Forget-me-not
13 Begônia 2/2
Notas iniciais
Begônia (2/2)
.
Admito que uma força hercúlea me foi necessária para levantar da cama pela manhã.
Eu estava com um pouquinho de dor de cabeça, mas até aí tudo bem. Moriyama-san estava deitado embaixo de mim, de barriga para baixo, babando no meu travesseiro que nem da última vez.
(Tirei mais uma foto.)
Desliguei o despertador e fui tomar um banho. A tontura (pelo menos a maior parte dela) tinha ido embora, e eu só estava com muita fome e sede. Depois de clarear os pensamentos embaixo da água, fui preparar alguma coisa para comer, mas não antes de acordar Moriyama-san.
Chamo-o três vezes, mas ele só vira o rosto para o outro lado e me ignora.
— Moriyama-san, levanta.
— Eu 'to dormindo, mãe. Pede pro papai.
Seguro a risada e passo a mão nas costas dele.
— Moriyama-san, você vai se atrasar pro trabalho.
— Eu entreguei o trabalho de Artes semana passada, deixa eu dormir.
Sacudo-o um pouco, mas, vendo que ele não tem jeito, resolvo voltar mais tarde. Vou para a cozinha e ponho a água para ferver.
.
.
Moriyama abre os olhos com dificuldade, sentindo a cabeça latejar. Ao mesmo tempo que sabe que tem que levantar e ir para o trabalho, ama a ideia de ficar a manhã inteira na cama dormindo. O cheirinho de café fresco é o que lhe dá ânimo para seguir em frente.
Yoshitaka senta-se na cama e esfrega os olhos, mantendo-os semicerrados enquanto desce e caminha até a porta. A claridade vinda da janela da sala fere-lhe os olhos, mas ele continua em frente.
— Bom dia, Moriyama-san — Izuki cumprimenta-o por cima do ombro, e solta uma risada anasalada quando olha para o outro rapaz — Vai ficar pelado mesmo?
— Ahn? — Moriyama olha para si mesmo — Ah. Nossa. — ele dá de ombros e senta-se na cadeira, apoiando a cabeça na mão — Acho que fiquei meio dolorido.
— Desculpe, Moriyama-san. — Izuki coloca as torradas nos pratos e pega o bule de café, sentando-se também — Foi a primeira vez que transei tão bêbado e eu acho que te machuquei.
Moriyama ouve vagamente as palavras de Izuki. Ele pousou os olhos na xícara fumegante de café e perdeu o foco dos olhos, pensando na noite anterior.
Nunca passou pela cabeça de Moriyama Yoshitaka que Izuki Shun transaria tão bem assim. F-Foi uma surpresa. Izuki havia conseguido deixá-lo meio louco de tesão por ele, indo devagarzinho daquele jeito, e esfregando o corpo suado no dele, e aqueles gemidos roucos que ele...
As bochechas de Moriyama pegam fogo na mesma hora, e ele pôde sentir perfeitamente o coração batendo super rápido no peito.
— ...Moriyama-san?
—Também, você é maior que eu, Izuki-kun.
Moriyama pisca algumas vezes e ergue a cabeça, vendo Izuki ficar meio sem jeito.
— Não sou, não...
— É sim.
— ...Certeza?
Moriyama levanta da cadeira e ergue as sobrancelhas.
— O que você acha? — pergunta.
— Ah, sei lá...
Moriyama puxa Izuki pela mão e ergue-o também, para em seguida puxar as calças dele até os tornozelos. Os dois ficam se olhando.
— É, tem razão.
— Eu disse. Você deve ser tipo uns quatro centímetros maior que eu.
— Mas você é mais grosso.
— ... É verdade.
— Por que você 'tá meio duro, por sinal?
Moriyama senta-se rapidamente e enche a boca de torrada. Izuki sobe as calças e senta-se também. Ver o rosto de Moriyama corado daquele jeito faz com que lembre a noite anterior; o jeito que as bochechas dele pareciam que iam pegar fogo, ou aqueles gemidos sem fôlego, ou...
— Ah, tá. Entendi — Izuki diz e termina de comer.
Depois de se trocarem e Moriyama tomar banho, os dois rapazes pegam o elevador até a floricultura e encontram Kobato e Suzume lá, limpando as prateleiras.
