Forgotten Faces
14 Walking After You
Notas iniciais
POV Jacky.
Em pouco tempo estava ofegante, corria incessantemente pelas calçadas desviando de todo e qualquer pedestre distraído que surgia em meu caminho. O dia estava muito quente, precisei parar para comprar uma garrafa d’água em um velho quiosque já perto da praia. Teria que andar muito ainda para chegar ao estúdio e aquilo era desanimador. Engoli a garrafa em pouco tempo sentindo meu corpo absorve-la mais rápido que o normal. Foi então que percebi minha localização: Estava bem na entrada da rua de Matt, o que era irônico. Cheguei a cogitar a ideia de passar por lá, o porquê eu não sei. Suspirei e decidi continuar a caminhada até mesmo pela falta de opção. Mal desencostei do quiosque e senti o celular vibrar no bolso traseiro do short.
– Jacky querida? – A voz da Senhora Sullivan ecoou do outro lado da linha.
– Aconteceu alguma coisa Tia Barbara?
– Oh não, na verdade tenho uma ótima notícia para você! – Ela parecia bastante contente. – Eu fiquei pensando sabe, e alguma coisa me dizia que você precisava de uma mãozinha minha nessa história.
Ok, agora eu estava curiosa, o que a Senhora Sullivan estava aprontando?
– Uma... Mãozinha?
– Liguei para o Jimmy agora como quem não quer nada sabe? Apenas uma mãe preocupada. – Ela falava orgulhosa sobre a trama. – E fiz algumas perguntas como quando ele ia para a Europa mesmo e ele me respondeu que os planos mudaram! Parece que o Mattew encontrou uma ex namorada, lembra da Val? Aquela loirinha? Um doce de menina! Ajudou eles com aqueles shows em Orange Coutry ... Que garota adorável! – Ela então acordou de seu devaneio e voltara ao assunto. – Mas enfim... Parece que no momento estão em um tipo daquelas festinhas caseiras que vocês costumavam fazer sabe? Jimmy falou que estavam na casa de Mattew se não me engano, com alguns velhos amigos, comemorando a volta repentina pra cá!
– Tia barbara isso é ótimo! Você é tudo, não sei o que faria sem você! – Não acreditava, ia conseguir economizar energia para dar uma surra em Jimmy depois de tudo isso, eu praticamente já estava na casa de Matt.
– Você sabe que sempre fiz muito gosto de você minha querida. Eu faleeeei! Des de que vocês eram pequenos eu falava “ Há esses dois vão dar em alguma coisa!” – O pior é que isso era verdade.
– Hahaha... Pois é – Fiquei sem graça, mas dei de ombros. Tia Barbara era praticamente minha mãe, por isso não tinha vergonha ou cerimônia com a mesma. – Agora tenho que ir, estou bem perto da casa do Matt e não dá mais pra perder tempo.
– Boa sorte Jacky, você merece esse meu filho abobalhado. – Ela brincou ates de desligar o telefone.
Suspirei aliviada e nervosamente. Segui reto para a rua em minha frente e, a medida em que eu me aproximava da grande casa azul de dois andares e altos portões negros, podia escutar a música aumentando gradativamente. O portão da garagem estava aberto, era por ele que você entrava e passava pela lateral da casa chegando a área de lazer. Parei na frente dele e pude ver uma grande miscigenação de pessoas e estilos já bem na entrada. Encostadas no portão pelo qual eu teria que passar primeiramente, estavam três lindas garotas loiras de short e parte de cima de um micro biquíni. Seguravam algum tipo de bebida irreconhecível ao longe, e pareciam bem entretidas com seus celulares, Já mais para o lado na entrada principal da casa vi um grupo conhecido de duas garotas e um cara sentados fumando. Era Jenna Collins, Sarah Kenned e Horácio Mastache! Jenna e Sarah eram da minha antiga classe de literatura, ambas góticas e namoradas. Fomos bastante amigas nessa época, elas era muito divertidas. Horácio era um garoto também da minha época de colegial que sofria bulling por ser vesgo, tinha pouquíssimos amigos e geralmente se sentava isoladamente de todos no intervalo até que conheceu Jenna e Sarah (que por sinal também eram totalmente excluídas por toda a escola devido a seu relacionamento). Eu conversava muito com elas sobre música e filmes, o gosto era bem parecido. Com Horácio tive que fazer um projeto de ciências escolhido pelo professor. Acontece que em todas as feiras escolares eu e Jimmy acabávamos como dupla e na última vez tentamos fazer uma reconstrução do big bang com gelatina. Você pode deduzir o resultado disso, só ouso a lembrar que tivemos que limpar o ginásio todo como punição.
