Forgotten Faces
16 This is How You Fixed Me
Notas iniciais
°Quero dedicar um agradecimento especial a "Ana Sabaku no Gaara" Pela recomendação LINDA que ela fez da fic, muito obrigada de coração!
°Agradecer também as lindas reviews que tenho ganhado de todos vocês, elas são um grande incentivo para a continuação das minhas histórias... obrigada por tudo gente :D
°Agradecimento especial a todos os novos leitores e leitores fantasmas também!Sejam muito bem vindos, e obrigada por terem dedicado um pequeno tempo lendo a fic para saber se era de seu agrado, vocês não fazem idéia de como isso é importante para mim :')
Agora vamos para a história porque já enrolei muito vocês e_e'' Boa leitura!
POVJimmy.
Senti algo acariciar meu cabelo levemente, a sensação ficava mais forte à medida que recuperava os sentidos. Reconheci o edredom branco do hospital, ainda estava debruçado sobre ele, virei o rosto amaçado para o outro lado e me deparei com a figura sorridente de Jacky passando a mão entre os fios negros repousados sobre minha cabeça. Ela já não usava mais o respirador, o que aparentava ser um bom sinal e percebi também mais cor em sua pele.
Levantei-me e puxei a poltrona para mais perto dela. Estava em paz, estranhamente não conseguia ver nem um vestígio de dor em sua expressão como se tudo não passasse de um sonho.
- Bom dia margarida... – Ela falou calmamente fitando meus olhos enquanto passava o polegar em volto de meu maxilar. Eu estava hipnotizado por sua figura, os olhos estavam mais envolventes do que nunca, além do sua negridão contínua exibiam também um brilho inigualável, que apenas eu era capaz de detectar.
- J-Jacky... Eu... – Mas antes que concluísse alguma coisa ela levou seu indicador aos meus lábios pedindo silêncio.
- Não diga nada, sabemos onde isso vai. – Ela riu. Se dependesse de mim, claro que seria para uma cama.
- Como quiser. – Sorri de voltar e me aproximei beijando sua testa. – Como está se sentindo?
— Bem, até demais... Acho que exageraram nos medicamentos. – Sorri pelo humor impecável.
Ficamos em silêncio por algum tempo, desviei o olhar e direcionei-o para a janela, o sol batia fracamente nas árvores lá fora, o que indicava algo em torno de 11h da manhã.
- Me desculpa... – A ouvi dizer.
- O que?
- Me desculpa... Se eu não fosse tão idiota, isso nunca teria acontecido... – Ela começou algo que eu preferi parar antes que mais bobagens saíssem pela sua boca.
- Jacky? Cala a boca, você tem noção do que fez lá?
- Sim Jimmy! Eu te atrapalhei totalmente...
- Claro, me atrapalhou a levar uma faca no meio das costas, como você é uma pessoa horrível Daniel’s! – Disse com o melhor tom irônico que tinha.
Ela suspirou, encarava as mãos depositadas no colo evitando me olhar.
-Eu não suportei a ideia de te deixar ir de novo, ainda mais porque eu preciso de você mais do que nunca. – Ela fechou os olhos e respirou fundo. -Talvez eu não devesse ter vindo.
- Hey, você não tem noção de quanto me deixou feliz com isso. – Sentei na beirada da cama e levantei seu queixo com o toque suave de meu polegar, ela parecia envergonhada e me olhava diferente. – Você veio literalmente até o inferno por mim. Chego a me senti a mocinha da história!
- Eu sempre fui mais macho que você Sullivan – Ela disse entre gargalhadas, e isso infelizmente chegava a quase ser verdade. QUASE... Ainda tenho meu orgulho masculino. E ele se encontra no meio das minhas pernas.
- Tudo bem, me chame de viado se quiser. – Puxei-a para mim emendando nossos lábios. Eu não conseguira aguentar mais um minuto sem tê-los novamente. No inicio foi algo suave como um reconhecimento, porém depois ambos nos empolgamos e nossas línguas já disputavam espaço. Segurei sua nuca apertando um pequeno maço de cabelo empurrando-a contra meu rosto, nossos lábios se movimentavam rapidamente tendo pouquíssimo tempo para respirar. Pude sentir o desejo a flor da pele, era a mesma sensação de provar pela primeira vez uma forte droga viciante largada por anos, Senti como se nunca mais pudesse solta-la. Inclinei meu corpo passando a mão por suas costas e encontrando os pequenos laços de sua veste hospitalar tendo que conter a incrível vontade de desfaze-los. Levei meus dedos a sua lateral percorrendo vagarosamente a área danificada e me aproximando cada vez mais do corte.
