Forgotten Love
9 Capítulo 8
Notas iniciais
Era uma tarde ensolarada no parque, algo parcialmente incomum em Seattle. Os dias em sua maioria eram chuvosos, então a família Grey Shepherd planejava aproveitar o dia o máximo possível.
Zola brincava alegremente em um tanque de areia ali presente, enquanto Bailey estava sentado a um gramado aos pés de Meredith e Derek, balançando o chocalho de um lado para o outro.
Meredith assistia atentamente ambas suas crianças, não se sentindo confortável quanto estarem em um lugar totalmente público. Não entendia, nunca se importou de trazer seus filhos ali, de fato, era uma de suas atividades favoritas, mas agora, estava apavorada só de ficar ali.
“Meredith, Zola e Bailey estão bem. Nada vai acontecer com eles, nem a você” Derek dizia, tentando acalmá-la. Ela podia não dizer nada, mas ele podia perceber sua inquietação.
“Eu sei” respondeu, seus olhos ainda em seus filhos fixados. Derek não entendia seu medo, não poderia compreender que qualquer pessoa ali poderia ser o homem que a atacou.
Derek passou um braço ao seu redor, permitindo-a que deitasse sua cabeça em seu ombro. Uma de suas mãos estavam dadas. “Você... Você deu parte na polícia?” ele perguntou, após um tempo em silêncio.
“Sim”
Ele suspirou. “Você não precisava fazer isso sozinha. Eu poderia estar aqui com você”
Mas ela balançou a cabeça negativamente. “Derek, eu estou grata por você não estar lá. Os detalhes de tudo que eu passei.... Eu não quero que você os tenha em sua cabeça como eu os tenho na minha”
Derek puxou-a para mais perto ainda, dando um beijo no topo de sua cabeça. Ele não queria os pensamentos sobre a tortura de sua mulher, já era suficiente vê-la em tremenda dor e ele era maravilhado por ela ser tão altruísta em não querer dividir a sua dor. Mas ainda assim, ele daria qualquer coisa para livra-la do sofrimento.
“A polícia... Acharam alguma coisa até agora?”
“Podemos por favor falar sobre outra coisa? Eu não quero que a única coisa de que falamos seja sobre o estupro”
“Ok” ele disse simplesmente.
“Como foi DC?”
“Ugh, eu não sei. Eu não gosto de ir para lá se for para ficar longe de você e das crianças”
Ela engoliu um seco. “Derek, o que nós vamos fazer?”
“Eu não sei... Você não quer deixar Seattle após o que aconteceu?”
“Não, eu preciso ficar aqui. Meus amigos estão aqui, eu preciso deles mais que nunca”
“E quanto a mim? Você não precisa de mim também?”
“Derek, você é meu marido. Você é a única pessoa capaz de me pegar quando eu caio, mas há coisas que eu simplesmente não posso ou consigo lhe contar”
Eles não gritavam, não tinham fúria ou raiva em sua voz. Apenas opinavam sobre onda queriam viver, ele ainda com um braço ao redor dela, ela, com sua cabeça deitada em seu ombro.
“Com licença” um homem chegou a frente do casal. “Este banco está ocupado?” referiu-se ao espaço vazio ao lado de Meredith.
Eles simplesmente negaram com a cabeça, sem moverem sequer um músculo. Mas Meredith não estava tão bem quanto aparentava. Quem era aquele homem? Por que ele quis sentar-se ao seu lado quando havia tantos outros bancos vazios pelo parque? E se ele fosse o homem que a estuprou?
E para aumentar seu pavor mais ainda, o homem não parou de falar: “Eu amo dias ensolarados, já que são tão raros. E não há nada melhor que ver a alegria das pessoas quando não chove”
Meredith olhou para baixo, procurando por seu filho. Bailey ainda estava na mesma posição de antes, porém não balançava o chocalho mais. E quanto a Zola, continuava a construir um castelo de areia. Ambos estavam bem, mas ela não queria nada além de pegá-los e protege-los do mundo em seus braços.
Mas para pior a situação mais ainda, Derek respondeu-o: “Eu não sei, por mais que quase não faça sol, ainda há um certo brilho na chuva”
O sujeito concordou. “E você, jovem dama, qual clima prefere?”
