Forgotten Faces

15 It's Empty And Cold Without You Here


Notas iniciais
Ai está ! Um novo capítulo prntinho para vocês !Dessa vez nem demorou, agora estou com bastante tempo e inspiração. obrigada a todas as novas leitoras *-* espero que estejam gostando, e não sei se vocês repararam mas eu troquei a capa por uma mais digna HAUEHAUEHAUEHAU enfim, vamos parar de enrolação... Não quero prender vocês aqui! Boa leitura!

POV Jimmy.


Senti minha cabeça latejar, o que diabos aconteceu aqui? Num minuto eu estava prestes a estourar a cara daquele filho da puta, no outro só senti o baque do corpo de Jacky e então estamos assim, jogados no chão com ela sobre mim.


– Você tá bem... – Ouvi ela sussurrar abafado no meu peito antes de deixar o rosto cair novamente.


– Mas o que aconteceu? – Disse ainda desnorteado pela situação.


O infeliz levantou e percebi o objeto metálico em sua mão, tremi pensando na merda que teria acontecido alguns segundos antes.


Naquele momento senti minha mão encostar em algo molhado, levantei o braço levando-o para a frente do rosto ficando ligeiramente pálido. Sangue! Sentei-me depressa levantando o corpo de Jacky com cuidado, quando virei-a de frente para mim pude ver tamanho estrago. Um profundo corte perfeitamente alinhado entranhava entre suas costelas fazendo com que litros e litros de sangue jorrassem a cada segundo. Entrei em pânico levantando em um salto com a garota nos braços. Matt apareceu pela entrada e com um golpe certeiro fez com que o infeliz desmaiasse antes que nos alcançasse novamente.


Ele nos encarou por um curto momento e demonstrou uma careta espantadora, minha boca estava entreaberta, músculos rígidos. Não parava de olha o rosto moribundo de Jacky que empalidecia a cada segundo.


– JACKY POR FAVOR, ACORDA! JACKY AGUENTA! – Eu tentava em vão reanima-la.


– TODOS PARA FORA, A FESTA ACABOU — Matt gritava e gesticulava para Brian e Zacky terminarem o serviço. – Jimmy eu vou pegar as chaves, corre agora para o carro!


Assenti com a cabeça e corri para a garagem o mais rápido possível. Minhas pernas fraquejavam e nem todo o ar do planeta me parecia suficiente agora. Com uma das mãos tentava estancar o sangramento sujando-me totalmente com seu sangue. Senti os olhos ardendo, com certeza essa é a pior hora para chorar. O carro de Matt estava aberto assim ficou mais fácil para me jogar no banco de trás ainda afagando o corpo quase gelado de Jacky.


– Não faz isso comigo Jacky, por favor não me abandona agora. – Alguns soluços escaparam por minha garganta. Posso ser um baterista pirado e alcoolizado de uma famosa banda de rock, mas acima de tudo ainda sou humano e tenho minhas fraquezas. Jacky era a maior delas, naquele momento sentia que segurava meu mundo inteiro nas mãos, e o mesmo estava prestes a desmoronar dessa vez por completo. – Eu não vou suportar... Eu não quero suportar mais um dia sem ouvir sua voz. Quero acordar amanhã ao seu lado e tortura-la com cócegas até se contorcer, poder brigar com você pelo controle remoto, dar sustos nos momentos mais inoportunos fazendo você me metralhar com aquele olhar de ódio que fica lindo no seu rosto. – Nessa hora várias cenas relacionadas a esses pequenos momentos passaram na minha cabeça fazendo com que a primeira lágrima escorresse vívida e solitariamente. Encostei minha testa na dela agora com a visão totalmente turva. – Eu te amo tanto... Não me faça perder em segundos o que levei para conquistar a minha vida toda.


Sua fraca mão entorpecida se movera lentamente e tocara a minha que estava em cima de seu tronco. Percebi que ainda tínhamos chance, uma pequena chance e eu lutaria com unhas e dentes por ela.


– Segura firme Rev. – Matt falou já ligando o carro e saindo em um agudo cantar de pneus.


Afaguei o corpo delicado de Jacky protegendo-o por todo o caminho até o hospital. Passamos por alguns sinais vermelhos e até uma visível contra mão para conseguirmos um bom atalho. O relógio parecia se mover mais rápido do que deveria me deixando impaciente, de repente eu me via atravessando a galáxia montado numa mula de tanta demora.