— Bom dia, meninas — Izuki sorri para as irmãs, e passa a mão na cabeça delas.
— Bom dia, minhas princesas — Moriyama dá uma piscadinha e um sorriso para cada.
— Bom dia, Shun-nii, Moriyama-san. — as meninas os cumprimentam de volta. Quem continua falando é Suzume — Viu, Shun-nii, se você e o Moriyama-san pudessem pegar os vasos de rosas lá trás...
— Claro, pode deixar.
Izuki coloca seu avental, e ele e Moriyama vão até os fundos da loja, mais especificamente até o quartinho em que Moriyama dormiu por um tempo.
— Sente saudades? — Izuki pergunta-lhe com um sorriso no rosto.
— Não — Moriyama responde e ri. Ele segura na mão de Izuki, e o puxa contra si por um instante, beijando-o timidamente.
Os dois se separam e pegam, cada um, um vaso de rosas vermelhas.
— É bom ter minha própria casa. — Moriyama diz, abrindo a porta do corredor para Izuki — Meu próprio lugar. Nunca morei sozinho.
— Ah, que legal. E como...
— Miya-chan!
Kobato e Suzume gritam ao mesmo tempo, enquanto Moriyama e Izuki chegam a loja. Izuki quase empaca no lugar, mas Moriyama continua, só para ver uma moça estonteante entrando pela porta e sendo abraçada por Kobato e Suzume.
Izuki entra logo atrás de Moriyama, quase deixando o vaso escorregar de suas mãos. Ele respira fundo, e o coloca em cima do balcão.
— Tudo bem, meninas? Faz um tempão, né? — a moça que entrou, aparentemente chamada Miya, sorri largamente para as gêmeas e passa a mão no cabelo delas — Oi, Shun-kun. — ela acena para Izuki.
Moriyama recua um pouco. A moça havia chamado Izuki pelo primeiro nome. Moriyama pousa os olhos em Izuki; ele parece nervoso...?
— Oi, Miya-chan. — por que a voz de Izuki está tão alterada?
Ele vai até a moça, e eles se cumprimentam com um beijo em cada bochecha. Moriyama coloca o vaso em cima do balcão antes que deixe cair.
"Quanta intimidade..."
— O que faz por aqui? — Suzume pergunta, segurando numa das mãos de Miya. Ela parece incrivelmente feliz.
— Estava aqui por perto e pensei em fazer uma visitinha, oras! — Miya ri, e seus cabelos castanhos caem em seu rosto. Moriyama não consegue parar de pensar em como a garota é bonita — Não posso vir ver minhas pestinhas favoritas?
— Claro que pode, Miya-chan! — Kobato também parece radiante. As gêmeas sorriem de uma orelha a outra, e Izuki está com o olhar meio...
Sofrido.
— Veio comprar alguma coisa? — Izuki pergunta por educação, mantendo—se longe.
Os grandes olhos azuis de Miya pousam em Izuki, e ela sorri tristemente.
— Não, obrigada. Só queria saber como vocês estavam mesmo.
Moriyama não se sente exatamente bem.
— Ah, Shun-kun, posso falar com você rapidinho lá fora? — Miya indica a porta — Coisa de três segundos.
— ...Claro.
Izuki tira seu avental e o pendura na maçaneta da porta. Miya se despede das meninas, e acena brevemente para Moriyama, que acena de volta por educação. Izuki e Miya vão para a calçada do lado de fora, e Kobato e Suzume voltam a limpar as prateleiras. Moriyama pega um pano e vai limpar o balcão.
— Digam, meninas. — Moriyama tenta soar o mais casual possível — Quem era?
Kobato ergue os olhos para a irmã no mesmo segundo, e as duas se olham. Em seguida, viram para o rapaz.
— Bom, ahn... — Kobato dá de ombros rapidamente e volta a varrer o chão — É a ex-namorada do Shun-nii.
Por que elas ficaram tão agitadas?
— Ah, é? Ela é legal? — Moriyama tenta manter os olhos focados no balcão.
— A Miya-chan é a garota mais legal que eu já conheci. Ela é super linda e simpática. — Suzume diz.
— Ela e o Shun-nii se davam super bem. — Kobato comenta.
— Entendi. O que aconteceu pra eles terminarem? — Moriyama limpa pela vigésima vez a mesma parte do balcão.
