Notas iniciais
Hellooooo Primeiramente, peço desculpas por tanto tempo que passei sem atualizar, mas essas últimas semnas foram meio que corridas para mim, semana final de provas, apresentações de ballet, viagens de formaturas, e assim vai. Mas enfilm, perdoem-me. Recentemente eu descobriu que uma amiga muito querida a mim passou pelo mesmo que a Meredith está passando nesta fanfic, e honestamente, foi de quebrar o coração. Isso me fez indagar como o ser humano pode ser tão mal com um outro. Esse ocorrido também me fez aprofundar mais ainda nessa fic, torná-la, digamos, o mais real possível, o mais equivalente a realidade. Sendo assim, aqui está um capítulo novo. Enjoy *-*

“NÃO! SAIA DE CIMA DE MIM! DEIXE-ME IR!”

“Meredith... Meredith, está tudo bem. Sou eu, Derek, eu não vou machuca-la” Derek Shepherd tentava tirar sua esposa de seu mais recente pesadelo. Passara-se um pouco mais de uma semana desde o ataque e ela ainda era perturbada por eles, às vezes, até mais de uma vez por noite. Meredith sentia-se como se estivesse apenas piorando.

Ela abriu seus olhos de repente, seu corpo praticamente todo molhado com seu próprio suor. Enquanto ela tinha um olhar apavorado em seu rosto, Derek olhava para ela com compaixão. “Está tudo bem, Mer, foi apenas um pesadelo”

E após recuperar seu fôlego, ela abaixou os olhos. “Eu.... eu sinto muito”

“Não é sua culpa” dizia “Eu sei que você não quer ter pesadelos”

Ela suspirou, só então percebendo a vermelhidão do peitoral de seu marido. “Oh Deus, eu te bati de novo...?”

“Como eu disse, não é sua culpa. Você estava apenas se defendendo”

“Eu te machuquei, Derek”

Ele ofereceu-lhe um pequeno sorriso. “Mer, está tudo bem. Não é como se você pudesse machucar alguém com seus pequenos e ineficientes punhos”

Ela riu levemente, antes de deitar sua cabeça de volta no travesseiro, olhando para o teto. “Eu entenderei se você não quiser ficar comigo”

Ele fez o mesmo que ela. “Meredith, por favor, não vamos começar isso de novo. Eu não vou deixa-la”

“Só estou dizendo que não guardarei rancor caso decida deixar-me. Eu estou danificada, Derek”

“E como eu disse ontem, antes de ontem, e volto a dizer hoje, eu estou aqui para você” um certo tom de raiva surgiu em sua voz.

“Pois eu não quero que você comigo caso esteja com raiva de mim”

“Eu não estou com raiva de você”

“Pois parece que está”

“Eu sinto muito...” sua voz passou para um tom mais leve.

“Por favor, não diga que sente muito. Dizer isso apenas me faz sentir mais culpada ainda”

“Você não tem porque de se sentir culpada”

Ela revirou os olhos. “Sim, eu tenho. Eu não te deixo dormir à noite, sem contar que são várias as vezes que eu acordo eu acordo batendo em você. Nós não fazemos sexo desde que eu fui atacada, e desculpe-me, mas eu não estou pronta para fazer sexo tão cedo”

Ele finalmente voltou a olhar para ela. “Eu não me importo de fazermos sexo ou não, tudo que eu quero é ver você melhor”

“Pois bem, eu estou tentando ficar melhor, mas não significa que ficarei da noite para dia”

“Eu sei” respondeu simplesmente. Viraram seus corpos até que estivesse virados de rosto a rosto. Não disseram mais nada por vários momentos, apenas deixaram suas respirações se encontrarem. Estavam em um ponto de sua relação que palavras não eram mais necessárias para descreverem o que eles sentiam.

“Você vai para o hospital hoje?”

“Sim. Eu tenho uma consulta com a dra. Wyatt, além da votação para o novo membro do conselho”

“Oh Deus, é hoje?” ele indagou, em descrença.