– CARALHO! – Matt freou bruscamente no fim da rua em que estávamos, apenas mais alguns quilômetros e estaríamos na entrada de emergência do Huntington Beach Public Hospital. Bem na frente do para-brisa dois guardas faziam gestos para que parássemos mostrando que a rua estava interditada.


– Não, não, não, não.... – A raiva subiu pelo meu rosto, abri a porta enfurecido puxando o corpo, ainda mais fraco, de Jacky moldado em meus braços.


De início um policial parecia disposto a me barrar, mas assim que teve consciência da situação mandou que retirassem as barreiras para me conceder passagem. A rua estava vazia, apenas eu correndo contra o tempo carregando o sopro de vida que ainda me restava.


Jacky estava lá, isso ainda era algo difícil de se crer, pelo menos no início. Ela pegou um avião de Seattle, passou sabe se lá quantos trancos para conseguir me encontrar e voltara a uma cidade a qual havia jurado sua vida nunca mais pisar depois do colegial. Eu não precisava que ela me dissesse mais nada, suas ações foram claras e expressivas, só precisava agora que ela voltasse para mim assim mostrando que nada foi em vão.


– Eu não vou deixar você acabar assim Jacky, ‘que nós’ acabemos assim. – Sussurrei em seu ouvido antes de entrar pela porta de emergência do hospital.


Médicos e enfermeiros amontoaram-se em volta de mim trazendo maca e diversas outras bugigangas. Senti o coração doente rasgar em pedaços à medida que retiravam-na de meus braços, quando já estava sob medicamentos deitada no leito tenho quase certeza que vi seus olhos se entreabrirem e me fitarem por segundos.


– Vamos para a sala de cirurgia, ela perdeu muito sangue. Acho que houve dilaceração de uma artéria secundária... – Pude ouvir algumas partes picadas do alvoroço, o que me deixou ainda mais em pânico.


A maca foi se distanciando até sumir por uma larga porta de madeira emoldurada em placas de ferro. Fiquei ali, parado observando como tudo sumia a minha volta. Quando foi que a perdi de vista? Não conseguia mais me equilibrar sobre as pernas permitindo que meus joelhos tocassem o chão em um baque. Fraquejei, deixei que os olhos esbugalhados revelassem a profunda dimensão da dor que estava sentido. Fui amparado por algumas enfermeiras que se ofereceram para limpar meus braços e roupas, não contestei e me deixei ser levado até uma pequena área de consultas simples onde vários outros pacientes descansavam com seus braços costurados e narizes congestionados de catarro. Sentia uma vontade profunda de quebrar a cara de alguém, todo aquele pânico foi substituído por uma ira incontrolável fazendo-me socar a pequena mesinha de metal que sustentava os cotonetes molhados. As enfermeiras pularam comicamente com o barulho da pancada, assustadas voltaram ao serviço trocando olhares suspeitos. Provavelmente me achavam louco, ou esquizofrênico. Acho até que sou um pouco dos dois no dia a dia, porém no momento não passo de um troglodita com 1,98 metros de altura prestes a assinar o atestado de óbito daquele babaca. É melhor que ele nunca mais apareça na minha frente, espero que tenha dinheiro o suficiente para se mudar pro Alasca, mudar de identidade e se enterrar na neve a fim de nunca mais ser visto no meu campo de visão.


Assim que fui liberado pelas enfermeiras me joguei na sala de espera e fitei o teto. Repassei na minha cabeça o momento que a avistei na casa de Matt. Recusava a acreditar, era quase impossível poder cogitar essa ideia. Se tem uma palavra que define Jacky é incompreensível, ela se importa muito com todos, grande coração de mãe, entretanto é desapegada de tudo. Das coisas, da vida, das pessoas... Da pra entender? Não, não dá. É hilário, talvez seja por isso que ela me lembra tanto meu precioso whisky. A primeira golada é sempre amarga e sem expectativas. Alguém que teve a capacidade de brilhar ofuscada pelos males da vida e se tornara errante como a própria, porém se você procurar conhece-la a fundo... Se pelo menos terminar o primeiro copo descobrirá o doce e entorpecedor saber que se esconde no final. A garota animada, dedicada e até comicamente atrapalhada, um espírito oposto a sua figura exibe o verdadeiro brilho invisível a mentes fechadas e preconceituosas.