Ela se desprendeu cautelosamente de mim, encarando-me mais uma vez, era horrível não sentir seus lábios cálidos se enroscarem nos meus.
- Você quer ver? – Ela falou mordendo o lábio, como se hesitasse dizer as palavras.
Assenti com a cabeça, esperando enquanto ela levantava com certa dificuldade a camisola. Assim que o pano se estendeu um pouco acima do seio pude vir uma enorme faixa coberta com gases se estender por suas costelas, ela fazia uma pequena careta pela quantidade excessiva de movimentos, mas logo depois baixou a camisola novamente voltando a buscar meus lábios. Estávamos em êxtase, famintos um pelo outro nos beijando como nunca. Sua língua percorria todo o espaço em minha boca e suas mãos deslizavam por meus braços e costas. Finalmente nos desgrudamos mais uma vez e eu tinha um sorriso bobo cravado entre os lábios.
- Você está com gosto de aspirina Daniel’s. – Disse piscando para ela que enrubesceu com o comentário.
- Pois saiba que você também não está em um dos seus melhores estados James!
- Como assim? Eu sou um sedutor nato em qualquer condição! Principalmente depois de passar a noite sentado em uma poltrona de hospital babando em cima do seu lençol. — Rimos desesperadamente de pequena discussão, era bom lembrar como Jacky conseguia ser engraçada comigo.
A porta do quarto se abriu e dela pude ver entrar Matt, Syn, Johnny e Zacky. Eles traziam um embrulho de tamanho mediano e encravam a gente com sorrisos maliciosos.
- Ai está você Flammer! – Matt se aproximou e abraçou carinhosamente Jacky.
- Ainda não conseguiram se livrar de mim Sanders . – Ela respondeu e os dois riam. Matt Beijou-a na testa e depois tomou o embrulho das mãos de Johnny passando-o para ela.
- Isso é um pequeno presente nosso para você, espero que aproveite assim que largar esse hospício.
- Não é só porque Jimmy passou a noite aqui que já devem taxar o lugar como a casa dele. – Jacky disse piscando para mim.
Ela pegara o pacote com papel laminado e com visível curiosidade rasgara-o sem cerimônias. Uma caixa branca revelava no interior a mais nova garrafa de Jack Daniel’s Gold Edition.
- Isso será nosso brinde daqui a dois dias. – ela disse piscando para todos.
- E é bom que você já esteja inteira de novo para repetirmos certa luta histórica. – Zacky falou cutucando Brian que revirou os olhos com o comentário. – Des de ontem Syn não parou de falar de como conseguiria te vencer fácil hoje em dia.
- Veremos, Hanner nunca foi páreo para mim. – Ela disse ironicamente e todos se puseram a rir.
- Como está se sentindo hoje? – Johnny perguntou se aproximando da cama e sentando em sua beirada.
- Estou bem melhor pigmeu, não se preocupe. – Ela pegou a mão do pequeno e a apertou carinhosamente. – Mas não vai achando que eu me esqueci da surra que você merece levar, ouviu? Mentir é feio!
Ele jogou as mãos para o alto em sinal de reedição. — Como a senhorita quiser!
Synyster apenas nos encarava encostado na porta, trocamos alguns olhares que valiam mais que palavras. Jacky percebeu sua inércia e então se dirigiu à ele.
- Eu estou ótima Brian, obrigada por se preocupar. – E sorriu para ele, mesmo que fosse ironicamente.
- Eu percebi. – Ele disse e depois piscou para ela.
- Há antes que nos esqueçamos – Matt tirou uma sacola de dentro da bolsa que carregava e jogara para mim. – Isso aqui é pra você, vai tomar um banho pelo amor de Deus e tira essa inhaca de ferrugem do nosso nariz.
Olhei para baixo e percebi meu estado ainda deplorável, sorri com a cara que todos fizeram ao reparar na minha roupa, principalmente Jacky que parecia incomodada ao ver seu sangue secado em mim. Selei nossos lábios e entrei para o banheiro do hospital, tomei uma rápida ducha sem muita demora vestia a roupa que Matt me trouxera, e quando saí todos me aplaudiram como se tivesse ganhado o prêmio Nobel da limpeza.
Continuamos conversando e gargalhando por um bom tempo, contei algumas histórias bizarras que fizeram o queixo de Jacky cair, todos riam e acrescentavam mais algum detalhe esquecido.