“Yeah. Eu realmente espero que Alex ganhe o assento. Ele realmente merece o trabalho”

Derek fez uma cara. “Alex? Eu acho que Bailey seria muito melhor para o cargo”

“Alex não é a mesma pessoa de três anos atrás, aquele malandro que faria qualquer coisa para ter suas mãos em um bisturi. Ele cresceu, cirurgia não é mais a coisa mais importante em sua vida”

“Talvez, mas as pessoas mudam mas não mudam. No final do dia, ele ainda só se importa consigo mesmo”

“Você sabia que foi ele quem me convenceu a ir para o hospital após o estupro? Que me convenceu a fazer o kit de estupro? Foi ele quem trocou meus curativos, Derek. Ele não faria tais coisas alguns anos atrás”

Derek não respondeu nada. Machucava-o o fato que ela preferira recorrer a seu amigo a ele. Ele era seu marido, mas ainda assim, fora o último a descobrir sobre o ocorrido.

“Nós tínhamos brigado... Eu não tive a coragem de te procurar após a briga. Não se sinta ruim por eu não ter recorrido a você”

“O que...?”

“Eu sei que você está pensando sobre isso, mas quando eu fui estuprada, eu estava tão envergonhada, que não estava pronta para dizer-lhe o que aconteceu. Por isso eu norri para Alex, eu sabia que ele não me julgaria”

“Eu não te julgo, Meredith”

“Eu sei disso agora, mas.... eu estava simplesmente assustada demais” pausou por um momento. “Eu ainda estou”

“Você não precisa ter medo. Ele não pode te machucar mais”

“Você acha que eu não sei disso? Não acha que eu sei o quão ridícula eu sou? Mas isso não significa que eu não arrepio a cada som que ouço no meio da noite, ou suo com qualquer homem estranho que vejo”

“Meredith...”

“Quer saber?” levantou-se da cama. “Eu preciso arrumar-me para meu encontro com dra. Wyatt” seguiu para o banheiro, deixando Derek literalmente sem palavras.

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Meredith Grey girava o relógio em seu pulso incessantemente, sem dizer qualquer palavra. Sentia-se como seis anos antes, quando buscou ajuda à mesma psicóloga para seus problemas que agora tão estúpidos pareciam. Mas Dra. Wyatt tivera sucesso com ela, então Meredith tinha fé que a outra a ajudaria a ficar melhor. Precisava ajuda-la a ficar melhor.

Mas ela não dizia nada. Queria ficar melhor mas não encontrava força dentro de si para tal, não queria contar sua dor para o mundo, contar acabava a trazendo memórias que preferiria esquecer.

“Meredith, já se passou mais da metade da nossa sessão e você ainda não disse nada”

Ela simplesmente deu de ombros.

“Ok, por que você não me conta sobre o que a incomoda mais?”

Meredith continuou a olhar para ela sem expressão alguma.

“Eu não posso ajuda-la se você insiste em ficar calada”

E pela primeira vez, ela olhou nos olhos de Dra. Wyatt.

“Você é a segunda pessoa hoje a insinuar que eu não queira ficar melhor. Mas eu quero, porém não é tão fácil quanto todos pensam”

“Eu sei que não é fácil, mas por isso que você tem que falar. Esses tipos de ferida demoram tempo para sarar e quanto mais cedo você procurar ajuda, melhor”

“Eu procurei ajuda, cá estou eu afinal”

“Você pode estar aqui, mas sua mente não está” pausou por um momento, olhando para os olhos tão perdidos da mulher à sua frente. “Meredith, você conhece os cinco estados do luto?”

“Sim, mas eu não estou de luto. Ninguém que eu conheça morreu recentemente” fez uma cara, não entendendo onde sua psicóloga queria chegar.

“O luto não necessariamente vem com a morte apenas. Pode-se ter luto por coisas simples”

“Então você está sugerindo que eu esteja de luto por causa do estupro?”

“Sim, mas você talvez esteja de luto pela vida em geral”

“Como é possível estar de luto pela vida?” Meredith estava cada vez mais perdida.

“Meredith, o luto vem de todas as formas. Não vem apenas com a morte, mas também com a perda, com a mudança, com a vida. O que você passou é algo extremamente traumático, e não é sua culpa estar em luto. Mas o mais importante que você deve lembrar é que um dia não doerá tanto assim, e que você conseguirá olhar para trás sem ter memórias ruins”

“Mas como? Como eu conseguirei superar isso?”

“Bem, você deve começar por falar sobre o que aconteceu, não apenas comparecer em corpo a suas sessões”

Suspirou. “Ok, você quer que eu comece por onde?”

“Você pode começar por dizer o que está sentindo”

“Eu não sei o que estou sentindo” olho para baixo. “Sinto-me vazia”

“Raiva? Tristeza? Nada?”