Fora essa personalidade abstrata que mexeu comigo, despertou meu interesse e extinto protetor. Quando nos conhecemos ela tinha uma aparência frágil, como se em um toque ela poderia evaporar na minha frente. Parecia alguém que precisava de um muro, algo para se escorar e defender, foi então que percebi o papel que havia ganhado em sua vida. Uma coisa muito complexa para alguém de dez anos não é? Chego a achar graça quando lembro dessas coisas. Ela cresceu, e junto a isso recolheu forças fazendo sua própria barreira, sabendo se defender sozinha. Com o tempo a ficha foi caindo, eu não era mais totalmente necessário. Passei de muros de uma fortaleza para apenas escoras que a sustentavam. Isso me deixava feliz, vê-la forte e enfrentando seus problemas de uma maneira madura faziam-me relaxar, no fundo eu sabia que em pouco tempo teria que partir, e não iria deixa-la se não soubesse que ela já podia se virar. É claro que explicar isso a ela seria difícil por isso optei por sua imaginação fazer o resto.


– Rev? Cara, levanta dai você é um péssimo contorcionista... – Ouvi a voz de Shadz logo a minha frente.


Levantei a cabeça e percebi que tinha cochilado, também pude notar a estranha posição que milagrosamente fez com que eu coubesse em uma dessas cadeirinhas estreitas da sala de espera.


– Por quanto tempo eu apaguei? – Falei limpando um maldito fio de baba que quase chagava ao meu mamilo... que merda.


– Eu sei lá Bela adormecida... Acabei de chegar com os caras. – Shadz apontou para trás e só assim percebi Zack e Syn parados a uma certa distância.


– Alguma notícia dela? – Curiosidade é uma merda.


– Parece que nada por enquanto... Deve estar na sala de cirurgia ainda. – Zacky disse abaixando a cabeça como se quisesse evitar de olhar para mim.


Imitei seu gesto encarando meus tênis, já eram mais de oito horas e nada. Briam sentou do meu lado e apoiou-se em meu ombro.


– Cara, ela vai ficar bem, sabe como é... Mais forte que muito homem por ai. – Ele falou piscando para mim.


– Cala a boca idiota, quem perdeu no boxe pra ela aqui foi você. – Falei empurrando-o de leve.


– Porra isso faz muito tempo eu ainda era um moleque... – Ele falou sério como quem não gostara da brincadeira, todos nós rimos do bico que fez.


– Viu, é viado dês de pequeno mesmo, não tem jeito. – Zacky complementou.


– Viado e já comi muito mais mulher que você rolha de poço. – Brian retrucou.


– Vai se foder synyster ‘GAY’tes — Zacky falou lentamente arrancando gargalhadas gerais.


– Depois de você.


– Qual é galera, todo mundo sabe que o Syn não chega a ser tão viado assim... – Shadz disse ironicamente.


– É, só 70% gay e 30% indeciso... – Eu disse por fim fazendo Zacky se dobrar enquanto punha seus pulmões para fora. Brian riu também dando alguns socos na minha barriga.


– Fala ai Brian qual é a sensação de comer um cu cabeludo? — Zacky provou ainda mais.


– Não sei, pergunta pra sua mãe o que ela achou. – Ele respondeu deixando Zacky calado.


Continuamos a gargalhar por mais algum momento até que os risos foram cessando e por fim desapareceram. O clima voltou a pesar, Zacky acabou por ir buscar algo para comer na lanchonete do hospital enquanto Matt se afastara para falar com Val no celular. Será que eles dois vão para frente?


Fiquei conversando com Brian mais algum tempo até que finalmente uma enfermeira se aproximou de nós.


– Com licença, qual de vocês dois é o responsável pela senhorita ... – Ela deu uma breve olhada na prancheta que tinha em mãos – Jacky Flammer ?


– Nós ... – Brian falou e depois gritou Matt e Zacky que se aproximava com um sanduíche de presunto entalado na boca.


– Depois não sabe por que é gordo. – Syn, não conseguia ficar sem provocar Zacky um minuto.


– Ela está bem? Já foi pro quarto? Fala alguma coisa!- Eu estava agitado, enérgico. Fazia horas que estávamos sentados sem ao menos uma notícia, se ninguém falar nada de útil nos próximos cinco segundo acho que vou espancar um pato. Tá, mentira eu amo patos.


– Pois bem, a garota se encontra estável no momento, dormindo sob efeito da anestesia. Parece que tivemos uma pequena hemorragia interna e outra externa. Como devem saber – Ela me deu uma boa olhada de cima abaixo, se eu não soubesse que ainda estava com a roupa lotada de sangue seco diria que ela quer meu corpo nu. – Ela perdeu muito sangue. Tem alguém que possamos ligar? Um parente? Mãe? Pai?


