Forgotten Love

11 Capítulo 10 - Survivor


Notas iniciais
Ok, esse capítulo é o primeiro da fic toda a ter um título, então tenho que dizer que é um muito importante, em meu ponto de vista. Enjoy *-*

Meredith perambulava pelos corredores do hospital, sem algum rumo em mente. Não tinha para onde ir, a reunião do conselho seria em algumas horas ainda, e tanto Derek quanto Alex estava em cirurgia, então ela simplesmente estava sozinha.

Ela era acostumada com a solidão, passou maior parte de sua infância e adolescência sozinha, até mesmo parte de sua maioridade. De fato, ela só deixou de ser solitária quando chegou no, até então, Seattle Grace, foi lá onde achou sua família. E agora, a solidão a assustava.

Se ela não estivesse sozinha quando afogara, alguém a teria salvado mais cedo. Se Derek não estivesse sozinha, alguém poderia tê-lo impedido de ser baleado. E se ela não estivesse sozinha, além poderia tê-la salvado de ser estuprada. Meredith Grey tinha pavor da solidão.

Por tanto, tudo que ela fazia era perambular pelo hospital, na esperança de encontrar uma alma conhecida, porque por mais que não quisesse encontrar ninguém que soubesse sobre o que aconteceu, a solidão era pior.

Ela já tinha tomado o remédio que Dra. Wyatt lhe prescrevera e esperava por uma nova visão da vida atingi-la. Sentia-se estúpida, sabia que levaria mais de uma dose para realmente surgir algum efeito, mas queria tanto ficar melhor que estava disposta a acreditar em qualquer coisa.

E enquanto caminhava por um dos corredores, ouviu alguém gritando por ajuda. Um interno, mais precisamente. Parou à porta do quarto de onde os apelos vinham, deparando-se com um jovem interno bem nervoso. Não sabia se deveria entrar ou não, estava proibida de fazer cirurgia afinal, mas não poderia deixar uma pessoa morrer.

“Você é uma médica? Por favor, ajude-me” suplicou.

Com um pouco de hesitação, entrou no quarto e começou a examinar o paciente. “Seu estômago está rígido. Qual é seu ritmo?”

“Um, taquicardia, eu acho?”

“Não ache, saiba” revirou os olhos, pegando o prontuário do homem enfermo. “Ele está marcado para uma apendicectomia, mas seu apêndice aparenta rasgado, então nós temos que leva-lo para cirurgia imediatamente”

“Como você pode ter certeza?”

“Você está duvidando de sua atendente, doutor?” lançou-lhe um olhar fulminante, ao mesmo tempo em que bipava dra. Bailey. Podia estar incapacitada de fazer cirurgia, mas ainda poderia distinguir o básico.

“Eu sinto muito, você não está vestindo scrubs, então-“

“Quer saber? Apenas pare de falar” demandou, agindo como sua antiga versão de Medusa Grey. Fazia um bom tempo que não se sentia assim.

Foi questão de segundos até Bailey lá estar. “Você me bipou, Grey?”

“Sim, eu preciso que você leve o paciente para cirurgia, seu apêndice estourou”

“E? Faça você mesma a cirurgia”

Meredith mordeu o lábio inferior. Quem dera pudesse realizar a operação. “É meu dia de folga, eu não estou operando”

A outra mulher ergueu uma sobrancelha. “Se é seu dia de folga, o que você está fazendo aqui? E desde quando estar de folga a impediu de operar?”

“Por favor, Bailey...”

“Mesmo se eu quisesse, não posso. Eu tenho que dar um discurso para a diretoria do hospital”

Meredith revirou os olhos. “Bailey, ainda faltam três horas para a reunião, e uma apendicectomia não passa de uma hora e quinze minutos. E devo lembrar que eu ainda sou sua chefe, então você vai fazer a cirurgia”

Após lançar-lhe um olhar, Miranda finalmente concordou, levando o paciente para o centro cirúrgico. Meredith suspirou, odiava ter que usar seu título de dona de hospital, especialmente com sua mentora, mas naquela situação, era necessário. Por outro lado, era grata pela fofoca de sua vida não ter se espalhado pelos corredores hospitalares, mas não sabia se algo assim acontecesse novamente, qual desculpa daria.

