Forbidden Love
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Clara entrou no quarto de Cadu e ficou observando enquanto ele dormia serenamente. Ela sabia que ainda o amava e que sempre o amaria. Mas não era o tipo de amor que uma mulher sente por seu marido. Era um amor misturado com carinho, admiração, cumplicidade... No entanto, Cadu não era mais o detentor de seu coração. Ela estava muito feliz pela nova chance que a vida oferecia a ele e esperava, do fundo do coração, que ele fosse feliz. Clara não o abandonaria naquele período difícil, mas sabia que assim que ele estivesse recuperado, ela pediria o divorcio. Queria a chance de começar uma nova vida também. Seus pensamentos foram interrompidos pelo marido que acabara de acordar:
–Clara. –Disse ele com uma voz rouca.
–Ei! Como você está se sentindo? –Falou passando as mãos em seu cabelo
–Vivo! Pronto para recomeçar. — E sorriu.
–Fico muito feliz em ouvir você falar assim. Agora é questão de tempo até que você volte para casa e retome sua rotina. O Ivan, tadinho, me liga de meia em meia hora para saber se tenho alguma novidade sua.
–Que saudade daquele moleque! Diz pra ele se preparar que logo logo estarei pronto pra detonar ele no futebol. – E riram juntos.
Durante este período Clara e Marina mal puderam se ver. Sempre que dava, a assistente ligava para fotógrafa. Como sentia sua falta. E o mesmo acontecia com Marina... Aquele estúdio era tão sem vida sem a amada. Ela revisava algumas fotos quando Vanessa chegou com um envelope.
–Correspondência pra você. Uma carta.
–Pra mim? De quem? – Questionou surpresa. Nunca recebia cartas.
–L ê ué. –Disse mau humorada, jogando a carta na mesa de Marina..
–Credo Vanessa, que bicho te mordeu! Eu ein. – Ao ler o nome ‘Clara’ no envelope, Marina sentiu como se seu coração tivesse parado de bater. Abriu a carta desajeitadamente e começou a ler:
Querida Marina,
Sei que estamos nos correspondendo por email e algumas vezes por telefone... Mas achei que este seria um meio de me sentir mais próxima de você.
O Cadu está melhor a cada dia que passa e acredito que em breve possa voltar para casa. Mas não é sobre ele que eu quero falar. Sinto falta do trabalho, do estúdio, das meninas e principalmente de você, que se tornou uma parte tão importante na minha vida.
Os dias parecem se arrastar e o tempo, que muitos dizem ser a solução de qualquer problema, para mim se tornou uma tortura.
Não vejo a hora de isso tudo acabar. Queria tanto que você estivesse ao meu lado agora, mas sei que é impossível devido as atuais circunstâncias. Minha vida tem se resumido a este hospital. Tento pelo menos levar e buscar o Ivan na escola todos os dias e o resto do tempo ele fica na Helena. Acredita que ele vive me perguntando “Mãe, e a Marina, quando posso ver ela de novo?”. O bichinho se afeiçoou!
Ah, e não deixe de me manter informada sobre você também, mocinha.
Manda um beijo para todas aí e um especial para você. Espero te reencontrar em breve.
Com carinho,
Clara
Marina sentia lágrimas escorrerem por seu rosto ao ler cada palavra. Sentia muita saudade de Clara também e não via a hora daquela fase acabar. Ficou emocionada também ao ver que Ivan sentia falta dela, pois gostava muito do menino. Ela podia sentir o cheiro da amada na folha de papel... Apertou-a contra seu peito e sussurrou:
–Ah Clara... Cruzaria oceanos se fosse preciso para te ter ao meu lado
Duas semanas se passaram e Cadu estava voltando para casa. Claro que ele ainda não poderia retomar sua rotina, mas só se sair daquele hospital era motivo de grande alegria. Chegou em casa e tinha uma ‘festa’ surpresa preparada por Ivan em sua homenagem.
–PAAAAAI – O garoto correu e pulou nos braços de Cadu ao vê-lo entrar em casa.
–Filhão, que saudade! Parece ate que você cresceu cara! –Disse deixando o menino todo contente.
–Ivan, cuidado com o seu pai! Ele acabou de sair do hospital, pelo amor de deus! –Disse Clara rindo, feliz por ver o filho tão animado.
–Cadu! – Os três foram interrompidos por uma empolgada Verônica. Os dois se abraçaram e Clara notou o olhar da musicista para seu marido, mas isso não a incomodou nem um pouco. Ela aproveitou para escapar, já que o filho e o marido conversavam animadamente com a recém-chegada. Pegou o celular e discou rapidamente o numero que já havia decorado.
Marina estava em seu quarto conversando com Giselle quando ouviu o celular tocar. Ao ver o nome da amada abriu um grande sorriso.
–Bom pela sua cara não precisa nem dizer quem é! Vou descer pra deixar vocês conversarem melhor. –Disse piscando para Marina.
A fotografa riu e atendeu empolgada:
–Clarinha! Que saudade de ouvir sua voz!
–Nem me fale Marina. Liguei porque tenho boas notícias. O Cadu voltou pra casa!
–Fico feliz por vocês, Clara. –Disse a fotógrafa com sinceridade
–Então... eu queria saber se posso voltar ao estúdio amanhã...
Marina sorriu de orelha a orelha
–E precisa perguntar?
Ivan foi até onde a mãe estava, puxando seu vestido.
–Vem mãe, desliga o telefone, vamos partir o bolo que eu fiz.
Marina riu ouvindo o comentário do garoto.
–Desculpa Marina, mas você ouviu as ordens do senhor mandão né ??
–Olha, diz pra ele que vou querer um pedaço desse bolo em! Beijos Clarinha, ate amanha!
–Pode deixar! Beijos.
Clara mal podia acreditar que estaria ao lado da fotógrafa em poucas horas. Bastava pensar sobre isso que seu coração pulsava mais forte. Seguiu sorrindo em direção ao filho, contando os minutos para o dia seguinte chegar.
Fale com o autor