– Na verdade ela não tem ninguém... – Zacky tentou explicar.


– Ela tem à mim. – Respondi mais rápido do que deveria.


Todos se entreolharam e cheguei a sentir as bochechas queimarem levemente. A enfermeira ignorou totalmente a pequena cena e então complementou. – Há! A polícia está ai, e devem dar seu depoimento...


– A POLÍCIA? – Me exaltei, culpado.


– Sim, a polícia. Esse é o procedimento padrão em casos... Atípicos. Não se preocupem, apenas seguimos o protocolo. – O que aquela mulher pensava que nós éramos? Assassinos psicopatas de pobres e inocentes mulheres gostosas?


– Casos atípicos ou pessoas atípicas? – Brian resmungou em um tom bem compreensivo, arrancando uma careta amarga da enfermeira. Se era antipatia gratuita que ele queria... agora conseguiu.


– Escuta aqui mocinho, eu conheço gente do seu tipo, e se tive motivos o suficiente para chamar a polícia é porque a situação me permitiu. –Ela engrossou a voz e cruzou os braços para cima de Brian. A mulher era baixinha, mas se posicionava como homem de verdade. Tive até medo de imaginar qual era o verdadeiro órgão escondido por baixo daquela saia. Deus que me livre.


– Claro, eu machucaria e sequestraria minha vítima para um hospital! – Brian bufou sentando na cadeira novamente.


Vi a mulher querer falar mais alguma coisa, mas antes que aquela discussão fosse para frente Matt entrou na frente de Brian como quem fosse contornar a situação.


– Desculpe o meu amigo ele um idiota, não tem problema faremos o que for preciso. Sabemos também que esse é seu trabalho, não tem como discutir isso. – Ele lançou aquele sorriso largo e infantil que geralmente serve para tirar calcinhas, deixando a enfermeira um pouco menos alarmada. – Mas será que poderíamos ver Jacky agora? Estamos muito preocupados e já faz horas...


– Vocês ficam aqui. – Ela disse inflexível – Mas depois que falarem com a polícia eu penso no caso. – Ela disse depois encarou cada um de nós. Acho que vi Zacky se cagar, ô caralho de mulherzinha difícil.


Mas é óbvio que não ia fazer o que ela mandou, afinal nunca fora meu forte seguir regras, e sim quebra-las.


POV Brian.


Aquela anã de jardim mal amada continuou a nos dar sermão de como era importante respeitar o trabalho alheio e o ambiente hospitalar. Me distrai olhando para os lados quando notei que Rev inclinava a cabeça para atrás da mulher. Tentava ver a prancheta talvez? Mas a criatura não parava de gesticular deixando todos tontos. Depois de alguns segundos de faladeira e quase levar pancadas na cabeça, vi Jimmy sorrir contente para a gente. O que aquele cara tinha visto lá?


A mulher saiu de nariz empinado, pisando duro e foi até o balcão. Vimos ela falar com todas as recepcionistas e apontar para nós, que assentiram com a cabeça como se tivessem acatado sua ordem. Bufei, e cheguei a desejar que aquela pintora de rodapé caísse do banquinho quando fosse escovar os dentes.


Mas voltando a Rev, ele parecia feliz. Sua cara era de criança travessa prestes a fazer aquela merda que renderia semanas de castigo, conhecia bem essa cara, já me deram dias de suspensão no fundamental.


– Desembucha cabeça de rato, oque você aprontou?


– Preciso que distraiam as balconistas por alguns segundos. – Ele falou se levantando e puxando meu braço.


– Mas que porra é esse Rev?


Ele sorriu para mim e disse:


– Quarto 304 D.


Entendemos o recado, vi Matt achar graça da ideia e concordar com a cabeça. Então vamos nessa. O balcão da recepção ficava bem no meio de duas entradas que levavam as salas de atendimentos e aos elevadores. Jimmy ficou encostado em uma das pilastras direcionadas para frente a entrada da esquerda. Entrei na frente da primeira recepcionista simultaneamente com Matt. Pronto, tínhamos a atenção de ambas.

Sorri maliciosamente para a jovem figura loira na minha frente, era nova e parecia carne fraca. Ela retribuíra de início mas logo depois se ajeitou na cadeira deixando de me encarar e prestando mais atenção em minhas aberturas.


– Posso ajuda-lo senhor?

