Forgotten Faces
8 Maybe Is Not Too Late
Notas iniciais
POVJacky.
Fiquei parada, incrédula. As palavras daquela mulher ecoavam pela minha cabeça demorando a fazer algum sentido. Jimmy se virou para trás e bateu a mão na testa com toda a força, também não conseguia falar nada. Ela revirou os olhos e andou em minha direção depois estendeu a mão como um cumprimento normal.
- Eu sou Leana... Leana Noelle Macfadden, e futura Leana Noelle Sullivan para ser mais exata. – Ela sorria maleficamente para mim que cumprimentei ainda pasma pela apresentação grotesca.
- Eu... Sou... Ja-Jacky Flammer.
- NÃO LEANA VOCÊ NÃO É CARALHO NENHUM! – Jimmy estava exaltado, não se continha direito, ele chegou por trás dela e a puxou para longe de mim em um movimento brusco que a fez fazer uma careta.
-Nós ainda temos muito que conversar Jimbo querido... – Ela sorriu para ele e depois pousou seus olhar de novo para mim. – Então, Jacky... Se importa?- Ela fez um movimento com a cabeça para a porta, e por mais que eu não quisesse, sabia que era o melhor a fazer.
- Não Jacky! Você não vai a lugar nenhum, eu vou te explicar tudo! Não é nada do que você tá pensando! – Jimmy implorou, mas era tarde eu já tinha dado meia volta e batido a porta atrás de mim.
Não acreditava no que tinha visto, meus olhos estavam marejados, meu punho tremia e a suadeira começara. ”O que aquele filho da puta pensou que eu era? Porque ele não me falou dela antes? Leana?! Nunca havia visto ou ouvido falar”. Dez mil pensamentos passaram pela minha cabeça nesse momento. Era impossível ficar calma. Depois que entrei no elevador soquei a porta com toda a força, deixando marcas avermelhadas em meu punho, porém a dor física agora era insignificante. Quando a porta se abriu vi Matt sentado no saguão principal apoiando os cotovelos nos joelhos. Aproximei-me e ele se virou, sua expressão exalava cansaço, ele estava chateado com tudo aquilo e tentou evitar, pena que sou uma cabeça dura sem concerto.
- Acho que precisamos de um bom drink – Ele disse mostrando suas covinhas em uma tentativa animadora.
- Eu não sei... Acho que vou para casa.
- Jacky, Eu sei que você ta se fodendo pra qualquer explicação plausível que isso possa ter, e também sei que é dever do Jimmy esclarecer isso tudo, então vamos encher a cara e fazer alguma coisa não produtiva. Por minha conta! – Ele levantou e me envolveu em seus grandes e musculosos braços.
Achei uma coisa legal da parte do Matt, mas embora estivesse bastante agradecida, não conseguia demonstrar um pingo de emoção. Estava lá quieta, inexpressiva e entrando em um taxi com Matt para um bar qualquer. Chegamos em frente ao “LugBlue” , “ Maravilha..” pensei ironicamente. Sentamos em uma mesa nos fundos do bar para não sermos incomodados por fãs irritantes que nos reconheciam cada vez com mais frequência. Pedimos um Blue Lagoon para cada, ele me fitava com apreensão eu apenas desviava o olhar brincando com um pedaço de palito. Levantei, fui até o balcão e pedi um cigarro. Tá, eu sei que parei de fumar a algum tempo, mas hoje eu merecia isso, se era para ficar na merda que fosse por completo. Voltei para a mesa e vi uma cara de surpresa vindo de Matt, cheguei a oferecê-lo um mas ele recusou.
- Sério, ainda com isso? – Ele perguntou demonstrando uma falsa surpresa.
- Na verdade tinha parado a um bom tempo. Mas hoje a necessidade falou mais alto. – Dei uma longa tragada deixando meus pulmões se encherem com a fumaça e nicotina, depois soltando tudo em um movimento relaxado. – E você e a Lexie? Como então indo? – voltei com o cigarro nos lábios.
