. Espere, você não está planejando trai-lo, está? Porque isto seria horrível. Bem, não para você, você teria transado de um jeito ou de outro, mas para Derek. Imagine ser traído duas vezes? Owen me traiu uma vez e eu mal consegui lidar com isso, imagine então duas vezes”
Meredith não respondeu nada, sentindo uma dor vinda de seu coração. Sabia que Cristina estava apenas sendo sarcástica, mas o comentário não deixava de ser verdadeiro. Ela tinha deixado um homem usar deu corpo, um homem que não fosse seu marido. E apesar de não ter querido ou gostado do que lhe passou, ainda sentia como se tivesse o traído. Mesmo que Derek assegurasse-lhe várias vezes que ela não tinha, ainda se sentia culpada.
“Mer? Você está aí?” Cristina a chamou, estranhando a falta de resposta da outra.
“Sim” ela respondeu simplesmente.
Mas a amiga pôde perceber a distância na voz da outra. “Meredith, o que está acontecendo?”
“Nada, é que... Muito aconteceu desde que você partiu”
“Quem morreu agora no Seattle Grace Mercy Death? Embora o hospital tenha sido renomeado, então acho que tenhamos que mudar o nome também”
Meredith riu levemente. Sentia falta de sua pessoa mais que qualquer outra coisa, talvez só não tanto quanto de sua dignidade. Se ela inda tivesse em Seattle, as coisas seriam tão diferentes. “Como está aí em Zurich?”
“Tão bem quanto esperei” confessou. “Mas não tente mudar de assunto, você ainda não me disse o que aconteceu”
“Yeah, mas eu não quero falar sobre isso”
“Eu devo ligar para Derek para que ele me conte, então?”
“Você pode, mas eu duvido que ele queria falar tampouco”
“Ok, agora você está me preocupando. As crianças estão bem?”
“Oh, sim, elas estão perfeitamente bem” garantiu.
“Mer, eu sou sua pessoa, eu me preocupo com você. Diga-me o que aconteceu que eu a ajudarei”
“Não é... Não é algo que se conte pelo telefone”
“Pois você terá que me contar mesmo assim” Cristina protestou.
“Eu... você não estava ocupada?”
“Não mais”
“Cristina....”
Você sabe que eu não desligarei até você me disse o que a atormenta. E pode desligar na minha cara, mas nem que eu precise ligar para cada alma do hospital, eu descobrirei o que aconteceu” só então percebeu algo. “Oh, meu Deus”
“O que?” Meredith indagou em uma voz suave.
“Você congelou no momento em que eu falei sobre a traição. Você traiu Derek?”
“Cristina-“
“Quero dizer, não há problema se traiu, você tem seus motivos”
“Eu não traí Derek” respondeu, tomando uma respiração profunda. “Ao menos, não de propósito”
“Como você trai alguém não propositalmente?” Cristina ergueu uma sobrancelha.
Mereedith levantou-se e seguiu para seu quarto, pondo-se debaixo das cobertas. A cama estava fria, já que eram mais de duas horas e meia da manhã e era a primeira vez que ela tinha contato com o leito. Além do mais, Derek não estava lá para mantê-la quente. “Eu não quero falar sobre isso”
“Oh não, você não pode jogar uma bomba assim e simplesmente calar-se”
“É complicado”
“Boa coisa que eu tenho tempo para ouvir”
“Cristina...”
“Apenas me diga, Meredith. Você sabe que eu não a julgarei”
Sabendo que não tinha escolha, simplesmente disse: “Forçaram-me a trair Derek”
“Como assim?” Cristina estava perdida.
Meredith arrepiou-se toda, preparando-se para as três palavras que precisava dizer. Sabia que não poderia mudar seu passado, mas confessá-lo para sua melhor amiga era uma situação totalmente diferente. Assim, fechou os olhos e articulou sua língua: “Eu fui estuprada”
A linha subitamente se tornou muda. Cristina estava literalmente sem palavras, sua mente não conseguia processar as palavras de sua amiga. Não sabia o que dizer. O que se dizia para a melhor amiga que passara por um dos piores crimes da humanidade?
“Então eu acho que com isso completei a lista de coisas ruins que podem acontecer a uma pessoa. Bem, com exceção de ser assassinada, mas é uma questão de tempo até que isso aconteça” Meredith tentou brincar para aliviar a tensão do momento.
