Forbidden Love
5 It's time to start again
Notas iniciais
Cadu voltou para casa e encontrou Clara sentada no sofá. Ela estava com um olhar perdido, os olhos inchados de tanto chorar. Estava tão perdida em seus pensamentos que nem notou o marido chegar.
–Você tem razão.
Clara levou um susto. Olhou para o marido sem entender o que ele quis dizer com aquelas palavras.
–Você tem razão. Por mais que eu não concorde com tudo que está acontecendo o Ivan não merece sofrer por causa de uma decisão nossa. Eu aceito o divórcio, você fica com a guarda dele. Mas quero ver meu filho toda semana.
Clara levantou correndo e abraçou Cadu. Suas lágrimas agora eram de felicidade e se perdiam em seu sorriso.
–Você pode ver nosso filho quantas vezes você quiser, você jamais deixará de ser pai dele. Ele te ama muito!
–Eu também amo demais o Ivan. E é por ele que eu vou aceitar, não por vocês.
–Espero que um dia a gente possa pelo menos voltar a ser amigos.
–Quem sabe com o tempo. Mas agora preciso de um tempo pra mim, tenho que digerir essa história toda. Fiz uma reserva num hotel aqui perto, estou hoje mesmo indo para lá. –Disse se desvencilhando dos braços de Clara-.
–Cadu, você sabe que não precisa ser assim, que pode continuar aqui até arrumar um apartamento para morar.
–Não da Clara. Eu preciso de um tempo para mim e eu espero que você respeite isso.
Cadu fez uma mala com algumas peças de roupas. Olhou mais uma vez para o apartamento em que morou por tantos anos. Havia tantas lembranças boas ali. Mas era hora de seguir em frente e ele tentaria fazer isso sem olhar para trás.
Clara havia buscado o filho na escola. Ela e Cadu combinaram que conversariam juntos com o filho no dia seguinte.
O menino foi da saída da escola até o carro contando sobre uma experiência que haviam feito no laboratório de ciências.
–E daí começou a sair fogo verde, mãe, você precisava ver! Parecia mágica, muito maneiro. Depois vou fazer em casa pra você ver!!
–Mas nem pensar! Ta querendo incendiar nossa casa, moleque? –Ela disse fazendo cosquinha no filho. Entraram no carro e seguiram para casa.
–Ivan? –Disse Clara olhando o filho pelo retrovisor
–oi!
–Você se importa de dormir na casa da sua tia Helena hoje?
–Não, por quê? Você e o papai vão sair?
–Na verdade a mamãe tem algumas coisas pra resolver e deve voltar tarde pra casa. Seu pai também vai demorar e não queremos te deixar sozinho.
–Mas mãe, eu já sou um homem. Tenho quase 11 anos. –protestou o garoto-.
–Eu sei que você já é um homem, mas nunca se sabe quando você pode decidir experimentar fazer fogo por aí –falou rindo- Vai, liga pra sua tia e pergunta se você pode ir.
Clara deixou o filho com a irmã e seguiu para Santa Teresa, pois queria contar para amada sobre os últimos acontecimentos. Entrou no estúdio e viu que Marina estava terminando um ensaio. Ela estava tão compenetrada que nem percebeu a presença de Clara. A assistente a observava, a fotógrafa conseguia ficar ainda mais bonita quando ficava toda concentrada no trabalho. Clara se escondeu ao perceber que o ensaio havia chegado ao fim.
–Bom, meninas, acho que por hoje é só. Ótimo trabalho, vocês estão dispensadas.
As modelos saíram da sala acompanhadas por Vanessa e Flavinha. Marina começou a analisar algumas fotos de costas para Clara, que aproveitou a oportunidade e foi andando de fininho até chegar à amada. Tampou os olhos da fotógrafa com as mãos e sussurrou em seus ouvidos:
–Você fica tão linda fotografando.
Marina sentiu um arrepio percorrer seu corpo e seu coração estava disparado. Virou-se e se deparou com o sorriso da assistente.
–Clarinha! – Marina pulou em seus braços e a segurou firme.- Que surpresa maravilhosa! Você sumiu, achei que tinha se esquecido de mim –disse com um sorriso triste nos lábios-.
–Não, nunca! As coisas estavam cada dia mais difíceis Marina e eu sentia a sua falta a cada segundo.
Marina deu um daqueles sorrisos que faziam as pernas de clara tremer.
–Mas eu vim aqui porque a gente precisa conversar.
O sorriso de Marina sumiu por um instante.
–Conversar? Aconteceu alguma coisa? –Perguntou tentando esconder o nervosismo.
–Aconteceu. Eu pedi o divórcio ao Cadu. Nós estamos nos separando.
Marina travou por alguns segundos. Havia ouvido direito? Clara estava se divorciando? Sua vontade era de dar uma festa em comemoração, mas não queria parecer indelicada. Vendo que a amada não conseguia proferir uma única palavra, Clara continuou.
–Eu não era feliz há muito tempo no meu casamento porque não amava mais meu marido. Eu tentei continuar, tentei ignorar o que eu sentia, mas eu não podia mais fazer isso. Não era justo comigo, não era justo com o Cadu...e nem com você. –Clara olhava no fundo dos olhos de Marina, que a essa altura já estavam marejados-.
–Eu te amo tanto, Clara, desde a primeira vez que te vi! Assim que coloquei meus olhos em você pensei “é ela”. Eu imagino que seja difícil para você esta situação, mas eu quero que você saiba que estarei do seu lado para tudo, para qualquer coisa que você precisar.
–Eu também te amo. –a assistente devolveu baixinho-. Só me espera mais um pouco. Prometo não demorar.
–E o que você me pede sorrindo que eu não faço chorando? –Brincou a fotógrafa. As duas riram. Ficaram alguns segundos se olhando, uma perdida no olhar da outra, até que Marina resolve quebrar o silêncio.
–Topa ir ao cinema comigo? –perguntou animada
–Topo! E se a gente assistir aquele filme com a Angelina Jolie, Malévola?
–Ahhhhh eu to doida pra ver esse filme! A Giselle disse que é muito bom! Parece que tem uma sessão que começa às 20:00! Se a gente correr da pra pegar!
–Estamos esperando o que então? –Clara ajudou Marina a se levantar e as duas foram de mãos dadas em direção ao carro. A assistente olhou para as mãos entrelaçadas e sorriu. Finalmente as coisas estavam começando a entrar no lugar.
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