- Estamos bem – Ele sorriu por um breve momento. – Ela...Ela é demais Jacky. É louca, insana e pervertida...
- Ela é a Lexie. – Rimos do comentário e pegamos a bebida que a garçonete botou na mesa. Ela balançou os cabelos tentando chamar a atenção de Matt e sorriu simpaticamente para ele.
- Mais alguma coisa senhor? – Ela não tirava aquele sorriso quase Bozo da cara.
- Não só isso por enquanto, você quer algo querida? – Ele olhou para mim que respondi com uma cara de sonsa fazendo um ‘não’ com a cabeça.
A garçonete se afastou carrancuda e rimos da cena. Por fim passamos toda a tarde lá, bebendo um drink atrás do outro e conversando sobre coisas aleatórias. Matt era um bom amigo, esqueci como era bom conversar com ele também, sempre tinha boas opiniões sobre assuntos polêmicos. Estava totalmente bêbada e o maço inteiro já tinha sido usado.
- Então, vamos lá para o hotel. As meninas devem estar lá e você vai poder ver a Lexie... – Tentei falar alguma coisa coerente, mas acho que ele entendeu no fim.
- Tá certo Jacky, podemos ir. – Ele sinalizou para um taxi que parou logo em seguida.
Chegamos ao quarto e não encontrei ninguém. A sala estava uma bagunça e a única coisa diferente era um bilhete pregado na porta da geladeira com o seguinte conteúdo.
“ Então, recebemos uma ligação de uma casa de show a alguns quilômetros de Seattle, tentamos falar com você mas adivinha? Celular desligado. Nada contra trepar a tarde toda, eu faço isso...Mas em fim, voltaremos em torno das 20h com um show marcado ou não. Por isso relaxa e qualquer coisa liga pra Rose que é a única com celular carregado.
Beijos Lexie.”
Típico dela. Matt riu do bilhete e se jogou no sofá, não estava tão diferente de mim. Resolvemos ver algum filme na TV para matar tempo. Eu deitei do seu lado encostando a cabeça em seu colo, ele afagou meu cabelo e ali ficamos por algumas horas. No final a dor já havia amenizado, não muito, mas eu estava anestesiada finalmente. Pensar em Jimmy agora não trazia nada mais que sofrimento e dúvida, sempre fui muito racional e de pensar muito diante de várias situações, por isso tentava achar alguma desculpa para tudo aquilo. Mas cada vez que a cena daquele projeto de bacon (mentira, ela não era gorda larguinha talvez, mas me deixem extravasar né) se aproximando de mim com a palavra “noivo” sendo cuspida pelos seus lábios se repetia na minha cabeça eu tinha vontade quebrar a cara daquela piranha.
Lexie destrancou a porta e nos encontrou ali vendo um programa de auditória qualquer, atrás delas as meninas entravam sem nenhuma surpresa mas aparentemente felizes. Levantei do sofá dando espaço para que ela se jogasse cima de Matt cumprimentando-o com um longo e melado beijo. Fui para a cozinha beber um copo d’água e pela copa percebi Matt sussurrar algo para Lexie que reagiu frustrada.
Dei de ombros e disfarçadamente fui para o quarto. Joguei-me na cama que estava desarrumada dês da hora em que levantamos, me enrolei no lençol bagunçado e enterrei a cabeça no travesseiro. Péssima hora para flash back’s do dia anterior. Senti meus olhos se humedecerem com cada lembrança persistente que ecoava em minha cabeça. Podia sentir o cálido toque de seus dedos na minha cintura e o calor de seus abraços, tudo ainda era muito fresco e tinha marcas recentes. A raiva aumentava gradativamente, me levando a socar o colchão várias vezes. Der repente a porta se abriu, mas eu não precisava das insinuações sarcásticas de Lexie nesse momento.
- Lexie, dá um tempo.
- Errou feio Jacky. – Reconheci a voz de Cristina que se aproximou sentando no canto da cama.
- Há... É você. – Levantei um dos olhos do travesseiro podendo ver seu sorriso direcionado para mim, o que era estranho.