– Na verdade, pode. – Eu disse inclinando- me para mais perto do balcão. Dei uma breve olhada para Matt, que já conversava amigavelmente com a morena que fora designado. Joguei um pouco de conversa fora, mas ela continuava atenta à porta. Jimmy parecia impaciente então tive que apelar. Com o cotovelo empurrei o pequeno porta-lápis azul em cima do computador dando um susto na mulher. Ela abaixou o olhar para a mesinha e assim fiz o sinal para que Jimmy prosseguisse. Esse cara... Se continuar a fazer esse tipo de coisa por aquela menina, ainda vai ter muitos problemas.


POV Jimmy.


Estou devendo mais uma para o Brian, tinha que ser bem rápido antes que alguém notasse que eu fazia parte do pessoal em quarentena na sala de mofar. (‘espera’ é pouco para o tempo que temos ficado lá). Corri até o elevador mais próximo e esperei pacientemente sua decida do quinto andar até o térreo. A porta abriu, eu ia entrar em um salto quando avistei uma multidão de jaleco que não deixaram minha presença passar despercebida. Todos os médicos, enfermeiros e sei lá o que mais se tem em um hospital me olharam, alguns assustados, outros desconfiados pelo meu estado, porém a maioria não dera a mínima, apenas saíram apressados para sua vidas ignorando o marmanjo tatuado parado na porta. Entrei na companhia de um cara com sua filha e mais uma figura hospitalar. Nessa hora que pude perceber como fedia a mestruação velha, aquele cheiro de sangue seco parecia incomodar a todos, também não era pra menos. Assim que a porta abriu no quarto andar comecei a procurar entre os corredores, pra dizer a verdade não tenho ideia de como se achar um quarto de hospital naquele labirinto, no meio do caminho quase fui atropelado por uma maca! Estava perdido por ali há um bom tempo, até que finalmente achei que tinha me deparado com o corredor certo, no exato momento em que virei dei de cara com um segurança que pelo visto fazia sua ronda. Ok, Rev aja naturalmente... Passei alguns metros do homem que me fitou suspeitamente.


– Senhor, pode me dar um minuto? – Ouvi o gruardinha chamas pelas costas.


– Pois não. – Respondi com a cara mais limpa e serena do mundo.


Ele fitou minha camisa por estantes, mas não chegou a ficar surpreso. Também isso aqui é um hospital, sangue não é novidade.


– Algum problema? -Perguntei com o silêncio perturbador.


– O senhor tem permissão de estar aqui? Não deveria estar... Na enfermaria?


– Oh! Tudo bem, eu não estou machucado... Isso aqui é de um paciente que chegou agora pouco na emergência, tinha que ver o estado do coitado porque eu mesmo não aguentei e tive que ajudar...


– Mas o que o senhor faz aqui? – Ele me interrompera bem no meu da minha explicação teatral.


– Minha mãe! Tadinha, passou muito mal hoje atarde e trouxe ela aqui, agora eu ia dar uma olhada nela.


– E tem permissão? – Ele parecia impaciente. Talvez tanto quanto eu.


– Um cara ensanguentado não pode ir visitar a própria mão em seu leito de morte sem ser parado em cada esquina? Pelo amor de Deus seu guarda você já é o terceiro! – Eu disse batendo as mãos na lateral do corpo, o que o assustou por algum momento.


– Bem... Desculpe e-eu irei passar um rádio rapidamente para a recepção, só o senhor dizer seu nome e ...


– O nome, e o quarto da minha mãe não é? Então eles vão dizer DE NOVO para o terceiro guarda que está tudo bem, que eu posso seguir em frente. Então na próxima esquina a mesma coisa vai acontecer e de tanto perder tempo quando eu chegar no quarto da minha pobre mãezinha ela já terá partido... E nem terei conseguido me despedir. – Escondi a cabeça entre as mãos como um sinal de desespero aparente.


– T-tudo bem senhor... N-ão se preocupe, continue seu caminho. Desculpe pelo transtorno. – Ele disse um tanto quando receoso mas tentando evitar confusão partira imediatamente.


Às vezes penso em entrar no teatro, nasci para esse tipo de coisa.


Uma pequena plaquinha pregada na parede informava “Ala D”, fiquei aliviado e segui a sequência numérica até me deparar com o 304. O coração bateu forte, cheguei a hesitar com a mão na fechadura, provavelmente seria a ultima pessoa que ela poderia querer ver. Prendi todo ar que consegui acumular no momento e entrei cautelosamente.