- Você tinha que ver garota, ele saiu correndo com essa camisola aberta, subiu em cima de uma cadeira de rodas e ficou balançando o bundão branquelo para as enfermeiras. – Matt completava as falas anteriores entre gargalhadas.
- Eles queriam me dopar! Pela terceira vez! Eu tinha que fazer alguma coisa, me sentia quase em coma naquele lugar... Estava lutando pelos meus direitos. – Completei indignado.
- Claro, se não te dopassem você ia tentar fugir pela janela! – Zacky argumentou sorrindo.
- E daí?- Indaguei.
- E daí que era o terceiro andar seu cuzão! – Brian finalmente abriu a boca depois de tanto tempo arrancando mais gargalhadas gerais.
- Como você consegue ser tão retardado Jimmy? – Johnny ironizou.
- Pelo menos eu consigo alcançar a pia, caçador de ácaros! – Falei para Johnny.
- Vai se foder arranha céu!
Começamos uma lutinha boba no pequeno espaço entre a cama e o sofá em que os caras estavam. Logo depois a interna Joanna aparecera afoita na porta, entrando bem na hora em que eu balançava o pigmeu no ar de um lado para o outro.
- Pessoal... – Ela fitou cada um com certo peso no olhar. – Acho que vocês tem um pequeno probleminha.
Continuei com Johnny suspenso no ar enquanto o mesmo me xingava e esperneava. Vimos os sorrisos darem lugar a feições sérias de dúvida e curiosidade.
Joanna andou com certa dificuldade até a janela de vidro e abriu-a para nós. Pudemos ouvir algo como um murmuro de várias pessoas vindo da rua, todos nos aproximamos ao mesmo tempo, joguei Johnny em um canto qualquer fazendo-o gemer e depois tentar escalar minhas costas para conseguir ver a cena embaixo do hospital.
Parecia um formigueiro. Várias vãs lotavam o estacionamento de frente para o prédio, cada uma mostrava um símbolo de rádio ou canal diferente. A maior se encontrava bem perto da entrada, era da MTV. Pessoas eram amontoadas atrás de barreiras improvisadas por seguranças do hospital, variavam entre fãs e jornalistas afoitos que quase causavam carnificina disputando um pequeno espaço no local. Nossa aparição repentina na janela fora notada em poucos segundos, aquele mar de pequenas cabecinhas se virara para cima e pude ver flashes dispararem como metralhadoras para cima de nós. Matt fechou a janela quase em um baque empurrando todos de volta para dentro.
- Essas merdas são piores que praga! – Brian disse se jogando novamente no sofá passando as mãos pelo cabelo enquanto bufava.
- Eu achei que tínhamos despistado-os. – Zacky completou abaixando a cabeça perto da porta.
- O que eles pensam que estão fazendo aqui? – Falei me sentando novamente perto de Jacky pegando sua mão.
- O que aconteceu? – Ela me encarou assustada, provavelmente já imaginava o que era.
- paparazzi, minha princesa. – Falei virando delicadamente para ela. – Parece que não resistiram a esse seu corpinho seminu na cama do hospital.
- Cala a boca Rev. – Ela respondeu puxando a coberta mais para cima.
Johnny pegou o controle de cima da pequena mesinha de cabeceira e ligou a tv, passamos por alguns canais até acharmos um que estivesse com a notícia ao vivo.
“ Acabamos de ter a breve aparição de alguns membros da banda Avenged Sevenfold dentro do Hospital público de Huntington Beach. Segundo fontes seguras parece que o baterista James Owen Sullivan foi visto no final da tarde de ontem carregando a sua mais nova namorada gravemente ferida. Alguns especulam que ela fora vítima de uma briga em festa privada, já outros suspeitam que a agressão possa ter vindo do próprio baterista em momento de descontrole, estamos aguardando mais notícias, em breve teremos a identificação da nova garota relacionada à banda...”
Suspirei, não adiantava fazer nada contra a estupidez do jornal.
- Francamente eu tentaria assassinar ela e a traria para cá. – Falei abraçando Jacky e levando-a para meu peito.
Todos reclamamos por um tempo, Joanna continuava parada na porta com cara de paisagem, ela parecia pensativa.
- Joanna? – Jacky chamou a pobre garota que se assustou.
- Sim?
- Quando eu vou poder sair daqui? – Ela falou com olhinhos pidões e fez o esboço de um beicinho, era essa cara que já conseguira muita coisa de mim.