- Que barra ... O Matt comentou na sala. – Ela disse. Ótimo, agora Cristina iria caçoar de mim e eu viraria o principal assunto do momento.
- Olha Cristina, não acho que seja uma boa hora para seus comentários inoportunos. Eu realmente não tô legal com isso.
- Relaxa, não to aqui pra zoar você. Na verdade, eu... Sei lá... Fiquei preocupada. – Ela se virou pro outro lado tentando disfarçar ter ficado sem graça.
Nunca imaginei Cristina vindo me consolar, na verdade longe disso. Provavelmente ela diria que não dá pra se confiar em ninguém ou como eu era tapada de não ter perguntado nada disso antes. Então iriamos discutir e acabar brigando novamente. Mas não ela estava aqui, sentada do lado da minha cama dizendo que ficou preocupada comigo. E isso (por mais estranho que fosse) me fez sentir bem por alguns segundos.
- Aquele poste de dois metros não tinha o direito de fazer isso com você. É boa demais pra servir de amante.
- Obrigada... Eu acho.
- Ele te deve boas explicações, aquele puto ainda não te ligou? Ou mandou uma carta? Ou sinal de fumaça? – Ela estava ficando irritada com aquilo.
- Hum, não sei. Eu desliguei o celular depois de sair de lá. Queria ficar em paz e ouvir a voz dele só ia me fazer vomitar. Mas aqui, Matt falou alguma coisa além do fato de eu ter entrado afoita e pego ele conversando com a...Noiva dele?
Cristina coçou a cabeça por alguns segundos – Na verdade, não. Até perguntamos mas ele falou que não seria bom contar para a gente que com certeza contaria pra você. Ele acha que o próprio Jimmy tem que te explicar isso.
- Ele disse isso também no Bar.
- Saco, que idiota! Eu juro Jacky, se aquele filho da puta aparecer aqui agora do jeito que eu estou, arrebento a cara dele, e depois dou o pau para cães famintos.
Rimos do pequeno surto de raiva que ela teve, na verdade não falou coisas muito deferentes do que eu mesma faria. Ficamos conversando por mais um tempo e por incrível que pareça Cristina era até engraçada e me apoiava muito. Lexie então entrou séria no quarto e deitou do meu lado. Senti seus dedos passarem pelo meu cabelo fazendo com que certa sonolência viesse depois daquilo tudo. Ela não disse nada, e sabíamos que não seria preciso.
POVJimmy.
- Nós já falamos disso um milhão de vezes Leana, não adianta insistir. – Merda, ela já tinha conseguido me tirar do sério há muito tempo. Eram um pouco mais de onze horas e eu não havia saído do hotel. Todos já tinham voltado e eu ainda estava trancado no quarto com aquela mulher até agora.
- EU NÃO VOU ACEITAR ESSA MERDA JAMES! NÃO VOU ACEITAR TER SIDO ABANDONADA DO NADA, NÃO TER NOTÍCIAS SUAS POR SEIS MESES E DEPOIS SAIR DE MÃO ABANANDO!- Ela socou a parede com a lateral da mão. Estávamos cansados e enérgicos, se eu ficasse lá por mais alguns minutos iria enlouquecer. Eu precisava ligar para Jacky falar com ela. Leana conseguiu acabar com o mínimo de respeito que eu ainda tinha por ela depois do que fez com a Jacky.
-E você ainda esperava notícias minhas? – Ri nervosamente passando a mão por toca a extensão do rosto limpando o suor que escorria pela testa.
- É lógico seu retardado! Eu sou sua noiva!
-VOCÊ. NÃO. É. MINHA. NOIVA...Não mais! – Ela se calou por alguns segundos apertando os olhos.
- Você não terminou comigo. – Ela cruzou os braços e se sentou na cama do meu lado.
- E eu precisava Leana?! Eu fui embora! Te deixei pra NUNCA mais voltar! Eu não tinha mais motivo nenhum para ficar lá.– Essa besta parecia não digerir isso! Será que em braile ela entenderia?