Ao vê-la deitada e inconsciente o coração falhou. Sua face já apresentava algum pigmento mesmo que leve, um tipo de máscara respiratória estava presa a sua boca e nariz e se movimentava sincronizadamente com sua respiração. Eu não podia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Os olhos se afundaram novamente embaçando a visão, aproximei-me da cama e acariciei suas grandes e volumosas mechas deixadas para fora. Era uma figura delicada, de certo modo angelical que trazia paz e culpa ao mesmo tempo.


– Desculpa Daniel’s, se eu não fosse tão imprestável nada disso teria acontecido com você. – Sussurrei para dentro de mim. De certa fora era minha culpa. Tinha a responsabilidade de mantê-la a salvo, e no primeiro momento de descuido falhei com minha promessa.


– Ela está bem, tivemos que entuba-la por um tempo apenas por monitoração. Os médicos ficaram com medo de o pulmão ter sido danificado, mas pelos monitores tudo parece em ordem. – Ouvi uma voz calma e suave pontar atrás de mim, Virei-me rapidamente, não acredito que tinha sido descoberto.


– Não se preocupe! Tá tudo bem, eu não vou falar com a enfermeira chefe! – Ela disse abanando as mãos rapidamente para mim. – Meu nome é Joanna sou a nova interna...


Fitei-a por alguns segundos, era uma figura magra e alta. Pele morena e cabelo castanho claro. Feições delicadas salpicadas de sardinhas sorriam desajeitadamente para mim.


– Obrigado – Retribui o sorriso tentando esconder os olhos marejados. – De verdade...Obrigado.


Ela suspirou e arrastou dois banquinhos para o meu lado, sentando-se em um logo em seguida.


– Jacky não é? – Ela perguntou para mim.


– Sim.


– Quando eu entrei no quanto mais cedo, ela tava acordada... Quase, meio grogue pra falar a verdade. – Ela riu – Mas assim que me viu ela perguntou: “Ele tá aqui?O Jimmy. Ele tá bem?” Deduzi que fosse você. E então disse que ia verificar para ela. – Joanna encarava Jacky com algum tipo de afeto desconhecido, não me incomodava, chegava a me confortar. – Nós conversamos! Ela me contou um pouco sobre o que aconteceu. Você foi muito corajoso.


– Que nada, qualquer um teria feito o mesmo. – Disse fitando a figura adormecida de Jacky. – Como você sabia qual deles eu sou?


– Vi quando você chegou com ela na emergência. De partir o coração.


– E porque tá me ajudando? – Perguntei tentando não parecer indelicado.


Ela sorriu e desviou o olhar, parecia fitar a janela pensativa. – Eu... Vi seu rosto, parecia doer mais em você do que nela, era como se um pedaço seu tivesse ido com ela quando fomos embora. Eu não aguentei ver aquela cena – Ela riu novamente, parecia envergonhada. – Sou uma manteiga derretida, e depois que Jacky adormeceu com os sedativos fui te buscar, mas quando cheguei lá vi a cena da enfermeira chefe com aquele seu amigo. Não liga pra ela, é uma pessoa difícil e gosta de julgar muito, no fundo não é tão ruim assim.


– Mulherzinha mais mal encarada... Achei que ia ver o novo UFC Huntington Beach Public Hospital quando ela começou a peitar com o Brian. Aquele cara .... NUNCA brigue com aquele cara. – Rimos juntos do comentário. Ela então se levantou e puxou a poltrona de couro que estava do outro lado.


– Senta aqui é melhor para passar a noite.


Troquei de lugar e ela recolheu os dois bancos deixando-os de lado.


– Tenho que ir agora, mais tarde trago algo para você comer. Me chame se ela acordar é só apertar aquele botão vermelho do lado da cama. – Joanna se despediu simpaticamente e deixou o quarto.


– Viu Jacky, já conseguiu uma nova amiga. – Falei deitando a cabeça em seu tronco e pegando a sua mão. – Eu prometo Jacky, nunca mais vo sair do seu lado, mesmo que você não me queira lá. Mesmo que a própria vida não me permita... Nada mais vai acontecer com você, ou eu não me chamo James Owen Sullivan.

Notas finais
Isso é tudo pessoal, huhuahauahuahu agora, me digam uma coisa, eu sei que os capítulos tem fico enoormes! Então queria saber se tá bom pra vocês ou se preferem que eu diminua-os... Tipo , eu os faço assim porque sempre odiei capítulos que você acaba de ler e pensa " só isso ?" hahahah então, me digam o que estõ achando! :D
Obrigada pessoal.