Forgotten Faces
3 The Missing Piece.
Notas iniciais
POVJimmy.
Ficamos assim por muito tempo. Eu não queria solta-la, sentia como se ela pudesse quebrar se eu fizesse isso. Ter ela aqui e agora depois de tanto tempo era quase inacreditável, Jacky não era do tipo que se apegava as coisas, muito menos a pessoas. Ver aqueles olhos negros avermelhados chorando para mim partia meu coração. Eu podia contar nos dedos quantas vezes realmente a vi chorando. Essa situação não era fácil para ela, e agora muito menos para mim.
– Eu prometo Jacky, isso não vai acontecer de novo. Eu prometo! Fui um idiota, retardado, infantil...- Novidade- ... Mongol, e acima de tudo insensível. Não vou te abandonar de novo. – Agora eu podia me lembrar como era tê-la do meu lado. Era confortante, com ela todo peso nos meus ombros se aliviavam. Eu senti muito sua falta no início, minha vontade de ligar para ela todo dia era torturante, mas uma voz falava mais alto, me reprimindo. “E se ela estiver melhor agora? Finalmente vai poder conhecer gente nova e talvez saia de casa agora que nada a prende lá.” Eu ainda me lembro claramente da última vez que nos vimos.
Flashback ON*
Era noite de natal e eu passei o ano todo fora. Decidi voltar para Huntington Beach e dar um alô aos meus pais. Entretanto a primeira pessoa que me veio à cabeça foi Jacky, eu realmente precisava vê-la. Era natal, não ia fazer mal ver como ela estava. Porra só uma visitinha... Mas provavelmente ia querer me socar até o inferno, e tenho que dizer, ela chega a ser mais forte que muito marmanjo por ai.
Passei a véspera de natal em casa, depois os garotos haviam me chamado para uma festa na casa do Matt, mas já tinha outros planos. Dirigi os quatro quarteirões que separavam minha rua da de Jacky e quando cheguei estacionei longe, não queria que vissem meu carro. Andei até sua janela e peguei um gorro vermelho que tinha levado no bolso, nenhuma invasão de natal é perfeita sem um gorro vermelho. A neve encobria toda a rua me fazendo afundar alguns centímetros. A janela de Jacky era quase tão problemática quanto ela, por isso nunca estava trancada, eu sabia disso mais que ninguém. Tá, não pensem merda...
Em fim, escalei a mureta e logo já estava entrando. Ela estava deitada em posição fetal em cima de um edredom xadrez de vermelho. Seu cabelo se espalhava por toda a cama e tampava o pálido rosto. Ela levantou a cabeça assustada e mal pode acreditar quando me viu. Sorri e imitei um “Ho Ho Ho” em gutural, ela levantou-se em um salto, prendendo seus braços em meu pescoço. Ficamos muito tempo assim, até que deitamos em sua cama e ficamos um de frente para o outro. Tinha mudado tanto... Seus olhos negros envoltos em cílios volumosos me encaram com um brilho especial. Cheguei a ficar sem graça quando algumas lágrimas escaparam, mas fiz questão de limpa-las. Não as merecia e isso me torturou por um bom tempo. Dormimos lá, mas eu tive que sair antes que ela acordasse, o que a fez ficar bastante chateada. Acontece que seus pais nunca foram com a minha cara depois que a levei para por o pierceng no lábio.
Flasback OFF*
Nos levantamos e ajeitamos tudo, respirei fundo e puxei a garota para mais um abraço. Ela não contestou, e retribuiu na mesma intensidade. Rimos um pouco de tudo aquilo e então mais que depressa começamos a falar. Contei tudo que tínhamos passado durante o ano e cara, fora muita coisa mesmo. Ela ouvia entusiasmada e contava como a banda tinha andado pra frente também, rimos bastante. Mais de uma hora já tinha voado, decidimos voltar para a festa, eram cinco da manhã e ainda tínhamos muito pra aproveitar. Quando saímos do quarto vários olhos nos seguiram cheios de malícia. Mas nenhuns de nós nos importaram. Abracei jacky pela cintura, como nos velhos tempos, fomos andando assim até a bancada de bebidas onde ela se debruçou e eu pude notar seu decote. Realmente, a pequena Jacky cresceu bastante. Tive que rir do meu próprio pensamento.