Vi seus olhos se encherem de lágrimas, do mesmo jeito daquele dia. Sua expressão era de dor, vergonha ela queria me agarrar, bater, eu vi isso depois que ela apertou as mãos contra a coxa. Seus lábios se contraíam tentando conter os soluços que vinham. Me senti mal, mesmo com toda a raiva que eu tinha dela agora, era impossível não se importar. Apoiei minha em seu ombro afagando-o discretamente, ela enxugou os olhos e focara-os de volta para mim.
- E-Eu pedi perdão. Todos os dias eu te liguei mandei mensagens... Eu i-implorei por v-você. – Ela mal fala com tantos soluços, e eu me recordava de todos os telefonemas que havia escutado. A dor de ir embora contra minha vontade, todas as vezes que me peguei lembrando dela e por causa disso bebi igual um porco só para não pensar... Tudo isso voltou sem êxitos. – Eu só n-não queria ficar s-sem você!
Ela se jogou no meu colo, enterrando a cabeça no meu peito, suas costas palpitavam e tremiam junto com o resto do corpo, levei minha mão até sua cabeça em uma tentativa de acalma-la. Ficamos assim por um tempo até que ela relaxasse um pouco e pudesse falar normalmente. Ela respirou fundo e então continuou.
- Pensei então que você precisava de um tempo sabe, que logo depois voltaria e nós estaríamos justos de novo! Pareceu tão simples no começo que eu me recuperei bem. Mas o tempo passou e... Passou muito. Você não veio, mas eu não podia ir atrás de você, era quase impossível te achar... – A raiva era explícita em seus olhos, porém mais que isso a dor. – Jimmy, você age como se o que eu fiz fosse algo imperdoável, mas todos nós sabemos que você também não era nenhum santo...
- Agora eu também to metido nisso? Então você acha que só porque não tinha certeza dos meus sentimentos por você, tinha esse direito? – Soltei-a e levantei impaciente. – Pois saiba que eu era fiel a você Leana, eu era pelo menos até a primeira vez que aquilo aconteceu. Porque vamos lembrar que não foi uma vez só.
Ela se sentiu culpada, minhas palavras a atingiram como um tapa. Levantou-se e por fim falou:
- Eu errei com você uma vez Jimmy, mas isso não vai acontecer de novo. Farei o possível para te provar isso, eu te amo! – Ela se se aproximou de mim e acariciou levemente minha face. Demonstrei indiferença, o que a deixou sem graça novamente, se retirando logo em seguida.
Me joguei na cama agora arrasado pela nova declaração de Leana, era frustrante pensar que ela ia correr atrás de mim novamente, merda, logo quando as coisas estavam indo bem com a Jacky... JACKY! Dei um salto da cama e voando fui até meu celular, disqueis todos os números em uma velocidade surreal, mas estava desligado. Repeti a ação algumas vezes, mas vencido pelo cansaço resolvi mandar uma mensagem esperando que ela a visse. Fitei o teto repassando a conversa do dia na minha cabeça algumas vezes, cheguei a quicar na cama de tanto me debater. Briam abriu a porta e ficou parado na minha frente, sem dizer nada.
- Que merda você quer aqui?- Perguntei sem olha-lo. Ele se aproximou e jogou algo na minha barriga. Era uma garrafa de cerveja.
- Você precisa de um tempo cara... Passou a tarde toda com aquela pé lá saco te infernizando.
- Ela me quer de volta Brian, essa megera... Ela conseguiu me fazer de idiota e depois, quando eu finalmente a esqueço ela volta igual um cachorrinho abandonado pedindo abrigo! E agora eu não consigo falar com a Jacky, a pessoa mais importante pra mim no momento, que me pegou na pior hora com a pior pessoa na pior situação.
- Jacky vai superar, mas tente mante-la longe de Leana para as coisas não ficarem piores. Até que uma briga de mulheres não é nada mal.- Ele levou a garrafa aos lábios provavelmente imaginando a cena.
-Eu preciso falar com ela... – Dei uma feroz golada na minha garrafa pegando o celular de novo. Nada, ela provavelmente não queria me ver nem pintado de ouro e empanado a cocaína.