Preferi passar pela entrada principal e falar com o pessoal conhecido, é sempre bom relembrar velhas amizades. É o que eu diga. Subi a pequena escadaria que levava à porta e então parei na frente deles esperando que alguém me reconhecesse.
– O que você quer? – Jenna levou seu olhar impaciente até mim que mudou de expressão em poucos minutos. – Pera ai, você é a..
– E ai galera – Sorri para elas vendo Sarah se levantar e me abraçar calorosamente. – Pelo visto você conseguiu pintar seu cabelo. – Falei para ela que sorriu orgulhosa.
Sarah estava diferente, mas não perdia seu toque elegante. Ela havia raspado metade da cabeça e pintado todo o resto do antigo cabelo ruivo de roxo escuro. Vestia um espartilho preto com pequenas correntes que formavam mangas compridas, tinha piercengs na sobrancelha, meio da narina e até um na bochecha, na parte de baixo uma longa saia cinza rasgada na lateral e coturnos longos. Ficara linda! Eu mesma estava impressionada como ela havia mudado, senti até vergonha de minhas vestes improvisadas.
– É bom vê-la novamente Jacky. Faz muito tempo não é? – Sarah falava calma e docemente fitando-me com seus olhos azuis emoldurados na maquiagem negra esfumaçada.
– Eu não sabia que sentia tanta falta de vocês até agora! – Falei acanhadamente. Era verdade, depois que Jimmy se foi acabamos virando grandes amigas, as três para ser mais exata. – Ei Jenna, foi realmente uma surpresa você me reconhecer assim tão de cara.
– É que a Jenna é muito fã da sua banda..
– Para não dizer obsecada. – Falou Horácio que levou um soco de Jenna no ombro logo depois de terminar a frase.
– Cala a boca retardado. – Ela falou revirando os olhos.
Jenna não havia mudado tanto assim, mantinha os cabelos curtos e espetados de um tom tão escuro quanto o meu, tirando pequenas mechas brancas. Tinha piercengs apenas nas sobrancelhas e língua, vestia um vestido preto estilo medieval porém toma que caia trançado na frente com fitas lilás assim como as luvas.
Todos rimos deixando-a ainda mais impaciente, era legal e totalmente inesperado uma antiga colega de classe ser hoje uma grande fã minha.
– Não fica assim Jenna, vem cá — Puxei-a para perto dando um abraço nela também.
– Você não tá parecendo a baterista da Vanilla Poison. – Ela falou me olhando de cima à baixo. – O que aconteceu com você?
Contei o meu sufoco com as roupas no aeroporto e mostrei a sacola que ainda carregava para elas.
– Que merda hem? Mas como você vem pra Huntington Beach sem uma mala adequada? Esqueceu como é o clima do inferno? – Jenna completou.
– Viagem de última hora, foi totalmente inesperado.
– Desculpe-me a intromissão, mas por que resolveste viajar para cá assim tão depressa? – Sarah perguntou com sua formalidade casual.
– Hum... Bem, vim ver uma pessoa. Na verdade o Jimmy... – Falei meio sem jeito.
– Voltaram a se falar? – Sarah indagou.
– Claro, os dois em bandas fodásticas e você acha que não iam se encontrar? Já deve fazer muito tempo. – Jenna reclamou.
– Na verdade faz pouco tempo, e nós brigamos há alguns dias então resolvi vir e falar com ele. – Resumi e ocultei o máximo de detalhes possíveis.
– O que seja, ele ta lá na piscina. E se eu fosse você corria. – Ela disse abraçando Sarah e mordendo seu pescoço.
– Por que?
– Veja você mesma gata. – Ela finalizou puxando a cabeça de Sarah e beijando-a voracicamente, depois passando a língua em torno de seus lábios.
– Calma ai suas piranhas, me esperem. – Horácio resmungou levantando-se e logo depois juntando-se à elas, transformando a cena em um beijo triplo.
Ele tinha cabeça raspada e alargador 6 cm em uma das orelhas. Não era mais vesgo e feições bem definidas. Ousaria a dizer que até está bonito se não tivesse reparado nele depois que enfiou a língua no meio delas e começou a disputar espaço com as mesmas.
Resolvi retirar-me e dar mais privacidade à eles, tinha algo mais importante e menos perturbador em mente.