O interno assistiu à cena silenciosamente. “Isso foi quente”

Meredith revirou os olhos.

“Não me leve pelo lado negativo, mas eu não teria coragem de fazer isso”

“Lembra de quando eu lhe disse para calar a boca? Pois bem”

O homem riu levemente. “Hey, você quer tomar algumas bebidas após o trabalho?”

Sem se dar o trabalho de fazer contato visual, respondeu: “Eu sou felizmente casada” disse, apesar de não ter certeza se seu casamento estava realmente feliz nos últimos dias. “E, a política do hospital diz que é proibido o namoro entre funcionários”

Ela achava tal regra estúpida. O hospital era como família, não só para ela, mas como outros médicos. Fora lá que ela conheceu seu marido, onde encontrou sua filha, onde seu filho nasceu. O hospital era sua casa e os médicos, sua família.

“Oh, eu sinto muito, é que... Você não usa anel”

Sem nada dizer, ela saiu do cômodo. O anel que Derek lhe dera enfeitava sua estante, ela nunca sequer chegou a usá-lo. Não era o tipo de pessoa que usava anéis de noivado, e Derek sabia disso, entendia isso. Ele podia usar um anel, mas não a forçaria a usar um.

Mas este era a segunda pessoa em um pouco mais de uma semana a apontar que ela não usava anel. Para Meredith, uma simples aliança não era suficiente para representar o amor que sentia por seu marido, mas será que a falta de anel foi o que a fez ser estuprada?”

E ela tinha tantas perguntas sobre o que aconteceu que duvidava que conseguiria jamais as respostas. E por mais aterrorizada que fosse, tudo que realmente queria era uma chance de sentar-se rosto a rosto com o homem que tanto lhe causou dor e perguntar-lhe por qual motivo fez o que fez.

Sem mais saber o que fazer, saiu à procura de Owen Hunt. Este poderia não liberá-la para cirurgia, mas convencê-lo-ia de ao menos deixa-la praticar medicina. Porque no momento em que estava sendo uma médica poucos minutos antes, foi o único momento que não se sentiu deprimida ou machucada, mas sim, normal.

E encontrou-o na sala de emergência, que estava mais lotada que o normal. “Owen...”

Ele ficou surpreso em vê-la. “Meredith? O que... o que você está fazendo aqui? Não, isso não importa. Como você está?”

Mas ela ignorou todas suas perguntas. “Eu preciso que você me libere para consultas.”

“Hm, Meredith, você sabe que eu não posso fazer isso”

“Olha, eu não estou pedindo para fazer cirurgia, eu só peço para praticar medicina. Eu preciso disso”

Ele olhou em seus olhos. “Vá para casa. Aproveite esse tempo livre para ficar com Derek e as crianças” voltou sua atenção para o paciente.

Mas Meredith não tinha terminado. “Derek está em cirurgia, e-e as crianças estão na creche. Eu não aguento mais ficar presa entre quatro paredes apenas pensando no meu passado, Owen”

Suspirou. “Tudo bem, você pode fazer consultas, mas nada mais” demandou.

Após agradecê-lo, dirigiu-se pala a sala dos atendentes, com a intenção de mudar-se para os scrubs. Mas quando viu seu jaleco, uma nova onda de tristeza a atingiu. Indagava-se constantemente se jamais chegaria a realizar a profissão que tanto amava novamente, se teria a chance de segurar um bisturi novamente. Mas acima de tudo, indagava-se se seria forte o suficiente para se sobrepuser sobre seu passado.

E ela pulou de susto quando alguém também entrou no susto. “Meredith? O que você está fazendo aqui?”

Ela olhou para Alex. “Eu pensei que você estava em cirurgia?”

“Eu estava em cirurgia, mas você ainda não respondeu minha pergunta”

Meredith mordeu o lábio inferior. Não queria que as pessoas soubessem que estava em terapia, era como um sinal de fraqueza. Mas Alex já a tinha visto em seus piores momentos, então talvez não a julgaria. “Hm... eu estava em terapia”

“Oh... Como que foi?”

“Bem, eu acho. Eu me sinto mais leve, sabe?”