POVJacky.
– O que vai querer Daniel’s? – Ele perguntou com um sorriso bobo na cara.
– E eu lá já te dei intimidade para me chamar assim de novo? – “Daniel’s” Era um apelido que segundo Jimmy, além da semelhança com o nome “ Jack” significava que por mais amarga que minha vida fosse, eu ainda conseguia arrancar sorrisos de muitas pessoas que me conheciam de verdade. Coisas de jimmy, não tentem entender.
Ele riu e bagunçou meu cabelo com um cafuné, odiava essa mania irritante que ele tinha.
– Manda ai dois copos de Vodka pura com pouco gelo. – ele pediu. Depois se virou para mim com aquele olhar desafiador e disse – Quero ver como anda sua resistência Daniel’s, espero que tenha melhorado se não continuará a pagar os mesmo micos de antes.
Peguei o copo e encarei-o com um bico, fizemos um brinde e virei tudo para dentro primeiro. O líquido ardeu por todo o caminho que passou, fazendo até meu nariz escorrer, mas fiz questão de não deixar nada no copo. Jimmy dava gargalhadas das minhas caretas, mas depois que me recompus ele me aplaudiu com vários “bravos”.
– Agora veremos o quanto você consegue se manter sóbria. – Ele virou o dele sem muitas dificuldades, me deixando no chinelo. Dei de ombros, virei para trás e pedi mais dois.
– Foi nessa brincadeira que ele acabou deitado de cueca no asfalto abraçado com um gambá. –Matt se aproximou por trás com uma garota entre seus braços musculosos. Era Lexie, já podia se esperar. – Quanto tempo Jacky! Pelo visto não perdeu o costume de pagar seus micos alcoólicos – Todos riram.
– Era “A” gambá! Como pude esquecer a Gretchen! Uma boa mascote e companhia de bebedeira. – Jimmy pegou o segundo copo e fez um brinde solo para a tal gambá.
– Boa companhia até peidar na sua cara e fazer você feder por uma semana. Esse filho da puta teve que dormir do lado de fora do ônibus todas as noites porque ninguém aguentava ficar perto dele. – A gargalhada foi geral. É, isso era muito a cara dele.
Jimmy fez um beicinho e ainda indagou:
– Foi uma maneira gambarística de demonstrar afeto! Um presente da Gretchen antes de sair correndo pela estrada e ser atropelada por um caminhão. – Ele explicou com a maior naturalidade do mundo.
– Que horror... – Lexie comentou, mas logo depois começou a rir.
O jeito que Jimmy narrava os acontecimentos de sua vida faziam nossos estômagos doerem. Ficamos bebendo e contando histórias até todos ficarem realmente ruins.
– Falando nisso gente, vocês tinham que ver, uma vez a Jacky e eu fomos beber depois de um showzinho fuleiro em um bar, e acabamos ficando muuuuuuuuuuuito bêbadas. – Lexie começou a contar uma de nossas mais vergonhosas histórias, e tinha que dar muitas pausas parar recuperar o folego de tanto que gargalhava no meio dela. -... O bar estava um tédio total, mesmo com uma musica doida lá tocando. Jacky então decidiu que tínhamos que animar o bar de qualquer jeito! Cismou com isso e então foi cambaleando até a seletora musical e botou para tocar “I Love Play With Fire” das "The Runaways", depois subiu em cima do balcão de bebidas, chutando TUDO e me puxou lá pra cima. – Ela começou a rir desesperadamente, Matt segurava-a pela cintura e de vez em quando a equilibrava. – Fizemos uma dança bem “caliente” e o bar todo foi a loucura. O dono até aumentou o nosso cachê por isso! Acordamos no dia seguinte deitadas na praia e a Jacky tinha uma garrafa de tequila presa dentro do sutiã. – Agora a gargalhada foi geral. Não tinha como parar.