Meredith não respondeu, apenas olhou para Derek. “Nós podemos por favor irmos para casa?”
“Claro” ele respondeu, sem hesitar, ao ver o terror nos olhos de sua mulher. “Vamos para casa”
Ajudou-a a levantar-se e sem muito dizerem, pegaram as crianças e foram para o carro.
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A noite logo chegou.
Zola e Bailey já estavam em suas camas enquanto Meredith estava sentada à mesa da cozinha, simplesmente folheando uma revista, embora não estivesse realmente prestando atenção. Estava cansada demais para reparar nas fofocas do mundo das celebridades. Não dormia há quatro dias, já que sempre que tentava, era aterrorizada por pesadelos.
Derek a assistia de longe, sem ela perceber. Estava tão preocupado com sua esposa, tudo que queria era poder tirar sua dor, seu tormento. E o olhar perdido em seu rosto simplesmente o matava.
Após um tempo naquele silêncio, ele caminhou até ela e pôs as mãos em seus ombros, como numa tentativa de chamar sua atenção. Mas para a surpresa de ambos, ela literalmente pulou de susto.
“Derek, eu... eu sinto muito, eu-eu não quis assustar assim” ela gaguejou.
“Meredith, acalme-se. Não é sua culpa, você não esperava que eu aparecesse do nada”
“Ainda assim, eu não deveria me assustar tão facilmente assim”
Ele começou a massagear seus ombros. “Relaxe, você está muito tensa”
Meredith não respondeu nada. Sentia-se culpada por fazer Derek ter que aturar seus danos, tudo que queria era ficar melhor para ele e seus filhos, mas por algum motivo, ela se sentia como se apenas ficasse pior.
“Vamos para a cama, já está tarde”
Ela concordou e levantou-se, mas não se dirigiu ao quarto como de esperado, e sim passou em cada porta e janela, certificando-se que estavam seguramente trancadas. E os olhos de Derek assistiam a cada movimento que ela fazia. “Por favor, não diga nada. Eu sei que sou ridícula”
“Você não é ridícula” foi tudo que respondeu.
“Por favor, nem perca seu tempo mentindo. Ambos nós sabemos o que você pensa”
Mas ela estava errada, ele não a achava ridícula. Pelo contrário, de fato. Sua força o impressionava cada vez mais. Não era qualquer pessoa que sobreviveria o que ela passou e ainda teria a destreza de fechar as portas e janelas sem a vergonha do mundo julgá-la. Ele não conseguiria fazer tal.
Logo, o casal estava deitado na grande cama de casal, ambos olhando para o teto. A lua estava alta no céu, trazendo luminosidade para o quarto, no qual Meredith era parcialmente grata. Odiava o escuro, era lá que seus medos mais profundos viviam.
Nenhum dos dois conseguia dormir, entretanto. Meredith era insegura demais para entregar-se ao sono, enquanto Derek se preocupava demais com ela para dormir antes. Então os dois passaram diversas horas totalmente imóveis, simplesmente encarando o teto.
O relógio ao lado da cama já indicava quase uma da manhã.
“Meredith” ele disse após horas de silêncio. “Você não vai dormir?”
Ela tomou uma respiração profunda. “Eu não consigo dormir”
Pela primeira vez, eles fizeram contato visual. “Eu imagino o quanto seja difícil, mas você precisa dormir”
“Eu não consigo, toda vez que fecho meus olhos, meu corpo volta para o beco onde fui... estuprada” esforçou-se para fazer contato visual com seu marido, mas seus olhos vacilaram para outra direção até o final da sentença.
“Você está segura, Meredith. Ele não pode te machucar”
Ela fungou. Queria tanto poder falar com Derek sobre o que aconteceu, mas sabia que se contasse, sua relação jamais seria a mesma. “Você não entende...”
“Então me faça entender”
“Derek, eu não posso te contar o que aconteceu. Se contar, você nunca mais me olhará da mesma forma”
Ele pôs a mão em seu rosto. “Eu te amo, Meredith, e isso é um fato. Eu jamais serei capaz de parar de te amar, não importa o que faça, o que diga. Eu te amo...”