A garota ficou sem ação por alguns segundos até se antenar novamente na conversa. Ela parou pensativa e então se virou para nós novamente.
- Eu não tenho certeza, mas como você tem se mostrado bem promissora e a ferida não fora tão grave quanto pensamos. – Ela pegou a tabela nos pés da cama e a analisou rapidamente. – Diria que amanhã de manhã já estará com forças o suficiente para andar, mesmo que com alguma ajudinha. – Ela sorriu simpaticamente para Jacky demonstrando certa empolgação.
- Assim é bem melhor! – Jacky se encostou aliviada em mim novamente buscando meu pescoço e mordiscando-o levemente.
Sorri com sua atitude, era estranho estarmos bem de novo tão rápido, mas se tinha algo em que havíamos concordado era sobre o desperdício de tempo já tido. Ficamos lá por mais algumas horas esperando que o movimento diminuísse, já passavam de duas da tarde e tínhamos muito trabalho à fazer. Joanna então entrou no quarto com certo tipo de empolgação.
- Arrumei um jeito de tira-los daqui! – Ela pulava como uma criança olhando para todos.
- O que você tá arrumando? – Perguntei.
- Os fundos – Ela disse recuperando o fôlego. – Temos a saída dos fundos por onde levamos o lixo hospitalar e material inútil. A saída tá livre e também é a única de vocês já que o horário de visita está praticamente no final... – Ela diminuía a voz com o andar da frase e se encolheu ao conclui-la.
Nos entreolhamos por alguns segundos, Matt sorriu com a ideia, para ele era importante não chamar atenção agora. Concordamos enfim e recolhemos todo o entulho do quarto guardado de volta na mochila. Todos abraçaram e se despediram de Jacky, me deixando por último, levantei da poltrona e inesperadamente fui puxado para se juntar a ela na cama. Deitei ao seu lado por cima do lençol, era impossível não sorrir tendo-a nos meus braços. É, eu sou um bobo apaixonado, totalmente entregue a ela. Era surreal a influência que ela tinha sobre mim, como apenas por vê-la sorrir meu mundo se incendiara por completo, eu tinha uma necessidade insaciável de cuidar e ser cuidado por ela. Beijamo-nos mais uma vez, porém com uma intensidade menor. Ela sorri e eu levantei em um salto.
- Volto amanha pra te tirar dessa espelunca Daniel’s. – Eu disse antes de fechar a porta e, contra minha vontade, deixa-la no quarto.
POV Jacky.
Todo aquele movimento me deixou extremamente feliz e cansada. Precisava tirar uma longa soneca e isso seria bom para matar o tempo. Pelo visto eu ficaria por aqui por mais tempo que esperava. A televisão ainda estava ligada passando um reality show qualquer quando ouvi a porta abrir timidamente. A cabeça de Joanna apareceu pela porta, sorri com sua presença autorizando a entrada.
- Eles já foram, correu tudo bem. – Ela falou enquanto mexia em alguns medicamentos entregando-me logo em seguida. — Botamos dentro de uma ambulância para não chamar atenção, mas o Jimmy cismou de ligar as sirenes dizendo que ia dar mais emoção. Ele é uma figura. – Ela sorriu levemente.
- Deve ter sido uma cena cômica. Ele não sabe fazer algo com discrição – Falei engolindo o coquetel vermelho sangue que ela me entregou. – Só não vejo a hora de sair daqui, as meninas devem estar pirando por não ter notícias minhas agora.
- Suas amigas? – Ela não parava de andar pelo quarto mexendo na papelada e máquinas.
- Sim, da minha banda.
- Você também? Meu Deus esse hospital vai ter que comprar um tapete vermelho daqui a pouco. – Rimos juntas e ela me lançou um olhar dócil, parecia uma irmã mais velha cuidando carinhosamente da mais nova.
- Se eu te fizer uma pergunta, você não via me levar a mal?- Tentei não parecer intrometida, mordisquei o lábio um tanto nervosa.
- Claro, o que foi?
- Porque você é tão legal?
Ela sorriu e se aproximou de mim. – Sinceramente, eu não sei... Eu gostei de vocês, parecem pessoas gentis e companheiras. Isso me faz lembrar certas coisas... – Percebi seu olhar se perder no vazio, um pequeno devaneio veio a sua mente.
Ela balançou a cabeça como se acordasse de um sonho e voltou-se para mim novamente.
- Hum, desculpa se me intrometi em assuntos pessoais. – Eu disse lamentando.