–Esse dia foi muito tenso tenho que confessar... –Tentei encerrar a história por ai mas eis que veio a merda.
– Jacky dançando? Sensualmente me cima de um balcão? Não, eu não consigo acreditar, ela sempre foi tão desajeitada... – Matt olhou provocante ajeitando o boné.
– Não ouse... – Eu comecei, mas fui interrompida por uma figura de olhos verdes esmeralda que chegara bem na hora.
– Alguém falou em dança sensual?!- seus lábios se estenderam em um sorriso, mostrando as duas argolas pratas que ali traspassavam.
– Zacky chegou bem na hora! – Matt cumprimentou o cara e logo depois o apresentou para mim e para a Lexie, contando novamente toda a história. Eu já conhecia Zacky, mas não eramos chegados, como " o amigo do meu amigo", sabe?Ele se lembrou de mim e deu um abraço mais caloroso, era estranho mas eu me senti bem com isso.
– Vamos lá, eu quero ver. Vocês duas devem ficar muito gostosas fazendo isso – Zacky provocou.
– Fala sério, eu danço como ninguém tenho que admitir,e a Jacky também manda bem, esse deve ser seu lado negro. – Lexie juntou-se a provocação.
– Vamos parar com essa porra, não vamos fazer merda de dança nenhuma, isso foi uma vez para nunca mais.
Jimmy estava quieto, apenas esperando, eu sabia que ele gostava de um mal feito. Lexie então cochichou algo no ouvido de Matt, e ele riu. Fiquei curiosa, mas logo Matt olhou para mim e soltou um sorriso malicioso. Agora estava com medo de saber.
– Eu te desafio. – Ele disse. – Jacky Flammer eu te desafio a subir com a Lexie neste balcão e dançar tão sensualmente quanto antes.
– Nem fodendo Sanders. – Eu cruzei meus braços.
– É Lexie, você tinha razão. Não tem jeito. – Logo os dois riram.
– Pera, razão sobre o que? – Agora sim estava curiosa.
– Não é nada. – Matt riu novamente. – É só que Lexie comentou que você era cagona. Só estava conferindo.
– Merda. – Jimmy deixou escapulir entre os dentes. Ele sabia o quanto eu adiava ser chamada de cagona, fraca, e afins.
– Eu sou o que?! – Sim, eu havia ouvido claramente, mas só estava dando uma chance de ele mudar a frase.
– C-A-G-O-N-A. – Ele fez questão de soletrar. A gargalhada foi geral, cerrei meu punho e engoli em seco. Peguei o copo de Jimmy que ainda estava cheio e virei em um só gole, depois peguei o de Matt que estava pela metade e também o terminei.
– Vem Lexie. – Agarrei a mão da loira e a puxei para cima. Uma onda de tontura atingiu minha cabeça, senti meu corpo balançar para frente e para trás. “O que diabos estou fazendo?!” pensei, mas nem por isso parei a ação. No momento tocava Walk do Pantera , olhei para Lexie que sorria abobalhada, ela adorava esse tipo de merda.
POV Jimmy.
Elas subiram e eu vi Jacky quase cair de costas de cima do balcão. Que porra é essa?! O que ela tava pensando?! Provavelmente nada naquele momento, como a maioria de nós estava encharcada de álcool no cérebro. Elas começaram a dançar, uma junto à outra, com direito a apertões, encoxadas e mordidas no pé da orelha, eu me senti vendo um filme pornô 3D, e admito que elas estavam fazendo muito bem. Gargalhei a todo segundo, quando me dei conta o salão inteiro assoviava e gritava para as duas, elas viraram o centro das atenções. Jacky balançava o cabelo para todos os lados, às vezes prendendo-o no pierceng do lado direito da boca. Ela estava leve, solta, e gostosa pra caralho. Ri de mim mesmo.
– Assim o Zacky vai ficar de pau duro rapidinho. – Matt gritava e empurrava Zacky, que retribuía com socos no braço.
