Forgotten Love
8 Capítulo 7
Notas iniciais
Foi uma viagem silenciosa e constrangedora até o hospital. Durante todo o percurso, Meredith encarou para a janela, sem dizer nenhuma palavra, por mais que Derek tentasse com ela conversar.
E demorou alguns chamados para ela perceber que estavam dizendo seu nome. “O que?”
“Nós chegamos no hospital, mas não há nenhum lugar para eu estacionar, então esperarei aqui enquanto você pega as crianças”
Ela engoliu um seco. “Você quer que eu vá sozinha busca-las..?”
“É muito difícil, Meredith?” perguntou, com raiva, já cansado da inseguridade de sua mulher. “Só porque você foi estuprada não significa que pode parar de viver sua vida”
Meredith lançou-lhe um olhar fulminante antes de sair e bater a porta do carro. Estava com raiva, palavras de seu marido nunca a machucaram tanto quanto naquele momento. Ela não estava parando de viver sua vida, estava procurando meios para continua-la e sofria ao pensar que Derek não reconhecia isso.
Tomou uma respiração profunda antes de entrar no hospital. Sentiu sua pele arrepiar quando entrou.
O hospital por maior parte de sua vida foi considerado como sua casa, o lugar que encontrava conforto. Mas naquele momento, não passava de um hospital. Ela se sentia envergonhada ao voltar ali.
Baixou a cabeça enquanto caminhava pelos corredores do local, sentindo olhos de todos sobre ela. Ou encaravam-na por causa de sua cara de choro, ou porque sabiam sobre o que havia acontecido. Ela não queria que as pessoas soubessem sobre seu segredo, mas mais cedo ou mais tarde, todos descobririam. Lembrava-se de anos antes, quando todos lhe encaravam por ter sido a interna burra o suficiente para dormir com o atendente casado, sendo que nos dias atuais, invejavam-nos completamente. Eram o único casal do hospital cujo relacionamento não fora por água abaixo – até agora, ao menos. Mas o jeito que lhe encara, naquele momento fazia-a querer desaparecer.
“Meredith? O que você está fazendo aqui?” virou-se para deparar-se cm Alex. “Você está chorando? Seu rosto está vermelho”
Mas ela nem percebera as lágrimas formadas no canto de seus olhos. “Eu não estou chorando, eu.... Derek é um idiota, só isso”
“Todos já sabem disso, mas o que a leva a perceber que ele é um idiota?”
“Ele apenas disse algumas palavras que...” balançava a cabeça negativamente. “Não é nada, eu devo ir” continuou a andar.
Alex a seguiu, entretanto. “Onde você está indo?”
“Eu preciso pegar as crianças na creche” disse sem olhar para trás.
“O que elas estão fazendo aqui? Você nem está trabalhando”
“É uma longa história, apenas me deixe ir”
Mas ele não deixou. Segurou-a pelo braço e levou-a para o armário de suplementos mais próximo. “Alex, por favor, deixe-me ir. Derek está esperando por mim”
Ele lhe lançou um olhar. “Derek, o idiota?”
Meredith revirou os olhos. Não suportava ver os outros falando mal de seu marido bem a sua frente. Ela podia falar o que quisesse dele, além do mais, era seu esposo¸ mas pelo mesmos motivos não aguentava os outros assim falando dele. Derek até poderia ser um idiota, mas era o seu idiota.
“Alex-“
“Acalme-se, respire um pouco” ele dizia. “Você quer me dizer o que aconteceu?”
“Não, eu só quero ver meus filhos”
“E você quer que eles a vejam assim, com a cara toda vermelha?”
Meredith simplesmente abaixou a cabeça.
“Você não precisa me dizer o que aconteceu, apenas me deixe ficar aqui consigo até se sentir melhor?”
Ela concordou, ainda sem dizer nada.
“Você já trocou seus curativos?” ele continuou a perguntar.
“Não, eu... Eu não tive tempo para tal”
“Ok, entoa, levante sua blusa” disse, enquanto procurava pelas coisas necessárias para trocar um curativo no armário.
“Alex...”
“Não precisa ter vergonha, Mer. Eu sou seu amigo, eu estou aqui para ajudá-la”
Após uma longa respiração, ela simplesmente arrancou sua blusa, permitindo que Alex cuidasse de seu machucado. Assistiu-o trocar a gaze. “Você acha que deixará uma cicatriz?”
“Eu não sei, mas mesmo se deixar, não faz diferença. Cicatrizes a fazem forte”
Mas ela discordava completamente. “Não, cicatrizes apenas me fazem lembrar de tudo que perdi”
“Não seja dramática, você não perdeu nada”
Eu perdi minha dignidade, pensou, embora não disse as palavras. Alex era homem, ele não poderia entender o quão humilhante ser estuprada era, o quão impotente ela se sentiu e ainda se sentia.