— Não sei... — Suzume ajeita as flores dos vasos menores — Ela era da mesma escola dele, e eles começaram a namorar quando o Shun-nii estava no terceiro ano do ensino médio, e ficaram juntos por... Por quantos anos, Kobato?
— Acho que por quatro anos. Não sei o que aconteceu, mas um dia nós chegamos da escola e ele disse que tinha terminado com ela, e só. Nunca explicou o porquê.
— Hmm... — Moriyama sente seu interior pinicando de curiosidade.
— Sabe... — Kobato abre um sorriso triste enquanto olha para as begônias — Eu realmente achei que eles fossem se casar. Sempre achei que a Miya-chan fosse a pessoa da vida do Shun-nii.
— Por isso foi tão estranho quando eles terminaram. — Suzume olha rapidamente para Moriyama — Eles nunca brigavam, e eu nunca ouvi eles discutindo. Então sei lá, acho que ficou um assunto não resolvido.
— O Shun-nii ficou muito triste aquela época. A loja vivia infestada de cravos roxos; todo lugar que você ia (até em casa, eu juro) era cravo pra todo lado.
Ah, os cravos. Moriyama não iria se esquecer deles. Os mesmos cravos roxos que tomaram lugar na loja depois que Mirai tinha aparecido. Os mesmos que significavam "solidão e dor". Moriyama não gostava deles.
— Entendi.
— Mas por que a pergunta, Moriyama-san? — Kobato encara—o com seus grandes olhos prateados.
—Sei lá, só quis saber. Vocês pareciam muito próximos.
"E eu acho que estou com ciúmes."
— Bom, ela e o Shun-nii meio que criaram a gente depois que a mamãe foi embora — Suzume sorri de lado rapidamente.
Moriyama olha discretamente para o lado de fora. Miya e Izuki parecem conversar animadamente, mas Izuki mantém uma distância respeitosa, apesar de Miya o tocar frequentemente.
Moriyama Yoshitaka não fazia ideia de que Izuki Shun tinha uma ex-namorada. Para ele, parecia que Izuki era o tipo de cara que preferia não se envolver muito, e sempre estava com alguém novo. Na verdade, via Izuki como sendo um cara que consegue as garotas e as leva para casa para um sexo casual e pronto, sem nada além disso.
Bom, até certa parte é verdade. Izuki fazia isso, e realmente procurava não se envolver. Preferia lances de uma noite só e pronto, cada um na sua depois.
Mas isso foi só depois de Miya.
A moça vai embora, e Izuki entra de novo.
— Bom, gente. Preciso ir para o trabalho — Moriyama diz e ajeita a roupa mecanicamente.
— Ok, Moriyama-san. Bom trabalho — as gêmeas dizem.
Izuki chega perto de Moriyama e pega em sua mão.
— Se der, vem passar seu horário de almoço aqui? — Izuki diz baixinho, apertando a mão de Moriyama.
— Vou ver se dá.
— Ok.
Os dois se beijam rapidamente, e Moriyama vai para o trabalho de uma vez.
.
.
Izuki Shun cismou nas begônias de sua loja, principalmente depois do encontro com Miya e a noite com Moriyama.
Além disso, as flores estavam mais belas do que nunca.
Izuki já tinha terminado de limpar a loja e tinha subido para fazer o almoço. Miya não saía de sua cabeça, por mais que achasse que pensar nela era errado. Quatro anos de namoro simplesmente não eram esquecidos num estalar de dedos, e isso confundia a cabeça de Izuki Shun.
As begônias, que tantas vezes foram entregues a Miya como juras de amor — a lealdade do amor eterno —, continuam chamando a atenção de Izuki pelo canto dos olhos, e parecem ser as preferidas das abelhas nesse dia em especial.
Havia muito que Miya não lhe vinha a cabeça, e por isso foi mais do que uma surpresa quando ela apareceu na loja. Izuki suspira; Miya continua bonita e animada como sempre, e seus olhos estão mais azuis do que nunca. Parece que ela resolvera deixar o cabelo crescer; já estava batendo na lombar, diferentemente de quando se conheceram, que era na altura dos ombros. Já Izuki não mudara muito, achava. O mesmo cabelo preto liso, os mesmos olhos prateados, a mesma loja, os mesmos amigos, o mesmo tudo.