– Eu?! É a sua garota que tá lá em cima, a sua e a do Jimmy- Ele contestava não tirando os olhos da cena.
– Ela não é minha garota. – Eu e Shadz falamos ao mesmo tempo. Rimo e preferimos esquecer tal assunto.
De repente Lexie puxou o zíper do colete de Jacky fazendo assim que seu sutiã preto de renda ficasse á amostra. “Agora a porra ficou séria” eu pensei. Jacky ficou paralisada, sem saber o que fazer, e Lexie continuou dançando e seduzindo o resto da plateia. Será que essa garota foi dançarina de cabaré em outra vida? Cheguei até o balcão e puxei Jacky pelas pernas, ela caiu no meu colo e eu fechei seu zíper novamente.
– Pervertido! – Ela falou e fez um biquinho. Logo depois botou a mão na cabeça e fez uma careta típica de bêbado que vê tudo dobrado.
– Não fui eu que fiz um show erótico para seis bandas diferentes às cinco e meia da manha... – falei sorrindo para ela que retribuiu me dando língua como uma criança.
– Eu acho que tá na hora de irmos embora. Antes que mais alguém tente tirar sua roupa. – Ela chegou a rir do comentário, mas logo depois encostou a cabeça no meu ombro e fechou os olhos.
Nesse momento uma louca de cabelo meio vermelho chegou correndo e começo a me bater.
– PÕE ELA NO CHÃO SEU TARADO, LARGA ELA! – A garota tentou puxar Jacky do meu braço, mas como eu sou quase 20 centímetros mais alto consegui evitar.
– Ou, ou, ou! Espera, eu só quero levar ela para casa. — A garota continuou- Sou Jimmy! O amigo dela! -...- CALMA AI FILHA DE SATANÁS!
A garota finalmente me deu uma trégua e olhou para cima.
– Há, é você... – Ela me olhou de cima em baixo. – Achei que fosse... Sei lá, mais alto.
O que ela pensava que eu era, uma árvore? Agora eu realmente me perguntava se Jacky encontrou as amigas em um puteiro ou no inferno. Bufei e então perguntei:
— Quem é você afinal?
– Eu sou Eleonora Gonsalez, guitarrista da banda e AMIGA de Jacky. – Ela arqueou uma sobrancelha em tom de provocação. Garota irritante.
– Ok Gonsalez, você pode me mostrar onde é o trailer de vocês para que eu possa levar esse ser alcoolizado?
– Vem comigo. – Ela virou de costas e saiu andando depressa, fui atrás dela carregando Jacky entre toda aquela gente.
Saímos da festa e começamos a andar na madrugada fria. O Sol estava para nascer e alguns trailers já tinham deixado o local. Bem longe avistamos um amarelo manchado, tamanho médio. Eleonora apontou para ele e correu na frente para abrir a porta. Entramos em silêncio, passamos pela cozinha onde vi duas garotas jogas no chão, primeiro achei que estavam mortas, mas depois vi as garrafas de whisky vazias junto ao corpo delas.
– É aqui o quarto dela, a Rose dormiria aqui também mas... Acho que não vai precisar. – Eleonora deu de ombros abrindo a porta de um quartinho estreito, com apenas duas camas justas formando uma de casal, e um suporte de guitarra. Deitei Jacky cuidadosamente e a cobri com o lençol que estava jogado lá em cima. Ela gemeu baixinho e então abriu os olhos vagarosamente para mim.
– Não se preocupe, você já está em casa. Dorme um pouco agora amanhã vai estar com uma ressaca monstro. – Sorri e ela fechou os olhos novamente.
Me preparei para levantar, mas quando o fiz senti ela segurar minha mão.
–Não... Fica aqui, só mais um pouco. – Ela murmurou baixinho e sem se quer abrir os olhos, mas ainda sim era fácil de ouvir. Deitei ao seu lado, era o mínimo que podia fazer depois dessa longa noite. Segurei sua mão novamente e encostei minha testa na dela.
– Ficarei o quanto você precisar. – E então só me lembro de vê-la sorrir levemente.
Notas finais
beijos para vocês.
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