- Oh, não se preocupe! Não é nada demais... – Ela se sentou na poltrona onde Jimmy passou a noite, e ficou a encarar os pés. – Eu tenho um namorado também, sabia? O Nome dele é Samuel...
- Há que lindo! Mas Jimmy não é meu...
- Ele está no Iraque. – Ela completou ainda encarando os pés. Senti certo peso nas costas, e não me importei em terminar a minha frase. – Faz mais ou menos dois anos.
- E-eu sinto muito.
- Relaxa, está tudo bem... Nos falamos de vez em quando pelo computador sabe? Agradeço todos os dias por saber que ele está bem. – Ela sorria tristemente para mim, sua pose era de uma pessoa tranquila e conformada, porém seus olhos não diziam o mesmo.- E quando eu vi o jeito que ele, o Jimmy, olha para você me lembrei muito de Samuel. Ele costumava a me olhar assim também. – Levantou e virou-se para o outro lado afim de esconder os olhos marejados. – Agora ele mal tem tempo para me ver, acho que a guerra tem mexido muito com ele Jacky. É por isso que eu gosto de ajudar as pessoas, se não posso estar lá para Samuel quero estar para os próximos de mim.Seus olhos não são mais os mesmos... Ele parece sombrio, triste. Não o culpo, apenas rezo para que um dia reencontre a felicidade que ele costumava ter.
- Ele vai encontrar, assim que voltar você vai estar aqui para ele. – Falei fazendo ela se virar novamente para mim agora mais controlada. Com o comentário consegui arrancar um verdadeiro sorriso de seus pequenos lábios rosados.
- Eu tenho que ir, se não vão me repreender por ficar incomodando uma paciente. – Rimos e então ela apertou minha mão. – Obrigada Jacky.
- Eu é quem tem que agradecer Joanna.
Ela deixou o quarto e eu voltei a encarar o teto pensativa. É incrível como a vida dos outros nunca parece tão complicada como a nossa, sempre achamos que temos os piores problemas, que nossa vida está por um fio e esquecemo-nos de parar para ver pelo próximo. Joanna me ajudava por ter prazer nisso, por querer fazer outros sorrirem o sorriso que ela muitas vezes já teve. Era uma causa nobre de mexer comigo. Percebi que a visão pesou, acho que os medicamentos começaram a fazer efeito. Sorri cerrando as pálpebras e ouvindo todos os ruídos se esvanecerem por completo.
Acordei já na manhã seguinte. Acho que aqui no hospital estou recuperando todas as noites de sono que perdi pelo Jimmy. O relógio de parede dizia 12h50min, o horário de visita da parte da manhã já tinha se passado. Droga. Bufei e me remexi na cama, vi um pequeno papel repousado na mesinha de cabeceira com meu nome escrito em cima, estiquei o braço com certa dificuldade e peguei-o.
“Passamos mais cedo e não queríamos te acordar. O médico falou que te dá alta as 15:00h daqui a pouco passo ai e te resgato desse cativeiro. The Rev”
Relaxei e apertei o pequeno botão vermelho, em alguns minutos uma pequena a mal encarada enfermeira apareceu mostrando-se totalmente impaciênte.
- Eu queria tomar meu banho agora se fosse possível. – Ela revirou os olhos e com cuidado me levantou conduzindo até o banheiro. Me despi e entrei no pequeno chuveiro deixando que a água levasse todo o cheiro medicinal para o ralo. A enfermeira limpou cuidadosamente o corte cicatrizado enquanto eu tirava a espuma do cabelo. No fim ganhei outra camisola e voltei para a cama, liguei a televisão e fiquei assistindo alguns desenhos infantis até mais ou menos 14h30minh. Nesse momento Joanna apareceu no quarto e ela trazia um pequeno embrulho e alguns papéis.
- Hora de se despedir...- Ela sorriu deixando o material em cima da pequena bancada depois me dando um leve abraço. – Vou sentir sua falta senhora baterista.
- hahaha, eu também vou Joan... Por favor me ligue quando Samuel voltar, quero notícias suas de vez enquanto.
Ela sorriu entusiasmada. – Pode deixar! Isso aqui foi o Jimmy que deixou para você hoje de manhã. Sua roupa para poder sair. – Ela tirou uma camisa gigante do Misfits e o meu pequeno short Jeans rasgado com cheiro de lavanda. – E tem mais isso aqui... – Ela tirou uma pequena calcinha de rendinha preta. Senti meu rosto queimar enquanto Joanna ria e botava tudo de volta na mesa. – Vem eu vou te ajudar a se trocar.
