Forbidden Love
4 "Quanto menor é o coração, mais ódio carrega"
Notas iniciais
Marina retornou com garfos e dois copos de suco.
–Abacaxi com hortelã, espero que você goste- Disse Marina sorrindo
–Meu preferido!
As duas comeram, jogaram conversa fora. Clara se sentia em casa ao lado da fotógrafa. Há muito tempo não se sentia tão amada, feliz, completa. Não aguentava mais não poder se entregar por inteiro à Marina.
Dois meses se passaram e Cadu se recuperava cada vez melhor. Não estava 100% de volta ao normal, mas faltava pouco para isso. A situação entre Clara e Marina continuava a mesma e isso estava acabando com ambas. A assistente sabia que tinha que acabar com esta situação.
–Cadu, nós precisamos conversar.
–Sobre o que? – disse o chef sem tirar os olhos do jornal que estava lendo
Clara retirou o jornal de suas mãos e sentou em sua frente. O marido ia protestar, mas desistiu ao ver o olhar sério da mulher para ele.
–Sobre a situação que estamos vivendo, caramba.
–Ah Clara, esse assunto de novo? O que foi que aquela fotógrafa de merda enfiou na sua cabeça dessa vez?
–Não fala assim dela! Cadu, você sabe tão bem quanto eu que nós não somos mais felizes. Que não somos mais um casal! Qual o propósito de insistir em algo que não está mais dando certo? Que não nos traz mais alegria?
–Fale por você! –Cadu gritou.- Eu te amo, Clara, sempre amei. E agora por causa daquelazinha você quer jogar para o alto um casamento de 10 anos, nossa família, nosso filho.
–Não coloca o Ivan no meio – A assistente se alterou também.- Não importa a decisão que eu tome na minha vida, meu filho sempre estará em primeiro plano. –Clara se levantou e agora andava de um lado para o outro-. Você não precisa ficar jogando na minha cara que fomos casados 10 anos, que fomos felizes. Você acha que eu poderia esquecer? Eu também te amei muito, Carlos Eduardo.
–Amou? Clara, olha como você está falando. Nem parece a mesma mulher por quem eu me apaixonei há anos atrás.
–Mas eu não sou a mesma Clara! As pessoas mudam e os sentimentos também. Eu mudei, me redescobri como mulher. Sempre sentirei carinho, respeito, amizade e admiração de você. Mas amor que uma esposa sente pelo seu marido... isso infelizmente não existe mais. –Clara disse com lágrimas nos olhos.
Cadu chorava também, diversos sentimentos se misturavam em seu interior: mágoa, raiva, ódio.
–TUDO ISSO PRA QUE? PRA VOCE SE ENFIAR NA CAMA DAQUELA MULHER?
–CADU, VOCE ME RESPEITA. Não é sobre sexo que estamos falando, é sobre sentimentos! E isso não é algo que você escolhe, está dentro de você!
–Só falta você me dizer agora que está apaixonada por aquela mulher. –disse incrédulo.
–Eu amo a Marina. –Clara disse quase que em um sussurro.
–Chega, eu não quero mais ouvir nada disso. É o divórcio que você quer? Ótimo, falamos com o Nando hoje mesmo. Mas saiba que o Ivan fica comigo. Não quero meu filho no meio dessa orgia! –Disse batendo na mesa-.
–Jamais abrirei mão do meu filho. Cadu, você sabe que nenhum juiz vai te dar a guarda do menino. Eu trabalho, tenho residência fixa, tenho todas as condições para criar nosso filho. Eu sei que você o ama tanto quanto eu, então por que fazer o menino sofrer? Fazer com que ele se sinta dividido entre a mãe e o pai? Eu sei que você está com raiva, magoado. Mas o Ivan não tem culpa, e não merece sofrer por causa das nossas decisões.
–Foi você quem causou tudo isso, Clara. Você. – e com essas palavras, Cadu saiu de casa batendo a porta.
Clara desabou no chão. Sentia seu coração despedaçar só de pensar em ficar sem o filho. Correu aos prantos para o apartamento da irmã.
–Clarinha, o que aconteceu? –Helena perguntou aflita ao ver o estado da irmã.
–Eu contei, Leninha. Contei tudo ao Cadu, disse que amo a Marina e que quero me separar. Desde o início eu soube que ele não aceitaria isso da melhor maneira possível, mas foi pior do que eu imaginava. Ele quer a guarda do Ivan. –Clara soluçava nos braços da Helena.
–Ele vai pensar melhor, minha irmã. Ele tem sim seus defeitos, mas é apaixonado pelo filho, não vai querer que ele sofra. –Ela abraçava forte a irmã mais nova.
–Eu sei, Helena. Acontece que ele está cego pelo ódio que está sentindo de mim.
–As coisas vão melhorar, eu te prometo. –disse tentando acalmar Clara- Você tomou a decisão certa, minha irmã. Não vale a pena sustentar um casamento onde não há mais amor. Você tem todo direito do mundo de buscar sua felicidade, seja com outro homem ou com uma mulher.
Cadu andava pelo calçadão e as palavras de Clara ecoavam em sua cabeça: “o Ivan não tem culpa, não merece sofrer por causa das nossas decisões”. Sabia que no fundo a mulher estava certa, que o filho sofreria muito, pois era muito apegado à mãe. O chef se sentia dilacerado, porque sabia que não podia fazer nada para mudar o que Clara sentia por Marina. Seu coração estava disparado. Foi então que começou a pensar em tudo que passou nos últimos meses. Esteve à beira da morte, mas teve a chance de viver novamente. Tinha um coração novo pulsando em seu peito que lhe dava a oportunidade de um recomeço. Ele não podia jogar isso fora.
Fale com o autor