- Cara, você é o baterista do Avenged Sevenfold, se prender a uma mulher só? Fala sério, você pode ter quantas quiser e não ter que lembrar o nome delas. Para de ficar igual um bobo chorão por causa de uma ex-atriz pornô e uma moleca problemática.
- Você diria a mesma coisa se fosse com Michelle? – ponto fraco. Ele não respondeu, apenas balançou o final da garrafa algumas vezes como se inspecionasse o liquido ali dentro. Em fim levantou, mas antes não deixou a pergunta no ar:
- Eu simplesmente percebi que... Não quero ter responsabilidade sobre outras pessoas. – E então deixou o quarto.
POV Jacky.
Fomos direto para o estúdio de manhã, ainda tínhamos bastante coisa para ensaiar até a noite do “New Moon Club” a tal casa de show em que conseguimos uma apresentação. Cartazes já estavam espalhados pela cidade, os ingressos eram vendidos aos montes, parece que já estávamos mais recomendadas do que imaginamos. Na minha cara eram perceptíveis duas rodelas roxas abaixo de meus olhos, obviamente quase não os preguei na noite passada. Todas estavam bem empolgadas com as notícias, até passamos por um grupo de garotas que nos pararam pedindo por fotos e isso fez com que o ego de Lexie ultrapassasse as barreiras do infinito. O que já era de se esperar. Nos dirigimos para um daqueles departamentos, o n° 59 para ser mais exata e lá encontramos todo nosso equipamento já montado e esperando por nossa boa vontade. “Começamos com “Made Of Lies” uma das preferidas de Eleonora, e então passamos para “ Bitches Don’t Cry” ( uma música que eu e Lexie escrevemos depois de encontrarmos com um grupo de vagabundas que tentaram arrumar confusão com a gente em um bar.) E outras vieram sucessivamente. Só acabamos o ensaio quando passava de 19:30h sem nem ao menos termos parado para um lanche. Os roadies tiveram que ir embora mais cedo então ficamos de arrumar o resto da bagagem por nós mesmas. Não era muita coisa, mas a boa vontade estava a anos luz de distância.
- Por que não largamos tudo aqui e amanhã voltamos pro ensaio? É tão mais prático... – Eleonora se queixava deitada no sofá.
- Porque provavelmente vamos mudar de estúdio amanhã. Eles vivem com as cabines ocupadas, é difícil acabar pegando a mesma dois dias seguidos. – Cristina explicou apoiando duas caixas de som embaixo dos braços.
- Eu tô morrendo de foooome. – Rose se jogou em cima da cadeira giratória.
- Eu não tô nem um pouco afim de pegar peso, e ainda pode fazer mal pra minha coluna! Temos que prevenir qualquer acidente antes do show, ainda mais com a vocalista né? – Lexia arrumava o cabelo na frente do espelho e todas nós bufamos com o comentário desnecessário.
- Se quiserem, podem ir comprar um sanduíche, eu espero aqui e vou adiantando as coisas. – dei de ombros. Não ia guardar tudo sozinha, mas ao mesmo tempo tinha uma necessidade enorme de ficar alguns segundos sem aquela falação desnecessária na minha cabeça.
- Ok, é só deixar o seu celular ligado para alguma emergência, e se quiser pedir mais comida só dar um toque. – Lexie foi saindo, mas parou depois que percebeu não ouvir nenhum passo atrás dela. – Anda gente, oque foi?
- Tá de sacanagem que vai deixar ela sozinha arrumando tudo né?- Cristina ainda parecia incrédula. – Pensa um pouco com esse suporte pra cabelo que você chama de cabeça, ela tá tão cansada como a gente. – Ela estava irritada, mas se tratando de Lexie, essa irritação era normal.
- Idiota, ela se ofereceu. Provavelmente até guardar caixas de som e cabos pesados deve ser menos doloroso do que aguentar suas patadas gratuitas. – Lexie respondeu abrindo a porta e chamando todo mundo. – Cara é só um sanduíche, ela não vai guardar tudo, só adiantar um pouco enquanto nós trazemos o rango. Uma mão lava a outra. – Ela sorriu sarcasticamente.