Passei pelo lado de dentro da casa, estava realmente amontoado de gente. Pessoas totalmente conhecidas e desconhecidas, os meninos ficaram bem populares por aqui e mantiveram bastantes amizades pelo visto. Fui encoxada algumas vezes enquanto abria caminho entre os corpos e tentava ir para a cozinha. Finalmente consegui desgrudar daquela muvuca e chegar na copa, onde tinha bem menos gente, pude ver Johnny encostado na passagem para a piscina do outro lado do ambiente e comecei a andar em sua direção. Eis que uma figura alta me puxa pelo braço e leva minhas costas de encontro à parede. Olhos de ressaca fitavam o decote exagerado da regata e faziam com que um sorriso malicioso escapasse entre os lábios do cara.
– Olha a delícia que eu encontrei. – Ele falou finalmente encarando- me nos olhos. – Parece que os meninos esqueceram esse “Little Piece Of Heaven” por aqui, sorte a minha- Seu corpo se aproximou mais de mim que tentei empurra-lo para longe.
– Olha você tá precisando dar uma reformulada no seu histórico de cantadas porque essa foi de querer furar meus olhos com pregos enferrujados.
– Tenho algo melhor para te perfurar todinha princesa.. – Ele tentou me beijar, virei a cabeça desviando de seus lábios nojentos, nesse ponto seu corpo já estava totalmente encaixado no meu. O desespero subiu, ele era grande demais para mim ia precisar que ele se afastasse um pouco para conseguir acertar sua cara.
– É melhor você me soltar agora se ainda quer ter um pau em bom funcionamento para bater punheta desgraçado.
– Ui, a vadia ficou irritadinha é? Você vai ver o funcionamento do meu pau garota, bem no meio da tua bucetinha assanhada! – Foi então que senti suas pernas se afrouxarem sobre as minhas enquanto ele tentara me beijar novamente.
Sem pensar duas vezes, subi meu joelho esquerdo com toda a força que consegui no momento acertando bem no meio das pernas daquele infeliz. Pude sentir suas bolas se dividindo e subindo até o estômago, logo depois um urro ensurdecedor saiu de sua garganta fazendo-o babar e revirar os olhos até quase desapareceram na pálpebra superior. Em poucos segundos suas corpo estava jogado no chão em posição fetal com as mãos no meio das pernas. Ele gemia e gritava sem parar. Calmamente passei pelo seu corpo, agachei e sussurrei em seu ouvido.
– Eu avisei.
Ele não tinha forças para responder. Levantei-me e notei que a cena chamara atenção de todos no local, até mesmo de Johnny que me encarava com uma mistura de surpresa e pavor. Andei até ele que continuava a me encarar sem nada a dizer, revirei os olhos e decidi ser a primeira a falar algo.
– O que? O idiota tava quase me estuprando, tinha que fazer alguma coisa. Além do mais parece que não tem nenhum homem de verdade por aqui, uma garota precisando de ajuda e todo mundo enchendo o rabo de bebida ainda bem que eu sei me virar e...
– Jacky? – ele falou.
Silêncio.
– É tenho que parar com essa mania de aparecer em festas que não sou convidada. – Falei brincando tentando descontrair.
– Talvez não seja esse o problema não é? – Ele disse me entregando a garrafa de cerveja que estava em sua mão.
– Eu sou uma idiota, sei disso. Mas como toda idiota que se prese tenho que fazer mais idiotices até que uma delas dê certo. – Fiz um gesto de brinde no ar antes de dar algumas longas goladas.
– Seria bonito se não fosse a dada situação. – Ele colou a cabeça franzindo o cenho, parecia preocupado... ou seria desajeitado?
– Aconteceu alguma coisa? Olha, eu sei que fui injusta com o Jimmy, mas tenta entender o meu lado, ta bom? Eu achei que ele era noivo e eu uma amante, depois achei que ela era a melhor opção para ele, e agora eu SEI que preciso dele. Vai não é tão difícil assim...
– Eu sei Jacky, tudo isso foi um mal entendido e de longe sua culpa. Mas é que, eu sou amigo do Jimmy sabe, e assim como eu os caras também ficaram preocupados e tentamos de tudo para alegra-lo. Nunca iriamos adivinhar que logo você ia vir até aqui por ele. Pra falar a verdade achamos que já estava tudo acabado. – ele estava sendo cauteloso, percebi então que ele queria chegar em algum lugar.
–Huum..Ok, mas eu estou aqui, e vim falar com ele. Pode deixar que daqui para frente eu me entendo. Agora onde está o Jimmy?
– Jacky eu não acho uma boa ideia...
– Cadê ele Johnny?
– Garota me escuta! Eu...