Mas Cristina ignorou seu comentário completamente. “Quando?”
“Logo após você ter ido para a Suíça” suspirou.
“Mer... Por que você não me disse antes?”
“Você estava ocupada demais vivendo sua nova vida”
“Sim, mas eu não estava ocupada demais para você”
Meredith não respondeu nada.
“Como você está?”
“Estou bem”
“Meredith, como você está?” perguntou uma outra vez, na expectativa que ela lhe daria uma resposta mais concreta.
“Eu estou deprimida, de acordo com Dra. Wyatt. Eu acho que ela está certa, porque se não fosse por Derek e pelas crianças, eu não teria lutado tanto para sobreviver o ataque. Porque esta dor que sinto é simplesmente tão grande que dói até mesmo para respirar. E eu não consigo dormir. Não durmo há dias e eu estou simplesmente tão cansada” havia um certo tom de apelo até o final de sua resposta.
Cristina engoliu um seco. Não sabia o que dizer ainda, Meredith estava certa, aquela não era um tipo de conversa apropriada para o telefone. Mas ainda assim, estava grata por não estar cara a cara com sua amiga, não sabia se poderia enfrentar seus olhos. Meredith era o tipo de pessoa que não falava sobre seus problemas, mas quando algo grave acontecia, seus olhos diziam tudo. “Por que você não toma algo para dormir?”
“Não, eu não quero me drogar mais ainda” respondeu. “E, não é como se um remédio pudesse manter os pesadelos distantes”
“Mas ainda assim, podem te ajudar” disse, mas a outra não respondeu nada. “Como Derek está agindo quanto a tudo?”
“Oh, ou ele é uma das pessoas mais doces e compreensíveis, ou um idiota, depende da hora do dia”
Cristina riu levemente. “Ao menos ele não a foçou a ir para DC”
“Ele não me forçaria, especialmente agora. Derek pode fazer o que bem quiser, mas não me forçaria a nada”
Não a forçaria porque ela já fora forçada a passar por um dos crimes mais brutais. Ele não a forçaria a fazer nada que não quisesse. Meredith poderia não dizer isso explicitamente, mas era óbvio.
“Então você está bem com o fato que Derek não está em Seattle”
“Claro que não” protestou. “Os momentos que Derek está viajando são os mais difíceis. Ele é o único que consegue me tirar de um pesadelo, ele é o único que consegue me fazer sentir segura, e se decidir mudar-se definitivamente para DC, eu não sei o que farei”
“Mer, Derek te ama. Ele não deixará você e as crianças sozinhas”
“Eu espero que você esteja certa” Meredith respondeu simplesmente, cansada demais para argumentar.
Então ela ouviu uma terceira voz na linha. Não conseguia entender o que falavam, provavelmente em francês. Ela sempre se interessou em línguas novas, mas sua mãe nunca se importou em arrumar-lhe aulas quando criança. E quando cresceu, acabou perdendo o interesse. Ela falava somente inglês.
Cristina logo retornou à linha. “Mer, eu sinto muito...”
Meredith suspirou, entendendo que sua amiga precisava ir. “Está tudo bem. Vá ser uma cirurgiã estrela”
“Ok. E você me ligue, independente da hora ou do dia. Apenas se mantenha firme, ok?”
“Okay”
Após uma breve despedida, Meredith desligou o telefone. Estava sozinha uma outra vez, sozinha no meio da escuridão. Desde criança, sempre teve terror do escuro, era lá que seus maiores medos moravam. Quando criança, o escuro significa a solidão, as noites longas que passava sozinha enquanto sua mãe estava no hospital. A medida que foi crescendo, essa solidão tornou-se em incerteza, uma incerteza que jamais se tornaria a pessoa extraordinária que sua mãe desejava que fosse. O escuro só se tornou um lugar confortante quando conheceu Derek, onde ele poderia protege-la dos perigos da noite. Mas agora, o escuro representava o maior de seus medos. Ela fora estuprada no escuro, ou seja, ficava indefesa no escuro, então temia que algo assim acontecesse novamente, mesmo que no conforto de sua casa.
Sem mais saber o que fazer, fechou seus olhos, em uma tentativa de bloquear a solidão que a cercava.
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