- Vou ficar, a rose trás o meu também. – Cristina completou.
Lexie deu de ombros – Ok.
- Tem certeza Cristina? – Rose perguntou.
- Total, há, e sem passas, por favor. – Ela se virou e pegou mais uma remessa de caixas e levando até a porta da garagem onde o nosso ônibus se encontrava.
- Deixa o celular ligado para caso esse miojo putrefado tente te matar ou coisa do tipo. – Lexie disse por fim.
Elas saíram nos deixando totalmente a sós, comecei a carregar algumas ferramentas enquanto tirava o celular do bolso, depois que a tela se acendeu e o menu entrou, uma caixinha preta apareceu anunciando algo entorno de 35 ligações perdidas e 1 mensagem. Congelei. O nome “jimmy” piscava bem abaixo do número, meu coração acelerou. Voltei a andar para disfarçar, enquanto pensava se lia a mensagem ou não, mas acabei vencida pela curiosidade.
“Jacky eu sei que sou a última pessoa que você quer ver no mundo. Mas por favor, me de a chance de explicar o que aconteceu, não é o que você tá pensando. Se mesmo assim você nunca mais quiser olhar na minha cara eu vou entender então... Me avise quando estiver livre.
Jimmy.”
Reli a mensagem algumas vezes, repetindo-a na minha cabeça. Aquilo fez meu coração bater doído. Eu realmente não queria vê-lo, estava com muita raiva mesmo não sabendo ao certo se deveria ou não. Jimmy era a minha pessoa, meu fiel escudeiro, meu comparsa e a pouco tempo atrás meu mundo. Tinha uma certa necessidade de vê-lo mais uma vez e, como não sou nem um pouco curiosa, queria saber toda aquela história de cabo à rabo.
- Você deveria falar com ele. – Cristina sussurrou atrás de mim. Arrepiei com o susto e fiz uma careta horrível quando percebi que ela estava bisbilhotando.
- É minha opinião. Se você realmente que mandar ele a merda, pelo menos saiba por que o mandou. Tenha um motivo. – Ela deu de costas e voltou a carregar o equipamento.
Sim, ela estava certa. E isso aliviou um peso dos meus ombros, agora poderia usar isso como um ponto a favor de reencontra-lo além do meu desejo de revê-lo e espanca-lo. Guardei o celular e continuei com toda aquela parafernália, alguns minutos depois minhas costas ardiam, senti na pele todo o sofrimento dos roadies. Sentei no sofá para descansar e Cristina veio logo depois, já havíamos guardado metade do equipamento que sobrara e com certeza não iriamos guardar o resto.
- Hum, é...Obrigada, você tem sido a mais legal até agora. Não que seja uma competição mas, se eu fosse esperar isso de alguém, confesso que seria da Lexie. – tentei parecer o mais sutil possível.
- Digamos que... Eu entenda pelo que você esteja passando. – Ela abaixou a cabeça e por um breve momento vi seus olhos se perderem em devaneios. – Mas não vamos falar de mim, alguém aqui tem um encontro pra marcar. – Ela se levantou e socou meu braço.
- Não diga “encontro”,só esclarecimento.- Corrigi Cristina. – E, não comente nada com elas, por favor.
Ela fechou um zíper invisível na boca, e minutos depois todas chegaram com pilhas de sanduíches e garrafas de refrigerante. Fui ao banheiro e puxei o celular do bolso, batuquei algumas vezes na mesa pensando em algo reto e direto para mandar de volta. Minha cabeça estava uma bagunça, ele já havia me decepcionado uma vez e estava fazendo de novo, porém mesmo assim eu queria estar do lado dele. Cristina estava certa, eu tinha que pelo menos saber o porquê de estar brava, e só ia conseguir se falasse com ele. Digitei rápida e friamente, nada além do necessário. Afinal, eu já não sabia mais como me sentir.
“Amanhã, 17:00h – Lugblue
Jacky."
Fale com o autor