“Isso é bom, Mer” disse simplesmente.

“Yeah. E Hunt me liberou para fazer consultas, então...”

Ele sorriu levemente, mas logo mudou de assunto. “Você já tirou seus pontos?”

“Não, eu... eu ia pedir para Derek, mas ele não precisa ter tais imagens em sua cabeça”

“E quanto a você? Tampouco precisa, e ainda assim, vive com as imagens”

Ela sorriu condizentemente. “Essas imagens são tão ruins que ninguém precisa tê-las na cabeça, portanto eu sou grata por tê-las apenas para mim mesma”

Alex concordou. “Ok, então me deixe tirar seus pontos”

“Alex...”

“As suturas não podem ficar em seu corpo para sempre. Deixe que alguém de confiança as tire”

“Tudo bem” suspirou.

Sem mais nada dizer, os dois seguiram para a sala de exame mais próxima, onde Meredith se deitou na mesa fria. Silenciosamente, Alex removeu os pontos de seu peito, antes de chegar na parte mais difícil. “Tire sua calça, Mer”

E assim ela fez. Tirou-as e cobriu suas pernas com um lençol, fechando seus olhos. Não precisaria olhar para Alex enquanto este tirasse seus pontos internos, a humilhação que sentia naquela posição já era suficiente.

Mas por mais que tentasse, Meredith simplesmente não conseguia ficar calma.

Sua visão estava embaçada, mas ela ainda conseguiu ver seu estuprador deixar o beco. Lágrimas de alívio desciam por seu rosto. Meredith tinha sobrevivido.

Mas ela não podia se mexer. O medo misturado com a dor e o choque que sentia impossibilitava-a de mexer. Ela podia ser uma sobrevivente, mas não se sentia como uma. Sobreviventes eram, em sua maioria, fortes, e ela estava mais fraca do que nunca.

E após vários minutos inerte no chão frio, Meredith finalmente conseguiu se levantar. Colocou suas roupas – ou o que sobrava delas, pegando sua bolsa e pondo-se de pé. Ela estava tonta e teve que se apoiar contra a parede para não cair de volta ao chão. E assim, cambaleou até chegar à rua principal.

Mas foi pega de surpresa, uma outra vez. No momento que seu pé alcançou a calçada, o mesmo homem que a atacara volta a faca para seu pescoço. Ela petrificou.

“Diga-me uma razão para eu não a matar”

Ela engoliu um seco, antes de falar: “Eu nasci e cresci em Seattle, até que minha mãe me levou para Boston, onde me tornei uma médica. Eu me tornei médica para salvar vidas e seria muito irônico se tirassem minha vida. Eu me casei e tive filhos. Como você pode ver, eu sou a filha de alguém, a esposa de alguém, a mãe de alguém. Você não pode me tirar deles”

Meredith se lembrava fielmente da vez que April Kepner escapou de uma bala e seu marido não simplesmente por contar a história de sua vida. Ela assistiu toda a cena. E de alguma forma, adiantou. O homem tirou a faca de seu pescoço e saiu correndo, dando Meredith a oportunidade de correr de volta para seu carro. Trancou-se lá dentro, sem sequer mais se lembra da dor de cabeça que tinha.

A única coisa que fez foi uma nota mental para agradecer April posteriormente.

“Meredith, você pode relaxar agora, já acabou” Alex tentou confortá-la, embora não conseguiu resposta alguma. Percebeu que ela estava em qualquer lugar menos ali, portanto pegou sua mão e começou a falar algumas palavras calmantes, para trazê-la de volta à realidade.

E quando ela voltou, não disse nada, apenas levantou-se e colocou sua roupa. Podia sentir os olhos do outro sobre ela, mas simplesmente não se importava mais.

E estava prestes a sair do cômodo, mas virou-se para seu amigo, dizendo: “Eu sou uma sobrevivente, Alex. Então por que eu não me sinto como uma?”

Notas finais
Bem, eu acho esse capítulo estremamente importante porque a Mer finalmente descobre que é uma sobrevivente, mesmo que não se sinta como uma. Ela é uma sobrevivente, o que mostra que ela conseguirá seguir em frente. De qualquer jeito, não se esqueçam de deixar seus review :)