"...Moriyama-san."
Ah. Claro. Tudo era o mesmo, exceto o coração. Este havia mudado muito desde que Miya fora embora. Antes constantemente sozinho, agora era ocupado por outra pessoa.
Mas se esse é o caso, não deveria estar tão balançado assim pela beldade dos olhos azuis.
O cheiro de queimado desperta Izuki dos seus pensamentos. Ele corre até a panela, mas já é tarde. O peixe queimou.
— Merda.
Izuki suspira de novo. Sua cabeça estava a mil por hora; pensava em tanta coisa... Em Miya, em Moriyama, na floricultura — assunto que toma a maioria do seu tempo agora —, em Kobato e em Suzume.
A floricultura, por sinal... Era preocupante como...
A campainha toca, tirando Izuki do novo transe.
— Já vou. — ele diz e mexe rapidamente na comida. Solta o pano e tira o avental, indo até a porta em dois passos rápidos — Moriyama-san?
— Oi, Izuki-kun.
O coração de Izuki dispara loucamente enquanto ele abre espaço para que Moriyama entre. O cheiro de comida está gostoso, e a maioria das coisas está quase pronta.
Moriyama puxa Izuki contra si e aperta os lábios nos dele.
Ficara pensando naquela cena a manhã toda. Em como as meninas ficaram felizes, em como Izuki pareceu estranho, no jeito que Miya falou "Shun—kun" de um jeito super afetivo, no tamanho grau de intimidade que todos ali pareciam ter, e em como sentiu uma pontadinha de ciúmes bem ali no lado esquerdo do peito.
Moriyama aperta Izuki mais forte. Ah, Deus, por que sempre tem que ter alguma mulher envolvida?
— Moriyama-san, a comida vai queimar... — Izuki tenta dizer com os lábios colados ao de Moriyama. O rapaz mais velho solta-o e ri um pouco, meio envergonhado.
— Desculpe. — Moriyama analisa cuidadosamente o rosto de Izuki por alguns segundos, até que ele se vira para tirar as coisas do fogo — O que fez de bom?
— Peixe, lula e camarão. Espero que goste.
— 'Tá brincando? Eu amo camarão!
Moriyama sorri e ajuda Izuki a arrumar a mesa. O cheiro estava realmente divino, e flores brancas enfeitavam a mesa.
— Que flores são? — pergunta Moriyama ao se sentar.
— Begônias.
Izuki serve os pratos.
— Sério? E o que significam?
Izuki ergue os olhos rapidamente, e se depara com Moriyama encarando-o animadamente.
— ...Não me lembro.
Moriyama franze a testa. "Por que ele está mentindo?"
"Izuki-kun nunca se esquece dos significados das flores."
Os dois começam a comer em silêncio. Moriyama não gosta da situação; Izuki evita olhar nos olhos do outro porque aqueles pensamentos inoportunos ainda não foram embora.
— Tem alguma coisa te incomodando, Izuki-kun?
— Hm? — Izuki sai do seu devaneio e olha para Moriyama, que o olha de volta meio preocupado — Bom, algumas coisas... A floricultura...
— É sobre a Miya?
Izuki tem dificuldades para engolir seu peixe.
— Bom... Também.
Era tudo que Moriyama queria ouvir. Ele abaixa os olhos e escolhe cuidadosamente seu próximo camarão.
— O que te preocupa sobre ela?
— O que você sabe sobre ela, Moriyama-san? — Izuki não estava entendendo o rumo da conversa. Desde quando os dois se conhecem?
— Kobato-chan e Suzume-chan me contaram algumas coisas, por exemplo que ela é sua ex-namorada, e que vocês têm assuntos mal resolvidos, e que aparentemente vocês eram perfeitos um para o outro.
O tom de voz de Moriyama estava um pouco alterado. Ele não tira os olhos de seu prato, mas sente os olhos de Izuki pregados nele.
— Bom, ahn... — Izuki franze a testa, não entendendo mais nada — Sim, ela é minha ex... Na verdade, não é bem preocupação. Só fiquei meio espantado ao saber que ela está noiva e grávida. Só isso.
Moriyama ergue o olhar rapidamente.
— Noiva e grávida?