“...mesmo quando você me odeia” completou e ele assentiu. E sem pensar duas vezes, ela começou a falar: “Ele me ameaçou. Bem, ele disse que eu contasse a alguém sobre o que aconteceu, ele faria certeza que eu não visse o próximo aniversário dos meus filhos, então eu não sei se ele estava ameaçando-me ou as crianças. E eu denunciei o crime, então, e se ele decidir vir atrás de nossa família? Eu estou com medo por mim mesma, estou com medo por nossas crianças. Eu não posso viver sabendo que eu causei qualquer coisa a elas, Derek”
Derek pôde deixar de sentir um frio na barriga ao ouvir sua história, mas manteve sua compostura. “Mer, você está segura. Nossas crianças estão seguras. A ameaça foi apenas um meio de te assustar, não será real enquanto você não deixa-la consumir seus medos”
Ela balançou a cabeça, as palavras de seu marido a acalmando um pouco. “Eu ainda não acho que consigo dormir. Não importa o quê, ele sempre está na minha cabeça”
Meredith não sabia o porquê de estar contando tudo aquilo para Derek, mas uma coisa era certa: sentia-se melhor, com um peso menor sobre seus ombros, até mesmo. “Venha aqui” chamou-a, acolhendo-a em seus braços.
De bom grato, Meredith deitou sua cabeça em seu peito nu, escutando as batidas incessantes de seu coração. Ela ainda não conseguia ser tocada por um homem, muito menos ser vista nua por um, mas sabia que Derek jamais seria capaz de machuca-la, o máximo que poderia fazer era enchê-la de amor.
E ele a segurava tão fortemente que era como se seus corpos fossem um só. “Feche seus olhos, Mer” ele disse, sua cabeça ancorada na dela, o cheiro de lavanda de seu cabelo agradando seu nariz.
Meredith chegou a fechá-los, mas abriu-os em questão de segundos. “Eu não consigo, eu-eu...” sua voz passou de calma para um tom de desespero.
“Shh, está tudo bem, eu estou bem aqui” ele dizia, acariciando seu rosto com seu polegar, em tentativas de acalmá-la. “Feche seus olhos”
“Derek, eu já lhe disse, eu-eu não consigo”
“Apenas feche seus olhos e siga minha voz”
E depois de algum tempo, ela finalmente criou coragem e fechou-os.
“Lembre-se daquela que vez que levamos as crianças para a praia, em Los Angeles”
“O que você está fazendo?” ela perguntou, sem abrir os olhos.
“Não fale, apenas escute” disse e continuou logo em seguida: “Nós achamos uma praia isolada e não havia ninguém lá, mas ainda assim, era extremamente bonita, a areia era branca e o mar, praticamente transparente. Era a primeira vez que Zola via o mar e ela estava tão animada que quis ir para a água imediatamente. Mas, ela tinha pavor da areia debaixo de seus pés, então você passou o dia todo com ela nos braços dentro do mar, brincando na água, enquanto eu e Bailey ficamos na areia a maior parte do dia. A única vez que entramos na água foi quando Zola quis brincar de bola, meninas contra meninos. Nós deixamos vocês ganharem, obviamente. Eu não sei quanto a você, mas aquele foi um dos melhores dias da minha vida, em que nós podemos ser simplesmente uma família. E quando voltamos para o hotel, estava tão cansada que tudo que queria era dormir, mas Zola por algum motivo insistiu em dormir na grande cama consigo, enquanto eu tive que dormir naquela pequena cama que arrumaram para Zo. Eu não consegui dormir praticamente nada naquela noite, mas eu não liguei, já que a imagem de vocês dormindo abraçadas era uma das mais bonitas que já vi”
E como previsto, Meredith dormia pacificamente sobre seu peito, seus roncos como uma música para seus ouvidos. Teve uma época que ele não conseguia dormir ao seu lado sem tampões de ouvido, mas agora, seus roncos eram realmente como música. De fato, ele tinha dificuldades para dormir sem eles.
“Boa noite, Meredith, eu te amo. Você está segura em meus braços”
Mas naquela noite, ele não conseguiu dormir. Passou toda a noite prometendo a si mesmo que não deixaria a mulher que amava mais que tudo machucar-se novamente.
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