Pôs a mão na parte de trás de sua cabeça, então sentindo a cicatriz obtida quando seu avião caiu. Odiava aquela cicatriz, esta a fazia lembrar do quanto sentia saudade de sua irmã, do medo ao pensar que Derek morrera ou a angústia de imaginar que nunca mais sairiam da floresta. E agora, esse corte em seu peito nunca a deixaria se esquecer da pior noite de sua vida, não que os acontecimentos tivessem chances de sequer saírem de sua mente.
“Pronto” ele disse, uma vez finalizado. “Então, você contou a Derek?”
“Contei” respondeu simplesmente.
“E...?”
“E eu não acho que deveria ter contado. Eu digo, ele é compreensivo e tudo, mas... Eu não sei, eu só acho que não deveria ter-lhe contado”
“Derek te ama, Mer. Ele só quer que você fique melhor”
“Sim, mas... é difícil para ele”
“Não tão difícil quanto é pra você” ele argumentou.
Meredith mais uma vez ficou cabisbaixa. Sentia-se como um fardo para Derek e não sabia até quando ele aguentaria como ela.
“Olha, Cristina foi embora e não me deixou apenas suas ações do hospital-“
Ela arregalou os olhos. “Cristina deu-lhe as ações do hospital?”
“Sim, mas esse não é o ponto. O ponto é que ela me deixou você também. É apenas nós dois agora. Então se você precisar de alguém para reclamar sobre a vida ou apenas para...”
“... ser minha pessoa”
Ele fez uma cara. “Eu não sei o que você quer dizer”
“Sabe, sim” disse, então caminhando em sua direção e passando seus braços ao seu redor. Alex abraçou-a também. “Eu só não sei se meu casamento consegue sobreviver isso”
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Após seu momento com Alex, Meredith dirigiu-se para a creche, pegando seus filhos e voltando para o carro. Teve um pouco de dificuldade em carregar duas crianças adormecidas em seus braços, mas conseguiu.
Uma vez que os colocou em suas cadeirinhas, entrou no banco de passageiro, deparando-se com um Derek bem irritado. “Quarenta e cinco minutos. Quarenta e cinco minutos para ir na creche e voltar”
Ela revirou os olhos.
“Eu estou falando com você, Meredith”
“E eu estou te ignorando”
Derek começou a dirigir. “Por que você me ignora? Eu não entendo. Eu quero te ajudar mas você impossibilita isso”
“Você quer me ajudar, Derek? Então comece por não jogar na minha cara que eu fui estuprada. Como se não fosse suficiente a memória constante dele passando suas mãos por todo meu corpo, você dizendo isso não me ajuda. E ainda, insinuou que eu parei de viver minha vida, mas agora me diga, Derek, realmente espera que minha vida seja a mesma após tudo que aconteceu? Eu não sou a mesma pessoa que era antes e estou tentando achar meios de seguir em frente, mas não é tão fácil quanto parece. E você... Você é meu marido. É a pessoa que eu mais preciso neste momento, e quando você me acusou de usar o estupro como desculpa para parar de viver, me machucou”
O olhar do homem alternava entre a estrada e sua esposa. “Meredith, eu... eu sinto muito. Sobre tudo. Eu acho que ainda não tive a chance de lhe dizer isso, mas eu sinto muito que você teve que passar por tremenda e dor e eu sinto muito que não estava lá para salvá-la”
“N-não é sua culpa” ela gaguejou. Odiava quando as pessoas lhe diziam que sentiam muito, sentir muito não a fazia bem quanto ao que aconteceu. Mas por alguma razão, seu coração doía ao ouvi-lo dizer tais palavras.
“Mas eu sinto como se fosse. Eu não estive lá para protege-la”
“Ninguém poderia prever o que aconteceria. Eu não pude prever”
“Mas isso não muda o fato que eu sou seu marido, que eu fiz votos para protege-la acima de tudo e falhei” ele pegou sua mão, em um gesto carinhoso. “Eu te amo tanto, Meredith, e eu não consigo vê-la em tanta dor, e toda vez que olho para você, vejo o sofrimento que está, e isso simplesmente me mata”
“Derek...”
“Sabe o que eu fiz durante aqueles quarenta e cinco minutos? Eu pensei a dor que esteve, o pavor que sentiu... E esses são os únicos pensamentos que passam pela minha cabeça, porque essa injusta vida lhe jogou uma tortura que nenhuma pessoa deveria passar” lágrimas formaram-se em seus próprios olhos.
E ela quem acabou confortando-o. “Olhe para mim” ela exigiu, uma vez parados em um sinal vermelho. “Eu estou bem aqui, eu não vou a lugar algum. Eu sobrevivi, Derek”
E pelos próximos segundos, ele apenas segurou sua mão, ignorando as buzinas incessantes dos outros carros quando o sinal tornou-se verde. “Eu te amo, Mer” disse pela enésima vez naquele dia, embora tais palavras nunca deixavam de serem verdadeiras.
“Eu também te amo, Derek”
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