Passei pelo anão e deixei-o falando sozinho. Eu mesma ia encontrar aquele filho da puta. Desci a pequena escadaria e cheguei na piscina, a música estava alta e tinha muita gente dançando em volta da água. Corri meus olhos até a parte coberta da churrasqueira e lá pude ver Brian agarrado com uma ruiva peituda e Matt conversando intimamente com Val. Pensei em falar com eles, mas então cogitei a ideia de eles também tentarem me impedir e nesse caso eram dois homens maiores que eu e com o triplo de força. Optei então por continuar na escondida.
Andei até uma pequena mesinha armada com ponche e alguns petiscos, ela estava encostada na parede bem abaixo de um pequeno espelho. Olhei meu reflexo, até que não estava tão ruim, apenas um pouco descabelada, então decidi soltar o cabelo e deixar suas ondas caírem sobre minhas costas, assim ganhara um ar mais relaxado e festeiro. Continuei andando entre as pessoas e evitando o campo de visão da churrasqueira, contornei a piscina até chegar perto da sala de máquinas. Virei para trás e pude ver Johnny novamente porém ele conversava com Zacky e ambos pareciam procurar algo na festa, provavelmente por mim. Parabéns Jacky, agora você é procurada viva ou morta e está sobre constante vigilância. Virei de costas e continuei andando, quanto mais rápido achasse Jimmy menos perigo iria correr. Ou não.
De repente alguns caras começaram a tacar todas as meninas na piscina fazendo uma cratera em volta de mim. Fiquei nervosa por que provavelmente seria a próxima no ritmo em que os meninos estavam. Corri para a cerca de madeira, a parte mais afastada da piscina possível e fiquei agarrada lá até os próprios meninos se tacarem na água. O problema foi que metade da festa entrara dentro da piscina deixando com que o lado de fora ficasse muita mais visível. Pera, isso também era bom, afinal seria mais fácil ainda de achar o Jimmy. Foi então nesse estante em que pude vê-lo, exatamente na minha direção do outro lado da área. Estava encostado na cerca assim como eu e conversava com alguém distraidamente. Mais que depressa sai correndo sem me preocupar em ser vista. Assim que cheguei na metade do caminho, percebi que johnny me avistou e rapidamente cutucou Zacky, ambos então desceram a escadaria e corriam atrás de mim. Merda, acelerei o passo e quando vi já estava a pouquíssimos metros de distancia, para não dizer exatamente na frente.
– Jimmy!
Não, não fora eu quem o chama-lo. Logo depois ele se virou para o lado oposto do cara com quem conversava e sorrira para alguém. Com os olhos acompanhei seus movimentos e o vi indo em direção a uma garota loira de cabelos compridos e maquiagem aparente. Eles se abraçaram e logo depois suas cabeças se inclinaram para um beijo.
– Fofo, quem é aquela esquisita ali que não para de te encarar? – A menina apontara para mim antes que seus lábios se encostassem.
Ops, dei mole. Muito mole.
Tentei disfarçar, porém ele virou para trás seguindo a direção dedo indicado para mim e logo depois me encontrando. Seus olhos se arregalaram, os lábios faziam movimentos estranhos não sabendo se sorriam ou se calavam. Soltou a garota e etão virou-se por enteiro para mim fazendo com que ficássemos cara a cara. Nesse meio tempo ouvi Johnny e Zacky parando bruscamente atrás de mim e um deles soltara um “Merda” entre os dentes.
–Jacky... – Ele falou ainda incrédulo.
– Jimmy. – Respondi em um tom um tanto irônico.
– Anna! – A garota falou sorridente o que deveria ser o próprio nome fazendo com que todos a encarecem com a famosa cara “WTF?”. Ela então se calou e carrancuda se afastou percebendo ter sido totalmente ignorada.
– Jacky eu... – Ele começou.
– Desculpa, desculpa, desculpa... Eu não sabia... Digo eu só queria... Eu vim... – Suspirei, dando-me por vencida. – Eu vou embora. Finge que isso nunca aconteceu. – Ri nervosa.
Então era isso. Parece que ele tinha superado bem o suposto fora que eu havia dado nele e já estava com outra vadia. Porém não posso reclamar, ele só está tentando seguir em frente, e por pior que isso seja é o certo. No final eu só o atrapalhei de novo como sempre, fui importunante e idiota. Como eu consigo? Como eu consigo foder com a vida dele toda hora quando só quero seu bem? Que raiva cara, eu só queria uma chance de fazer certo dessa vez. Passei todas as barreiras que me impediam de vê-lo, viajei meio continente para acabar atrapalhando a primeira tentativa de se reconstruir.