“Bem, a cada vez fica mais difícil para eu sair da cama. Eu me esforço, por Derek, por nossos filhos, mas tudo que eu realmente quero é fechar a cortina, enfiar-me debaixo das cobertas e de lá nunca mais sair”

Dra. Wyatt escreveu algumas coisas em sua ficha. De fato, passou tanto tempo escrevendo que Meredith estava preocupada que seu prognóstico seria ruim, mas a outra logo falou: “Já passou por sua cabeça pensamentos de se auto machucar?”

E por mais abismada que estivesse com a pergunta, não poderia mentir. Tomou uma respiração profunda, antes de começar a falar: “O outro dia, eu estava sozinha em casa. As crianças estavam na creche e Derek... Eu não sei onde Derek estava, mas a questão é, eu estava sozinha e me deparei com uma faca na cozinha. E eu estava tão próxima de cortar meus punhos quando me veio a cabeça, e meus filhos? E meu marido? Eu não poderia deixa-los achar-me daquele jeito, traumatizá-los-ia para sempre. Eu me lembro perfeitamente da vez que minha mãe cortou seus punhos bem à minha frente, o quão assustador foi para mim, e eu não poderia fazer meus filhos passarem pelo mesmo. Joguei a faca para longe”

“Então você apenas parou por causa de sua família, não por você mesma”

Assentiu. “Eu não poderia coloca-los por tanta dor. Zola e Bailey precisam de sua mãe”

“Mas se você não fosse casada ou tivesse filhos, teria se matado?”

“Provavelmente” ainda era incapaz de fazer contato visual com a doutora.

“E quanto a seus amigos, eles não sentiriam sua falta?”

“Cristina está do outro lado do oceano, vivendo sua vida. O mesmo para Alex, apesar de ainda em Seattle. Ambos têm suas vidas, poderiam até sentir minha falta, mas logo seguiriam em frente”

“Meredith, você tem que tirar a ideia da cabeça que não é importante. Pessoas além de Derek e seus filhos dependem de vocês. Apenas pelo que eu vi pelo hospital, você e Alex são praticamente irmãos. Richard Webber é praticamente seu pai e Cristina é sua melhor amiga. Eles ficaram devastados caso a vissem tentar se matar”

“Yeah, eles ficaram em tremenda dor, mas e quanto à minha dor? Minha dor que basicamente me impede de respirar?” indagou, uma voz cheia de apelo. “Eu sei que estou sendo egoísta, mas esta dor é tão grande que tudo que eu posso pensar é o quanto dói”

“Sim, dói, mas você não pode deixar que a dor controle sua vida. Você pode sobreviver apesar da dor, porque, Meredith, mesmo que você se livre dessa dor, a vida sempre fará mais”

“Mas como? Como eu viverei com essa dor?”

“Eu vou te prescrever um remédio”

“Remédio? Não, eu não quero drogas”

“Você está deprimida, Meredith. Tome as pílulas, sentir-se-á muito melhor”

Mas a paciente se prendeu à primeira sentença. “Eu estou... deprimida? Você está sugerindo que eu tenha um dos cincos estados do luto?”

Dra. Wyatt simplesmente balançou a cabeça.

“Então se eu tenho depressão, eu ainda passarei pelos outros estágios do luto?”

“Talvez, talvez não. Você não precisa necessariamente passar por todos eles”

Ela ficou um tempo em silêncio. “Então, quando Derek ainda não sabia, eu não sentia como se realmente tivesse acontecido, mas quando lhe contei, tudo se tornou real. Isso é uma forma de negação?”

“Pode ser, e você conseguiu superar isso, não? Então conseguirá superar a depressão também”

“Como?” voltou a perguntar.

“Bem, você pode começar por tomar as pílulas” entregou-lhe a prescrição.

“Ok” Meredith disse simplesmente.

“Temo dizer que nosso tempo acabou. Estou feliz com o progresso que fizemos, mas apenas lembre-se de respirar”

“Você pode ao menos me liberar para cirurgia?”

“Tanto você como eu sabemos que isso não é possível” respondeu.

Meredith suspirou. “Tudo bem” murmurou, antes de se levantar e seguir para fora do consultório.

Notas finais
Ok, por favor, não me mate, hehuhahe. Eu sei que vocês podem estar pensando "como a Meredith poderia tentar se matar", mas se isso acontecesse no seriado, eu não duvido que isso poderia acontecer. Como estou de férias, façamos um combinado: a cada cinco reviews por capítulo, eu postarei um capítulo novo, independente do dia ou da hora, combinado? Xoxo