— É. E, bem, não é que nós temos assuntos não resolvidos, Moriyama-san... — Izuki abaixa os olhos — É só que o jeito que a gente terminou me magoou muito.
Moriyama sente-se meio idiota; ele apoia a cabeça na mão, e pergunta:
—Se quiser conversar...
Izuki ergue o olhar e sorri tristemente.
—Eu e a Miya acabamos nos conhecendo porque ambos éramos do time de basquete, ela do feminino e eu, do masculino. E deve ter sido, tipo, paixão a primeira vista. Logo na segunda vez que a gente se encontrou, eu a chamei para sair.
"A gente estava no terceiro ano, quase se formando. Como eu gostava muito dela, pedi-a em namoro logo, e ela aceitou (isso foi meio uma surpresa). Então a gente namorou por quatro anos.
"Quando minha mãe foi embora, ela ficava muito na minha casa e ajudava a cuidar das minhas irmãs e da loja, ao mesmo tempo que cursava Direito na faculdade. A Kobato e a Suzume adoravam ela, e eu também. Acho que ela foi meu primeiro amor, sabe? Eu era maluco por ela.
"Eu sempre dei flores, especificamente begônias, e ela sempre gostou.
"Um dia ela chegou cedo em casa, antes das meninas chegarem da escola. Ela sentou no sofá, e quando eu a entreguei a begônia, ela não quis. Ela disse que o nosso namoro estava empacado e provavelmente não iria mais para frente, e por isso estava terminando comigo.
"Eu fiquei muito triste; não sabia o que tinha feito de errado, nem como nem quando ela tinha parado de me amar, sendo que a cada dia que passava eu ficava mais louco por ela. Ela pegou as coisas e foi embora sem mais nem menos, e não quis conversar comigo depois."
— Nossa. Ela foi embora assim mesmo? Sem explicações?
— É... Foi difícil.
"A loja vivia enfestada de cravos roxos", dissera Kobato.
— Acho... — Izuki sorri para sua comida — Acho que a gente nunca realmente esquece nosso primeiro amor. Acho que sempre vai rolar aquele apertozinho no coração, não importa quanto tempo passe.
Moriyama sorri também.
— Sei como é.
— Não me interprete errado, Moriyama-san — Izuki apressa-se em dizer — Não estou te desprezando nem nada. Com você é totalmente diferente.
— Ah, é? Por quê? — Moriyama engole sua lula rapidamente e prega os olhos em Izuki.
— Porque é a primeira vez que eu gosto de alguém desde que eu terminei com a Miya, há quase dois anos.
O coração de Moriyama dispara no peito e ele morde os lábios. Izuki ri.
— Eu tinha me esquecido o quanto é legal essa sensação... — as bochechas de Izuki ficam levemente vermelhas — Essa sensação de estar apaixonado, sabe?
— S-Sei.
— O friozinho no estômago, o pulso rápido...
— O sorriso besta 24 horas por dia no rosto, as mãos suadas... — Moriyama sorri, e Izuki sorri também.
— É — ele ri — Tudo isso. Fazia tanto tempo desde que eu me apaixonara que esqueci como era, e agora estou curtindo de novo.
— Mas por que você está tão inquieto?
— Ah, sei lá... É que ver a Miya me deixou assim. Que droga, por que ela tinha que estar tão bonita?!
— Eu sei! — Moriyama bate com o punho na mesa — Eu pensei a mesma coisa quando vi a Mirai!
— E também, saber que ela estava grávida e noiva me deixou meio... Meio...
— Incomodado? — Moriyama diz e Izuki sacode a cabeça — É, eu também fiquei quando soube que a Mirai estava namorando de novo.
— Tipo, estou feliz por ela, sabe? Eu só pensei que... Talvez eu tenha ficado com um pouco de ciúmes em saber que ela estava bem e feliz. Sem mim.
— Ah. — Moriyama sente aquela espetadinha de novo.
— Depois que a gente terminou, eu procurei não me envolver com mais ninguém porque estava com medo, na verdade. — Izuki sorri timidamente — Mas... Mas aí eu te conheci.
— Pensa que dificilmente eu vou aparecer grávido — Moriyama termina de comer e repousa seus hashis ao lado do prato. Suas bochechas ficam vermelhas.
Izuki ri.
— Isso é verdade.
Fale com o autor