Me virei e corri para a porta, evitei olhar para trás senti a bochecha corar pelo papelão que acabara de pagar. Assim que cheguei à cozinha novamente parei para enxugar os olhos que começaram a vazar devido a tamanha vergonha que sentia. Debrucei-me sobre a pia e levei o rosto com calma. Estava encarando a pilha de copos lá depositada quando uma grande e áspera mão pegava-me pela nuca apertando fortemente meu pescoço, senti o ar se esvair totalmente de meus pulmões. Logo depois fui arremessada de costas em cima da pequena mesa de madeira que ficava no meio da cozinha, a dor percorreu toda a extensão de minha coluna deixando escapar gemidos entre os lábios contraidos. Quando abri os olhos finalmente, tentei focaliza-los no rosto do individuo, porém não foi preciso tanto para reconhece-lo.
– Você achou mesmo que eu ia deixar isso barato, vadiazinha de merda? – Ele aproximou o rosto do meu rindo maleficamente perto do meu ouvido, sua mão livre agarrou uma grande massa do meu cabelo prendendo minha cabeça sobre a mesa. Enquanto a outra deslizou pelo meu tronco chegando até os seios onde parou e apertou-os dolorosamente.
– TIRA A MÃO DE MIM SEU NOJENTO, ME LARGA!
Seu punho ricocheteou minha face cortando minha gengiva. Senti ainda mais dor percorrer a maçã do rosto enquanto o sangue vazava pelo canto da boca.
– CALA A BOCA! – Ele se debruçou sobre mim e segurava meu queixo entre os dedos, a cozinha tinha se esvaziado devido a confusão, eu estava sozinha e agora provavelmente ferrada.
– Dá um beijinho aqui desgraçada – Aproximou-se, revoltada usei o único recurso que ainda tinha, cuspi fazendo com que ele se afastasse limpando raivosamente a baba da bochecha.
– Eu vou te arrebentar... Eu vou te bater tanto que ninguém vai reconhecer essa carinha de putinha barata. – Estendeu seu pulso mais uma vez agora prestes a e acerta-lo em cheio na minha face.
Nesse exato momento outro punho desconhecido acertou ligeiramente o rosto do homem fazendo com que ele rodasse e caísse no piso espalhando algumas gotas de sangue jorradas pelo nariz totalmente deformado. Essa mesma mão puxou-me para seu corpo, fui de encontro a camiseta preta reconhecendo seu perfume. Afastei a cabeça de seu troco e fitei-o nos olhos com uma mistura de emoção e agradecimento.
– Jimmy... – Sussurrei contente e aliviada.
Sem tempo para resposta ele me empurrou para trás de si protegendo-me com seu próprio corpo. Pude ver então entre seus braços que o homem levantava cerrando os punhos e agora partia para cima de Jimmy. Antes mesmo de chegar perto, Jimmy o acertou novamente dessa vez com um gancho de direita fazendo-o cair sobre o balcão da cozinha e batendo as costelas em uma gaveta entreaberta. O tamanho avantajado de Jimmy o dava certa vantagem mas de longe retirava seu mérito.
– Desgraça, não se mete em briga que não é tua rapaz. – O homem falava se levantando cambaleante e fitando-nos. – Ela é tua vadia é? A vadiazinha preferida do baterista fodido.
Foi então que vi a briga estourar de vez, Jimmy partira para cima do cara segurando-o pela gola e deitando-o de novo no chão.
–Cala a boca seu merda! Covarde! Nunca mais chega perto dela, nunca mais toque nela tá me ouvindo? Se eu te ver olhando para ela ou até pensando nela eu vo acabar com a tua raça, te castro seu verme infeliz. – Eles se encaravam. Num rápido movimenta a mão do homem foi até a gaveta entreaberta e dela retirou nada mais nada menos que uma faca.
Meu coração gelou, senti minha traqueia se contrair. Em câmera lenta podia ver a faca ir em direção as costas dele. Quando dei por mim já estava voando em cima de Jimmy usando meu corpo para impulsiona-lo e atira-lo para o lado. Caímos os dois um em cima do outro a maios ou menos um metro de distância do homem.
Sentia uma dor aguda na lateral do tronco, me debrucei sobre o corpo de Jimmy que ainda estava estirado no chão. Fiquei com medo do pior. Percebi a visão embaçar então levei a mão até a região da dor sentindo algo molhado, sangue? Jimmy levantou a cabeça e então pude ver que ele estava bem. Sorri levemente enquanto minha visão escurecia e o corpo adormecera.
– Você tá bem...- Percebi minhas voz falar, porém a força já me escapara por completo.
Estava tudo escuro, eu não sentia nada, não ouvia nada... Não pensava em mais nada.
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