Levantei e ela desamarrou os pequenos nozinhos nas minhas costas. Botei a camisa e percebi que tinha esquecido meu sutiã. Provavelmente foi para o lixo junto com a camiseta rasgada do aeroporto. Depois de pronta (e com uma micro calcinha preta de renda enfiada na bunda) Sentei por cima do lençol enquanto Joanna amarrava meus tênis.
- Eu vou matar aquele poste de dois metros. – Falei arrancando mais risos espontâneos de Joanna.
Não precisamos esperar muito e Jimmy chegou no quarto, me pegando no colo e rodopiando pelo quarto.
- JAAAAACKYY! – Ele gritava enquanto rodava com meu corpo zonzo.
Assim que me pôs de volta na cama perguntou com a cara mais idiota do mundo:
- Recebeu meu presente?
- Sim, eu ia te mandar enfiar ele no cu, mas ai lembrei que já está no meu.
Jimmy jogou a cabeça para trás gargalhando, pôs me de pé e então levou até a janela. Fiquei assustada ao ver tanta gente em frente ao hospital com cartazes, câmeras e mais duzentas mil parafernalhas.
- Parece que te identificaram ontem anoite. Agora todo mundo sabe que você é a baterista da Vanilla Poison e que está saindo em exatamente... – ele deu uma conferida rápida no relógio de pulso. – Doze minutos.
- Eu tô muito fodida.
Fomos escoltados por alguns enfermeiros até a saída. Pela porta de vidro era totalmente visível a quantidade de repórteres, fãs, e curiosos do lado de fora. Estremeci e olhei para Jimmy, aquilo seria dureza.
- Vamos nessa Daniel’s. – Ele falou pegando a minha mão e sorrindo como uma criança. Pera, ele realmente ia sair de mão dada comigo? Sabe quanta repercussão isso ia dar?
Antes de contestar ou falar algo, Jimmy me puxara para o lado de fora e fomos de encontro a aquele mar eminente de pessoas esbaforidas, vários microfones foram apontados para mim, pessoas me entregavam fotos e cartões de melhoras, câmeras me encaravam provavelmente dando closers na minha cara pálida de múmia.
- Como aconteceu esse infeliz fato? – Um repórter gigante esticou a mão para mim esperando a resposta completa.
Ahn... Um cara lá, ele queria arrumar briga comigo... E então Jimmy apareceu, e o cara pegou uma faca... Pelo menos é isso que eu lembro.
Outro agora mais baixinho enfiou o microfone no meu rosto e antes que eu pudesse perceber já estava me interrogando. Jimmy foi me puxando e guiando entre tanta gente, algumas pessoas ele respondia outras passava direto assim como eu. Uma mulher de mais ou menos 40 anos e sorriso simpático dirigiu-se a mim com seu gravador e perguntou maliciosa:
- É verdade que você, jacky Flammer baterista da Vanilla Poison está namorando assumidamente com James Sullivan do Avenged Sevenfold?
Eu congelei por algum momento, fiquei estática pensando em algo sutil para dizer, afinal não tínhamos nada definido... Eu acho. Jimmy ouviu a pergunta e sorriu, passou o braço gigante e tatuado pelos meus ombros e com a mão livre pegou o gravador da mão dela.
- Sim é verdade, ela é minha namorada com certeza. – Falou e depois piscou para mim como uma criança feliz. Senti o calor subir pelo meu corpo, não deixei de esboçar um sorriso incontentável assim que ele se calou.
- Eu sou? – Perguntei , que retardada ...
- Quer ser? – ele aproximou-se de mim ignorando a quantidade de câmeras que nos envolviam no momento.
Sorri, isso bastava. Puxei seu corpo pela camiseta preta e levei meus lábios ao encontro dos dele. Arqueou a sobrancelha surpreso, mas nem por isso interrompeu o beijo. De repente múrmuros viraram gritos, frases como “Agora é oficial Minha gente...” Repercutiram todo o pátio. Jimmy continuou a me guiar até o carro, assim que batemos a porta e demos partida conseguimos relaxar e aproveitar a calmaria das ruas.
Esse dia era memorável, acho que nunca consegui demonstrar tanta felicidade de uma vez só, Jimmy dirigia reluzente enquanto segurava minha mão. Ele estava feliz, eu estava feliz, Nós estávamos felizes... E isso, era a única coisa que me importava.
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